Domingo, 8 de Agosto de 2010
Bruno Vieira Amaral

A onda pró-bolaño, cujo clímax português ocorreu por altura do lançamento de 2666, não é mais carneirista, imbecil e cansativa do que a onda anti-Bolaño que parece ter dado à costa agora. Não falo de apreciadores e detractores genuínos. Esses terão as suas razões. Os outros, os que surfam as ondas, têm ambos aspirações elitistas fundadas quer na superioridade do gosto e do embevecimento parolo com tudo o que é reconhecido no estrangeiro, quer na recusa mal-humorada de uma obra literária que acreditam ser impingida pelo marketing. No fundo, são sentimentos gémeos que encontram casa na disponibilidade de alguns para gritar periodicamente “Genial!” e na de outros para encolher os ombros e suspirar “Eu cá gosto é de ler mortos”, como se entre Goethe ou Cervantes, Rabelais ou Flaubert, Faulkner ou Pearl S. Buck não houvesse nenhuma diferença para além de terem morrido há muitos anos. Leiam. Leiam muito. Leiam a merda e os génios, leiam a merda dos génios, porque os génios também metem a pata na poça, desistam de livros a meio, releiam se já nada vos convence, mas leiam muito, sempre. E deixem o Bolaño em paz (leiam-no ou não, mas poupem-no às vossas guerras provincianas), que pode não ser tão bom como acreditam os admiradores, mas também não é tão mau como o pintam algumas “fashion victims” às avessas – não há criatura mais influenciável pelo marketing do que aquela que recusa um produto apenas por estar farta dos anúncios.


6 comentários:
De JG a 8 de Agosto de 2010 às 20:59
E se te fosses f., Bruno, mais o Bolaño? Abraço


De Bruno Vieira Amaral a 8 de Agosto de 2010 às 21:41
É foder, João, com todas as letras. Está no Céline. Abraço.


De Lourenço a 8 de Agosto de 2010 às 23:57
Com que então também leste aquele post no Cachimbo (foi no Cachimbo?). No que me toca, gostei muito do Detectives Selvagens e deixei o 2666 a meio (vá lá, a um quinto). Li outro, também, o Estrela Distante, mas não me pareceu que acrescentasse muito.


De Bruno Vieira Amaral a 9 de Agosto de 2010 às 09:29
É provável que Os detectives selvagens venha a ter uma longevidade maior do que o 2666. A opção de publicar as cinco parte num só livro é capaz de nõe ter sido a melhor.

Abraço


De Lourenço a 10 de Agosto de 2010 às 10:35
No meu caso o problema foi ter pegado no 2666 logo após ter lido o Detectives Selvagens (que foi uma leitura furiosa) e o Estrela Distante: devia ter feito um período de sabática. Ele continua lá na estante, a ocupar imenso espaço, à espera. Abraço.


De Pedro Vieira a 9 de Agosto de 2010 às 20:47
calhando a Ilídia devia ter deixado de ser lida depois do que lhe fez o brad pitt, de mão dada com a máquina marqueteira de hollywood. os gregos? uns vendidos


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