Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Bruno Vieira Amaral

Quando Nancy Astor disse a Churchill que, se fosse sua mulher, poria veneno no café dele, Churchill respondeu-lhe para a eternidade: “Se eu fosse seu marido, Nancy, bebia-o.” O que quero contar nada tem a ver com esta história, mas sempre quis começar um post com um episódio churchillesco. Adiante: muitas tragédias seriam evitadas se alguém acabasse com a fantasia plebeia do “sair da rotina”, coisa que nunca sai a menos de cem euros e que pode envolver jantar fora ou, para os mais ambiciosos, um acidente rodoviário. Grande parte da minha vida tem sido dedicada, com moderado sucesso, a não sair da rotina. É um esforço mal compreendido pela classe média porque normalmente implica comer frango quase todos os dias. Porém, não me arrependo. Lembro-me de duas ocasiões em que, apesar dos meus esforços, fui deslocado da rotina para sítios extravagantes e, para mim, até então desconhecidos: Barcelona e divórcio, que têm em comum uma intensa vida nocturna, embora a Cidade Condal esteja mais bem servida de transportes e raramente insista em ficar com metade dos nossos bens. No último fim-de-semana, inspirado pelo subsídio de Natal, resolvi levar a minha mulher até Évora, num passeio que tecnicamente pode ser considerado uma saída da rotina. Viagem tranquila, pouco mais de uma hora, pousada simpática e aqui vamos nós ver as maravilhas da cidade património mundial da humanidade. A Praça do Giraldo estava animada, mas eu todos os dias vejo o Terreiro do Paço e não me impressiono com praças de província. Andámos uns minutos à procura do famoso Templo de Diana até que o encontrámos na sua despida dignidade romana. É bonito, mas arejado de mais para local de culto. Só os romanos para adorar os seus deuses enquanto apanhavam pneumonias. Perto dali, fica a imponente Sé Catedral. Emociono-me sempre que observo a coabitação pacífica de culturas e tradições distintas: os carros estacionados em segunda fila mesmo ao lado da Catedral deixaram-me uma névoa nos olhos, mas afinal era do fumo dos charros catolicamente fumados por um grupos de jovens, calculo que autóctones. O jantar foi agradável. Regressámos à pousada a tempo de ver o Sporting a ser derrotado pelo Vitória de Setúbal, o que foi um simbólico e feliz regresso à rotina.


1 comentário:
De pmramires a 16 de Dezembro de 2010 às 18:46
gostei tanto deste post e do anterior, que quase era despedido do emprego -- não é suposto encarar a vida com um sorriso a meio de um processo de insolvência.


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