Domingo, 10 de Abril de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Passei semanas, meses, a ser atazanado na minha paz podre com a beleza da «independência» de Nobre. Era isso que o fazia ser um excelente candidato à Presidência: a independência. Era um homem que tinha uma cidadania bonitinha, limpa de registos partidários, ou pelo menos assim rezava a lenda. Ora, eu não tenho ideia de haver um «independente» tão politicamente bem relacionado como Nobre. Já saltou por todo o espectro como se de um jardim se tratasse. Agora, depois da retórica anti-sistema da candidatura, aceita ser cabeça-de-lista do PSD em Lisboa nas legislativas. Lamenta-se, por um lado, a escolha do PSD. A Nobre sobra-lhe popularidade, mas falta-lhe o resto. Afoga-se na própria verborreia, sendo não raras vezes necessário salvá-lo da auto-flagelação discursiva; ignora isso da lógica argumentativa; despreza isso das regras institucionais; não se permite um módico de consistência. Por outro lado, lamenta-se quem se deixou enganar pela balela da galinha e do bocado de pão. Somos feitos disto, no fim: de factos a lamentar.


3 comentários:
De JVA a 11 de Abril de 2011 às 00:34
Mas isto nem surpreende muito num país em que “ter uma ideologia” é quase um crime de lesa-pátria (aliás, não há muito tempo, alguém que esbracejava muito num comício ou num discurso qualquer – acho que foi o Assis, mas isto é tudo muito difícil para mim - resolveu trovejar contra o PSD acusando-o justamente de “ter uma agenda ideológica” - foram as palavras exactas).

E depois dá nisto: um gajo que apoiou o Soares e o PS em 2006; que foi mandatário do BE em 2009; que se candidatou contra estes dois em 2011; que consentiu – milagre inaudito - que se avolumassem as suspeitas acerca de ser um monárquico a disputar umas "presidenciais"; que desferiu ataques destemperados aos partidos existentes e passeou com petulância a sua aura de “independente” – é agora candidato a deputado e presidente da Assembleia, tendo como única proposta conhecida reduzir precisamente o número de deputados para 100 (além daquela ideia abstrusa de disneylândia da democracia a que ele chamou “Conselho de Estado dos jovens”, ou lá o que era).

Isto já dá para tudo. Nem o Talleyrand era capaz destas piruetas e de ser tão galdéria em termos ideológicos, caramba.


De JVA a 11 de Abril de 2011 às 00:36
Mas no caso do Nobre esta galderice ideológica até descamba, depois, em detalhes pitorescos – como naquele debate em que, inquirido sobre o seu hipotético “passado antifascista”, o homem respondeu que sim, que era um antifascista consumado porque tinha nascido nas “Províncias Ultramarinas” eheh


De Daniel João Santos a 11 de Abril de 2011 às 22:21
interessante.


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