Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Quando é que este homem perde um jogo sem se queixar dos problemas físicos?

 

 


Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

...há falta de salas. Aqui.


Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Quase todos os comentadores e analistas dão José Sócrates como um dos derrotados destas eleições. Eu não vou dizer que Sócrates foi um dos vencedores, mas foi significativa a forma rápida e indolor com que a derrota foi assimilada. Parecia aquela tristeza fátua que sentimos pela morte de um parente afastado: evidentemente a notícia não dá para desatarmos aos pulos e, por hábito e decoro social, manifestamos uma discreta comoção, um semblante vagamente pesaroso. Este foi o Sócrates de ontem à noite. Despediu-se do tio-avô sem dramas e vamos lá falar do que aí vem, que o povo quer é estabilidade. O discurso de Passos Coelho foi muito inteligente, mas Sócrates, uma vez mais, mostrou que é um verdadeiro animal político e que ainda é muito cedo para lhe fazerem o funeral.


Bruno Vieira Amaral

Miguel Gaspar, no Público: "Nobre celebrou uma votação surpreendente, com sabor a vitória. Mas a festa parecia mais a de um grupo de auto-ajuda do que outra coisa." De facto. Agora que se provou que há espaço para candidaturas presidenciais fora do espaço partidário, espero que as próximas sejam mais profissionais e protagonizadas por pessoas politicamente mais hábeis. Nobre pode reclamar uma vitória moral, mas em política, como no resto, essas vitórias não contam para nada - Alegre devia ter percebido isso. Aliás, este resultado de Nobre serve apenas para dar visibilidade a múmias do politicamente correcto, como Luís Osório, e a outros bem-intencionados profissionais (casal Represas), embrulhados numa névoa de optimismo laurindalvesco. A cidadania tem de ser mais do que isto. Esperamos que, daqui a cinco anos, a "sociedade civil" encontre um candidato para ganhar e não outro São Francisco de Assis.


Sábado, 22 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

 

 


Bruno Vieira Amaral

Bruno Vieira Amaral

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Com brilharetes deste género, Cavaco ainda comete a proeza de não ganhar isto à 1ª volta.


Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Outdoors.


Sábado, 15 de Janeiro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Há uma espécie de burburinho nas ruas falsamente indignado com o facto de boa parte do discurso desta campanha não ser sobre Política, mas sobre os políticos. Em primeiro lugar, a indignação é mera pose. Em Portugal, discutimos, e não é de agora, o carácter dos políticos como os americanos. Mas ao contrário dos americanos, não usamos a discussão para decidir se os queremos ou não. Usamo-la para simples divertimento fofoqueiro nos cafés de esquina. E como qualquer fofoqueira que se preze, negamos o epíteto e, em momentos de pronunciada altivez, até fingimos desinteresse pela casa do Algarve, pelas declarações ao Tribunal Constitucional, pelas acções do BPN ou pela campanha para o BPP.

O facto é que discutir os carácteres dos políticos e vasculhar os seus eventuais telhados de vidro é bom. O chefe máximo da hierarquia do Estado e do Exército deve ser, digamos de jeito carinhoso, cá de casa. Temos de lhe saber tudo quanto pudermos, porquanto só confiamos em quem conhecemos bem. O que diferencia a civilização da barbárie é o propósito de tal investigação: se uma decisão política, se uma conversa picante com a vizinha do terceiro esquerdo. E não me parece que haja muitas dúvidas quanto ao nosso.


Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Há coisa de um ano e meio, já a crise era velha, andou por aí uma senhora, a quem também chamavam velha, a pedir, num quase desespero que devia ter deixado as gentes um pouco mais atentas, para a necessidade de calminha nestas brincadeiras dos endividamentos, que são muito bons até ao momento em que vêm as obrigações. Reclamava a suspensão das Obras Públicas, exigia a redução do peso do Estado, rogava pela transparência e coerência dos políticos, condição essencial para que qualquer economia chegue a bom porto. Nada. Dali, ninguém quis ouvir nada. O povo deixou-se seduzir pelos luxos de um comboio que apenas uma reduzida percentagem iria alguma vez utilizar, pela glória de mais uma ponte, pela beleza de mais uma infinidade de auto-estradas. Progresso, pediam, julgando que o progresso se pode comprar com recurso a empréstimos no estrangeiro. Fora o ‘atavismo’ e o ‘pobrezinhos, mas honrados’, que nós cá, gente deste século, ligamos pouco à honra, um apêndice inútil quando temos asfalto em quantidade. Hoje, claro, ninguém sequer a nomeia. É inconveniente admitirmos um engano tamanho. Preferimos dizer que os ‘políticos’ é que nos fazem mal, quando quem nos faz mal somos nós mesmos, ao escolher mal. Sim, é o peso da democracia. Não se trata apenas de um conjunto de direitos, mas também de um conjunto de obrigações. É um grande activo, mas também um colossal passivo, que deve ser assumido. As escolhas contam e cada voto baseado no tom de voz, na beleza do rosto, na idade ou no preconceito foi parte responsável pelo estado a que chegamos. Não afirmo que tudo seriam rosas com Manuela Ferreira Leite. Erraria, humana que é, e humanos que seriam os que a rodeariam. Mas, pelo menos, não nos impingiria uma droga política, própria dos tempos, distribuída em forma de cheque e alcatrão e carruagem. Teria sido há um ano e meio atrás a inversão, ao invés de apenas agora. Teria sido há um ano e meio atrás, quando os juros já eram pornográficos, mas não tanto. Teria sido há um ano e meio atrás, quando a insolvência era um horizonte não tão próximo. Há um ano e meio atrás apoiei a ida da senhora para S. Bento. Um ano e meio depois não me incomoda um grama de arrependimento.


Bruno Vieira Amaral

Maya será operada em directo na SIC: "Interrogada se tal exposição não fere a sua privacidade, responde: "Sim. Aliás invade mesmo a intimidade, mas é algo consciente da minha parte. O corpo é meu"."


Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

O Lourenço decidiu tomar os posts publicados em alguns blogs pela blogosfera. Brincadeiras à parte, o mais importante não é a generalização, a habitual incursão pelos meandros da psicologia colectiva (os portugueses ao volante, etc), o tomar os anónimos pelo país real, mas observar os efeitos desses comentários (quase todos veiculados em sites de jornais): a degradação de um espaço público de debate e a disseminação de mensagens de ódio a coberto do anonimato e do sentimento de impunidade. Já sabíamos que há gente estuporada nas caixas de comentários, mas todas as ocasiões são boas para combater a praga.


Bruno Vieira Amaral

Coldplay confirmados no Optimus Alive!


Bruno Vieira Amaral

O discurso de Barack Obama: it’s important for us to pause for a moment and make sure that we’re talking with each other in a way that heals, not in a way that wounds.


Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Imagino com alguma frequência o que é a rotina matinal de Manuel Alegre. De manhã, depois de acordar, vai colocar-se de pé junto ao púlpito e escreve o seu Guardador de Rebanhos diário, com as prelecções com que nos vai presentear ao longo dos tempos de antena que lhe estão destinados. Tal como o outro, escreve a coisa de uma ponta a outra sem sequer olhar para o verso que precede o verso presente. E aqui radica aquilo que, porque somos essencialmente bondosos e confiantes na possibilidade de existir ali algo mais que voz e barba, julgamos ser todo um processo de construção artística, construção sobre construção, destinada a uma claque iluminada que, através do estudo cuidadoso e paciente, lhe desconstrói a tese e, dado o brilhantismo, lhe dá apoio. Como os tempos mudaram. Antigamente, quando os homens eram inteligentes, ou quando, pelo menos, os havia assim em número natural, rogava-se aos poetas que não se imiscuíssem na política. Hoje, são chamados e abraçados e, até, quem sabe, compreendidos.

Claro que nós, que mais do que acreditar na possibilidade etc., somos essencialmente pragmáticos e não duvidamos, até porque é pecado, disse alguém, não sei, da tese socrática, do outro, de que os poetas, ou melhor, este poeta, e aqui estamos a transpor, não a citar, acautele-se, leitor incauto, é como os da Apologia. Entra-lhe a musa pela narina, fá-lo cuspir pela ponta dos dedos, mas depois, nada. Sabemos nós melhor o que ele escreveu que ele próprio. Sim, caros, porque este homem, de duas escolha-se uma, ou não sabe mesmo do que anda a falar ou, sabendo, quer mesmo gozar com a nossa cara laroca, que a temos, que a temos.


Tiago Moreira Ramalho

Se fossemos pessoas decentes, depois disto, fechávamos o blogue. Como que num ritual todo pimpão. Acontece que, como o leitor regular já percebeu desde que se tornou regular, isto é tudo gente ruim, daquela que não quebra, como os vasos, está, claro, a ver. Pois que venha a banalidade, então.


Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

O que seria de nós sem os comentários esclarecidos nos sites da imprensa? O homicídio…não, homicídio tem uma carga demasiado negativa, o acto de justiça que se abateu sobre Carlos Castro é de uma transparência cristalina. A “vítima” era uma bichona, um velho nojento, praticamente um pedófilo, que se aproveitou da inocência depilada de um rapazinho (tão bonito que ele é, e gosta de mulheres, tinha resmas delas), uma ingénua criatura de Cantanhede (em Cantanhede não há paneleiros, ora essa), um anjinho de Deus que vendeu a alma ao Diabo em forma de um sexagenário gordo e feio. O porco seduziu a pobre criança cujo único pecado era ter um sonho e lá foi ela atrás do sonho agarrada às calças do maricas. Estava mesmo a pedi-las. Estão todos a pedi-las. Andam para aí a meter-se com rapazinhos exemplares que até praticam desporto e sorriem aos concidadãos e estão à espera do quê? E nem se sabe se não foi a “vítima” a provocar a situação ou até mesmo a pedir para que o jovem lhe fizesse aquelas coisas, porque homens daqueles são uns pervertidos. Quem nos garante que a “vítima” não tentou coagir o rapazinho, que não tentou obrigá-lo a fazer coisas que este não queria e que o rapazinho, ferido no seu orgulho heterossexual, apenas se defendeu, espancando o verdadeiro agressor durante uma hora, enfiando-lhe um saca-rolhas no olho e cortando-lhe os tomates? Seria muito diferente se em vez de um paneleiro velho, estivéssemos a falar de um septuagenário heterossexual que andasse com uma “dançarina” brasileira (puta, claro está, porque estas são muito sabidas e querem é subir na vida porque lá na terra delas passam fome). Já se sabe que estas atrevidas só andam atrás deles pelo dinheiro e que eles aproveitam (quem é que, podendo, não aproveitaria?) para ferrar o dente em carne fresca, e fazem eles muito bem, provando a macheza do garanhão lusitano que nem no leito de morte perde a tusa. É tudo tão simples: a culpa é sempre dos maricas e das putas.


Bruno Vieira Amaral

"O meu irmão saía com namoradas. Não tem uma, tem várias, é um bocadinho mulherengo", reiterou Joana Seabra. A família não estranhava que ambos ficassem no mesmo quarto, porque se tratava de viagens de trabalho e porque Carlos Castro arcava com as despesas, logo poderia ser uma forma de poupar.


Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Rui Passos Rocha

[...] First lie to yourself about what grade the diamond is; then you can sincerely tell your customer "the truth" about what it's worth. As I would tell my salespeople: If you want to be an expert deceiver, master the art of self-deception. People will believe you when they see that you yourself are deeply convinced. It sounds difficult to do, but in fact it's easy -- we are already experts at lying to ourselves. We believe just what we want to believe.


Sábado, 8 de Janeiro de 2011
Rui Passos Rocha

Il più pulito c'ha la rogna (O mais limpo tem sarna)


Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Uma frase ao gosto do Henrique. Provavelmente a única em todo o livro.

 

"Considero perigoso confundir o conceito de democracia com eleições. Só porque se fazem eleições não quer dizer que se seja um país democrático. A sua importância é vital para uma democracia. Mas há outras coisas que deveriam funcionar como freios e contrapesos. Se as eleições são a única coisa que importa, então as pessoas vão recorrer a tudo o que estiver ao seu alcance para vencê-las."

 

Arundhati Roy, O Perfil do Monstro, Bertrand


Bruno Vieira Amaral

Acho que André Freire é politólogo. Ou cientista social. Ou professor Pardal. A juntar a estas desgraças, é apoiante de Manuel Alegre. O argumentário varia entre a bruxaria estatística e probabilística, que é a especialidade do autor, os gritos em defesa do Estado Social, severamente ameaçado por uma possível reeleição de Cavaco Silva (acabou-se o mantra do "Vem aí o fascismo"), e a utilização injustificada de reticências, deixando ao leitor espaço para adivinhar o pensamento que se esconde nos três singelos pontinhos (serão suspiros? Pausas em memória do Estado Social? Iliteracia? Parkinson?). Diz-nos o analista que “na 1ª volta pode "votar-se com o coração" (p. ex. os PCs no Francisco Lopes) ou "votar com os pés" (p.ex. os anti-establishement no Fernando Nobre)... essa é a lógica das duas voltas.” Lá estão as misteriosas reticências que teimam em aparecer no texto de Freire. Estamos mesmo perante um caso de incontinência reticente. Adiante: depois de se votar com o coração ou com os pés, passando o candidato Alegre à 2ª volta, supõe-se que, para evitar a vitória de Cavaco e a consequente derrota do Estado Social, o povo português tenha de votar com uma parte menos graciosa da sua anatomia. Risco que Freire não corre porque “Eu, naturalmente, votarei simultaneamente com o coração e com a cabeça em Alegre... e estou convicto que uma segunda volta é possivel...” Ah, a razão e o coração que tão boas recordações nos trazem! Conclui Freire: “E, nesta pré-campanha, Alegre tem estado muito bem (duelo com Cavaco na TV, entrevista hoje, entrevista à Visão hoje, muita mobilização nos jantares, casos q.b. bem direccionados, etc.).” Estranhei que Freire não utilizasse os pés para votar. Perguntei-me para que serviriam, então, os pés de Freire? Compreendi, com alguma tristeza, que os poupa para alinhavar opiniões como esta, próprias de quem não tem a cabeça no lugar.


Bruno Vieira Amaral

"Era uma aluna razoável, sendo certo que não é difícil estudar nos EUA. Lembro-me de passar horas a estudar e depois verificar que o teste era de "cruzinha". Não tem nada que ver com a exigência a que estava habituada em Portugal."


Arquivado em:
Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

Nostálgicos dos anos 80 e retro-escavadores: Os Mercenários é uma grande merda de filme.


Bruno Vieira Amaral

"Isto sim é campanha suja." 


Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Bruno Vieira Amaral

O discurso de Cavaco Silva toca o coração anémico dos portugueses. Nada de experimentalismos, deixemo-nos resvalar para o abismo, mas sem solavancos, por favor. Nada de incomodar Merkel, Sarkozy, os mercados, as seguradoras, os presidentes que fazem pouco do nosso Chefe de Estado e do país. Não há nada a fazer, a não ser comer – pouco – e calar – tudo. Eleja-se, então, Cavaco, símbolo inatacável de seriedade (escrevo-o sem ironia), do sossego e da resignação. Os adversários são fracos, tão fracos que já se vê por aí a periódica boa vontade que é dispensada aos candidatos comunistas. As artroses do discurso de Francisco Lopes são esquecidas em favor da sua preparação (?), como foram, em devido tempo, celebradas a autenticidade e a afonia de Jerónimo e a coerência de Cunhal. Manuel Alegre é uma impossibilidade política, um candidato apoiado por este PS e pelo único BE que existe só pode acabar em anedota, em moeda ao ar. Nenhum dos partidos mostra o mínimo entusiasmo: o BE porque perdeu o exclusivo e porque sabe que, com o apoio do PS, Alegre tem de ser menos Bové e mais comprometido, mais sistémico; o PS porque se sente mais confortável com Cavaco. Defensor Moura é um curandeiro de autarquia a querer fazer transplantes de rins. Já teve tempo de antena, já ganhou as suas eleições. O mesmo se diga do alucinado Coelho, vindo do bananal da Madeira apenas para servir de antítese perfeita à seriedade hierática de Cavaco. São os extremos de uma palhaçada inócua que tem a virtude de mostrar até que ponto os portugueses baixaram os braços, cansados de maus governantes que nos guiaram nas águas mansas do crédito fácil, e que nós todos seguimos, para nos deixarem no pântano que agora acreditamos ser o nosso destino inelutável. Os gregos andam lá a soltar as fúrias, nos por cá andamos a encolher ombros, numa resignação mórbida e bovina, que, como disse Manuel Villaverde Cabral, dura porque os papás aguentam. Quero eu bombas e cocktails molotov em Lisboa, ministros agredidos? Deus me livre, que a nossa esquerda radical nem para isso serve. Mas há limites. Cavaco que me desculpe, mas criticar a actual administração de um banco que, durante anos a fio, foi gerido pelos Dalton e pelos Metralha é de uma desfaçatez indecorosa. Há cinco anos votei em Cavaco. Desta vez não terá o meu voto. Vou votar em Fernando Nobre. Por um único motivo: é o único candidato que tem alguma coisa a perder. É pouco? Talvez seja. Mas nenhum dos outros pode dizer o mesmo. Nobre arriscou, pôs a carne toda no assador e é muito provável que saia chamuscado. Se lhe serve de consolação, já ganhou um voto.


Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011
Priscila Rêgo

1. Abordar o Salário Mínimo sob o prisma da Liberdade Contratual pode não ser a melhor ideia. Não é que os princípios não sejam importantes; mas eles não dizem muito a quem, ganhando mal e porcamente, acredita genuinamente que a Lei pode ser um mecanismo efectivo de saída da pobreza. Pessoalmente, penso que isto é compreensível. Não é à toa que, apesar de o Liberalismo ser frequentemente apresentado como um princípio ético acerca da legitimidade, ele é publicamente defendido com argumentos utilitaristas.

 

2. O argumento utilitário padrão dos liberais diz que o Salário Mínimo causa desemprego. Isto é microeconomia básica: curvas de oferta e procura, mercados competitivos e preços de equilíbrio. Os heterodoxos criticam o modelo básico porque alegadamente despreza factores importantes como o impactos indirectos do Salário Mínimo – por exemplo, no incentivo às competências. Mas habitualmente fazem-no abdicando, eles próprios, de formalizarem as suas ideias em modelos testáveis. Resta a especulação infundada. Até ver, o Salário Mínimo causa mesmo desemprego.

 

3. Isto não significa que o Salário Mínimo não possa ser defendido mesmo por quem subscreve os pressupostos da cadeira de Microeconomia I. O impacto do Salário Mínimo no emprego depende da inclinação relativa das curvas de procura e de oferta de trabalho. Se forem suficientemente inclinadas, a criação de níveis salariais compulsórios terão impacto sobretudo no preço do produto, e não na quantidade oferecida e procurada. Claro que as curvas até podem ser bastante horizontais; o ponto, contudo, é que os seus declives não são uma questão teórica, mas empírica.

 

4. Já agora, não percebo de onde vem a ideia fixa do João Miranda de que as conclusões da Economia são indisputáveis por se basearem numa espécie de apriorismo platónico. Mesmo os princípios fundamentais da economia brotam, em larga medida, da observação de fenómenos naturais. Até o princípio da utilidade marginal decrescente, central na teoria do consumidor, resulta da observação (por Bernoulli, salvo erro) de que a quantidade de dinheiro que os jogadores se dispõem a ganhar em apostas vale menos do que o dinheiro que se dispõem a perder. E eu consigo pensar noutras coisas com utilidade decrescente: os minutos de sexo, por exemplo – só mesmo no final é que a utilidade começa a subir a pique.

 

5. Esqueci-me de postar isto em tempo útil. A lógica blogosférica sugeriria atirar o post para o lixo. Mas como o blogue também é meu…


Rui Passos Rocha

Não ia haver um governo sombra do PSD?


Domingo, 2 de Janeiro de 2011
Priscila Rêgo

A honra de primeiro a ser recomendado em 2011 vai para o Avelino de Jesus, cronista do Jornal de Negócios.

 

O ambiente, tanto intelectual como institucional, para acolher os doutores como empresários é péssimo. Como o sistema de ensino superior não pode crescer ao mesmo ritmo da formação de doutores, o estatuto social - e sobretudo económico - dos doutores conheceu uma quebra substancial. Criaram-se subsídios de desemprego disfarçados na forma de bolsas de pós-doutoramento e o sistema científico cresceu e acolheu alguns. Mas, nunca se apontou a esta formidável população o caminho do empresariado. Ambicionam - e prometem-lhes - lugares no quadro das universidades públicas como docentes ou investigadores. Para os mais atrevidos, acenam-lhes lugares de administradores dos institutos e fundações públicas, entretanto generosamente criados em farto número.

 

 


Rui Passos Rocha

«The first record that I bought was "Can't Buy Me Love". I heard the opening bars and that was it - a lifelong Beatles fan! I persuaded Mum to part with 6 shillings and eight pence (pre-decimal money in England). I just had to buy the record. Only problem was that I didn't have anything to play it on. Mum got me a second hand Dansette Record Player. I used to sit in a dark room with the glow of the bulb from that old machine»


Rui Passos Rocha

Quero acreditar, na minha ignorância, que quando um jornalista contacta um cientista social espera ouvir mais factos do que especulação; afinal, para profecias já existem as teresas-de-sousas e para outras tretas afins pode-se sempre ligar a um taxista. Quando se liga a um professor premiado com 2,4 milhões de euros não se lhe faz uma pergunta sobre Portugal esperando que ele responda sobre a França ou a Grécia. Quando Boaventura de Sousa Santos diz que "se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos", só posso imaginar duas hipóteses: ou não se baseia em factos e limita-se a especular, ou em vez de ciência está a transmitir uma mensagem política. Os factos são estes: já recorremos ao FMI por duas vezes, em tempos de governação particularmente difícil (que não existem agora), e nem por isso houve a tal "explosão"; os dados sobre atitudes políticas nos últimos anos apontam mais para apatia do que para mobilização; a mobilização que há é sobretudo sindical e corporativa; o descontentamento é crescente, mas daí à acção em Portugal vai um grande passo. O resto é wishful thinking.


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Vasco M. Barreto

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