Segunda-feira, 14 de Março de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Parece que a minha geração está à rasca. Tal como estava a anterior e a anterior e a anterior à anterior. Não aprendeu ainda essa elementar lição: nunca deixaremos de estar, pelo menos no nosso entendimento, à rasca.

De qualquer modo, é sempre bom analisar o enrascamento da minha geração. A minha geração enrascada é a geração que produz centenas de antropólogos todos os anos, outras centenas de arqueólogos, mais uma pilha de sociólogos, três camionetas de psicólogos além dos já habituais nas artes plásticas e afins. Leitor, que não seja eu acusado de menorizar estas tão excelentes áreas do saber. Longe de mim, que sou essencialmente amigo de toda a gente. Não pode é o arqueólogo querer fazer escavações no Vale do Cávado só porque sim. Não pode é o artista plástico exigir que lhe arranjem um emprego se não há necessidade de artistas plásticos. Não pode é o psicólogo querer doentes se os não há em quantidade.

A geração que está à rasca é, essencialmente, a geração que se deixou enrascar. E agora só tem um remédio: adaptar-se. Porque não vai haver doentes para os psicólogos, não vai haver institutos de investigação para os antropólogos e por aí fora. Ou é isso, ou é call center. Não é por mal, mas é mesmo assim.


25 comentários:
De Luís Lavoura a 14 de Março de 2011 às 11:14
Só uma pequena correção: doentes para os psicólogos até os há bastantes, o chato é que não têm dinheiro para pagar ao psicólogo...


De FB a 14 de Março de 2011 às 11:41
http://plocking.wordpress.com/2011/03/14/deolindas/


De jb a 14 de Março de 2011 às 12:12
De facto, deixou-se enrascar...
Mas, ainda que a sua opinião pareça comodamente cristalizada, permita-me que lhe sugira, não uma visita ao psicólogo, mas a douta opinião de Yana António em "É mais fácil lutar contra a ditadura do que contra a ditamole”... Nada como alargar perspectivas...
Cumprimentos e até breve


De Anónimo a 14 de Março de 2011 às 14:03
E estudantes de "Economia" fazem falta para quê?


De Anónimo a 14 de Março de 2011 às 14:15
O maior nº de inscritos nos centros de (des)emprego é justamente de licenciados em ciências empresariais ...


De Miguel Madeira a 14 de Março de 2011 às 15:13
E o que é que as "ciências empresariais" têm a ver com a "Economia"? São duas áreas totalmente distintas.


De Anónimo a 14 de Março de 2011 às 15:34
Tem a ver o mesmo que o traseiro com as calças: umas cobrem o outro ...


De Carla Ferreira a 14 de Março de 2011 às 14:38
Caro Tiago Ramalho, concordo consigo na generalidade do que escreveu. No entando, não posso deixar de lhe referir, que nos dias hoje, os Psicólogos, classe onde me insiro, são mais necessários do que nunca. Houvesse dinheiro para que as pessoas lá fossem, escolas e hospitais que os contratassem, e seriam todos ou quase precisos. Foi uma ligeira defesa minha, que não a leve a mal...


De Miguel Madeira a 14 de Março de 2011 às 15:16
Há alguma prova real que os psicólogos sirvam para alguma coisa?

Ou, por outras palavras, há alguma prova que as principiais teorias da área (e, portanto, a prática feita a partir dessa teoria) estão correctas?


De Anónimo a 14 de Março de 2011 às 15:36
substitua psicologos por economistas e o comentario será ainda mais pertinente ...


De Carla Ferreira a 14 de Março de 2011 às 17:46
Existem muitas provas sim. Não será fácil explicitá-las em meia dúzia de linhas, mas basta debruçar-se sobre o assunto para o perceber. O Homem, equanto ser abrangente que é, encontra-se subjugado a diversas áreas que o envolvem. A parte emocional e psiquica é apenas uma delas, que necessita cuidado tal e qual cada uma das outras. Se o que queria saber, é se trabalhamos mecanicamente, não, não trabalhamos, dada a impossibilidade de traduzir matematicamente o que de mais completo temos.


De Priscila Rêgo a 15 de Março de 2011 às 00:47
Miguel,

Penso que grande parte da procura de psicólogos é "artificial". Por exemplo, o Estado "obriga" as escolas a terem psicólogos, emprega psicólogos em vários departamentos, etc.

Isto bate certo com dois tendências aparentemente contraditórias:

a) elevadas médias de entrada, pelo menos quando eu andava na Universidade [há 2/3 anos]. Os salários são artificialmente altos. Conheço duas ou três pessoas de psicologia que conseguiram ganhar, à saída da formação, salários (tabelados, claro) na ordem dos 1500/1600€.

b) elevado desemprego. Com o Estado a "apertar" nas novas contratações, a fonte seca e grande parte da nova fornada de licenciados não é absorvida pelo mercado de trabalho.

Mas é só conjectura, claro.


De Anónimo a 15 de Março de 2011 às 13:24
"Mas é só conjectura"
Pois, Priscila, também me parece que a menina e os seus "clegas" de blogue não fazem a ideia de nada sobre o que escrevem.


De Anónimo a 16 de Março de 2011 às 16:43
Mais uma vez, substitua "psicologos" por "economistas" e o comentário fará também muito sentido ...


De João a 14 de Março de 2011 às 14:42
Lutar por uma vida melhor tem algum mal? Porque insistimos em dizer uns aos outros "ahh aqueles ainda estão piores, não te queixes!" em vez de "aqueles estão piores e vamos fazer para que estejam tão bem quanto nós?!" É ridículo andarem pessoas a dizer que a culpa é porque "não querem é trabalhar!" ou "Não estão dispostos a qualquer coisa!", não é verdade. E, se há povo capaz de se adaptar às circunstâncias, esse somos nós. Passamos anos a rebaixarmo-nos perante outros (emigrantes), tal como outros o fazem nos dias que correm e tal como nós ainda fazemos. Mas, num país tão pequeno como o nosso, onde abrimos (não fui eu, mas sim quem governa e tem poder) mão das nossas maiores riquezas como é o caso da Agricultura e da Pesca, não acham que a culpa é de quem nos governa? Nunca vi tanta gente com tanta vontade de trabalhar. A escravatura existe e é cada vez mais legal, pois nós próprios temos vindo a permitir isso mesmo com esta postura de que "oh, não vai mudar nada...". Quero que me expliquem como é que não há empregos por muito que gritemos e, ao mesmo tempo, vê-mos notícias como "Portugal é um país que gosta de brinquedos caros e inúteis!". A conclusão é que muita gente deve estar a beneficiar com os brinquedos caros e inúteis, mas é graças a isso e coisas que tal, que outros não têm sequer que comer, quanto mais tempo para brincar...Ou lutam ou saem da frente!


De Gonçalo Teixeira a 14 de Março de 2011 às 15:40
"Não pode é o antropólogo querer fazer escavações no Vale do Cávado só porque sim."

Um antropólogo não é um arqueologista.

E não me parece que esta gente queira emprego quando este não o é: o propósito da Geração Enrascada é deixar de o estar.

É que, caso não saiba, há enfermeiros, advogados e arquitectos (só uns exemplos), que têm trabalho, todo ele espalhado por pseudo estágios (pseudo porque passado 2 meses trabalham exactamente como os seus colegas contratados), onde "é uma sorte" terem o ordenado mínimo, sem qualquer tipo de resposta pelos horários de trabalho (40h semanais? ui...), etc.

O que falou é outra coisa, e não é o tema do Protesto da Geração à Rasca (suponha que esteja a relacionar as duas coisas, pelo título do post).

Cumprimentos,


De Gonçalo Teixeira a 14 de Março de 2011 às 15:41
"E não me parece que esta gente queira emprego quando este não o é: o propósito da Geração Enrascada é deixar de o estar."

Erm, selecção aleatória e involuntária fez isto ficar assim. Dizia eu:

"E não me parece que esta gente queira emprego quando este não existe: o propósito da Geração Enrascada é deixar de ser precária!"


De Nuno Resende a 14 de Março de 2011 às 18:55
A maior parte dos comentários aqui feitos não conseguem arranjar justificação para o injustificável. A dita geração, que não é, se não, uma mistura de quereres, não percebeu que desde de 1998 (sensivelmente quando adquiriu o direito ao voto) deixou-se estar, a aproveitar a boleia de um Estado ou de um Pai sempre presente. Mais do que presente, um Pai que lhe tem feito todas as vontades. Agora acordou, mas tarde. E em vez de andar a votar BE ou CDS, PS ou PSD, devia, há 20 anos, ter arregaçado as mangas para assegurar a verdadeira representatividade democrática (e não partidocrática) na sociedade portuguesa. Entre aquele desfile de moda que foi a manif de sábado, e, por exemplo, o protesto dos camionistas hoje, prefiro os últimos. Sempre sabem o que querem e fazem por isso.


De hajapachorra a 15 de Março de 2011 às 00:25
os antropólogos não têm razão de queixa, o engenheiro do estado social e os seus amiguinhos marotos do ilga e do berloque dão-lhes observatórios, laboratórios e empregos como activistas. ou eles ou o CES do porta-chapéus coimbrão


De jo a 15 de Março de 2011 às 18:08
Cambada de preguiçosos.
Se tivessem sido analfabetos como os avós deles não lhes fazia diferença passar fome e tinham mais respeitinho.
Em vez disso acreditaram numa cambada de criadores de universidades privadas, bem pagas, que lhe disseram que tinham um lugar à mesa.
A mesa é para os doutores da Ciência Antiga.
E Doutor não é quem quer. É quem tem conhecimentos (nos meios empresariais claro).


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