Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Bruno Vieira Amaral

“Portugal é o único país do mundo onde não é grave um filme apoiado pelo Estado fazer dois espectadores", afirma o realizador António Ferreira, em declarações ao Público. O Estado financia e em troca exige nada. Aquele Querido Mês de Agosto, do realizador Miguel Gomes, recebeu um subsídio de 650 mil euros, fez 20.164 espectadores e uma receita bruta de 90 mil euros. Foi considerado um êxito. Se isto é um sucesso, imagine-se o resto. Com a desculpa de que nenhum filme se paga sozinho, criou-se em Portugal uma cultura de desprezo pelo espectador. Os espectadores respondem na mesma moeda e ignoram os filmes portugueses, à excepção daqueles em que a narrativa se confunde com as mamas da Soraia Chaves (infelizmente sem direito aos longos planos de Manoel de Oliveira). Qualquer realizador aprende rapidamente que o cinema português só existe com a ajuda do Estado. É uma lição incompleta. O cinema, seja português, chinês ou do planeta do Edgar Pêra, só existe com espectadores. Desprezá-los é contribuir para fazer do cinema a mais dispendiosa variante da masturbação: um prazer solitário que não é visto por ninguém.


Tiago Moreira Ramalho

O povo ofende-se, e sem razão, quando o restante povo, que no caso sou eu, se queixa, ainda para mais publicamente, da falta de trabalho no geral e, também, porque não somos esquisitos, no particular. Vem mais este espectacular post a propósito das quatro, repitamos, quatro, com entoação de coro de Igreja, quatro tardes que eu, que existo em carne e osso, perdi em Lojas do Cidadão da nossa adorada Lisboa. Sexta-feira, um, o sistema arrebentou e uma senhora francamente mal-educada, de vida mal resolvida olhava com desdém para todo o qualquer cidadão que entrasse na Loja, que nome tão horrível, especialmente para aqueles que por acasos do destino tinham a sorte ou o azar de, enfim, ter a pele um pedacinho mais escura. Puta. Segunda-feira, dois, voltei. A afluência, diziam, era grande e nem senha me deram. Nem senha, nem desculpas, nem nada: adeus ó vai-te embora, que nós aqui marimbamo-nos para o tempo que perdes nas viagens. Terça-feira, três, mais uma tarde, tarde inteira, mas consigo ser atendido. Não me dão tudo. Que eram precisas autorizações e mais não sei o quê. Obrigado, boa tarde. Quarta-feira, quatro, repitamos, etc., consigo tratar de tudo e descubro que o pouco que tratei na terça-feira, três, estava mal tratado. Ainda assim, convém notar que, enquanto estes ossos e esta carne, que eu tenho, que eu tenho, esperavam, deram-se ao luxo da tristeza de constatar que havia seis mesinhas de atendimento, mas os empregados tinham o desplante de ter apenas uma senhora a atender, enquanto todos se divertiam com graças, tricas sobre as férias, cafés na mão, ai que gargalhada, ai que otários aqueles ali a olhar para nós, como se tivessem vida, família, trabalho, livros para ler e filmes para ver, até me dói a barriga. Estive quase, mas quase, para fotografar, filmar, qualquer coisa, mas depois lembrei-me que havia leis e assim. Qualquer dia vou ver os senhores da Loja do Cidadão na rua por qualquer motivo, a gritar e assim. Nessa altura, dobro um braço, bato com a mão no bícepe e, para finalizar, levanto o dedinho do meio, à zé povinho.

Entretanto, porque sou uma pessoa atenta às artes e às culturas, reparei que a nossa ministra que mais coisas publica publicou uma coisa nova. Chama-se «Uma Aventura no Pulo do Lobo». Sempre me pareceu que a dona Alçada, minto, mas não faz mal, sempre me pareceu, mentia eu, que a dona Alçada era cavaquista ferrenha. Aliás, ainda não saltou para a blogosfera porque a Caminho, que mudou de gerência, já não de compraz com os direitos do proletariado e, e bem, manda-a trabalhar. Sim, trabalhar, que escrever é outra coisa.


Tiago Moreira Ramalho

Um obrigadinho especial ao Senhor Palomar. E se o Senhor Palomar, ou o Ortónimo, enfim, quiserem muito, façam favor de polemizar. Estamos cá para isso.


Tiago Moreira Ramalho

Estaria de acordo em mostrar-nos uma amostra dos seus rascunhos?

 

Creio que devo recusar. Apenas as nulidades ambiciosas e as mediocridades sinceras exibem os seus rascunhos. É como passear à roda amostras do nosso cuspe.

 

Vladimir Nabokov, em entrevista (1962)


Terça-feira, 30 de Março de 2010
Tiago Moreira Ramalho

Ontem houve Prós e Contras sobre Educação. Há muitos, muitos meses que não vejo o programa, mas ontem, pelo tema, obriguei-me a aturar a figura da moderadora, a quem só falta cuspir para o chão. Pelo tema e pelos participantes, que foram especialmente interessantes, principalmente a Helena Matos e o Nuno Crato. Pelo meio, quando se discutia a margem de manobra das escolas para definirem currícula, um dos participantes da mesa, António Gouveia, voltou a bater na tecla, a eterna tecla, de que os programas têm de ser impostos pelo Ministério. Esta ideia é completamente disparatada e tem sido parte responsável pelo estado da Educação. Se fizermos um esforço e olharmos à volta - às vezes custa - batemos com os narizes nas Universidades onde são os próprios professores e Conselhos Científicos que definem os programas, partindo de uma base que é em certa medida consensual. Até agora, parece-me, não deu mau resultado e a «experimentação» de diferentes técnicas tem, até, ajudado a aperfeiçoar métodos. Não se entende, no entanto, porque é que não se cria algo semelhante nas Escolas Secundárias.

Sejamos objectivos: os Ministérios da Educação não têm sido particularmente felizes na criação de programas. Os programas são, em geral, maus e, pior, instáveis. Sim, porque pior que um mau programa é uma sucessão de maus programas que impede um bom professor de «dar a volta». A troca de cadeiras à conta das «confianças políticas» tem feito com que áreas nucleares como a matemática, por exemplo, tenham tido alterações aos programas que afectam os melhores professores - que dizer dos piores. Além disto, a linha seguida neste momento tem levado a que meia dúzia de autores de livros escolares, muitas vezes autores, em simultâneo, dos próprios programas, detenham o quase monopólio das escolhas das escolas, apesar dos erros e da mediocridade dos textos (ninguém me consegue explicar porque é que, por exemplo, um estudante de História de Portugal do Ensino Básico compra livros escolares de péssima qualidade em vez de enciclopédias de História com muito mais rigor científico e substancialmente mais baratas).

Parece-me evidente que deveria dar-se espaço às escolas para influenciarem os currícula e para terem uma oferta diferenciada. Poder-se-ia manter um tronco comum, imposto pelo ministério, mas flexível. Esta é a única forma de (i) meter professores, verdadeiros professores, a criar programas que sejam para alunos e não para case studies universitários e de (ii) melhorar os métodos de aprendizagem sem condenar gerações inteiras por causa da «padronização» nacional.


Tiago Moreira Ramalho

A Douta Ignorância recebeu simpáticas boas-vindas de alguma da melhor blogosfera portuguesa. Compete-nos, agora, agradecer. Ora, portanto, obrigadinhos ao Pedro Rolo Duarte, ao Francisco José Viegas, ao Alexandre Homem Cristo, ao Filipe Nunes Vicente, ao Pedro Correia, ao Luís Naves, ao Luís M. Jorge, ao Tiago Mota Saraiva, ao Samuel de Paiva Pires, à Carla Hilário Quevedo (a única senhora com visível bom gosto), ao João Távora e ao André Azevedo Alves. Obrigadinhos também aos do Sapo, que nos destacaram no Radar e nos ajudaram a montar a casa. Estas foram as referências de que demos conta, ou através do twingly ou das visitas, pelo que não pedimos desculpa caso nos tenha escapado alguém, dado que a culpa, obviamente não é nossa.


Tiago Moreira Ramalho

O Rui e, já agora, o Miguel Madeira têm razão: o meu post «O comunismo é o diabo» é disparatado. Quero dizer, a proposição que compõe o título até que está jeitosinha, mas o argumento, que na realidade não existe, não é grande coisa - lindo paradoxo, acabei de caracterizar uma coisa que não existe, já pareço o Santo Anselmo. Também é isto, isto dos blogues: não temos sempre razão. Que prossiga a emissão, então, ão ão.


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Rui Passos Rocha

De acordo com o Tiago:

  • Algumas greves podem prejudicar o bem-estar colectivo.
  • Os comunistas promovem o bem-estar colectivo acima do individual ou corporativo.
  • Logo, os comunistas devem apenas fazer greves que não prejudiquem o bem-estar colectivo.

Será? Mesmo supondo que a greve dos enfermeiros prejudica o bem-estar colectivo (onde se inclui, como contrapeso, o bem-estar dos enfermeiros) e que os sindicalistas em causa são todos comunistas - ou até, se quiserem, membros do PCP -, o silogismo esquece que o comunismo é uma ideologia contrária ao sistema democrático liberal ou constitucional. Um indivíduo que defende valores anti-sistémicos colectivos pode promover atitudes ou comportamentos individualistas ou corporativos num sistema que rejeita - se considerar que essas suas posições favorecem a implementação da sua ideologia. Discutir o comunismo à luz dos preceitos liberais é um buraco negro.


Rui Passos Rocha

Talvez estejamos a caminhar para isto.


Rui Passos Rocha

Os dados são de 1985, período conturbado, mas suponho que actualmente não fugiriam muito a isto. Se a suposição for acertada, então cerca de 80% dos portugueses preferem um tipo de democracia em que - havendo, claro, eleições periódicas - aos governantes seja dado o poder de decidir sem consultar o povo. Por outro lado, como ali escrevi, quer-se que os políticos ajam de acordo com as preferências dos votantes. Procuramos, em duas tretas, candidatos professorais, com convicções firmes, punho de ferro e abnegados. Quem põe este anúncio num jornal?


Rui Passos Rocha

«Valho bem dez eleitores de Croisset», escreveu um dia Flaubert, anarquista convicto que pouco se ralava com a democracia dos iluminados. Convenhamos que não é assim tão incomum pensar-se tal coisa: por cá, as gentes do centro e Sul condenam o arcaísmo dos nortenhos, esse povo rude do campo que tem na sala uma pintura chinesa da Nossa Senhora de Fátima; os do Norte acham os "mouros" uns moderninhos, uns progressistas da treta que estão a esvaziar a tradição e a identidade nacional. Os intelectuais, esses, acreditam que um povo que mama os noticiários da TVI, o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias não irá a lado nenhum. Poucos destes ousam dizer em público que os outros são uns burros; mas muitos pensam que eles deviam ser inimputáveis ou que o seu voto devia pesar menos.

 

Com três anos já aprendia o alfabeto grego; aos oito conhecia os principais clássicos da Antiguidade e a História da Inglaterra, dominava latim e álgebra (ah, e aos 20 teve uma depressão). John Stuart Mill é um exemplo de precocidade e de alguém cuja opinião política era, aos oito anos, certamente superior à de muitos adultos. Há poucos casos como este; mas não são poucos os de adolescentes a quem justamente deveria ser permitido votar. Porque não? Se instituímos um limiar arbitrário (18 anos), poucos argumentos não arbitrários temos para o defender. Então, se numa sociedade plenamente justa este tipo de adolescentes deveria poder votar, qual seria a melhor solução: exames de admissão? E quem faria os exames? Ou a idade mínima para votar deveria ser diminuída? Mas isso incluiria adolescentes sem consciência política, certo? E exames periódicos de admissão para todos os cidadãos, independentemente da idade, não seriam mais democráticos? Ou a exclusão de "maiores" é, em si e por si, anti-democrática? O que é, afinal, a democracia?


Segunda-feira, 29 de Março de 2010
Rui Passos Rocha

Justice: What's the Right Thing to Do?


Bruno Vieira Amaral

A severidade monástica do rosto de Herculano ainda me persegue. Li o Presbítero em suplícios, rezando à flor dos lábios verbos cujo significado desconhecia. Se o Romantismo era aquilo, então mais valia atirá-lo de um penhasco. Gostei mais da biografia do homem, do refúgio campestre e da ambição simples de não possuir mais do que “umas botas grosseiras”. Admirei-lhe o desapego, a vontade de se apagar na casa de campo, onde se podem compor muitos rocks rurais e criar filhos de cuca legal. Raduan Nassar, o melhor escritor brasileiro em inactividade, também disse adeus ao mundo mundano, à lavoura arcaica do verbo, e fez-se criador. Criador de galinhas e de perus. Não falo de gigantes como Santo Agostinho (que antes de ser santo foi homem completo) ou Lev Tolstói. Pressinto-lhes muita religião. Fico-me por estas conversões pagãs: a de Herculano e a de Nassar. Lavradores de palavras rendidos à nostalgia do rústico.


Rui Passos Rocha

Este foi para o Aparelho de Estado, do Expresso online. (Para os interessados, o estudo de Pedro Magalhães.)


Tiago Moreira Ramalho

É sempre bonito observar as contradições dos comunismos em geral e do comunismo português em particular. Que o bem para o indivíduo não é relevante e que o importante é o bem da comunidade, parece-me ser o que dizem lá no meio da espuma que lhes sai da boca. Curiosamente, isso só acontece quando o indivíduo cumpre uma série de requisitos que nos escusamos a enunciar, por óbvios. Quando o indivíduo não cumpre esses requisitos, então, pode colocar em causa o bem estar da comunidade à vontade, que com ele ninguém se pode meter. É o caso dos enfermeiros. São profissionais de saúde - haverá, provavelmente, vidas a depender dos seus trabalhos, trabalhos para os quais são pagos, isto é, não são um «favor» - no entanto, não há problema nenhum em fazerem uma paralisação de quase noventa por cento. Para o diabo com a comunidade, que a gente estamos mal, dizem. Ou pensam. Dá-me igual. Os senhores sindicalistas nem ponderam fazer como, por exemplo, fizeram os professores, que não colocaram a aprendizagem dos estudantes em causa, dado que toda a «luta» foi feita fora do horário de trabalho. Os senhores sindicalistas e a espuma das suas bocas só querem agradar. As consequências, essas, não importam.


Tiago Moreira Ramalho

A questão dos salários dos enfermeiros é uma questão interessante para que se perceba a lógica que impera na Administração Pública. Para o Estado e para os sindicatos dos trabalhadores do Estado, todos os empregos devem ter o mesmo preço consoante os «patamares». No caso é ter um curso superior. Significa que o Estado não pode, simplesmente, pagar um preço justo mediante a oferta de emprego; tem de oferecer um salário «bom», que é o mesmo que dizer que tem de oferecer a todos os funcionários o mesmo salário que teria de oferecer ao funcionário mais caro. Esta lógica, curiosamente, tem trazido desequilíbrios enormes no mercado laboral, com, para vos dar um exemplo, um excesso tremendo de professores, principalmente quando comparamos com a realidade de há vinte anos. Os sindicatos, feitos por gente que nos escusamos a adjectivar, esforçam-se por perpetuar a situação. Vendem injecçõezinhas de utopia em troca da quotazinha mensal. O problema, que os senhores dos sindicatos preferem ignorar, que aparecer na televisão é giro, passear na baixa também e ajudar o partido é capaz de dar jeito, o problema, dizia eu, é que algum dia a bolha rebenta. E nessa altura, bem que podem arranjar papéis, cartazes e megafones, que a ressaca do «proletariado», que já não é igual ao de há cem anos, vai virar-se contra os causadores da desgraça.


Tiago Moreira Ramalho

Espeta-te com o garfo.
Corta-te com a faca.
Deita-te no prato.
Espera.

 

Alexandre O'Neill


Rui Passos Rocha

Tenho o privilégio de partilhar um nome próprio com o provável próximo primeiro-ministro. Privilégio sobretudo porque o livro Mudar é para mim inesquecível: foi o primeiro livro de 200 páginas que li em duas horas. Ademais, e já que tanto insistem, o que tenho a dizer sobre Passos Coelho é isto: Marco António Costa.


Domingo, 28 de Março de 2010
Rui Passos Rocha

«The extant sources agree that Socrates was profoundly ugly, resembling a satyr more than a man—and resembling not at all the statues that turned up later in ancient times and now grace Internet sites and the covers of books. He had wide-set, bulging eyes that darted sideways and enabled him, like a crab, to see not only what was straight ahead, but what was beside him as well; a flat, upturned nose with flaring nostrils; and large fleshy lips like an ass. Socrates let his hair grow long, Spartan-style (even while Athens and Sparta were at war), and went about barefoot and unwashed, carrying a stick and looking arrogant. He didn't change his clothes but efficiently wore in the daytime what he covered himself with at night. [...] Against the iconic tradition of a pot-belly, Socrates and his companions are described as going hungry.» [daqui]


Bruno Vieira Amaral

Para o cardeal Saraiva Martins, o abuso de menores é roupa suja que a Igreja não deve lavar em público. É assim que as famílias fazem e a Igreja, que defende as famílias, deve imitá-las. É verdade que alguns responsáveis da Igreja comportaram-se como uma verdadeira família, no sentido Corleone do termo. Como não lavaram a roupa imunda em devido tempo, agora querem branqueá-la. Falam em conspirações contra a Igreja, como se tudo isto não fosse grave mas apenas o argumento de um mau romance. Há até quem relativize (note-se a ironia) afirmando que “todas as classes têm defeitos deste género”, ou seja, nada de exageros porque há padres pedófilos da mesma forma que há empregados de balcão pedófilos. Portanto, deixemo-nos de conspirações contra a Igreja e comecemos a exigir responsabilidades à Aresp. Reconheço, porém, alguma razão ao cardeal Saraiva Martins. Os actos e omissões de alguns membros do clero envergonham acima de tudo a família católica. Há milhões de católicos que exigem explicações, que conhecem a diferença entre um pecado e um crime, entre os homens que os cometem e uma instituição que os encobre. Para que a Igreja volte a exibir vestes menos encardidas perante os seus fiéis é essa, e apenas essa, a roupa suja que deve ser lavada em privado. Os tribunais que lavem o resto.


Tiago Moreira Ramalho

O meu artigo no Expresso Online.


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Rui Passos Rocha

O Rogério da Costa Pereira não é, da Jugular, o único que - por vezes e para aquecer os nossos tristes corações - se passa big big big big time!!!!, nem o único que «tem mau feitio e alergias várias». O Henrique Raposo (lá estou eu) diria que é porque são de esquerda e que a esquerda não tem sentido de humor. Talvez. Mas eu, que gosto de contrariar, tenho outra ideia: «among those aged under 40 years old, the median individual has sex once a week. This is true both for men and women. About 10% of under-40 Americans say they have sexual intercourse at least 4 times a week. Approximately the same proportion say they are celibate. In the over-40 category, among women the median amount of sex is once a month, while for males it is 2-3 times a month» [daqui].


Tiago Moreira Ramalho

Eu às vezes nem me sinto com tanta mostra de carinho. Rogério da Costa Pereira, um indivíduo que, apesar de não existir propriamente, no sentido não literal do termo, que lá para as beiras há quem o conheça, mas que, ainda assim, tem mais nomes que o Pessoa e mais personalidades que, procuremos um bom exemplo, eu, decidiu brindar estes vossos criados com um bonito post. Diz o Rogério, e a gente acredita, que somos mais um blogue de merda. Penso, no entanto, que o Rogério, ai Rogério, que me fazes suspirar, deveria ter feito um esforço extra. Aliás, alguém que se dá ao trabalho de dizer aos leitores (dos outros, que a verdade é que a malta vai ali é para ler outros que não o Rogério, mas não lhe digam isso, que ele fica triste), alguém que se dá ao trabalho, dizia eu, de mostrar aos leitores que compra livros ao apresentar uma listinha onde, inclusivamente (os advérbios de modo, os advérbios de modo...) coloca o tempo gasto e o avalia, certamente tem a perseverança necessária para, enfim, arranjar uma metáfora, uma sinédoque, talvez uma hipálage para nos presentear. Ainda por cima, meu deus, estico-me, o homem tem pretensões literárias, que de vez em quando lá lhe vemos um post todo embonecado, cheio disto e daquilo, e depois os comentadores (quem sabe se não os Abrantes) lá vêm dizer: ai Rogério, que bem que escreves. E o Rogério ri e lá desperdiça algum sémen, para se congratular. Ó Rogério, meu, nosso amor, faz um favor à gente: vai ler os livrinhos que compraste (já não era sem tempo!) e dá ao mundo o prazer da ilusão de que não existes.


Tiago Moreira Ramalho

Deste acordo retira-se, ainda, a completa irrelevância do novo sr. Europa, Van Rompuy, que teve um papel de figurante enquanto as estrelas, Merkel e Sarkozy, conversavam. De novo, ainda bem.


Tiago Moreira Ramalho

O acordo que a chanceler alemã impôs à Europa é, estranho, excelente. Perante a situação da pantanosa Grécia, Angela Merkel não se prestou a comoções mediáticas e disse o que tinha de dizer: os alemães não têm de pagar pelos erros gregos. Nem pelos gregos, nem pelos de nenhuma nação semelhante, como a nossa, a propósito. A Grécia receberá apoio apenas e só em «ultima ratio», nas suas palavras, e esse apoio não será exclusivamente europeu: um terço virá do Fundo Monetário Internacional. Alguns, como a corte francesa de Sarkozy, dizem que é sinal de fraqueza, que tudo isto mostra uma Europa incapaz de resolver os seus problemas sozinha. Eu digo que o acordo é responsável. Permite a salvação da população grega em último recurso, mas não viabiliza o parasitismo que os pequenos países gostam de usufruir. A União Europeia não foi feita para que a Alemanha andasse a amparar as quedas de países que não sabem escolher os seus governos. É bom que Portugal aprenda a lição: não vamos ter esmolinhas estrangeiras. E ainda bem, digo eu.


Tiago Moreira Ramalho

«O liberalismo, em Portugal, é hoje um suicídio.»

 Vasco Púlido Valente, hoje, no Público.


Sábado, 27 de Março de 2010
Tiago Moreira Ramalho

As declarações de José Saraiva Martins são inomináveis. Ter o descaramento de dizer que não nos deveríamos escandalizar muito se alguns bispos, sabendo, mantivessem segredo do que se passava, porque - supõe-se aqui um nexo causal - em todas as famílias isto é o que acontece, isto é, não se lava roupa suja na rua, é algo que deveria provocar repulsa a qualquer um. O Cardeal português que alguns até apontavam para Papa não merece qualquer respeito ao considerar normal que se cubra a violação de centenas de crianças deficientes a bem da boa imagem da «família». Gente desta é a sujidade que a Igreja deveria limpar. Onde - se na rua ou noutro sítio qualquer - pouco importa.


Rui Passos Rocha

Acabo de processar o Guardian por plágio: Even Dan Brown wouldn't invent this papal conspiracy (obrigado, xô TMR, pelo link).


Tiago Moreira Ramalho

Há algo de particularmente perturbador no escândalo de pedofilia da Igreja Católica. Por mais que todos tentemos culpar apenas os padres que molestaram os miúdos, tentando separar o trigo do joio na instituição, a verdade é que o chefe máximo da hierarquia, quando chamado a falar do assunto, apenas pediu desculpa. Por muito boa que fosse a intenção, o pedido de desculpas não mudou absolutamente nada. O que Ratzinger deveria ter feito, tal como diz Christopher Hitchens, era expulsar os criminosos e, mais, exigir que fossem punidos judicialmente. Seria a única forma correcta de agir e o Papa não o fez. Os motivos pelos quais não o fez são-me alheios, mas a verdade é que, escândalo após escândalo, a Igreja Católica afunda-se cada vez mais nas areias movediças das suas contradições.


Rui Passos Rocha

Ainda mais agonizante deve ser para o Henrique Raposo ver estudos científicos que procuram desmentir a sua análise cuidada. Esses mentirosos, uns dependentes estatais – certamente todos de esquerda – que enchem as universidades, dizem por aí que o eleitorado português é de direita em questões económicas. Onde é que já se viu?


Rui Passos Rocha

Estou solidário com o Henrique Raposo. Não deve ser fácil ver a luz e ter de a descrever a tanta gente obnubilada. Ele, que sabe perfeitamente (e, dêem-lhe os deuses forcinha nos dedos, não se cansa de o repetir) do que o país precisa, vê com nitidez o desamparo da Justiça, a desgraça institucional e o fim do regime moribundo. Deve ser difícil dormir. Entretanto, e porque não só de instituições vive o Homem, o sócio número um (em dois – sendo que o outro tem um pé dentro e outro fora) do Clube das Repúblicas Mortas vai condenando a política indígena (perdoe-me o roubo, João Pereira Coutinho) à desgraça por não ter equilíbrio ideológico: de Louçã a Portas, todos dançam à roda da fogueira estatal, todos são de esquerda, todos caminham a passos hegelianos para a utopia socialista, assobiando (e cuspindo) para o ar. Não deve ser fácil, dizia eu, estar condenado a ser o único cidadão português que percebe que não há direita em Portugal. Somos todos uns esquerdalhos, excepto o núcleo iluminado dos que lêem coisas e, portanto, teriam mãos para mudar o destino trágico da comunidade não fosse o bloqueio das forças do mal. E só um tipo que lê coisas se martiriza para condenar a tragédia (ao bom estilo grego), enquanto o público ri e bate palmas.


Tiago Moreira Ramalho

Esta cena que a gente abrimos [sic], com o propósito de, digamos, mostrar às pessoas da Internet que, digamos, não escrevemos grande coisa e pensemos [sic] ainda pior tem como objectivo preciso o divertimento dos autores que, por azares da vida que, digamos, não são para aqui chamados, tá [sic] bem?, não têm grande coisa com que, digamos, ocupar o tempo. Tudo isto para dizer que aquelas eisselências [sic] a quem comicha o vernáculo, o sarcasmo e a abordagem alternativa (inventei uma coisa) não são, digamos, bem-vindas a este espaço. Somos todos ignorantes, mas não convém exagerar.


Tiago Moreira Ramalho

Fui dar uma espreitadela a este blogue. Uma produção, diga-se, pobrezinha, mas, ainda assim, interessante. Passei uns posts, uns vídeos e lembrei-me algures de uma frase de Marcelo. Dizia Marcelo que o PSD, muitas vezes, só valoriza realmente os candidatos à segunda. Os exemplos sobejam e são amplamente conhecidos. Fiquei com vontade de voltar a ver Rangel tentar, quem sabe num partido que, enfim, fosse uma verdadeira associação de ideias. Esperemos.


Tiago Moreira Ramalho

O resultado de ontem não foi o que eu pretendia. Mas, enfim, não se pode pedir muito numa organização em que a pequena corrupção, mesmo a legal, impera. Apoio-te, mas quero uma secretaria, um ministério, um assento. Funciona assim, ali e em todo o lado, e não vai mudar. De qualquer modo, nem tudo é mau. Os programas de Rangel e de Passos não são diferentes o suficiente para que seja impossível um entendimento. Aliás, facilmente os três programas poderão convergir num só, basta que, por uma vez, se refreiem os ânimos na senda por um lugarejo no Estado ou nos media, se acalmem as pequenas grandes vinganças e a guerra do poder como fim. Parece conversa, mas não é. O momento é difícil e, concorde-se ou não com o ideário, um PSD forte na oposição é preciso.


Sexta-feira, 26 de Março de 2010
Rui Passos Rocha

O próximo livro de José Rodrigues dos Santos vai ser publicado daqui a duas semanas. Ao contrário dos anteriores este não é maçudo, tem apenas 1752 páginas. Como sei? Porque fui eu que, esta manhã, lhe dei a ideia que ele decidiu começar já hoje a transcrever furiosamente. Sei o que estão a pensar: duas semanas é muito tempo para o Rodrigues dos Santos. É verdade, mas não se esqueçam de que a Gradiva precisa de 10 dias para imprimir 500 mil exemplares e atirá-los para as montras da Bertrand. Então, dizia eu que estou por detrás de mais um grande sucesso do jornalista da RTP. E como sou boa pessoa, decidi também poupar ao coitado do Rogério Casanova o trabalho de analisar mais um cagalhão do Dan Brown tuga, descrevendo aqui o essencial do livro.

 

A ideia surgiu-me hoje de manhã quando soube que o Vaticano (e, neste caso, também o Papa) soube ao longo de anos que mais um seu padreco americano se lambuzava com miúdos – no caso, 200 rapazotes surdos. Vai daí, e como não sou pessoa para desacreditar a palavra de quem ouve a voz celestial, passei as últimas horas a revolver a mioleira para tentar perceber o que faz uma associação moralista, que defende valores universais e tal, ao mesmo tempo abominar o chavascal homossexual (mais até do que o heterossexual, que pessoalmente acho repugnante e não entendo como há gente que diz que aquela nojeira dá prazer) e tolerar que os seus sócios o pratiquem por aí à farta (será que com batina dá mais pica?), sem os condenar publicamente ou, como convém a uma organização do tipo, os expulsar – e à canzana com eles.

 

O motivo parece-me claro: ao criticar abertamente a homossexualidade, a Igreja tenta que os gays sintam nojo do que são – o que é manifestamente bom – porque, caso contrário, o risco de emergirem novos aglomerados abichanados (como Sodoma e Gomorra – o que é factualmente errado, mas a realidade estragaria este post) poderia perturbar o merecido sono de Deus, que lá teria de destruir mais uma ou outra civilização. Ora, é para evitar este incómodo que a Igreja tenta dispersar a população homossexual. Como? Desmoralizando-a, como disse, e em seguida acolhendo-a de braços abertos: «It has been estimated that at least 33 per cent of all priests in the Roman Catholic Church in the United States are homosexual». Enquanto membros da casa do Senhor, os panascas podem satisfazer os seus impulsos sodomitas sem que a generalidade da população o saiba. Por isso, acolher os pecadores homo permite à Igreja ao mesmo tempo despoluir e moralizar o mundo. Querem mais provas de altruísmo e superioridade moral?


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Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

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