Sábado, 21 de Agosto de 2010
Tiago Moreira Ramalho

Começa a tornar-se corriqueira, o que é caminho andado para se tornar verdade oficial, a ideia de que existe um preconceito de classe relativamente a Pedro Passos Coelho. O Francisco José Viegas defende a ideia aqui e, noutros lados, outros a defendem, como é bem sabido.

Digamos que a coisa cai bem. De uma assentada, desqualifica-se o adversário, apodando-o de discriminadorzinho irracional, e, ao mesmo tempo, vitimiza-se o sujeito da conversa, Passos himself, além de se associar a figura a uma outra figura, a qual, regra, os que usam esta argumentaçãozinha não apreciam muito. Falamos aqui, leitor desatento, de Aníbal himself. Digamos que do ponto de vista retórico, melhor é difícil. Tirando o logos do discurso, está lá tudo, e como o logos, por estas bandas, é o que menos interessa, podemos dizer que está lá tudo ponto. A verdade, essa, fica para outro dia.


6 comentários:
De Miguel Madeira a 21 de Agosto de 2010 às 22:19
"Começa a tornar-se corriqueira, o que é caminho andado para se tornar verdade oficial, a ideia de que existe um preconceito de classe relativamente a Pedro Passos Coelho. "

Para falar a verdade, é a primeira vez que ouço falar nisso (nas duas variantes - é a primeira vez que ouço falar num preconceito de classe contra Passos Coelho; e é a primeira vez que ouço falar que há pessoas que dizem que há um preconceito se classe contra Passos Coelho).

Diga-se que até imaginaria mais facilmente um "preconceito de classe" contra PPC por ele ter "ar de betinho" (e os posts no Arrastão a chamá-lo de "Ken" iam um bocado nessa linha) do que por ele ser filho de um médico da província.


De PALAVROSSAVRVS REX a 22 de Agosto de 2010 às 11:22
É verdade. Temos conversado sobre isso. A estratégia é insidiosa. Como escreve o João Gonçalves, pertence à «estrumeira anónima» dos Abrantes.


De simao sabroa a 22 de Agosto de 2010 às 13:57
Pois é, somos todos muito retorcidozinhos. Quando se entra por aí vale tudo, e nada há que se diga ou faça que não tropece nas armadilhas do inimigo. É pior que a irracionalidade da bola, porque essa é exasperante mas despida de arrogância intelectual. O problema é que a discussão em torno da origem de classe do senhor só interessa mesmo a quem tem berço, o resto do zé pagode votante está-se a borrifar para o assunto, como já provou ao eleger Cavaco (e Sócrates).
E, já agora, só se discrimina em Espanha, em Portugal descrimina-se.
Saudações


De Miguel Madeira a 22 de Agosto de 2010 às 15:08
E, já agora, o Guterres (que sendo lisboeta, se apresentou como "beirão").

Mas não vejo é onde vocês foram achar esse preconceito "de classe" (ou geográfico?) contra o PPC; as criticas que ouço à pessoa do PPC é tudo no estilo "mais um que nunca fez nada na vida", "é um produto do marketing" ou mesmo "um incompetente que foi levado ao colo pelo PS para ser fácil de derrotar", não "é um transmontano sem cultura", até porque a sua própria imagem física cola muita mais na narrativa "menino bem sem nada na cabeça mas que tem bons apoios" do que na narrativa "rústico inculto".


De Miguel Madeira a 22 de Agosto de 2010 às 15:10
Por outro lado, vivendo eu em Portimão é natural que não ouça ninguém dizer que o PPC é um provinciano...


De Miguel Madeira a 22 de Agosto de 2010 às 15:34
Ainda um ponto adicional que queria notar é a tendência que parece estar a criar-se para falar em "classe" quando na realidade se quer falar é de origem geográfica, que leva a que filhos da burguesia rural/provinciana (um grupo que às vezes até é mais favorecido que a burguesia urbana) sejam apresentados como vindo "de baixo" (o caso extremo é Cavaco, filho de um dos maiores comerciantes algarvios da década de 60 e frequentemente referido como "alguém que veio de muito baixo", mas a conversa parece estar a passar também para o Sócrates e Passos Coelho).

Compare-se, p.ex., com Francisco Louçã - os bisavôs de Louçã e os avôs de Cavaca são socialmente idênticos - camponeses do interior algarvio (provavelmente pobres e analfabetos). O pai de Cavaco entrou nos negócios e o avô de Louçã tornou-se advogado; a razão porque Louçâ é por vezes chamado de "aristocrata" (v. os artigos que Henrique Raposo escreve às vezes) será apenas pela diferença de uma geração (está a 3 gerações do campesinato pobre enquanto Cavaco só está a 2) ou terá mais a ver com a familia Anacleto Louçã entretanto se ter mudado para Lisboa enquanto a de Cavaco permaneceu em Boliqueime?


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