Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
Rui Passos Rocha

 

[...] Dov'è Jones il suonatore / che fu sorpreso dai suoi novant'anni / e con la vita avrebbe ancora giocato. / Lui che offrì la faccia al vento / la gola al vino e mai un pensiero / non al denaro, non all'amore né al cielo. / Lui sì sembra di sentirlo / cianciare ancora delle porcate / mangiate in strada nelle ore sbagliate / sembra di sentirlo ancora / dire al mercante di liquore / "Tu che lo vendi cosa ti compri di migliore?"


Priscila Rêgo

No Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues pergunta quais são os problemas reais do país. Segundo o Banco de Portugal (sem link, porque ele não cita e eu não consegui confirmar), não são as leis laborais, os custos com o trabalho ou os impostos. São sobretudo a falta de procura e as restrições ao nível do crédito. Não há que enganar, porque são os próprios empresários que o dizem. Certo?

 

Bom, não. Se alguém perguntar por que é que a minha avó demora tanto tempo a chegar a casa, a maior parte das respostas girará em torno da sua provecta idade, da sua condição física ou do calçado pouco apropriado. Mas se a mesma pergunta for feita a um pardal, ele apontará para algo muito mais óbvio: faltam-lhe asas e uma quilha mais robusta.

 

Ambas as respostas estão correctas, no sentido em que identificam características ou circunstâncias que, se alteradas, conduziriam a uma melhoria na performance atlética da minha avó. São contra-factuais simples. Mas o tipo de respostas fornecido depende em grande medida das experiências de cada pessoa e daquilo que ela(s) identifica(m) como alternativas exequíveis à presente situação.

 

Para os empresários portugueses, ter leis laborais mais flexíveis e uma justiça célere é como ter asas: nem sequer vem à cabeça quando se pensa em mudar as coisas. Estes problemas estão tão arreigados na economia portuguesa que deixaram de ser considerados como agentes patogénicos a expulsar. Já são parte da mobília, como aquele móvel pesado, grosso e carunchoso que a madrinha idosa pediu para guardarmos. É chato, mas não há nada a fazer.

 

Isto revela-se na forma como o próprio INE coloca as perguntas. Nos questionários feitos às empresas (de resposta fechada, por cruzinha), os obstáculos à produção podem ser o crédito bancário, dificuldades de tesouraria, falta de pessoal qualificado e falta de procura. Morosidade da justiça, falta de flexibilidade laboral, má regulação e por aí fora nem sequer constam do menu. Até o INE já se resignou.

 

Mas isto é só em Portugal. Quando se alarga o leque de respostas, lá aparecem a burocracia, as restrições do mercado de trabalho, a instabilidade política e os impostos como principais preocupações dos empresários. É preciso ver as coisas de fora para se ter uma perspectiva mais alargada.

 


Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Será, com certeza, um mal meu, mas a corrente que por aí circula indagando a comunidade blogosferante sobre livros e leituras não me agrada. Perguntar, muitas vezes a pessoas que nunca tivemos sequer a decência de conhecer pessoalmente, sobre os livros que se leu, os livros que se leria, os finais que não se esqueceu e coisas de natureza similar é o mesmo que perguntar sobre conquistas amorosas ou contas bancárias. Da mesma forma que o sedutor que acumula conquistas gosta de deixar no seu rasto uma reputação de grande amante, sem, no entanto, falar explicitamente de quem amou ou de quem deixou que o amasse, o leitor compulsivo gosta que essa aura o rodeie, sem, no entanto, se submeter aos inquéritos invasivos e, além disso, públicos sobre as suas ‘conquistas’. Perguntar a um amante de literatura qual o livro que nunca leu é como perguntar ao Casanova pela mulher que nunca lhe permitiu safadeza; perguntar a um rato de biblioteca qual o livro que leria para o resto da vida é como perguntar ao Camarinha pelo tamanho da pila. Haja decoro.


Domingo, 26 de Junho de 2011
Priscila Rêgo

A ideia de fundir várias pastas em dois superministérios é um erro grosseiro da equipa de Passos Coelho. Veja-se o exemplo da Economia. Até aqui, o Ministério da Economia tinha, por si só, a incumbência de gerir as linhas de crédito às PME, decidir que microempresas devem receber ou deixar de receber subsídios, coordenar a aposta nas energias renováveis, orientar os recursos nacionais para o cluster do mar, safar postos de trabalho, fazer "diplomacia económica" com a Venezuela e Angola, gerir os apoios à moratória no pagamento do empréstimo bancário para particulares, assegurar as condições de competitividade da economia portuguesa, tratar dos fundos do QREN e uma mão cheia de outras funções absolutamente essenciais a uma economia de mercado. O superministro Álvaro Santos Pereira não vai conseguir fazer tudo isto e ainda ser o ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações. Vai ter de deixar coisas essenciais de lado. Isto é inaceitável.


Sábado, 25 de Junho de 2011
Priscila Rêgo

Passos não poupou dinheiro porque o Governo já não paga os bilhetes na TAP.  Outras coisas que fazem sentido à luz da lógica económica subjacente a este artigo:

 

a) O Belmiro não precisa de pagar as compras que faz no Continente, porque cada euro que gasta é um euro que ganha.

b) Não faz mal nenhum o Joaquim comer as bebidas que expõe no balcão do seu café. Os produtos já são seus, não lhe custam mais por isso.

c) É normal que o grupo SONAE compre activamente o jornal Público durante a semana, porque a sua despesa é a receita do jornal.

 

E quem achar que isto é parvo está a ser populista e demagogo.


Tiago Moreira Ramalho

 

«Mais il m'a coupé et m'a exhorté une dernière fois, dressé de toute sa hauteur, en me demandant si je croyais en Dieu. J'ai répondu que non. Il s'est assis avec indignation. Il m'a dit que c'était impossible, que tous les hommes croyaient en Dieu, même ceux qui détournaient de son visage. C'était là sa conviction et, s'il devait jamais en douter, sa vie n'aurait plus de sens. 'Voulez-vous, s'est-il exclamé, que ma vie n'ait pas de sens?' À mon avis, cela ne me regardait pas et je lui ai dit». (L'Étranger)


Tiago Moreira Ramalho

O governo não quer que as viagens económicas sejam assunto, mas alimenta a polémica. Os comentadores acham a coisa pouco relevante, mas não param de falar nela. Eis a pátria.


Tiago Moreira Ramalho

 

Trata-se de João Lemos Esteves, um «jovem militante partidário» que vê «o mundo da política» no Expresso.


Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
Rui Passos Rocha

Pessoas que se dizem contra a disciplina partidária nas votações mostram-se agora contentes por Fernando Nobre ter sido derrotado. Em condições normais, se os deputados não pensassem com o cérebro dos seus líderes, Nobre teria sido eleito com votos socialistas (de PS, PCP e BE) mais do que liberais-conservadores. Em condições anormais, como se viu, os autómatos do PSD lá escarraram a cruzinha a custo e toda a assembleia demonstrou o acerto das críticas de Nobre à classe política.


Bruno Vieira Amaral

No sábado, Lisboa conheceu uma agitação incomum. Milhares de pessoas entregaram-se aos prazeres hortícolas em pleno centro da cidade e, depois de descobertos os segredos da alface, da couve e da beterraba, aplaudiram o fenómeno Carreira. A RTP1, televisão de serviço público, mostrou grandes planos de lágrimas e suspiros a cada gemido microfónico do Tony. O multiplatinado cantor, acompanhado de uma assinalável trupe, cantou as desventuras, os amores falhados, as desilusões, os encornanços, mas tudo acabou bem, porque o povo quer é música. Da parte da manhã, cerimónia mais sóbria e solene, no mais prosaico Campo das Cebolas, com trezentos populares a assistir ao enterramento das cinzas nobelizadas debaixo de uma oliveira transplantada da província e com a sagrada terra vinda da ilha de Lanzarote. Pareceu-me beatificação secular, assim para o pagão, com oliveira telúrica, grega, e livro a acompanhar as cinzas, vá-se lá perceber a superstição literária. Podemos sair da religião, mas não há maneira de a religião sair de nós.


Bruno Vieira Amaral

O excepcionalismo lusitano já nos deu o imorredoiro mito da saudade, sentimento desconhecido de outros povos, que lidam mal com tamanha privação. Só um português sabe o que é a saudade, o sofrimento provocado pela distância da terrinha, da mãezinha e da merdinha. Os outros bem que se podem esforçar que nunca atingirão os cúmulos de sensibilidade a que estas três sílabas, como três degraus místicos, nos permitem aceder. Como nós gostamos de nos esvair em explicações poéticas sobre a saudade perante um estrangeiro! Ficamos logo em estado Amália Rodrigues, cobertos por xailes imaginários, pequeninos mas de alma em erecção, sardinhentos, afadistados, metendo por atalhos que normalmente acabam no beco sem saída do “é um sentimento impossível de explicar”, dito com superioridade civilizacional, como quem acusa o outro de não ter o equipamento místico adequado para captar as subtis reverberações da saudade.

 

Como o negócio da excepcional saudade lusitana já conheceu melhores dias, regressam outros, como a inveja. Ui, a inveja! Vejam lá que a última palavra d’Os Lusíadas não é amor, nem saudade, nem pátria, nem sequer salmonela, é inveja. Eu pensava que a inveja existia em todas as sociedades, que era um defeito universal, mas se me atrevo a dizê-lo em público levo logo com a última palavra d’Os Lusíadas como argumento insofismável. Nós é que somos invejosos. A inveja é nossa. Nacionalizámos a inveja e, para que os outros fiquem com uma pontinha de inveja por verem que a inveja é toda nossa, temos de exportá-la através de pipelines que atravessam o continente. Um finlandês, que só tenha razões para nos desprezar, abre uma torneira e sai-lhe um jacto de inveja distintamente portuguesa, potável mas um tanto fuliginosa. O finlandês, cujo aparelho cardiovascular não está preparado para acomodar a inveja portuguesa, fica um tanto abalado, cambaleia, recompõe-se, começa a olhar com desdém para a casa do vizinho, para o irmão da mulher e para o carro do patrão e amaldiçoa-os em bom português: “ai, os filhos-da-puta!” Está criado um invejoso à portuguesa, que é a única maneira de se ser invejoso, porque os outros não conhecem a inveja, nem a saudade.


Domingo, 19 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Caralho, mas quando é que esta merda reabriu? E porque é que ninguém me disse nada? Porque é que não vi links?


Sábado, 18 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho


Tiago Moreira Ramalho

A Esquerda está muito perturbada pelo facto de a Cultura ter sido «desgraduada» de Ministério a Secretaria de Estado. Alertam-nos para os perigos de descurar esta «área tão fundamental da nossa vida colectiva». Pois eu estou felicíssimo. Para as responsabilidades que deve ter, à Cultura sobra-lhe uma Secretaria de Estado. E não há grandes dúvidas que uma Secretaria de Estado em boas mãos é mais útil do que vinte ministérios nas mãos erradas.


Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

A arte humorística é não raras vezes subestimada. Qualquer engraçadista se julga capaz de fazer humor. Enfim, fazer rir, mais não seja com o nosso ridículo, é muito fácil. Difícil é fazer boas piadas. E o Rui Herbal está aí para o provar.


Tiago Moreira Ramalho

Dar mais valor ao sítio de onde vêm os Ministros do que à qualidade do perfil é de um fundamental portuguesismo que mais que aborrecer, irrita, enoja. É-me completamente irrelevante se o próximo Ministro das Finanças vem de uma Juventude Partidária, de uma cadeira Universitária ou de um cargo no Banco de Portugal. Eu apenas quero um Ministro das Finanças que seja bom e nessas coisas as proveniências dizem pouco ou nada. Fernando Teixeira dos Santos era um respeitado académico do Porto e veja-se onde nos levou. E isto serve para o Ministro das Finanças como para todos os outros. Curiosamente, em todos os outros apenas se pensa nas «figuras» dos partidos. Ter um «independente» como troféu é um pouco irrelevante se depois o envolvermos de pó medíocre.


Tiago Moreira Ramalho

“Há cenas no livro da responsabilidade dum narrador muito cru e provocador; o autor não se revê em algumas cenas; há, aliás, palavras no livro de que não gosto. Mas o narrador tem muita força e não me pede licença”

 

Manuel António Araújo, um novo escritor, ao Ípsilon

 


Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Priscila Rêgo

João Pinto e Castro pergunta aqui por que é que os economistas aparentam saber tão pouco acerca de economia. Dou-lhe a palavra.

 

Os Nóbeis atribuídos nos últimos anos comprovam que os economistas investigam assuntos de grande relevância para o entendimento do funcionamento dos mercados, como sejam a psicologia dos consumidores, a informação assimétrica, as falhas de coordenação (...) Todavia, a síntese dessa investigação que é servida aos estudantes e à opinião pública ignora sistematicamente as limitações da racionalidade humana e as falhas dos sistemas económicos que delas decorrem, em favor de uma visão cor-de-rosa do funcionamento dos mercados desregulados. Assim, embora o estudo do comportamento dos agentes económicos demonstre que os pressupostos da microeconomia estão errados, ela continua a ser ensinada como se nada fosse.

 

É verdade que a opinião pública não está muito por dentro da "psicologia dos consumidores, a informação assimétrica""falhas de coordenação". Por outro lado, também duvido que saiba muito acerca de custos marginais crescentes, concorrência perfeita, lucros económicos e estratégias dominantes. Não é de estranhar: o espaço mediático pura e simplesmente não é muito propício à dissertação académica. Mesmo nas universidades este é um ambiente difícil de fomentar, como qualquer professor de licenciatura facilmente atestará.

 

O que vemos são boutades, palpites e "opiniões de especialistas", que dificilmente podem ser considerados grandes defensores do mercado. Admito que possamos ter experiências diferentes, mas nos jornais que leio o que costumo ver são economistas e empresários a pedirem constantemente apoios à exportação, mais investimento em I&D, ajudas sectoriais, linhas de crédito para aqui e acolá, etc. Aliás, é curioso que o exemplo paradigmático dado pelo JPC não tenha praticamente nenhum defensor no debate público - pelo menos que eu saiba, ninguém pede a eliminação do salário mínimo. 

 

Quanto à Academia. Sim, a microeconomia básica continua a ser ensinada nos cursos introdutórios como se nada fosse. Tal como a teoria da selecção natural centrada no indivíduo, a mecânica newtoniana e a divisão de números inteiros com recurso ao "resto", a despeito da descoberta do modelo mais sofisticado da selecção natural centrada no gene, da teoria da relatividade e da possibilidade de se utilizar fracções nas contas de dividir. Em parte, é inevitável. Temos de começar por algum lado e é mais fácil, útil e didático começar pelos modelos mais simples antes de se evoluir para os mais complexos.

 

É importante referir que mesmo os modelos mais simples permitem chegar a conclusões robustas e importantes. Ainda mais importante, são uma evolução enorme face à situação anterior, em que era impossível pensar a economia devido à ausência de qualquer enquadramento teórico. Mesmo que não seja rigorosamente verdade que F=m.a, esta fórmula é muito mais útil do que a ideia aristotélica de que os sólidos tendem a seguir a sua "posição natural".

 

Já agora, penso que dizer que os economistas académicos procuram, à semelhança dos físicos, uma "teoria geral unificada" não tem grande sustentação. A física tem progredido por convergência: abarcando cada vez mais fenómenos num corpus teórico mais fundamental e robusto. Newton mostrou que a queda dos graves e as órbitas planetárias são explicadas pela mesma força, Maxwell unificou o magnetismo e electicidade, algum físico cujo nome me escapa juntou a força nuclear fraca a estas últimas duas (força electrofraca) e o "Santo Graal" actual é conseguir conciliar tudo.

 

A economia, por outro lado, tem progredido por ramificação. Partindo de um conjunto sólido de fundamentos (a "baunilha" do cozinhado), os economistas acrescentam paulatinamente "ingredientes" mais exóticos: informação assimétrica, expectativas, preços e salários rígidos e por aí fora. Completa-se o modelo e vê-se até onde é possível explicar os fenómenos; quando a coisa não funciona, acrescentam-se mais uns pozinhos de mercados imperfeitos. Os físicos que procuram elegância nas suas explicações devem olhar para a moderna macroeconomia como um conjunto de retalhos muito pouco apelativo.

 

De facto, a crítica do JPC até poderia ser feita ao lado oposto do debate económico. Durante a década de 60, gerou-se a ideia de que a política orçamental teria de ser sempre expansionista. Depois vieram críticas que, na sua essência, diminuíam o valor dos multiplicadores. Havia efeitos de crowding out, economias abertas, expectativas dos agentes económicos e por aí fora. Quando, em anos recentes, estes efeitos foram mencionados para atacar a política orçamental pró-cíclica seguida em Portugal, não ouvimos propriamente elogios à decisão de "tornar o modelo mais realista", mas acusações de "neoliberalismo" e voodoo economics...

 

JPC nota também que "o presente ensino da economia não melhora em nada - bem pelo contrário - as competências dos gestores". Não sei se melhora ou não, mas também não me parece claro que isso fosse expectável. Afinal de contas, a economia estuda a forma como os seres humanos tomam as suas decisões e criam riqueza, mas não diz nada acerca da forma como é possível criar essa riqueza. Pedir a uma licenciatura em economia que ensine os seus alunos a criarem empresas e investirem parece-me um pouco como pedir a uma licenciatura em biologia que ensine os seus alunos a reproduzirem-se de forma bem sucedida.

 

PS- Ver também a resposta do Miguel Madeira.

 

  

 


Rui Passos Rocha


Terça-feira, 14 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Claro que ao lado da incompetência jornalística se senta a desonestidade dos ‘especialistas’. Nada a que não nos tenhamos habituado. Não é líquido que a uma Taxa Social Única mais baixa aumente o emprego se estivermos num contexto de contenção orçamental e, para cobrirmos a perda de receita, aumentarmos outros impostos. Afinal, de que serve aumentar a oferta se, a seguir, reduzimos a procura? Este é o grande problema que deve ser discutido e não meia dúzia de conceitos aprendidos nas cadeiras das universidades. O efeito líquido é ou não positivo? No actual contexto, tenho as minhas dúvidas. Contratar novos empregados é um risco maior do que manter os actuais e não custa imaginar que muitos dos actuais empregos são mantidos apenas porque os custos de os eliminar superam os proveitos no curto-prazo. Se isto for verdade, uma redução da TSU não levará a um aumento sequer residual do emprego, ao passo que o aumento do IRS ou do IVA levará a quebras de procura mais que certas. Medidas desta natureza fazem sentido em conjunturas mais propícias a expansionismos governamentais. Actualmente, trata-se apenas de contas de merceeiro que, no fim, se arriscam a dar buraco. É que muito pouco é constante.


Tiago Moreira Ramalho

Não sei, porque objectivamente não fiz nem li estudo algum sobre a coisa, se a redução de quatro pontos percentuais da Taxa Social Única terá impactos extraordinários sobre a economia portuguesa. O que eu sei é que todas as leituras jornalísticas feitas até agora são essencialmente demonstrações gratuitas da qualidade do jornalismo económico que por cá reina. Quando pensamos na redução da TSU, o relevante não é o que as empresas actuais vão poupar ou gastar, até porque nisto dos impostos, é um pouco irrelevante quem os paga. O que é relevante é que a TSU é um custo associado ao trabalho e que, por isso, o integra. Uma redução no custo do trabalho, por pequena que seja, leva necessariamente a uma alteração dos preços relativos e, por isso, às opções das empresas. Tudo o resto constante, a redução, seja em que valor seja, da TSU leva a um aumento do emprego.


Rui Passos Rocha


Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Apesar de, na generalidade, concordar com a visão da Priscila sobre os subsídios à agricultura, há que lembrar que a leitura está feita com base em modelos estilizados da realidade, como todos os modelos económicos são. É óbvio para qualquer pessoa com um mínimo de estudos que perdemos eficiência com subsídios, principalmente em áreas nas quais não temos qualquer tipo de vantagem comparativa. No entanto, uma visão da agricultura mais política poderá sem grandes dificuldades levar à decisão de uma subsidiação. Há sempre um risco quando abrimos a nossa economia, queiramos ou não. É certo que os ganhos são bastante elevados, mas a volatilidade (não só do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista político) é grande e pode trazer problemas sérios, por vezes.

O exemplo mais paradigmático para esta escolha entre risk & return está no investimento na Defesa. Afinal, entre canhões e manteiga é sempre preferível consumir manteiga, porquanto a manteiga alimenta e os canhões, no limite, apenas destroem. E investir em armas e tropas em tempos de paz parece ainda mais descabido, se não tivermos em linha de conta que, nisto das preferências, a segurança e o risco contam (seja militar ou alimentar). No entanto, é residual o número de países que não investem em armamento. Serão todos loucos? Nem por isso. O investimento em armas tira eficiência à economia, pelo menos aquela que é quantificada nos modelos simples. No entanto, poucos são aqueles que alocariam todos os seus recursos na manteiga para ficarem sem um canhão que fosse. O mundo das preferências é muito mais complexo do que os modelos simples permitem compreender.


Priscila Rêgo

Apoiar a agricultura I, II, III e IV.


Priscila Rêgo

Qual é o verdadeiro efeito da subsidiação da agricultura? A tabela de baixo, construída com dados da OCDE, dá uma ideia.

 

 

Isolei a vermelho os países em que a agricultura pesa mais de 4% no PIB. Curiosamente, dos cinco países em que essa condição se verifica, dois não estão no lote dos países desenvolvidos (México e Turquia) e outros dois praticamente não dão subsídios. A excepção é a Islândia. Presumo que tal se deva ao peso da pesca, mas não consegui encontrar dados para saber se esta actividade é ou não subsidiada.

 

É de referir que a agricultura já representa 2,3% do PIB português. Mais do que acontece na Suíça, Noruega, EUA, Japão e Canadá. Tudo países com os quais nós não queremos ter nada a ver. No que toca à produção, o modelo tem de ser a Turquia.

 

 


Priscila Rêgo

O nosso défice no sector dos bens alimentares & bebidas é de 1,9% do PIB (dados do INE), num défice externo global que ronda os 8 ou 9% do PIB . Se os preços duplicassem de um dia para o outro, podiam ser absorvidos sem grandes problemas. Em suma, pintelhos.


Priscila Rêgo

O argumento de que apoiar na agricultura é bom porque os preços podem subir é tão bom como o argumento de que é mau porque os preços podem descer. Os proponentes desta ideia são tradicionalmente políticos e comentadores de bancada e não especuladores impiedosos, o que também sugere que a sua vantagem comparativa está mais em gerir expectativas alheias do que propriamente o próprio dinheiro. Não é bom sinal.

 

Em todo o caso, e independentemente de os preços agrícolas subirem ou descerem nos mercados internacionais, apoiar subsidiar a agricultura representa, em si mesma, uma subida dos preços para o conjunto da economia. Os preços não sobem devido à oscilação imprevisível da oferta e da procura mas devido ao aumento dos impostos sobre todos os sectores que não estão na agricultura. Aceitamos um ganho incerto em troca de um prejuízo confirmado.


Priscila Rêgo

São muito curiosos os comentários a este post do João Miranda. Vários leitores do Blasfémias defendem simultaneamente que a) Portugal deve ter uma balança alimentar equilibrada; e que b) a agricultura deve ser subsidiada, porque todos os países desenvolvidos o fazem. Estas duas posições são contraditórias.

 

Em primeiro lugar, não é nada óbvio que um país deva ter como objectivo equilibrar a sua balança alimentar. Um subsídio à exportação agrícola é equivalente a um imposto sobre a exportação não agrícola. Por isso, cada euro retirado ao desequilíbrio da balança alimentar será um euro acrescentado ao desequilíbrio de outra balança qualquer. Dado o efeito distorcedor dos impostos e subsídios, até é provável que o efeito líquido seja negativo (e não nulo).

 

Em que actividades é que é expectável que um país seja deficitário e excedentário? Em princípio, um país será excedentário nas actividades que produzir com menor custo e deficitário naquelas em que for relativamente menos produtivo. Os islandeses têm muito mar e experiência pescatória. É normal que vendam peixe ao exterior. A produção de bananas, por outro lado, exigiria a criação de enormes estufas e importação de know-how. Seria demasiado caro. É mais fácil concentrar recursos na pesca e trocar os excedentes com o Brasil.

 

A subsidiação generalizada da agricultura diminui os custos relativos da agricultura nos países subsidiados e tem como efeito a descida do preço internacional dos produtos agrícolas. A agricultura torna-se menos rentável em Portugal, é verdade, mas a compra de produtos agrícolas fica muito mais fácil. Portugal pode cavalgar a descida dos preços e dedicar-se a produzir bens e serviços cujo valor não é mantido artificialmente baixo nos mercados.

 

 


Domingo, 12 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Discurso do Doutor António Barreto, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

 

Nada é novo. Nunca! Já lá estivemos, já o vivemos e já conhecemos. Uma crise financeira, a falência das contas públicas, a despesa pública e privada, ambas excessivas, o desequilíbrio da balança comercial, o descontrolo da actividade do Estado, o pedido de ajuda externa, a intervenção estrangeira, a crise política e a crispação estéril dos dirigentes partidários. Portugal já passou por isso tudo. E recuperou. O nosso país pode ultrapassar, mais uma vez, as dificuldades actuais. Não é seguro que o faça. Mas é possível.

Tudo é novo. Sempre! Uma crise internacional inédita, um mundo globalizado, uma moeda comum a várias nações, um assustador défice da produção nacional, um insuportável grau de endividamento e a mais elevada taxa de desemprego da história. São factos novos que, em simultâneo, tornam tudo mais difícil, mas também podem contribuir para novas soluções. Não é certo que o novo enquadramento internacional ajude a resolver as nossas insuficiências. Mas é possível.

Novo é também o facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros, para dialogar, para encontrar denominadores comuns e chegar a compromissos contrasta com a facilidade e o oportunismo com que pedem aos cidadãos esforços excepcionais e renúncias a que muitos se recusam. A crispação política é tal que se fica com a impressão de que há partidos intrusos, ideias subversivas e opiniões condenáveis. O nosso Estado democrático, tão pesado, mas ao mesmo tempo tão frágil, refém de interesses particulares, nomeadamente partidários, parece conviver mal com a liberdade. Ora, é bom recordar que, em geral, as democracias, não são derrotadas, destroem-se a si próprias!

Há momentos, na história de um país, em que se exige uma especial relação política e afectiva entre o povo e os seus dirigentes. Em que é indispensável uma particular sintonia entre os cidadãos e os seus governantes. Em que é fundamental que haja um entendimento de princípio entre trabalhadores e patrões. Sem esta comunidade de cooperação e sem esta consciência do interesse comum nada é possível, nem sequer a liberdade.

Vivemos um desses momentos. Tudo deve ser feito para que estas condições de sobrevivência, porque é disso que se trata, estejam ao nosso alcance. Sem encenação medíocre e vazia, os políticos têm de falar uns com os outros, como alguns já não o fazem há muito. Os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente.

Vivemos os resultados de uma grave crise internacional. Sem dúvida. O nosso povo sofre o que outros povos, quase todos, sofrem. Com a agravante de uma crise política e institucional europeia que fere mais os países mais frágeis, como o nosso. Sentimos também, indiscutivelmente, os efeitos de longos anos de vida despreocupada e ilusória. Pagamos a factura que a miragem da abundância nos legou. Amargamos as sequelas de erros antigos que tornaram a economia portuguesa pouco competitiva e escassamente inovadora. Mas também sofremos as consequências da imprevidência das autoridades. Eis por que o apuramento de responsabilidades é indispensável, a fim de evitar novos erros.

Ao longo dos últimos meses, vivemos acontecimentos extraordinários que deixaram na população marcas de ansiedade. Uma sucessão de factos e decisões criou uma vaga de perplexidade. Há poucos dias, o povo falou. Fez a sua parte. Aos políticos cabe agora fazer a sua. Compete-lhes interpretar, não aproveitar. Exige-se-lhes que interpretem não só a expressão eleitoral do nosso povo, mas também e sobretudo os seus sentimentos e as suas aspirações. Pede-se-lhes que sejam capazes, como não o foram até agora, de dialogar e discutir entre si e de informar a população com verdade. Compete-lhes estabelecer objectivos, firmar um pacto com a sociedade, estimular o reconhecimento dos cidadãos nos seus dirigentes e orientar as energias necessárias à recuperação económica e à saúde financeira. Espera-se deles que saibam traduzir em razões públicas e conhecidas os objectivos das suas políticas. Deseja-se que percebam que vivemos um desses raros momentos históricos de aflição e de ansiedade colectiva em que é preciso estabelecer uma relação especial entre cidadãos e governantes. Os Portugueses, idosos e jovens, homens e mulheres, ricos e pobres, merecem ser tratados como cidadãos livres. Não apenas como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados.

É muito difícil, ao mesmo tempo, sanear as contas públicas, investir na economia e salvaguardar o Estado de protecção social. É quase impossível. Mas é possível. É muito difícil, em momentos de penúria, acudir à prioridade nacional, a reorganização da Justiça, e fazer com que os Juízes julguem prontamente, com independência, mas em obediência ao povo soberano e no respeito pelos cidadãos. É difícil. Mas é possível.

O esforço que é hoje pedido aos Portugueses é talvez ímpar na nossa história, pelo menos no último século. Por isso são necessários meios excepcionais que permitam que os cidadãos, em liberdade, saibam para quê e para quem trabalham. Sem respeito pelos empresários e pelos trabalhadores, não há saída nem solução. E sem participação dos cidadãos, nomeadamente das gerações mais novas, o esforço da comunidade nacional será inútil.

É muito difícil atrair os jovens à participação cívica e à vida política. É quase impossível. Mas é possível. Se os mais velhos perceberem que de nada serve intoxicar a juventude com as cartilhas habituais, nem acreditar que a escola a mudará, nem ainda pensar que uma imaginária "reforma de mentalidades" se encarregará disso. Se os dirigentes nacionais perceberem que são eles que estão errados, não as jovens gerações, às quais faltam oportunidades e horizontes. Se entenderem que o seu sistema político é obsoleto, que o seu sistema eleitoral é absurdo e que os seus métodos de representação estão caducos.

Como disse um grande jurista, “cada geração tem o direito de rever a Constituição”. As jovens gerações têm esse direito. Não é verdade que tudo dependa da Constituição. Nem que a sua revisão seja solução para a maior parte das nossas dificuldades. Mas a adequação, à sociedade presente, desta Constituição anacrónica, barroca e excessivamente programática afigura-se indispensável. Se tantos a invocam, se tantos a ela se referem, se tantos dela se queixam, é porque realmente está desajustada e corre o risco de ser factor de afastamento e de divisão. Ou então é letra morta, triste consolação. Uma nova Constituição, ou uma Constituição renovada, implica um novo sistema eleitoral, com o qual se estabeleçam condições de confiança, de lealdade e de responsabilidade, hoje pouco frequentes na nossa vida política. Uma nova Constituição implica um reexame das relações entre os grandes órgãos de soberania, actualmente de muito confusa configuração. Uma Constituição renovada permitirá pôr termo à permanente ameaça de governos minoritários e de Parlamentos instáveis. Uma Constituição renovada será ainda, finalmente, o ponto de partida para uma profunda reforma da Justiça portuguesa, que é actualmente uma das fontes de perigos maiores para a democracia. A liberdade necessita de Justiça, tanto quanto de eleições.

Pobre país moreno e emigrante, poderás sair desta crise se souberes exigir dos teus dirigentes que falem verdade ao povo, não escondam os factos e a realidade, cumpram a sua palavra e não se percam em demagogia!

País europeu e antiquíssimo, serás capaz de te organizar para o futuro se trabalhares e fizeres sacrifícios, mas só se exigires que os teus dirigentes políticos, sociais e económicos façam o mesmo, trabalhem para o bem comum, falem uns com os outros, se entendam sobre o essencial e não tenham sempre à cabeça das prioridades os seus grupos e os seus adeptos.

País perene e errante, que viveste na Europa e fora dela, mas que à Europa regressaste, tens de te preparar para viver com metas difíceis de alcançar, apesar de assinadas pelo Estado e por três partidos, mas tens de evitar que a isso te obrigue um governo de fora.

País do sol e do Sul, tens de aprender a trabalhar melhor e a pensar mais nos teus filhos.

País desigual e contraditório, tens diante de ti a mais difícil das tarefas, a de conciliar a eficiência com a equidade, sem o que perderás a tua humanidade. Tarefa difícil. Mas possível.


Tiago Moreira Ramalho

Não sei qual é o conteúdo extraordinário que as três crónicas que Vasco Pulido Valente escreve semanalmente têm para que possa dedicar uma a atacar a putativa inocuidade discursiva de António Barreto. Nem tampouco sei o que tanto faz Vasco Pulido Valente para falar do que António Barreto supostamente não faz. Meu Deus, ignoro as fundamentais propostas programáticas de Vasco Pulido Valente, que acusa António Barreto de ser evasivo.

Fundamentalmente, ignoro o motivo pelo qual Vasco Pulido Valente se conduziu ao triste espectáculo de uma página de bílis em letra de forma. Porque António Barreto, goste-se ou não, é das vozes mais sensatamente interventivas que Portugal tem. Uma voz muito mais relevante que a de um Vasco Pulido Valente que morde canelas de partidos e pessoas e pouco mais. Uma das fundamentais consequências da extraordinária inutilidade de António Barreto, a Pordata, recebeu um prémio da Organização das Nações Unidas. Quantas vezes foram premiados os textos que todos os fins-de-semana nos entram, com o Público, em casa?


Tiago Moreira Ramalho

Em três anos de blogosfera, porque, sim, já se passaram três anos, houve poucos, muito poucos espaços a que me fidelizasse. As excitações pelas novidades rapidamente passaram, o interesse por temas específicos desgastou-se, o prazer de certas escritas e de certas pessoas desvaneceu-se. Há, no entanto, um blogue que me acompanha há muito e bom tempo. E com o blogue, o seu autor. Em tempos, fui simpaticamente convidado para «colaborar» no dito. Não fiquei muito tempo. As caixas de comentários rebentavam de indignação por o autor se permitir ter a colaboração de um colaborador da estirpe que é a minha. E porque um blogue, como qualquer outro espaço, mais do que de quem nele escreve, é de quem o lê caninamente, saí. Só mais tarde percebi que mais vale estar na sombra de um gigante a passar os dias com o sol na cabeça. O Portugal dos Pequeninos faz oito anos. O João Gonçalves está de parabéns.


Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
Rui Passos Rocha

 

Recomendo vivamente o filme, mas peço a quem puder que leia primeiro o livro Barney's Version de Mordecai Richler.

 

«Were ours a just God, which he isn't, my father would now dwell in heaven's most opulent bordello, which would also include a deli counter, a bar with a  brass rail and spitoon, a cache of White Owl coronas, and a 24-hour TV sports channel. But the God we Jews are stuck with is both cruel and vengeful. To my way of looking, Jehovah was also the first Jewish stand-up comic, Abraham his straight man. "Take thy son", the Lord said unto Abraham, "thine only son Isaac, whom thou lovest, and get thee into the land of Moriah; and offer him there for a burnt offering upon one of the mountains which I will tell thee of". And Abe, the first of too many Jewish grovellers, saddled his ass and did as he was told. He built an altar, and laid the wood in order, and bound Isaac his son, and laid him on the altar upon the wood. "Hey, Daddy-o", said a distressed Isaac, "behold the fire and the wood, but where is the lamb for the burnt offering?" In response, Abe stretched forth his hand, and took the knife to slay his son. At which point Jehovah, quaking with laughter, sent down an angel who said, "Hold it, Abe. Lay not thy hand upon thy son". And Abraham lifted up his eyes, and looked, and beheld behind him a ram caught in a thicket by the horns; and Abraham went and took the ram, and offered him up for a burnt offeringin the stead of his son. But I doubt that things were ever the same again between Abe and Izzy.»


Domingo, 5 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

A partir de hoje, dia de palmas, gritos, hinos, sorrisos e abraços, pende uma espada sobre a cabeça de Passos Coelho. Quase metade do país votou nele por um motivo: porque representava o oposto da irresponsabilidade de José Sócrates. Houve, sucintamente, uma única promessa deste PSD: trazer o país de novo para uma zona financeiramente segura. E isso é perfeitamente possível, bastando que cumpramos aquilo com que nos comprometemos. Foi nisto que metade de Portugal votou e é isto que Pedro Passos Coelho tem de assegurar. É a sua única medida de sucesso. É um jogo de tudo ou nada.


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Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

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