Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

José António Saraiva, um homem que sabe do que fala, via O Intermitente. Transcrevo tudo porque há coisas que não se podem perder pela preguiça de clicar num link.

 

Ver tudo )
 

Domingo, 29 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

Querida, encolhi o pavilhão. O dia-a-dia deste Partido Socialista.


Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

Um dos traços mais marcantes deste Governo é a forma como banalizou a mentira. Mentiu acerca do défice orçamental, da instrumentalização da Segurança Social para comprar dívida pública, das empresas públicas, da TSU, da PT e da TVI e acerca de mais alguns casos menores. Outro dos traços distintivos deste Governo é a forma como conseguiu criar uma cultura de engodo a que todos os que giram na sua órbita parecem aderir quase que por inércia. Almeida Santos já fez o frete, agora foi a vez de Francisco Assis.

 

É tentador pensar que esta cultura resulta exclusivamente da personalidade do primeiro-ministro. Mas, apesar de Sócrates parecer de facto alguém com uma relação muito particular com a verdade, é improvável que conseguisse virar do avesso todo um partido. Uma explicação alternativa é que o PS acabou por sucumbir ao sucesso da sua máquina de informação. Para um mentiroso, o benefício de mentir e o custo de dizer a verdade são tanto maiores quanto mais mentiras tiverem sido ditas. O sucesso das primeiras pequenas mentiras acabou por tornar praticamente inevitável seguir a mesma estratégia durante o resto do tempo. É um processo autocatalítico.

 

Talvez Sócrates não seja tão mentiroso quanto pensamos, mas apenas um pequeno aldrabão que se tornou vítima do seu próprio profissionalismo. As suas acções são racionais e compreensíveis. Independentemente disto, nas próximas eleições cabe aos eleitores dizerem que, apesar de compreensíveis, elas não são aceitáveis. Aquilo que cada um escrever no boletim de voto sinalizará aos políticos de hoje aquilo com que os eleitores estãrão, ou não, dispostos a compactuar amanhã.    


Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

Esquerda defende política de direita para acabar com as reformas públicas e abrir caminho à privatização.


Sábado, 21 de Maio de 2011
Tiago Moreira Ramalho


Priscila Rêgo

Tiago Moreira Ramalho

Não percebo, por manifesta inabilidade minha, esse conceito de ‘ganhar debates’. Um debate não se ganha nem se perde porque um debate é um confronto de ideias e não há ideias vitoriosas e ideias perdedoras. Há ideias. Com umas concordamos, com outras nem tanto. Independentemente disso, meus caros, quem ‘ganhou’ ontem, signifique isso o que significar, interessa pouco ou nada. Dia 5 conversamos.


Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Rui Passos Rocha

«Há muito tempo que nao me ria à gargalhada (mesmo a sério) ao ler uma notícia n'A Bola. Muito obrigado!»


Tiago Moreira Ramalho

Há por aí uns quantos pseudo-cientistas que advogam uma espécie de pseudo-ciência sobre linguagem corporal. Segundo a ‘doutrina’, há um sinal que evidencia, desde tenra idade, a mentira: tocar na boca. As crianças tampam-na, os jovens tocam-lhe, os adultos, principalmente os experimentados, brincam com ou à volta dela. José Sócrates, ao longo de todo o debate, não consegue evitar brincar com os lábios, apertando-os com os indicadores nervosos. E é nestas alturas que começo a acreditar que a ciência pode ter mais braços do que se imagina.


Tiago Moreira Ramalho

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, candidato pela terceira vez consecutiva ao lugar, ‘não gostou’ de uma pergunta que um cidadão lhe fez. Um cidadão, depois de enunciar as vitórias do governo, disse que a realidade se cingia ao singelo facto de as palavras do primeiro-ministro que se candidata pela terceira vez não combinarem da melhor forma com os seus actos, porque, como muito bem apontou, perdemos competitividade nos últimos anos. O primeiro-ministro, desagradado, diríamos irritado, atirou-se para a frente, desajeitando a gravata que prontamente arrumou, não fosse o técnico dizer que ficava melhor da outra maneira, e disse que nos primeiros dois anos do primeiro governo, resultado daquela longínqua primeira candidatura, o país cresceu. Orgulha-se, o primeiro-ministro, de dois anos muito, muito bons, apesar de nos últimos quatro não ter grandes motivos para se orgulhar. Lembra a música do Neil Hannon, Lady of a Certain Age, que se gabava dos tempos em que se passeava pela Côte d’Azur, depois de lhe encherem o copo de bebida, apesar de agora estar abandonada pelo marido, que foi para a amante, e pelo filho, que foi para Zurique. Desculpa-se, o primeiro-ministro, com a crise internacional, argumento fraco, simples falácia, porque se a crise é internacional, então afectou o mundo em geral e se Portugal não teve nem mais nem menos impacto do que tiveram os outros países, então o défice comercial não deveria ter crescido – digo eu, que destas coisas percebo pouco.

Mas mais do que o conteúdo, reina a forma, aqui. O primeiro-ministro de Portugal, candidato pela terceira vez consecutiva, continua como na primeira candidatura: um ser vaidoso e arrogante, de uma retórica inatacável, apesar de fundamentalmente oca e, mais do que tudo isto, profundamente desconhecedor dos mais elementares e basilares princípios de um regime democrático. Porque a questão é clara como água: um primeiro-ministro não tem de gostar de perguntas; um primeiro-ministro tem de lhes responder.


Priscila Rêgo

O Ludwig Krippahl respondeu ao meu post acerca da produtividade. O que tenho para acrescentar é menos do que o necessário para justificar novo post, mas o suficiente para fazer um comentário. Como essa possibilidade continua restrita no blogue dele*, e como de momento tenho tempo para escrever, aqui vai a resposta.

 

O contra-argumento do Ludwig não me pareceu completamente claro, não sei se por não ter percebido bem o significado das Paridades de Poder de Compra ou se por eu própria não ter percebido bem a sua ideia. Mas as PPC são, simplesmente, uma forma de fazer desaparecer o efeito dos preços e câmbios. De forma muito simples, quem as calcula limita-se a olhar para bens semelhantes, comparar preços e calcular um rácio.

 

Isto permite obter um índice de preços entre zonas geograficamente diferentes. Depois, basta cruzar estes valores com o PIB nominal de cada país para se obter os volumes respectivos. A ideia é comparar o que conta verdadeiramente: a quantidade de bens e serviços que cada país produz. Tão simples quanto isto.

 

E as PPC não assentam “na premissa de que o mercado é livre, não há custos de transporte ou barreiras à concorrência, e, por isso, os bens transaccionáveis têm um preço único no mercado”. Elas levam em conta tanto os produtos fornecidos pelo Estado, como os produtos vendidos em mercado, sejam transaccionáveis ou não. O principal problema não está na conceptualização, mas na aplicação: é um trabalho extraordinariamente demorado, minucioso e complexo.

 

Por isso, tenho dificuldade em perceber a relevância da estória do sr. Zé e da Dª Hermínia, tal como a ideia de preços “de equilíbrio” (o que é um preço de equilíbrio?). As PPC não assumem que os euros do velhinho da Murrunhanha podem ser trocados por mais euros de Lisboa. Pelo contrário, assumem que eles serão gastos no próprio território, tendo em conta os preços que aí vigoram.

 

Assim, são apenas um índice para saber qual é o verdadeiro poder de compra dos salários em cada região, depois de se levar em consideração que os preços são mais baixos na primeira. E servem também para deflacionar os respectivos produtos e perceber qual é, de facto, a diferença de produção entre as duas regiões. O que importa reter é que, com uma PPC, estamos apenas a olhar para volumes de bens e de serviços.

 

Dito isto, claro que há razões para que as economias tenham produtividades diferentes, e certamente que a condição periférica, dotação de factores, clima e pequena dimensão do mercado interno são algumas delas (embora, aparentemente, não tenham constituído travão à Irlanda). Mas onde é que as PPC entram aqui?

 

Finalmente, concordo que “estes descritores não têm valor normativo”. Porém, e bem vistas as coisas, também não é essa a sua função. Valor normativo remete para uma dimensão ética e moral. E, moralmente, até pode ser defensável que o João tenha direito a comer 10 bananas por dia. Mas se o João só produzir 9, não tem outro remédio que não seja comer menos do que devia ou pedir uma emprestada ao vizinho.

 

O conceito de produtividade (refinado por uma boa PPC) serve apenas para mostrar onde está o limite físico daquilo que o João pode exigir sem ter de ficar dependente da caridade alheia. Escolher entre um consumo mais contido e um endividamento progressivo é sempre, claro, uma decisão política que cabe ao João. Mas convém ter presente que a decisão de continuar a financiar essa caridade também é política. E essa já cabe ao seu vizinho.

 

*não é brincadeira, eu não consigo mesmo comentar lá. Admito que seja por inépcia.

 

Adenda: Uma razão para possíveis confusões é o facto de a página da Wikipédia acerca das PPP não se referir ao índice de preços - o deflator PPP - mas sim à teoria das PPP. O primeiro é um instrumento estatístico-contabilístico. O segundo é uma teoria para prever movimentos cambiais, tendo em conta os preços relativos. A ideia básica é que a taxa de câmbio nominal deve convergir para a taxa de câmbio real. Para perceber melhor o conceito que eu uso, podem recorrer a esta FAQ da OCDE.


Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Tenho dito recentemente que já não me dou ao trabalho de discutir com quem diz votar em José Sócrates. Aguento bem que me chamem intolerante ou anti-democrático (não ria, leitor), mas o facto é que o voto em José Sócrates já não é matéria que pertença à Política, mas sim à Medicina.


Tiago Moreira Ramalho

Chamar mentiroso a José Sócrates teria real valor se a mentira dele fosse uma excepção. A 'mentira' não é, pelo menos em Portugal, uma arma eleitoral, porque todos os políticos, pelo menos na mente da massa que vota, mentem. E se todos mentem, não interessa muito para o voto que um tipo em específico minta. É triste, não tenhamos dúvidas, mas funcionamos assim. Se a campanha do PSD quer ter algum sucesso, então deixe a 'mentira' de lado e fale das coisas que ainda podem contar: FMI, bancarrota, desemprego, défice, dívida pública. Eu não oiço falar disto e devia ouvir falar disto. Eu não vejo isto nos cartazes e devia ver isto nos cartazes. Vamos lá trabalhar.


Tiago Moreira Ramalho

E pelos vistos há cada vez mais gente a pensar como eu.


Tiago Moreira Ramalho


Priscila Rêgo

Mas algum daqueles senhores que fala de soberania alimentar (e são muitos) já ouviu falar de vantagem comparativa?


Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

É muita elogiada a maneira como Sócrates tem conseguido dar a volta a assuntos que em princípio seriam altamente comprometedores para o PS e o Governo. Mas o elogio recai sempre mais sobre a forma como Sócrates consegue "virar o bico ao prego" no espaço de debate público do que propriamente sobre algum argumento de substância que esvazie as críticas feitas ou desmonte os argumentos expostos.

 

Assim, Sócrates é um "político brilhante" não por mostrar que a descida da Taxa Social Única é errada, mas por conseguir conciliar duas mensagens contraditórias: a defesa de que ela é um disparate com o facto de a ter subscrevido junto da Troika. É um "político fabuloso" não por ter impedido o país de cair na bancarrota, mas por conseguir inculcar na opinião pública a ideia de que a culpa por esse facto é do PSD. E é tão mais brilhante, fabuloso e magnífico quanto mais absurda for a posição que sustenta. É a mentira elevada à categoria de qualidade política.

 

A mesma linha de argumentação serve para condenar o PSD. Sobre o líder do PSD não pesam acusações sobre quaisquer políticas ou propostas concretas - que, de qualquer forma, a maioria dos comentadores não conhece - mas sim sobre a forma como as tem comunicado ao país. Passos é um desastre por não manter os seus colaboradores sob rédea curta (ao contrário de Sócrates, que mostra um Teixeira dos Santos açaimado como troféu de caça), por deixar Catroga usar calão em público (ao contrário de Válter Lemos, que é todo educação e bons modos) e por não conseguir demonstrar que o facto de a descida da TSU estar inscrita no documento da Troika implica que ela esteja... inscrita no documento da Troika.

 

Apesar de isto ser revelador de alguma incompetência do departamento de comunicação do PSD, tal como dos critérios que presidem ao escrutínio dos políticos no espaço mediático, não é líquido que isto seja uma coisa má. Um dos grandes problemas do Estado português junto dos mercados e dos eleitores é a falta de transparência, condição que é insuflada pelo facto de a máquina de propaganda ter atingido um grau de eficácia que nunca antes tinha sido visto. Perante a falta de informação e opacidade, os investidores têm um mecanismo de fuga: não compram dívida. Mas os portugueses não têm remédio: a alternativa ao voto informado é sempre o voto desinformado. Deste ponto de vista, um partido com debilidades na comunicação pode ser uma boa ideia para Portugal. Não porque seja mais provável governar melhor, mas porque será mais difíceis enganar quem vota.


Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

O Ludwig Krippahl escreveu um post acerca de produtividade. Azar dos azares, não concordo com quase nada. Mas, como a caixa de comentários do Que Treta! é bastante hermética (por razões compreensíveis, admito), deixo aqui a minha resposta.

 

Primeiro, uma nota técnica. A produtividade tem de facto alguns problemas conceptuais, mas aquele que ele aponta não figura no rol. O Ludwig refere o facto de um mesmo trabalho ser remunerado de forma muito diferente em economias distintas, o que leva a um empolamento artificial do PIB nas economias com preços superiores. E é verdade que os valores nominais são incomparáveis, mas é precisamente por isso que se inventaram as Paridades de Poder de Compra (PPC). Uma PPC é apenas um conversor que permite anular as diferenças de preços entre economias distintas, de forma a restaurar a comparabilidade dos dados. Qualquer economista que se preze usará sempre valores deflacionados pelas PPC apropriadas.

 

Há outro ponto em que me parece haver alguma confusão, que é o propósito de baixar as contribuições sociais e aumentar o IVA. O Ludwig diz que isto não faz sentido para aumentar a produtividade. E eu concordo. Mas a ideia da medida não é colocar os portugueses a produzir mais - é fazer com que haja mais portugueses a produzir. É a diferença entre produtividade e competitividade (um conceito dúbio, admito). Produtos mais competitivos significam mais possibilidades de venda e, portanto, mais portugueses empregados. Mas, porque os portugueses que estão neste momento desempregados até serão, provavelmente, menos produtivos do que a média, aumentar a competitividade até pode ter como corolário uma redução da produtividade.

 

O mecanismo é simples. As contribuições sociais incidem sobre o trabalho, desincentivando o emprego. O IVA incide sobre o consumo, estimulando a poupança. Baixando o primeiro, é de esperar que haja mais emprego e, logo, mais produção. E o passo lógico seguinte será uma diminuição dos preços. Isto admitindo que há concorrência, claro - uma questão muito bem abordada pelo Vítor Bento neste post. No final, as empresas portuguesas deverão conseguir vender mais ao exterior, diminuindo o défice externo.

 

A subida do IVA é a outra lâmina da tesoura. Ao actuar sobre o consumo, eleva os preços, incentivando os agentes económicos a pouparem e a cortarem nas importações - o que vai, mais uma vez, contribuir para diminuir o desequilíbrio das contas externas. O ponto interessante deste "mix" de impostos é que, apesar de ser neutro ao nível orçamental, não é neutro ao nível dos incentivos. Pelo contrário, estimula o emprego, a poupança, e reequilibra os pratos do nosso comércio externo.

 

Qual será o efeito global? Esta questão é essencialmente empírica mas, para quem tiver tempo e curiosidade, deixo aqui o link (página 41) para um paper do Banco de Portugal que analisa precisamente este mecanismo. Sim, é um exercício teórico (modelos de equilíbrio geral). Mas é um exercício teórico feito por alguns dos melhores economistas nacionais, com publicações nas melhores revistas da especialidade. Estes, pelo menos, penso que são insuspeitos de estarem a trabalhar para garantir o pagamento de uma taxa de juro de 6%. 

 

É importante salientar que este mecanismo é habitualmente posto a funcionar automaticamente nos países que têm moeda própria. Se Portugal tivesse escudo, há muito que a moeda teria caído a pique, reduzindo o poder de compra interno e tornando as exportações mais baratas no exterior. A desvalorização fiscal é apenas a forma mais fácil de emular esse processo, cuja alternativa seria uma prolongada deflação interna. Os méritos de uma desvalorização cambial têm sido muito enfatizados pelo Krugman, outro economista que dificilmente terá algum interesse nos juros pagos por Portugal.

 

Claro que a Troika também está preocupada com o pagamento do empréstimo que Portugal recebeu, o que é compreensível: ninguém gosta de perder dinheiro, e preocupação com o dinheiro próprio revelaram todos os investidores que, pouco a pouco, foram deixando de comprar obrigações do Tesouro (ou seja, começaram a "especular"). Os contribuintes alemães e finlandeses dificilmente seriam uma excepção.

 

Mas, independentemente dos juízos que se façam a respeito das intenções do grupo, a verdade é que nenhuma, ou quase nenhuma, das medidas propostas são coisa nova. O que consta do Memorando de Entendimento já apareceu no grupo de trabalho para a Saúde (2004 ou 2005, não sei de cabeça), nos relatórios do Banco de Portugal e nos trabalhos de alguns economistas portugueses sediados no estrangeiros. A troika não inventou a roda. Só veio pô-la funcionar. E ainda bem.

 

 

 

 


Domingo, 15 de Maio de 2011
Bruno Vieira Amaral

"Mas entretanto, como qualquer profeta teria previsto, um dos habitantes tornara-se social-democrata. Quando o imperador entrou no carro dourado que o aguardava à porta da igreja, o social-democrata espetou-lhe um arpão quinze ou dezasseis vezes, mas felizmente, graças à típica falta de pontaria dos social-democratas, não houve danos."

 

Mark Twain, A Grande Revolução em Pitcairn, Alfabeto, trad. Sofia Gomes


Tiago Moreira Ramalho

A Fertagus é empresa transportadora que fornece um serviço em tudo similar ao que a CP fornece nos subúrbios lisboetas. A qualidade das máquinas e do serviço em geral é incomparável. A Fertagus dá lucro sem ter subsídios estatais, dos quais abdicou há alguns meses. A Fertagus é privada.


Tiago Moreira Ramalho

Não há, lamento, nenhuma alternativa ao monopólio privado que me satisfaça nos caos de monopólios naturais. A intervenção do Estado, seja pela intervenção directa ou indirecta na produção, nunca traz especiais benefícios, trazendo, no entanto, particulares prejuízos. Está tudo com medo das privatizações. Eu cá, só quero é vender.


Sábado, 14 de Maio de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Há três anos atrás estive na campanha do PSD. Maluquinho, eu, na altura, de me meter em coisas dessas. O facto é que há três anos, quando o PS ganhou, o tom na campanha do PSD era exactamente o mesmo: nós não queremos José Sócrates. Há três anos a campanha do PSD cometeu o fatal erro de transformar umas eleições legislativas num referendo a um homem. Hoje, voltamos ao mesmo. E o próprio PS compactua. Afinal, quais foram as ideias do PS que se revelaram nesta campanha, para tão excelentes resultados estatísticos? A repetição até à náusea de que o PSD quer acabar com a Escola Pública? O aviso alarmado de que o PSD quer cortar na Saúde? A defesa aguerrida do Estado Social contra uma Direita apologista do Estado Mínimo?

Não há, no PSD, quem diga que quer Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. Ou se há, não se faz ouvir. O que se ouve é que não podemos ter mais Sócrates. O voto pedido é um voto contra um homem. E a circunstância vitimiza-o. No limite, valoriza-o. Afinal, se o melhor que os adversários têm a dizer é que não o querem a ele, então algo de bom ele há-de ter.

Muito bem. Eu não quero José Sócrates, mas, mais do que isso, quero um regresso do centro-direita ao governo em Portugal. Um centro-direita que, tendo assistido durante quase vinte ao afundar de uma economia num pântano que se regenera ciclicamente, pode e deve trazer um programa diferente. E haja ou não coligação, o facto é que o primeiro-ministro só pode ser um: Pedro Passos Coelho. E já que todos o dizem sem o dizer, eu vou primeiro: eu vou votar no PSD nestas eleições.


Priscila Rêgo

Muita gente está indignada com a taxa de juro cobrada a Portugal pelos parceiros europeus. Provavelmente, vai ficar próxima dos 6%, um valor que muitos economistas consideram uma verdadeira agiotagem. O argumento é simples: taxas de juro elevadas destinam-se a cobrir riscos de incumprimento, mas este risco de incumprimento caiu abruptamente depois de Portugal ter aceitado levar a cabo um programa de consolidação orçamental tutelado e vigiado por FMI, BCE e Comissão Europeia. Os 6% não são uma margem de segurança. Só abuso de poder.

 

Contudo, há que ter em conta que há sempre a probabilidade de o plano não ser implementado, ou ser colocado no terreno de forma deficiente. E aqui joga um papel fulcral a credibilidade dos líderes políticos. Tendo em conta que Sócrates não esperou sequer uma semana para vir negar aquilo a que tinha ainda há pouco tempo dado o seu assentimento, devemos ficar surpreendidos não com o facto de a taxa ser mais alta do que esperavamos, mas com o facto de ela ser porventura bem mais baixa do que se justificava.  


Priscila Rêgo

Sinceramente, tenho alguma dificuldade em perceber a ideia. Louçã comparou a auditoria ao acto prosaico de olhar para a factura depois de se comer num restaurante, mas a analogia está longe de ser satisfatória. Uma factura está consignada a uma despesa específica: um bem que se utiliza ou um serviço a que se recorre. Mas uma dívida é não é emitida para cobrir responsabilidades concretas. Só para tapar um buraco - a que, por conveniência, se chama défice.

 

A receita com obrigações, bilhetes do Tesouro ou créditos bancários vai toda para o IGCP, que depois a disponibiliza (via Ministério das Finanças, provavelmente) aos serviços públicos. Não há nenhuma forma de dizer para que despesa concreta foi emitida uma determinada série de obrigações. É tão legítimo dizer que estas foram lançadas para pagar salários da função pública como para arcar com as responsabilidades financeiras das PPP associadas ao Grupo Mello.

 

O critério das taxas de juro também não é muito útil. ÉS verdade que o Estado português se financiou durante grande parte do ano passado a juros altíssimos, mas os agiotas de serviço não foram apenas os bancos internacionais. Foram também os particulares que aproveitaram a subida dos juros implícitos das obrigações para comprarem Certificados do Tesouro (CT), cuja remuneração está indirectamente indexada a estes títulos. Duvido que Louçã queira aplicar um "haircut" à minha avó, que acreditou na seriedade do Estado português quando aplicou as suas poupanças em CT.

 

Suspeito que Louçã tem uma ideia mais precisa do que pretende com a auditoria à dívida pública: perceber quais os grandes grupos (nacionais ou estrangeiros) que detêm dívida para fazer incidir sobre eles o ónus da reestruturação que tem vindo a defender. É uma opção legítima e compreensível. Mas ganharia em ser assumida como tal.

 

 


Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

Abril de 2011 - PEC IV aprovado pelo Parlamento, depois de cedência do PSD. Sócrates garante que não são precisas mais medidas de consolidação orçamental para atingir objectivos.

 


Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

Gerou-se um consenso súbito em torno da necessidade de reduzir as margens de lucro do sector não transaccionável (SNT). Mas, se o SNT é demasiado rentável, no sentido de extrair rendas económicas do resto da economia, a solução para a maleita seria, em princípio, facilitar a entrada de empresas no SNT, aumentando a concorrência e esmagando as margens de lucro. Acontece que toda a gente está a falar precisamente no contrário: retirar recursos ao SNT e canalizá-los para o ST. Diminuir a concorrência num sector oligopolista e aumentá-la num sector que já é price-taker. Alguém me ajuda com isto?


Domingo, 8 de Maio de 2011
Tiago Moreira Ramalho

No Expresso desta semana a Dra. Clara Ferreira Alves, cujo comentário sempre me aquece o espírito e me enriquece a mente, avisa-nos, dado ser esse o seu dever, avisar pessoas de coisas, que Bin Laden é «uma contradição». Adivinhem: logo no cabeçalho do longo ensaio que me escusei a ler, o indivíduo é «um exterminador exterminado». Linda, doutora, linda.


Tiago Moreira Ramalho


Tiago Moreira Ramalho

No meio do ruído que se instalou nos últimos meses, coisa desconfortável mesmo quando o jornal está guardado e a televisão desligada, distinguem-se duas correntes, se «correntes» é o nome apropriado. Uma defende que a primeira prioridade que o Estado português deve ter é o pagamento das dívidas e que tudo o que ponha esse objectivo em causa deve ser rejeitado. Outra defende que a dívida é secundária, que pode ser renegociada, e que o relevante é assegurar o emprego e o crescimento económico.

Como parece evidente, não há aqui um certo e um errado. Trata-se de simples confronto de preferências. Pessoalmente, tendo a concordar com a primeira linha, apesar do desemprego e recessão geradas, por uma razão muito simples: uma questão de dignidade e credibilidade. Renegociar a dívida, o que, posto em termos simples, significa pedir condições especiais que, no limite, podem concretizar-se em «perdões» (daqueles que demos à África subdesenvolvida à conta, dissemos na altura, da sua incapacidade de se governar) significa que seremos por muitos e bons anos, isto se não for permanentemente, considerados quase inimputáveis pelos restantes Estados. Um país do primeiro mundo que é incapaz de se organizar a fim de pagar o que deve. Isto traz incerteza e pode comprometer seriamente o investimento durante os próximos anos, dados os prémios de risco que tal incerteza implica. Claro que o caminho tem um custo – a recessão no curto-prazo. E é claro que optar pelo caminho diverso poderia ter outros interesses (o problema não é a dimensão da dívida, mas sim a nossa capacidade de a suportar – afinal, há por aí muitos países com dívidas públicas assustadoramente superiores à nossa). No entanto, se queremos ser um Estado respeitado, tanto na esfera económica como na esfera política, temos de ser capazes de, numa situação destas, dar um passo atrás para que nos seguintes possamos ter a coluna direita. «Pobrezinhos, mas honrados»? Sim. É isso mesmo.


Tiago Moreira Ramalho

Comprei, na Feira do Livro, o Vamps & Tramps da Camille Paglia. Vou tentar continuar humano.


Sábado, 7 de Maio de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Comprei na Feira do Livro, por uns manuseados cinco euros, um livrinho de que me falavam havia tempo – «Não é fácil dizer bem» do João Pedro George. Crítico de livros e de literatura e, dizem, dos bons. Acredito piamente, porque, como sabemos, qualificativos desta natureza («bom») não se atribuiriam nunca, mas nunca, caso não houvesse correspondência com a verdade. Se é certo que tem, no meio daquelas dezenas, alguns textos de franca qualidade, como «A Metamorfose», «Editoras e Críticos Literários: As Jantaradas» ou «A Coutada Literária do Expresso», o facto é que da maior parte das vezes que escreve sobre o principal assunto do livro, que é, julga-se (julgo) a «literatice», como lhe chama o João Gonçalves, aborrece. Há uns textos sobre o António Lobo Antunes que sobre os seus livros dizem pouco, servindo, principalmente, para parodiar uma figura. Eu não gosto especialmente, nunca compreendi a veneração, mas não deixa de ser lamentável como, em tantos casos, o livro é desvalorizado através da desvalorização da figura. Céline é um belo exemplo, mas no caso J.P. George não deve achar piada. Depois há aqueles textos que não são carne nem peixe – honestamente, não consegui ficar certo relativamente às inclinações de J.P. George por Esteves Cardoso, Sousa Tavares ou Rodrigues dos Santos: do primeiro diz que está aí para as curvas, apesar dos não-sei-quês, do segundo diz que lhe leu o livro todo e o terceiro legitima com alguma foleirada do Miller. Com certezas, e provavelmente porque não li tudo, só fiquei do seu, vá, amor pela Emily Brontë, já que afirma, sem especial prurido, que «O Monte dos Vendavais» é o «livro mais singular de toda a história da literatura mundial», afirmação que, sem dúvida, é senhora de alguma pujança.

Não me cabe a mim, que li em toda a vida umas três brochuras no dentista e sete exemplares da revista Maria, dizer que o J. P. George é, espera, espera, «dos bons». O facto é que poucas das centenas de páginas agradam ou impressionam. As restantes fazem rir, às vezes, mas não nos dão aquela maravilhosa sensação do tempo bem aproveitado. Não tornam fácil essa tarefa de dizer bem.


Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Priscila Rêgo

A vida só vai ficar mais cara do que antes porque antes foi mais barata do que devia.


Priscila Rêgo

Agora é o José Manuel Pureza, do Bloco, a criticar o aumento brutal dos transportes públicos. Mas quem é que este tipo pensa que pagava os custos das empresas públicas?


Priscila Rêgo

Francisco Assis está no Parlamento a dizer que o óptimo plano do FMI prova como o PSD estava errado ao afirmar que a intervenção externa seria um desastre social e económico. É curioso. Eu pensava que tinha sido o Sócrates a dizer isso.

 

Mas está tudo parvo, ou quê?


Priscila Rêgo

Há uma coisa que salta à vista no plano delineado pela Troika: o grau de detalhe do programa de ajustamento. É impressionante o nível de pormenorização de algumas das medidas, sobretudo na área da Saúde e da Justiça. Em duas ou três semanas, os técnicos da Comissão, BCE e FMI gizaram um plano que cobre de envergonha os três (ou quatro?) Programas de Estabilidade e Crescimento que o Governo foi apresentando às pinguinhas ao longo do último ano.  

 

O meu palpite é que o programa foi feito em grande parte com recurso a inputs de economistas nacionais. Olhando para as medidas no campo do SNS, Mercado de Trabalho e concorrência, é razoavelmente fácil imaginar os nomes das pessoas que terão contribuído e estado por detrás de algumas delas. Aliás, penso que não é por acaso que as propostas no campo da educação estão praticamente ausentes: tanto quanto sei, a investigação nesta área é, em Portugal, quase inexistente. Como não havia conhecimento "pronto-a-vestir", e a própria Troika não tem expertise nesta área, terá optado por não mexer.  

 

Este plano não tem show-off. Não há cortes salariais na função pública, reduções brutais do investimento público ou rubricas "sensação". É um péssimo programa para a comunicação social, porque não tem um porta-estandarte que sustente uma manchete ou atire o povo para a rua. Pelo contrário, é um conjunto de cortes cirúrgicos, feitos à medida do possível. Como um plano de poupança familiar: gastar menos aqui, poupar acolá, amealhar ali. Parece pouco; mas, tudo somado, no final faz a diferença.

 

Outra virtude é colocar no terreno tudo aquilo que sabíamos que era necessário mas não tínhamos coragem de fazer. Poder-se-ia ter ido mais longe do domínio das leis laborais? Talvez. Mas os passos que foram dados vão no sentido correcto. O que, tendo em conta o passado recente, já é muito. Algumas mudanças atacam os sintomas em vez das doenças? Talvez, mas o óptimo é inimigo do bom. E o nosso termo de comparação é o PEC do Governo. Não é difícil ficar bem na fotografia, mesmo que apenas pelo efeito de contraste.

 

Muito disto não é novo. Sabemos desde há muito que algo se passava na saúde, que o subsídio de desemprego é demasiado generoso, que há falta de concorrência na energia, telecomunicações e transportes, que as empresas públicas vivem numa orgia despesista e que o programa de energias renováveis é um sorvedouro de dinheiro. O FMI não veio abrir-nos os olhos. Apenas obrigar a agir em conformidade.


autores

Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

comentários recentes
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