Domingo, 2 de Janeiro de 2011
Priscila Rêgo

A honra de primeiro a ser recomendado em 2011 vai para o Avelino de Jesus, cronista do Jornal de Negócios.

 

O ambiente, tanto intelectual como institucional, para acolher os doutores como empresários é péssimo. Como o sistema de ensino superior não pode crescer ao mesmo ritmo da formação de doutores, o estatuto social - e sobretudo económico - dos doutores conheceu uma quebra substancial. Criaram-se subsídios de desemprego disfarçados na forma de bolsas de pós-doutoramento e o sistema científico cresceu e acolheu alguns. Mas, nunca se apontou a esta formidável população o caminho do empresariado. Ambicionam - e prometem-lhes - lugares no quadro das universidades públicas como docentes ou investigadores. Para os mais atrevidos, acenam-lhes lugares de administradores dos institutos e fundações públicas, entretanto generosamente criados em farto número.

 

 


12 comentários:
De Luís Lavoura a 3 de Janeiro de 2011 às 09:32
Avelino de Jesus defende que os doutores se transformem em empresários. Mas nos países desenvolvidos que ele toma por exemplo (Alemanha, EUA, Canadá) os doutores são na sua imensa maioria empregados por conta de outrem. O que acontece é que, nesses países, os empresários contratam doutores para as suas empresas. É isso que deveria acontecer, mas não acontece, cá.

A solução não é apenas, nem sequer principalmente, promover os doutores a empresários. A solução é que os doutores passem a ser contratados por empresas (privadas).


De PR a 3 de Janeiro de 2011 às 14:18
«O que acontece é que, nesses países, os empresários contratam doutores para as suas empresas. É isso que deveria acontecer, mas não acontece, cá.»

Concordo com o diagnóstico, mas discordo da prescrição. Penso que a solução não é promover os doutores a empresários, ou enfiá-los à força nas empresas privadas, mas sim deixar de desvirtuar o mercado da educação com subsídios e bolsas a torto e a direito.

A "aposta na educação" está a ter como único resultado a formação excessiva de doutorados, que têm posteriormente de ser "absorvidos" em Universidades e Institutos Públicos.

Claro que por agora isto é só uma conjectura, mas estou a recolher dados para escrever alguma mais fundamentada sobre isto.



De Luís Lavoura a 3 de Janeiro de 2011 às 15:06
"deixar de desvirtuar o mercado da educação com subsídios e bolsas"

Concretamente, refere-se apenas às bolsas para mestrado e às bolsas para doutoramento, ou a alguns outros subsídios (?) e bolsas?


De PR a 3 de Janeiro de 2011 às 19:13
"Concretamente, refere-se apenas às bolsas para mestrado e às bolsas para doutoramento, ou a alguns outros subsídios (?) e bolsas?"

Como princípio geral, às bolsas de mestrado, de doutoramento e a outros subsídios e bolsas; no caso específico referido pelo AdJ, apenas às duas primeiras.

Mas note que eu não tenho dados a sustentar o que digo. A ideia de que este tipo de verbas tem estado a aumentar vem de:

a) ver o Sócrates a anunciar recorrentemente que o Estado está a gastar mais com estudantes, I&D, etc. [o que não é garantia de muito]

b) constatar um aumento muito grande do número de doutorados. Duvido que os portugueses estejam dispostos a pagar PhD do seu bolso.

c) observação casual da situação de amigos e colegas.



De Luís Lavoura a 4 de Janeiro de 2011 às 09:27
Os dados sobre número de bolsas concedidas (e de títulos obtidos) são fáceis de obter na Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que é quem fornece essas bolsas. Fica na avenida D. Carlos I, junto à Assembleia da República. Eles têm todo o gosto em divulgar aos quatro ventos esses dados.

Os mestrados são, penso eu, obtidos em grande parte a expensas dos próprios mestrandos. Em boa parte porque podem levar, creio eu, a promoções salariais na Função Pública. (Trata-se de uma forma indireta de subsídio - quem tenha um grau académico sobe automaticamente de posto.) A FCT concede relativamente poucas bolsas para mestrado.

O número de bolsas para doutoramento é efetivamente elevado, embora nos últimos anos não tenha crescido, penso eu. Uma perversão do sistema é que concedem muito facilmente bolsas para doutoramento no estrangeiro, subsidiando assim a fuga de cérebros.

Faço notar que boa parte do dinheiro gasto pelo Estado português em I&D provem da União Europeia, para colmatar o nosso atraso no setor (e para subsidiar a fuga de cérebros, que beneficia parcialmente a Europa). O Estado português tem mesmo que subsidiar a I&D se não quiser perder esse dinheiro.


De RPR a 4 de Janeiro de 2011 às 10:12
Concordando em grande parte com o que dizem o AdJ e a PR, quero sublinhar duas coisas que diz o Luis Lavoura aqui: que o financiamento para I&D provém sobretudo da UE; e que, aliás indo além do que ele diz, já não há bolsas para mestrado. Tanto quanto sei, ninguém recebe € em Portugal para fazer um mestrado. O que há é integração em projectos, paga, mas isso é uma tarefa para além do mestrado.

Quanto à subsidiação de cérebros também estou de acordo. Pelo que sei a Itália não tem esta prática (não sei de outros casos). Mas há duas universidades na Europa que são subsidiadas pelos MNEs de todos os países: o IUE de Florença e o Collège d'Europe em Bruxelas. Esses são casos diferentes; todos os países pagam essa "fuga".


De RPR a 4 de Janeiro de 2011 às 10:14
Aproveito para acrescentar que estou a fazer um projecto de doutoramento para tentar entrar no IUE.


De PR a 4 de Janeiro de 2011 às 20:38
Chulo


De PR a 4 de Janeiro de 2011 às 14:04
Obrigado.

Só duvido de que as bolsas para PhD se tenham mantido constantes. Como explicar a subida abrupta do número de doutorados?

Quanto aos mestrados, eu referia-me aos "antigos" mestrados (pré-Bolonha). Julgo que esses eram mais "elegíveis" para efeitos de atribuição de subsídios.

Mas, como disse, ainda estou em fase de "prospecção" :)



De Luís Lavoura a 4 de Janeiro de 2011 às 15:32
É questão de ir ver os números da FCT. O número de bolsas de doutoramento estabilizou, pois a FCT agora está a conceder mais bolsas de pós-doutoramento e bolsas a médio prazo (cinco anos) para já doutorados. Trata-se de formas de camuflar o desemprego dessas pessoas, como bem diz Avelino de Jesus.

O número de doutorados, creio, não aumentou bruscamente. Tem aumentado rapidamente mas gradualmente ao longo de muitos anos, por efeito da política de bolsas. E nós nem os vemos todos, pois muitos deles acabam por ficar no estrangeiro...


De Luís Lavoura a 4 de Janeiro de 2011 às 15:34
Já agora, convem falar não apenas dos doutorados portugueses, mas ambém dos doutorados estrangeiros que atualmente trabalham em Portugal. São já muitos e com tendência a crescer, por Portugal já ter alguns grupos científicos muito bons. Boa parte do emprego "fictício" de que Avelino de Jesus fala é atualmente, de facto, emprego de estrangeiros.


De Miguel Madeira a 5 de Janeiro de 2011 às 01:58
A respeito da questão original da redução do número de empresários e trabalhadores independentes, a evidência empírica indica que isso está associado ao desenvolvimento económico (apesar da mitificação do "empreendedorismo", não é nos países capitalistas desenvolvidos que há muitos empresários; se me disserem que no pais X há muitos empresários face à população total,a minha aposta é que o pais X tem tradição de deficits orçamentais, os principais empresas estão estatizadas ou foram recem-privatizadas e que o país não é dos mais ricos do mundo (e provavelmente ficará a sul dos Alpes ou do Rio Grande).


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