Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
Priscila Rêgo

No Insurgente, António Costa Amaral apresenta-nos um insight profundo e inesperado da Escola Austríaca de Economia. Mais uma crítica demolidora ao mainstream, e um prego adicional no caixão do keynesianismo, já ferido de morte depois de ter visto refutado o seu axioma fundamental de que os recursos são infinitos. Desta vez, o problema é do investimento. Parece que não entra no PIB. 

 

(...) To what extent does it [GDP] measure current consumer standards as opposed to prosperity in future? These two are entirely at odds with each other, because future prosperity is governed largely by the role of capital goods. But an increase of capital (i.e. savings and investment) means that current living standards are held back in the short term. So guess what: GDP statistics take little or no account of saving, the sine qua none for long term growth! (...) Rothbard, another king of the Austrian School, argued that all government spending should be subtracted from private spending as depredation on private production, and then we should subtract the resources drained from the private sector, to arrive at ‘Private Product Remaining in Private Hands’. Which brave economist will sign up to calculate this?

 

Acalme-se. Sente-se. Respire fundo, descanse e pegue num manualzinho jeitoso, como os que são dados a qualquer aluno num primeiro ano de economia. Agora, vamos pensar.  

 

Uma das equações do PIB é: PIB = C + G + I + X. O I representa - guess what - uma coisa chamada... Investimento. A tal poupança que o PIB não leva em conta. O C representa os bens adquiridos pelas famílias no mercado e o G - adivinhem lá - designa os produtos e serviços postos à disposição das famílias pelo sector público. O brave economist que o autor desafia a fazer estes cálculos pode ser qualquer um que já tenha visto um quadro de Contas Nacionais à frente.

 

A crítica de Rothbard - mesmo que se lhe dê um desconto por eventual má interpretação do discípulo - também não faz sentido. Quando se separa a produção mercantil da produção pública já se está a distinguir o que é comprado voluntariamente via mercado daquilo que é fornecido coercivamente pelo Estado. A proposta de Rothbard parece ser deduzir esta segunda da primeira parcela e, a este resíduo, voltar a retirar a produção do Estado. Isto é pura dupla contabilização. Mas admito: pá, dá um ar bué da complexo e profundo à cena.

 

Mises tinha quase 70 anos quando a primeira medição oficial de PIB (de acordo com os actuais critérios) foi feita nos EUA, e praticamente 80 quando ela se generalizou na Europa. As suas críticas podem ser desculpadas com o desconhecimento compreensível de uma coisa recente, ou com a indulgência com que habitualmente tratamos os idosos. Mas quem vive na era da internet, em que a fórmula de cálculo do PIB está à distância de um clique, não tem desculpa possível.

 

P.S.- Ou, como escrevi há uns dias, "aqueles que pensam ter transcendido os modelos mais básicos acabam, quase invariavelmente, por revelar que nem sequer os perceberam".  

 

 


Rui Passos Rocha

Caro leitor, uma confissão: quando criámos este blogue a nossa primeira ideia foi fazer algo deste tipo, mas como somos todos demasiado feios nunca tivemos quem nos oferecesse livros. E assim nasceu A Douta Ignorância.


Rui Passos Rocha

 

De acordo com o Filipe Nunes Vicente [1], o anúncio televisivo em que uma mulher vítima de violência doméstica é mostrada na morgue é mero desperdício de dinheiro. «O corpo de uma mulher morta à pancada faz tanto pela diminuição da violência sobre as mulheres como o deserto faz pela falta de água. A linha é a mesma das campanhas de prevenção rodoviária: carros destruídos, sangue, aleijados, o resultado é o mesmo.»

 

Não googlei sobre as campanhas de prevenção rodoviária, por falta de tempo e por já imaginar o resultado da pesquisa. Ainda assim, e porque o FNV escreveu que «a ideia de uma campanha para prevenir a maldade é pateta», decidi puxar os galões de idiota e exercitar os lumbricais. E o que descobri foi que, afinal, não pareço ser eu o pateta.

 

Uma das coisas que estão a ser testadas - sobretudo nos países africanos onde, estranhamente, a maldade é uma coisa arreigada - é a transmissão de novelas na rádio. Não encontrei, ainda assim, estudos que liguem isso à evolução dos casos reportados de violência doméstica. Mas encontrei-o para as Filipinas: foi criada uma novela que salientava a importância de tomar conta dos filhos, de perdoar, partilhar as tarefas domésticas e tal. Um mês após o final da novela parece que 75% dos governantes de aldeia contactados disseram que ao longo desse mês nenhum caso de violência doméstica tinha sido denunciado [2].

 

No Canadá, onde foi feita uma experiência-piloto de tolerância zero para casos deste tipo, parece que «os media desempenharam um papel significativo na forma como a comunidade percepcionou o problema da violência doméstica» [3]. E, parecendo que não, não é apenas o povo quem absorve os conteúdos divulgados pela comunicação social; também as elites - que decidem as reformas legislativas que o FNV considera serem o único meio possível para reduzir a violência doméstica - se informam. OK, o Presidente da República não lê jornais, mas é capaz de haver um ou outro político que o faça. Por isso, os media podem desempenhar um papel relevante nas reformas legislativas [4].

 

Nota: Aqui vai a sobremesa.


Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Um lugar comum da Economia é que não é possível fazer experiências, o que não é bem verdade. Todas as políticas económicas são experiências e a ciência evolui com sucessivas tentativas, umas responsáveis por bons resultados, outras por calamitosas desgraças. O Euro é uma experiência. As respostas à crise do Euro são experiências. Dessas experiências, os economistas tiram as devidas conclusões.

Os últimos anos europeus permitem, para já, algumas possibilidades relevantes, mesmo que não tenhamos certezas sobre nada. Enquanto os Estados Unidos foram a força propulsora da crise e continuam com défices clamorosos, o mercado esbofeteia-se por lhes comprar títulos do tesouro. Já a Europa, que levou com a onda como resultado das tropelias americanas, vê-se sem grande solução e até a própria Alemanha começa a tremer. Isto parece lugar comum, depois de meses de discussão, mas um problema grego alastrou-se a Portugal, Espanha, Itália e França, pelo menos até agora. O problema da periferia é, como li algures, um problema de meia Europa. E a Alemanha, lamenta-se, depende das exportações para essa meia Europa. Afundar uma das partes significa afundar a outra. Tudo isto, atente-se, apesar de programas de austeridade sérios (pelo menos em parte dos países), de governos depostos, de tecnocracias instaladas e de similares movimentações. Contudo, pouco ou nada se vê.

Poderia argumentar-se com o tempo, dado que tudo é muito recente. No entanto, os mercados raramente olham para o passado, por isso o tempo é uma variável pouco relevante. Poderia argumentar-se com a incapacidade de cumprimento dos programas, mas até a troika diz que Portugal está a fazer o que é certo. Poderia argumentar-se com campanhas dos mercados, mas esta já ninguém engole.

A lógica tem sido, grosso modo, a seguinte: impor austeridade aos países devedores e não dar mais margem de manobra ao BCE, anulando um instrumento de política macroeconómica. Basicamente, anulam-se deste modo os dois instrumentos de política macroeconómica existentes: política fiscal (os países não se conseguem financiar) e política monetária (o BCE só existe para assegurar uma inflação teutónica). Claro que se criam mecanismos para deixar o vapor sair em pequenas doses, como os fundos europeus (que nem chegam para ajudar a Itália, quanto mais meia Europa), que têm como fundamental objectivo replicar o que seriam os resultados de uma das políticas, mas cujo alcance é fundamentalmente reduzido.

Pessoalmente, concordo com as medidas de austeridade impostas. Os países têm de honrar os compromissos, mesmo que possam ter pontuais ajudas. Não se pode resolver tudo com emissão de moeda, ou lá teremos as criancinhas europeias a brincar com notas de quinhentos nas ruas. No entanto, a obsessão leva à desgraça. A simples possibilidade de um credor de último recurso acalma as expectativas negativas (que, nos mercados, geram por si próprias realidades negativas). Pode ser por isso que dois países essencialmente indistinguíveis na maior parte dos aspectos políticos como são a Finlândia e a Suécia comecem a ter diferenças substanciais na capacidade de financiamento, sendo o juro para a Finlândia cada vez maior (provavelmente porque a Suécia, caso seja necessário, pode imprimir a sua própria moeda). Ou pode ser também por isso que o Reino Unido começa a financiar-se a preços mais baixos que a própria Alemanha. Dificilmente se pode dizer com certeza que há aqui relações causais, mas começa a adivinhar-se uma tendência.

A The Economist dá-nos algumas semanas para agir antes do colapso. Não sei se terá razão, mas alguma coisa tem de ser feita. Pode ser que com a água a chegar às solas nórdicas a pressão sobre o eixo director comece a fazer-se sentir e a Europa páre de se contaminar com os traumas alemães.


Tiago Moreira Ramalho

O ambiente intelectual numa universidade de espírito libertário é tão irrespirável como o das universidades de matriz socialista. A juventude, essa coisa maravilhosa dos livros, tem uma capacidade fenomenal para a irracionalidade e para o fanatismo.


Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
Vasco M. Barreto

Já se sabe qual foi a adesão à Greve Geral de ontem? Ter a opinião pública refém das manipulações do Governo e dos sindicatos é um sinal de atraso. Só que é também um sinal da falta de imaginação e de iniciativa dos nossos cientistas sociais. A assinar documentos em defesa da dignidade do Trabalho e do Estado Social foram muito eficientes, mas não quando se trata de pensar e tentar soluções para obter em tempo real números credíveis sobre greves, para eventualmente defender a dignidade do trabalho e, em todo o caso, defender a verdade. Com tanto departamento, tantos académicos, tanto inquérito,  tanto projecto financiado, tanta tese por aí a ser feita, não há ninguém que veja num anúncio de greve geral uma excelente oportunidade para testar métodos de amostragem, das rudimentares contagens feitas pelos seguranças dos edifícios, à taxa de utilização dos computadores do escritório, passando pelo consumo de energia, etc.?

 

 


Rui Passos Rocha

E por falar em impedimentos, parece que hoje é 25 de Novembro. 


Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
Rui Passos Rocha

Não querendo destoar, até porque o TMR e o JPM fizeram um bom trabalho em destruir-me assunto, há uma coisinha aqui a causar-me comichão: a lei diz que os piquetes de greve podem persuadir pacificamente os não grevistas para que mudem de opinião, mas ao que parece em Oeiras, em Penafiel e na Musgueira os piquetes terão feito por impedir - pacificamente ou não, não sei, mas imagino que sim - que os trabalhadores dos serviços mínimos fizessem a sua parte.

 

A Lei da Greve já deu umas voltas desde então (a última é de 2009), mas se a interpretação da PGR for a mesma de 1978 a razão parece não estar do lado dos piquetes: "Há exercício abusivo do direito a greve se a actuação do piquete for acompanhada de ameaças ou violências ou de qualquer acto ou comportamento adequado a intimidar ou pressionar os não grevistas obrigando-os a modificar a sua decisão inicial". Se o meu Priberam for igual ao vosso, cheira-me que impedir (foi um grevista da Musgueira que usou o termo) é exercício abusivo.


Priscila Rêgo

Parece que um grupo de alunos abandonou uma aula do Gregory Mankiw em protesto contra a forma como a economia é ensinada no seu livro introdutório de economia. Há muitas queixas; uma, em particular, é a apresentação da economia de Adam Smith como sendo alegadamente mais fundamental do que a economia keynesiana.

 

Há algo de injusto na crítica. Qualquer professor tem de começar por algum lado, e os pressupostos da racionalidade e de mercados perfeitos, que estão subjacentes à microeconomia I que se aprende nos manuais, são building blocks importantes. Não é possível compreender a importância que a rigidez dos preços tem na vida das pessoas sem primeiro se perceber como funcionaria um mundo sem fricções deste género. A experiência também mostra outra coisa engraçada: aqueles que pensam ter transcendido os modelos mais básicos acabam, quase invariavelmente, por revelar que nem sequer os perceberam. 

 

Mas, apesar desta piecemeal approach me parecer pedagogicamente acertada, ela pode ser politicamente perigosa. Porque se vamos esperar três ou quatro anos de academia para explicar aos jovens que o mercado laboral não se ajusta tão rápido como o mercado de lentilhas, arriscamo-nos a criar, por cada mestrando de qualidade, uma horda de licenciados sem noção do mundo em que vive. E não queremos que as crianças se transformem em monstros só porque faltaram às últimas aulas do ano. 

 

Não sendo fácil resolver este dilema, o Robin Wells dá aqui algumas dicas que deveriam ser lidas por muito boa gente. Provide context, build trust, address distributional issues e adopt some humility são chavões demasiado gerais para os leitores perceberem o que está em causa, mas ter escrito um post inteirinho só para alertar para o texto do Robin revela bem a importância da coisa. Senhores professores de economia, façam lá o favor de ir ler aquilo.  

 

 


Tiago Moreira Ramalho

Eu nasci com a «mudança de mentalidades» enfiada nos ouvidos. Por isso, ler repetições exaustivas destes pedidos elevados apenas me traz a náusea e, porque sou sensível a este tipo de discurso, o desconforto. Ainda assim, Peter Cohan escusa-se a mostrar alguma consideração pela minha condição infeliz e escreve um artigo em que mais nada pede ao povo português do que, precisamente, uma «mudança de mentalidades».

Não digo que o desagradável Peter Cohan esteja totalmente errado, principalmente no assunto em questão. É um facto que os nossos empresários não procuram financiamentos alternativos. Em regra, desconfiam da bolsa, adoram os bancos e veneram as heranças. No entanto, não é com apelos apaixonados à mudança do gene pátrio e à busca de uma alma perdida no Equador quatrocentista que as «mentalidades» mudam. Não é mostrando Sillicon Valey como uma mina brasileira que se empurra os empresários para uma gestão mais inteligente.

Os empresários respondem a incentivos. São humanos, na maior parte dos casos conhecidos. E os incentivos, principalmente quando esses humanos têm fracas (mesmo quando «superiores») formações, são dados pelas políticas e pelo discurso político. E nenhum dos dois é particularmente simpático ao capitalismo. A direita medrosa e burrinha alinha com a esquerda desempoeirada à chinesa defendendo que o caminho é o subsídio, as variações nos impostos e a linha de crédito. O mercado e o estrangeiro são as nossas abominações de estimação. A Tatcher dizia aos ingleses para encararem o mercado como uma possibilidade. Nós não temos nenhuma Tatcher. Arranje-nos uma, Peter, e a gente depois conversa.


Tiago Moreira Ramalho

A uma certa direitinha parola que entope as redes sociais com dislates sobre a greve só apetece pedir, com a delicadeza possível: Calem-se, porra.


Rui Passos Rocha

Ou eu não sei usar o Google, ou a luminosa alteração ao regimento para que um deputado da Assembleia madeirense possa votar por toda a tropa é mesmo uma aberração inédita. Alguém - sobretudo alguém cujo nome seja Miguel Madeira - quer dar uma ajuda?


Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

«O que me preocupa mais não são os gordos, os maluquinhos dos donos dos cães ou as infelizes das noivas. O que me preocupa é que todos eles têm uma audiência. E isso, meus amigos, já é coisa para me fazer questionar a democracia. Porque esta gente tem direito de voto.»

 

Laura Abreu Cravo, A Alma Conservadora


Priscila Rêgo

Há algo de estranho numa sociedade que se indigna colectivamente com a ignorância de toda uma geração. Se os jovens da Sábado não forem uma amostra fiel da sua classe, a situação não justifica grande escândalo. Em qualquer população é fácil encontrar casos suficientemente afastados da média para excitar os cérebros mais impressionáveis.  Mas se forem uma amostra fiel, é caso para perguntar que raio de geração foi a dos pais deles que não lhes ensinou (ou incutiu o interesse por saber) algo que considerava tão querido e essencial. Como, por exemplo, quem era o "padrinho".

 

Independentemente da gabarolice que está sempre presente na forma como se olha para estes casos ("sim, sim, claro que eu sabia essas"), convém lembrar que as respostas do "estudo" da Sábado podem não revelar necessariamente uma ignorância atroz à Miguel Sousa Tavares, uma crise de valores do Ocidente como diz o Pulido Valente ou a conspiração das agências de rating que o Gomes Ferreira apregoa. Há pelo menos três alternativas. E manter a mente aberta a cada uma é pelo menos tão importante como saber quem pintou a Capela Sistina.

 

Cherry-picking. As reportagens são uma forma recorrente de confirmar o bias dos jornalistas. Não é difícil de perceber: sem as preocupações de confirmar ou infirmar hipóteses, e com todas as liberdades que um registo menos rígido concede, qualquer cuspidela no chão pode ser lida como o prenúncio do Dilúvio Universal. No caso da Sábado, a jornalista parece ter feito uma interpretação demasiado aberta das liberdades que a reportagem concede. Não demorou muito para que um jovem confirmasse o que era óbvio desde o início: a autora escolheu as respostas a dedo. 

 

Convergência para a média. No início da década de 90, havia pouco mais de 100 mil estudantes matriculados no Ensino Superior. Duas décadas depois, o número mais do que duplicou. O nível absoluto do estudante médio pode não ter piorado, mas o nível do estudante médio face à média da população ter-se-á inevitavelmente degrado. Em parte, era expectável. Há vinte anos, os universitários eram filhos da classe alta a serem tratados por doutores num país de semi-analfabetos; hoje, o estudante universitário vem da classe média e circula num mundo cheio de pessoas que levam mais 20 ou 30 anos de leituras.  

 

O mundo muda. E os conhecimentos também. Saber o nome dos Reis e a localização das capitais , os estilos artísticos e a autoria de livros pode ter sido uma vantagem há quarenta anos. Cristalizou-se como cultura geral numa altura em que o acesso à informação era restrito e, portanto, escasso. Mas com a disseminação do acesso, o tipo de competências que são necessárias pode estar a mudar rapidamente. Procurar e seleccionar dados, estabelecer redes de contactos e reagir melhor à frente de um pc do que perante um microfone serão provavelmente qualidades muito mais valorizadas no mundo actual do que ter a litania das Dinastias na ponta da língua. 

 

Qualquer uma das possibilidades é mais plausível do que a hipótese alternativa, e recorrentemente ensaiada, de que esta nova geração é, pela primeira vez na história, mais incapaz do que a que a precedeu. E quem se orgulha de conhecer a História, devia saber que esta não é sequer uma crítica nova.


Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
Rui Passos Rocha

Sou eu o único a ter estranhado o exemplo dado por Passos Coelho no seu Facebook de uma tal Ana Isabel que, devido ao corte do 13º e do 14º meses, passou de um nível de vida que lhe permitia ter uma mulher a dias a outro em que «toma banho só uma vez por semana, só acende uma lâmpada, dispensou a mulher a dias, só sai no carro em casos extremos»? Que tipo de salário estará em causa? Pergunto isto porque me incomoda a ideia de a Fernanda Câncio ter de renunciar a que lhe «puxem as orelhas à casa» e, quem sabe, começar a abandalhar a higiene íntima.


Domingo, 20 de Novembro de 2011
Vasco M. Barreto

O que mais surpreende no famoso vídeo com as respostas estapafúrdias dos universitários portugueses a perguntas de cultura geral é a falta de vergonha. À primeira apreciação, pensamos na falta de vergonha com que os alunos entrevistados toleraram a exposição das suas tristes figuras; à segunda, pensamos num comportamento vergonhoso da revista Sábado. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência na edição de informação sabe que é possível passar a imagem que se pretende com uma escolha judiciosa do que se mostra. O caso extremo consiste em montar uma sequência de cortes que isolam o movimento dos lábios quando pronunciam sílabas e pôr a pessoa a dizer por playback o que bem entendermos, mas mostrar só as respostas falhadas a um conjunto de perguntas é um outro exemplo, que apenas difere do anterior no grau. Presumo que o artigo publicado na revista em papel terá uma ficha técnica e a descrição do contexto em que foram feitas as perguntas, só que isso não satistaz, porque, entre outras razões, comprar a revista depois de ver o vídeo não é o comportamento mais frequente. Sem mais elementos, este testemunho de um dos estudantes entrevistados parece-me credível e pleno de razão. 

 

Martin Amis definiu a Literatura como uma guerra contra o clichê. É uma definição tão boa ou tão má que serve para quase tudo. Se substituirmos a guerra contra a frase feita pela guerra contra a ideia feita, temos uma definição de jornalismo. Ora, se no trabalho da Sábado a provável manipulação irrita, a total falta de originalidade deprime - e da soma destas reacções resulta uma estranha apatia. A ideia de que os nossos universitários são hoje mais ignorantes é um clichê. Resulta, em parte, desta espécie de eterno efeito de paralaxe geracional que faz com que os pais lamentem sempre a decadência cultural da geração dos filhos - o que se fosse verdadeiro já nos teria feito subir às árvores de onde desceram os nossos antepassados. E resulta também da massificação do ensino superior e da criação de licenciaturas de mérito mais do que duvidoso, o que levanta a suspeita de um decréscimo dos níveis de exigência. O que a Sábado fez foi servir de bandeja aquilo que as pessoas gostam de consumir em modo de guilty pleasure. Mas é a Sábado que ignora uma regra básica: fazer prova de ignorância é mais difícil do que provar o conhecimento, tal como é muito mais difícil provar que algo não aconteceu do que o contrário. Enfim, trata-se de uma interpretação demasiado optimista, porque a curar a ignorância é muito mais simples do que acabar com a má-fé.

 


Tiago Moreira Ramalho

Andamos há décadas a produzir gente e António Barreto continua a pessoa mais inteligente em Portugal:

 

"Em Portugal o que é um problema muito grave são as tolerâncias de ponto, as tardes de véspera de feriado, as pontes de dias inteiros, as tolerâncias de ponto nas pontes. São problemas terríveis que os governos que mudar urgentemente"

(...)

Já a discussão sobre a supressão de alguns dos feriados nacionais, António Barreto defende que deve ser analisada "com mais tempo e mais sossego", remetendo para daqui a três, quatro ou cinco anos, a decisão sobre se vale a pena suprimir alguns".
(...)

Mas para o sociólogo "é ridículo pensar que isto faz parte das medidas da 'troika' para salvar Portugal" pelo que recusa qualquer" discussão sob ameaça, conforme está a ser feito, como se fosse do mais urgente, fosse preciso fazer para a amanhã ou que fossemos salvar a pátria por causa de dois feriados".

Do Expresso.


Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Um dos argumentos mais interessantes apresentados por Robert Frank no seu The Darwin Economy é que todas as acções que criam dano directo ou indirecto nos outros devem ser taxadas. Isto decorre do seu entendimento que numa economia em que negociar fosse uma coisa extremamente fácil (por exemplo, eu conseguir facilmente negociar com toda a gente de uma cidade a que horas posso tocar violino na varanda), as pessoas que causam danos directos ou indirectos iriam compensar as outras pelos danos causados. A lógica seria: o custo do meu vizinho em ouvir-me tocar poderia traduzir-se em oito euros por hora (era o que ele estaria disposto a pagar-me para cessar a minha arte); ao mesmo tempo, o custo de a meu treino ser interrompido é para mim dez euros (eu estaria disposto a pagar 10€ para poder continuar a tocar). Nesta situação, uma negociação fácil conduziria a que eu pagasse oito euros ao meu vizinho, ficando ambos contentes. Como existem custos associados à negociação, o Estado deve intervir, impondo aquilo que seria o comportamento racional no caso de tudo ser mais simples.

Aplicando isto aos danos directos, isto é perfeitamente claro. Se eu tenho uma fábrica extremamente poluente e se isso causa dano directo à comunidade em que me insiro (seja por poluir a água, seja por poluir o ar, seja por aumentar a probabilidade de certas doenças), eu devo compensar a comunidade por isso. Afinal, eu estou a causar-lhes dano independentemente das acções deles. Mais complicada, no entanto, é a aplicação do princípio aos danos indirectos. Mesmo que seja verdade que o facto de eu fumar aumenta a probabilidade de outros à minha volta fumarem, devo eu ser taxado por fumar? Imaginemos uma situação em que não há custos de negociação. Será plausível que eu tivesse de compensar o outro por uma decisão que ele tomou? Dificilmente alguma negociação chegaria a esse desenlace. O mesmo se aplica a uma saída à noite: se eu sair à noite, é mais provável que os meus amigos saiam à noite, expondo-se a maiores riscos. Ainda assim, é difícil de acreditar que num processo negocial posterior eu os tivesse de compensar pelo facto de terem vindo. Que não viessem, dir-lhes-ia prontamente.

Além de não fazer particular sentido do ponto de vista económico, o argumento leva a generalizações perigosas. Todas as minhas acções geram algum tipo de dano indirecto a alguém. A minha própria existência gera danos indirectos à minha comunidade. Danos pelos quais não posso ser responsabilizado, porque dependem de decisões e preferências alheias. Estão fora da minha esfera de controlo. Viver uma vida em que as minhas decisões são ditadas pelas decisões que isso gera nos outros é viver uma vida miserável. Ter o Estado a controlar isso significa viver numa prisão.


Priscila Rêgo

António Mendonça está na RTP a explicar tim-tim por tim-tim a origem da crise portuguesa e a pedir uma política de aumento da produtividade. Puro brilhantismo. Este tipo devia ir para o Governo. 


Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

A diminuição de feriados civis, sejam ou não importantes (o grau de importância é invariavelmente subjectivo, mas ainda há quem queira objectividade nisto), potencia um outro problema além das perdas de eficiência. O facto é que muitos dos custos da austeridade estão a ser suportados por uma ideia de esforço colectivo, de imperativo nacional, de patriotismo pobretanas. Erodir símbolos nacionais como são alguns feriados ou diminuir reconhecimentos públicos como aquele que é feito no Dia do Trabalhador são acções que constituem incentivos perversos. Se o colectivo julga descartáveis as suas auto-celebrações, então outras coisas poderão ser relegadas para segundo plano, como por exemplo honrar compromissos externos. E isto não está nos modelos económicos simples. Está na irmã marreca da Economia: a Sociologia.


Tiago Moreira Ramalho

A discussão sobre os feriados peca, no meu modesto ver, num factor que é de algum modo relevante: assume que trabalhar um feriado é economicamente igual a qualquer outro dia. Um modelo económico simples pode levar à conclusão que aumentar o número de horas trabalhadas é benéfico.  No entanto, o que os modelos económicos simples não conseguem avaliar são factores extra-económicos complexos. Não é difícil imaginar que o custo de oportunidade de trabalhar no dia 24 de Dezembro à meia-noite é substancialmente maior que o custo de oportunidade de trabalhar no dia 16 de Novembro à mesma hora. Os modelos económicos simples apenas diferenciam o custo de oportunidade com o número de horas trabalhadas, mas não com o tipo de horas trabalhadas. O facto é que a eliminação de feriados pode até levar a perdas de eficiência (apesar de não serem contabilizadas no PIB).

Se o objectivo é aumentar o número de horas trabalhadas, há formas muito mais baratas e eficientes: reduzir temporariamente os dias de férias, criar um sistema em que as empresas podem requerer a presença dos trabalhadores durante meia-dúzia de sábados por ano (uma empresa com gestão inteligente, nesta altura, iria provavelmente tornar a presença optativa e sem prémio de horas extraordinárias – no actual estado de coisas, a esmagadora maioria dos trabalhadores iria trabalhar). Porque estes dias valem menos para os trabalhadores do que os feriados. 


Tiago Moreira Ramalho

«Portugal has a number of old-school, state-owned firms, including the airline TAP and several utilities companies that the government is supposed to privatize as part of the terms of its semi-bailout by the European Union. The difficulty with mandating this kind of reform as a crisis measure is that there’s not a ton of international interest in Portuguese utilities and the domestic market for purchasing Portuguese enterprises is depressed due to the very economic crisis that’s forcing the bailout and thus the privatization.»

 

Matthew Yglesias, Think Progress

 

O princípio económico é muito simples: quanto maior é a necessidade do vendedor, maior é o poder negocial do comprador. Podíamos ter privatizado estas empresas há muito, muito tempo, mas decidimos não o fazer, coisa que podemos agradecer a meia dúzia de idiotas parlamentares e aos honrados cidadãos que neles votaram e votam constantemente. Agora que a desgraça paira no ar, as virtudes da gestão pública ficam levemente enevoadas e essas empresas tornam-se presas fáceis, vendas rápidas. Mas por uma fracção do preço.


Priscila Rêgo

Talvez seja altura de tentar outra estratégia. 

 

 

(Não consegui colocar duas escalas no mesmo excel. As fontes são o The World Top Income Databases e a Comissão Europeia)


Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Vasco M. Barreto

Priscila Rêgo

O Carlos Guimarães Pinto elencou oito mitos acerca da crise financeira. Desfez alguns mas, provavelmente porque a coisa assim não dava luta, aproveitou para acrescentar à lista alguns das sua safra. O primeiro é o do BCE.

 

Ler tudo )

 

 

 

 


Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Não me comovo particularmente, e tive oportunidade de o dizer a quem o quisesse ouvir, que quem escolhe estudos superiores apenas com base no interesse presente (o prazer de estudar) e sem olhar para o interesse futuro (a rentabilidade do curso) acabe a trabalhar naquilo a que se chama o mercado pouco qualificado e a competir com imigrantes com um centésimo do investimento em educação. A história de perseguir «sonhos» é uma falácia, um engano em que a geração dos meus pais incorreu na hora de educar a minha geração. Partiu-se do pressuposto que trabalho e lazer são uma e a mesma coisa. A partir daí, cursos que seriam estudos de tempos-livres tornaram-se majors. E a geração dos sonhos tornou-se a geração barata, auto-apelidade de «à rasca». Lamento, mas as escolhas têm consequências. Uma má decisão individual não pode constituir um dever para ninguém.


Tiago Moreira Ramalho

A universalização forçada da educação superior em Portugal assenta essencialmente em três factores: a quem investe (os pais) falta muitas vezes informação correcta sobre o investimento que estão a fazer (e muitas vezes vemos os filhos a consumir em vez de investir no futuro); os incentivos estão todos trocados (não há diferença de preços entre produtos com diferentes rentabilidades); instalou-se a ideia errada que mais educação é sempre melhor, o que está a levar milhares de jovens a fazer escolhas desadequadas e até mesmo irracionais.

Perceba-se uma coisa fundamental: a educação, principalmente a superior (mas não só) tem de ser vista por aquilo que realmente é: um investimento no futuro. Muitas vezes com alto retorno, mas nem sempre.


Sábado, 12 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

No Ípsilon da última sexta-feira, António Marujo escreve uma longa e fastidiosa recensão do último livro de José Rodrigues dos Santos. O objecto tratado já de si será pouco interessante para um crítico literário. Não é, julgo, o objectivo de José Rodrigues dos Santos escrever (até porque é duvidoso que conseguisse) livros que se leiam quando ele morrer e as orelhas regressarem ao pó. José Rodrigues dos Santos tem uma fórmula simples de criar suspense que, na verdade, atrai e agrada muitos leitores. Isto sem que haja dúvidas, até da parte de quem o lê, que José Rodrigues dos Santos é um ovo mexido para quem quer uma refeição simples, sem sabores fortes ou potenciais repercussões gástricas. E isso não tem nada de errado. Diferentes autores escrevem para diferentes públicos. Se o mundo fosse feito de Ulisses e Guerra e Paz apenas, eu, que nunca os li, seria um triste. E penso, isto assumindo a benevolência humana e assim, que o António Marujo não me quer feito lixo por um motivo desta natureza.

Além disso, António Marujo é uma espécie de José Rodrigues dos Santos a escrever sobre o José Rodrigues dos Santos. Não tenhamos dúvidas que, tal como no caso da própria literatura, a qualidade da crítica literária é eminentemente comparativa. E lamento imenso, mas escrever uma linha sobre José Rodrigues dos Santos depois do Rogério Casanova é uma pecadora perda de tempo. Leva a este bonito paradoxo: o António Marujo, que odiou o livro do José Rodrigues dos Santos, esforçou-se por chegar ao último ponto final. Já eu não passei do terceiro ponto final do artigo. Onde está o calvário, afinal?


Tiago Moreira Ramalho


Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Rui Passos Rocha

Ao contrário do Tiago (post abaixo), que vê o estilo de escrita de Henrique Raposo mudado por mera reorientação estratégica - leitores novos, mundo novo -, o que eu vejo (e atenção: não conheço o HR; e uso óculos porque vejo mal...) é algo bem diferente: um crescente umbiguismo resultante do avolumar de feedback positivo. O problema é a qualidade desse feedback, que está a contaminar a qualidade dos textos. Este umbiguismo começa a parecer patológico, na verdade, e um interessante estudo de caso. Porque, ao contrário do Tiago que vê uma mudança táctica como forma limpa de chegar ao golo, o que eu vejo é o ponta-de-lança que deixou de jogar em equipa e que, lá porque se farta de marcar de encosto e é o melhor goleador, pensa que é o maior craque do campeonato. 


Tiago Moreira Ramalho

Aposto todas as letras deste texto que ninguém sabe ao certo quantos «opinadores» habitam a nação. A opinião publicada tornou-se um direito adquirido e a pátria uma colmeia. A  zumbideira às tantas torna-se infernal. Daí tornar-se necessário um darwiniano processo de selecção natural. Neste tempo, cabe-nos, como humanos, escolher duas coisas essenciais: parceiros sexuais e companhias intelectuais. E eu escolhi, há já algum tempo, o Henrique Raposo para fazer parte da segunda. E é também por isso que não consigo ler o Portugal do Avesso sem ser em termos comparativos com tudo o resto que li dele.

A Capirinha de Aron, que guardo lá em casa na estante do Pedro Mexia, do António Barreto e do Gore Vidal, era uma colectânea que me dava para a releitura. Aquela coisa tinha uma subtileza literária, um rigor analítico, uma qualidade na selecção dos temas que me fazia recomendá-la prontamente quando um amigo ou conhecido se prestava ao bonito ritual iniciático de quem procura um «livro para aprender sobre política». Porque a Caipirinha de Aron, em muitas partes, permitia franca aprendizagem, no sentido académico do termo.

Este bolo tão equilibrado de forma e conteúdo deteriorou-se, infelizmente. Em Portugal do Avesso, a literatura perdeu subtileza. É agora uma gorda de roupa justa, muitas vezes velha, que se abana no meio da rua e que toda a gente vê. As frases curtas e repetitivas dão uma ideia de febre argumentativa, como se o autor estivesse num debate aceso (a crónica é palestra), as metáforas e as adjectivações são muitas vezes forçadas e pouco felizes. E a análise perdeu o rigor, pelo menos o rigor explícito, que tinha no passado. Há momentos nas crónicas em que a hipérbole, no meio de tanto estilo, se torna facto. As simplificações levam a conclusões toscas e francamente questionáveis. E isto não é por as qualidades intelectuais do autor terem diminuído. Parece-me, sim, que a percepção das qualidades intelectuais dos leitores é que piorou. As crónicas do Henrique Raposo são crónicas para um público diferente do do passado. São para um público que procura na opinião escrita um entretenimento, não uma fonte de aprendizagem ou de reavaliação da realidade. São, atrevo-me, para um público mais burro. E isto, sendo certo que aumenta a população elegível para se fidelizar, diminui a qualidade intrínseca do autor.

Mas nem tudo é mau, nem tudo é triste. Aliás, se o parágrafo anterior fosse de tudo o mais relevante, esta crónica nem estaria a ser escrita. O Henrique Raposo continua a estar lá. No entanto, o conteúdo tornou-se uma espécie de depósito de petróleo brasileiro, cheio de água e terra e sal em cima. É preciso escavar. As causas continuam a ser as certas – uma sociedade menos corrupta nos valores, um Estado menos corrupto (tout court), um optimismo racional. De resto, falta quebrar o mito de que o ódio gerado é consequência da boa crónica (não é) e o mito da simplificação. Até porque o Henrique Raposo é, diga-se o que se disser, um referencial para pelo menos um par de gerações: a dele e a minha. E perder isso seria terrível.


Rui Passos Rocha

[Primeiro leia-se isto]

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que "a acção católica não pode ser aprisionada pelos vagos discursos de Bento XVI de condenação dos sucessivos casos de alegada pedofilia que poderão mesmo fazer desaparecer a própria Igreja".

 

Numa mensagem dirigida a todos os cidadãos dos países membros da organização, no final da Assembleia-Geral, Ban Ki-Moon disse que "a virtude católica provém da compaixão e da honestidade que, sendo fundamentais para o bom carácter humano, mantêm prioridade absoluta".

 

O secretário-geral referiu os factores que estão por detrás da crise de valores da Igreja Católica: "Excesso de moral quando dirigida aos restantes detentores de poder mundiais somam-se à incapacidade de auto-crítica e de proclamar em público o repúdio a todo e qualquer caso de pedofilia no seio da instituição. Não só não tem havido consequências em muitos casos, como a Igreja paga milhares de milhões de dólares para se defender judicialmente de acusações de pedofilia. Esse dinheiro poderia ser canalizado para uma exigência que a Igreja coloca aos governantes: a erradicação da fome".

 

Na curta mensagem de uma página, a ONU aponta depois o que diz ser "mais próprio" das Nações Unidas. O texto cita a "solidariedade activa" exercida permanentemente pelos seus países membros em matéria de segurança, desenvolvimento económico e direitos humanos.

 

"Tenho um grande desejo", disse Ban Ki-Moon: "Que esta crise de valores sirva para que a Igreja desperte verdadeiramente e sem hipocrisias para aquilo de que tanto fala: a dignidade dos seres humanos, o bem comum e a solidariedade".


Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
Priscila Rêgo

Soares afirmou que aquilo que o "preocupa é que haja só medidas no plano da austeridade e que se esqueça as pessoas, que estão em primeiro lugar do que os números", referindo que é isso que estão a fazer os líderes europeus. Para o antigo Presidente, "mais importante do que haver défice ou não haver, isso é lá com eles, veremos, é as pessoas não terem que comer, ficarem numa situação difícil, isso é que não pode ser". O antigo Presidente da República quis porém sublinhar que está "convencido" de que Portugal e a Europa sairão da crise, "mas para isso é preciso tomar medidas e sobretudo dar a prioridade às pessoas e depois ao dinheiro"

No Jornal de Negócios


Priscila Rêgo

Imagine-se dois agricultores, cada um com uma plantação de 10 hectares. O primeiro cultiva, durante um ano, os primeiros nove hectares e deixa o último por cultivar. O segundo cultiva, no mesmo período de tempo, metade de todos os hectares. Fará algum sentido dizer que o segundo agricultor trabalha mais do que o primeiro, só porque consegue cultivar uma fracção maior do último hectare?

 

Não. O que é relevante para apurar a verdadeira quantidade de trabalho é a área total cultivada - independentemente da forma como o cultivo se distribui pelos vários hectares. Apesar de conseguir cultivar metade do último hectare, o segundo agricultor cultiva apenas cinco hectares por ano. Trabalha menos do que o primeiro, que cultiva nove por ano.

 

Isto parece simples. E é. Mas então por que é que há tanta gente a falar do número de feriados? O que conta efectivamente são as horas trabalhadas anualmente. Este indicador consolida num único valor todas as dimensões do esforço laboral: dias de feriados e de férias (legais), horário de trabalho (efectivo), dispensas e outro tipo de borlas. Entreguemo-nos de novo àquela actividade arriscada, pouco recomendável e heterodoxa que é olhar para os números em vez de lançar palpites, e o que descobrimos? Que Portugal já é um dos países europeus onde mais se trabalha (segundo a OCDE).

 

A redução do número de feriados pode fazer sentido se a produção que se perde for superior à produção média diária (o que não me parece uma hipótese estapafúrdia, se levarmos em conta que as interrupções de trabalho semanais podem "arrefecer o motor da máquina" - vejam este post o Fernando Alexandre). Mas isso também pode ser apenas uma justificação para que transforme alguns dos feriados em férias e se lubrifique o processo. Se a ideia é começarmos subir no ranking da produção através das horas trabalhadas, então pelo menos que se diga que estamos na liga dos burros de carga.

 

 

 

 


Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

 

A sra. Duflo apresenta isto para a ajuda internacional. Não tenhamos dúvidas que é um objectivo nobre. Mas também nos nossos sistemas nacionais de apoio à pobreza deveríamos ter a coragem de investir um pouco mais em investigação séria. Pense-se na habitação, na saúde e na educação. Insiram-se mudanças que, sem ofenderem a ordem e a moral, permitam conclusões relevantes. Porque o facto é que somos um dos países mais desiguais do mundo e não sabemos qual foi o impacto das transferências sociais nisso, tal como a sra. Duflo não tem resposta para o impacto da ajuda internacional para a economia africana.


autores

Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

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