Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Priscila Rêgo

Mas afinal por que é que os economistas discordam tanto uns dos outros? Talvez seja porque a Economia é, de facto, uma ciência da treta, em que roupagens teóricas elegantes são utilizadas para legitimar posições meramente ideológicas. Uma alternativa possível é os economistas, ao fim e ao cabo, não discordarem assim tanto uns dos outros. Mas vamos por partes.

 

Em primeiro lugar, há que baixar um pouco as expectativas em relação ao consenso que se pode alcançar em Economia. A habitual bitola de comparação é a Física, onde a divergência entre cientistas é de facto muito menor. Mas esta é uma comparação profundamente injusta. A Física está connosco há mais de dois milénios: antes de Eisenberg, Newton, Kepler e Galileu, já Aristóteles especulava acerca da força que faria movimentar os corpos. E isto foi no século IV a.C. Mil e oitocentos anos depois, Copérnico e os seus contemporâneos ainda não se tinham entendido em relação ao que girava à volta de quê – se a Terra à volta do Sol, se o Sol à volta da Terra.

 

A obra seminal da Economia, “A Riqueza das Nações” (Adam Smith), por outro lado, só foi publicada em 1776. E foi preciso esperar umas boas décadas até que David Ricardo – e, posteriormente, Stuart Mill – dessem mais um empurrãozinho ao seu corpus teórico. A autonomização da Economia enquanto campo científico próprio é ainda mais tardia: provavelmente, só arranca entre o final do século XIX e o início do século XX, com a criação das teorias do consumidor e do produtor (os verdadeiros building blocks da Economia).

 

E isto é tudo microeconomia. A macroeconomia – precisamente o campo onde as divergências são mais óbvias – aparece na Grande Depressão e só em 1937 (salvo erro) é que Hicks apresenta finalmente  o famoso IS-LM. Não é de espantar que o debate seja, por enquanto, tão inconclusivo: à luz das escalas de tempo envolvidas no processo de autonomização e amadurecimento das ciências, ainda mal nos sentámos para começar a conversar.

 

E não é só o debate que é recente. O tema em cima da mesa também é assumidamente complicado. A Física lida com as forças fundamentais da Natureza e com as partículas mais básicas que a constituem; a Economia, por outro lado, lida com pessoas que são constituídas por biliões e biliões de partículas em permanente interacção umas com as outras. É até difícil perceber por onde começar a investigar sistemas tão caóticos. E, ao contrário do que acontece em Física, é frequentemente inviável, financeiramente impossível ou moralmente repugnante levar a cabo experiências controladas. A Econometria foi criada em parte para ultrapassar este problema. Mas isto é uma solução de recurso, um second best. Quem sai à rua com gato não pode esperar caçar como se tivesse um cão.


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Priscila Rêgo

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