Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

O discurso de Cavaco Silva toca o coração anémico dos portugueses. Nada de experimentalismos, deixemo-nos resvalar para o abismo, mas sem solavancos, por favor. Nada de incomodar Merkel, Sarkozy, os mercados, as seguradoras, os presidentes que fazem pouco do nosso Chefe de Estado e do país. Não há nada a fazer, a não ser comer – pouco – e calar – tudo. Eleja-se, então, Cavaco, símbolo inatacável de seriedade (escrevo-o sem ironia), do sossego e da resignação. Os adversários são fracos, tão fracos que já se vê por aí a periódica boa vontade que é dispensada aos candidatos comunistas. As artroses do discurso de Francisco Lopes são esquecidas em favor da sua preparação (?), como foram, em devido tempo, celebradas a autenticidade e a afonia de Jerónimo e a coerência de Cunhal. Manuel Alegre é uma impossibilidade política, um candidato apoiado por este PS e pelo único BE que existe só pode acabar em anedota, em moeda ao ar. Nenhum dos partidos mostra o mínimo entusiasmo: o BE porque perdeu o exclusivo e porque sabe que, com o apoio do PS, Alegre tem de ser menos Bové e mais comprometido, mais sistémico; o PS porque se sente mais confortável com Cavaco. Defensor Moura é um curandeiro de autarquia a querer fazer transplantes de rins. Já teve tempo de antena, já ganhou as suas eleições. O mesmo se diga do alucinado Coelho, vindo do bananal da Madeira apenas para servir de antítese perfeita à seriedade hierática de Cavaco. São os extremos de uma palhaçada inócua que tem a virtude de mostrar até que ponto os portugueses baixaram os braços, cansados de maus governantes que nos guiaram nas águas mansas do crédito fácil, e que nós todos seguimos, para nos deixarem no pântano que agora acreditamos ser o nosso destino inelutável. Os gregos andam lá a soltar as fúrias, nos por cá andamos a encolher ombros, numa resignação mórbida e bovina, que, como disse Manuel Villaverde Cabral, dura porque os papás aguentam. Quero eu bombas e cocktails molotov em Lisboa, ministros agredidos? Deus me livre, que a nossa esquerda radical nem para isso serve. Mas há limites. Cavaco que me desculpe, mas criticar a actual administração de um banco que, durante anos a fio, foi gerido pelos Dalton e pelos Metralha é de uma desfaçatez indecorosa. Há cinco anos votei em Cavaco. Desta vez não terá o meu voto. Vou votar em Fernando Nobre. Por um único motivo: é o único candidato que tem alguma coisa a perder. É pouco? Talvez seja. Mas nenhum dos outros pode dizer o mesmo. Nobre arriscou, pôs a carne toda no assador e é muito provável que saia chamuscado. Se lhe serve de consolação, já ganhou um voto.


De silva a 6 de Janeiro de 2011 às 00:31
Com este governantes que são os maiores promotores de desemprego e de miséria basta ver a ilegalidade do despedimento colectivo do casino estoril quem está por detrás deste despedimento com ajuda do Governo e agora o casino da povoa, por este caminho o ministro da economia e do turismo procuram lugar nos quadros da estoril sol s.a.
O RESULTADO:
Assustador e muito actual!!!
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:
Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…
Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se…
Todos os Estados o fazem!
Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: Criam-se outros…
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: Sim, é impossível…
Colbert: E então os ricos?
Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos… É um reservatório inesgotável….



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