Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Por vezes, convém a esquecer a economia e sair de casa para espairecer um bocadinho. Assim, e enquanto o mundo cai aos bocados, podemos ler o que o Henrique Raposo tem a dizer acerca de Deus. Deus não é para o bico da ciência reza mais ou menos assim:

 

O que torna Flew num caso subversivo para o ateísmo hegemónico não é a mera conversão à ideia de Deus. A subversão está na forma, porque Flew chegou a Deus através da ciência, e não através da fé. Flew atingiu Deus através da física e da cosmologia. O ex-papa dos ateus pegou nos dados científicos, e Eureka: há um Deus subjacente à racionalidade da natureza e do universo. Tudo bem? Tudo mal. Deus não é um assunto científico. Deus não se prova ou desprova cientificamente. Deus é um salto de fé abraâmico, kierkegaardiano. Se Dawkins está errado, Flew também não está certo.

 

Isto é perturbador. Apetece perguntar: ok, Deus não se prova ou desprova cientificamente. E isto porque?...

 

A pergunta não é retórica. Certamente que se Deus em pessoa, a saltitar sobre a água e a curar cegos com o toque, se apresentar ao Henrique, ele verá confirmada a sua crença na existência de um ente superior. Apesar de esta confirmação não ter o grau de refinamento de uma "prova científica" (não chega a tanto: é apenas senso comum aliado a um par de olhos), ela é seguramente uma prova "empírica" que ninguém mentalmente são - ateu ou crente - desprezaria. A ideia de que Deus não pode ser provado por via empírica é um afirmação irrazoável de quem começou a pensar no assunto sem ter os dois pés bem assentes na terra.

 

O Henrique remete para Popper e lembra que mesmo a ciência não prova nada, limitando-se a afirmar verdades provisórias. Mas esta é uma afirmação trivial que tanto se aplica a Deus como à destreza linguística do Jorge Jesus. Apesar de não ser possível provar, sem qualquer resquício de dúvida, que o treinador do Benfica não é um Camões em potência, parece razoável concluir, à luz da evidência disponível, que ele é um semi-analfabeto (sem desprimor: não obstante, tem um cabelo maravilhoso). É este grau de certeza, provisório e relativo, que está envolvido em afirmações como "Deus não existe" e por aí fora. 

 

Agora, há um ponto curioso que poucas vezes vejo referido. Esta deferência epistemológica perante Deus, como se ele fosse uma entidade distante, intocável e inalcançável, é uma coisa relativamente recente. A grande maioria das religiões - sobretudo as mais antigas - não está preocupada com subtilezas deste género. Zeus era um homem como os outros, que podia ser preso com cem nós (mas disparava raios das mãos). Com Thor e cª passava-se a mesma coisa (suspeito que as personagens da Marvel são bastante mais poderosas do que os Deuses que as inspiraram eram no imaginário da Grécia e Escandinável antigas). O próprio Antigo Testamento retrata um todo-poderoso bastante humano. Pelo menos, ao nível das qualidades pessoais.

 

A minha suspeita, que gente mais esperta do que eu provavelmente também já terá tido, é que toda esta "éterização" de Deus, bem como o refinamento teológico dos últimos oito ou nove séculos (e pelo menos na linha "justificativa" de Leibniz) são em grande medida uma forma de fazer recuar a "linha de refutação". Ou seja, e perante os avanços da ciência, as religiões sobreviveram à custa de mecanismos de justificação teológica, que tornaram a refutação mais difícil ou facilitaram - com algum esforço psicológico e muito boa vontade à mistura - a compatibilização da noção de Deus (que na prática deixou de ser "o" Deus típico) com informações dissonantes que vinham de vários campos do saber (biologia, química, etc.). Neste sentido, o recurso ao "Deus não se prova" é a derradeira estratégia de defesa, depois de todas as outras terem caído.  

 

 

 


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Priscila Rêgo

Vale a pena ler a entrevista de Paul Krugman ao Jornal de Negócios. A entrevista promete ser uma dor aguda no coração de alguma Esquerda que tinha visto em Krugman uma espécie de messias da Nova Economia (a Nova Economia é a economia sem matemática e com conclusões de Esquerda) e de paladino contra a austeridade. Entre outras coisas*, Krugman defende que não há alternativa à austeridade, que não há um ataque concertado ao euro e que a saída da moeda única não é, por enquanto, uma opção. Em poucas palavras: não há saída sem dor. Nem bodes expiatórios a quem apontar o dedo.

 

Grande parte da Direita também ficará surpreendida com as posições de Krugman. Alguma dissonância cognitiva poderá até ser inevitável: o que é que é suposto a Direita conservadora dizer de um tipo para quem o Estado Social é sustentável, que defende que a dívida pública não é para pagar e que, ao mesmo tempo, afirma que Portugal devia baixar salários em 20% relativamente à Alemanha? O coração diz "bate"; mas a razão diz "louva". É o drama do criacionista que dá de caras com um fóssil de transição.

 

Este é o maior mérito de Krugman: a capacidade de analisar a economia para além das divisões e compartimentos impostos pelo espectro político. O mundo não é de Esquerda ou de Direita - o mundo é como é. E se os preconceitos acarinhados durante décadas não se ajustam ou adequam aos fenómenos do mundo real, pois tanto pior para os preconceitos. Krugman não deixa de ser Esquerda por dizer que não há alternativa à austeridade. Limita-se a colocar-se junto a uma franja cada vez mais restrita dessa Esquerda: a que ainda não fechou os olhos ao que se passa à sua volta.

 

*Entre outras coisas que, certamente, andou a ler por cá: a crise não é um problema de Estado Social, a austeridade é um sinal ao centro da Europa, países pequenos não escolhem a austeridade, aceitam-na por ausência de alternativas, as agências de "rating" são sobreestimadas, não há uma guerra euro/dólar.    

 


Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Via Miguel Madeira, encontrei o melhor post que já li acerca do impasse grego. O post clarifica na perfeição, através de um jogo de escolha múltipla, aquilo que tentei defender na série Compreender a Alemanha: no ponto em que as coisas estão, pura e simplesmente já não há boas soluções para a Grécia. A gama de escolhas tem-de vindo a estreitar e, neste momento, todas as opções conduzem a becos sem saída, colapsos económicos ou situações insustentáveis para os contribuintes alemães. Cito apenas uma parte.

 

[...] It seems to me that left and right are united in the view that the Greek default is being handled appallingly, that the current attempts at a solution are childishly obviously wrong and that everything is the fault of someone, probably the Germans. My own view – that it is not at all clear what the direction of policy is, and that although I don’t agree with the troika plan, it’s recognizable as a good-faith plan made by conscientious international civil servants working under unimaginably difficult political constraints in an economic context that was irreparably broken before they got there – is, as always, unpopular [...] I don’t have a solution myself – the more I end up discussing this with people, the more I am reminded of the London Business School proverb taught on some of the gnarlier case studies, which is “Not All Business Problems Have Solutions”. 

 

E um pequeno comentário de Paul Krugman, que também retrata bem a questão:

 

It’s not too hard to see what Europe as a whole should be doing: less demands for austerity, much more general reflation [...] It’s much harder, however, to say what the leaders of such peripheral economies should do. Unilateral default won’t solve the competitiveness problem, and at least for now would actually worsen the fiscal squeeze, since they’re all still running primary deficits. (That may change in a year or so). Euro exit would allow a quick devaluation, solving the competitiveness problem — but it would be hugely disruptive and would generate vast ill-will, so it’s hard to see any government taking that step until there really are no alternatives (which may soon be true for Greece, but not the others). So there’s a kind of trap. If you imagine yourself as the Prime Minister of such a country, what can you do? For the most part, I’m afraid, you plead with the troika to make the austerity demands less severe, you do what you can to accelerate improving competitiveness (which isn’t much), and you wait for things either to get gradually better via “internal devaluation” or to get worse and provide the economic and political environment in which euro exit becomes a real possibility.


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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Rui Passos Rocha

A tragédia grega não é feita só de amor, azar e morte. O que a distingue do drama social é concentrar-se na psique do herói. A boa tragédia descreve pormenorizadamente a assimilação psicológica dos infortúnios de quem, até há pouco, nadava num mar de rosas.

 

Este artigo tem a vantagem de conter duas tragédias numa só. Um casal grego que ganhava 43 mil euros anuais governa-se agora com cerca de metade, e isto temporariamente porque o marido está prestes a perder o subsídio de desemprego. Depois de terem comprado casa e pago a educação superior dos dois filhos, o pouco que sobrou começa a desaparecer.

 

Como os filhos, para já empregados, receberam uma simpática herança de uma familiar, os pais dizem que está a chegar a hora de receberem dinheiro deles. Um dos filhos responde algo como isto: “se as coisas piorarem, cá estaremos para ajudar”.

 

A gratidão e a solidariedade são bonitas, mas talvez nem sempre sejam justas. Sendo a Grécia um caso peculiar de patronagem e sanguessuguismo político, uma quebra assim abrupta das esperanças dos cidadãos é revoltante. Mas devia ser particularmente revoltante que o discurso político tenha omitido, nas últimas décadas, a fragilidade estrutural em que a economia assentava. A culpa não foi só política, mas o exemplo vem de cima.

 

Os pais-43-mil-euros que estão hoje dispostos a tirar mais um quanto aos filhos são os mesmos cujos direitos adquiridos impõem agora uma readaptação brutal à nova geração: salários mínimo e médio inferiores, reforma mais magra e tardia, mercado laboral liberalizado e com menos direitos para os novos trabalhadores. Esta é a tragédia dos pais que, sem o saber, provocaram a avalanche, mas também  dos filhos que dela terão de se desenterrar.

 

[publicado também na minha outra casa]


Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Tiago Moreira Ramalho

Por vezes vou em transportes públicos e vejo gente banal a tapar a boca enquanto fala ao telemóvel. Um instinto estranho leva-me a desconfiar dessas pessoas. Acho sempre que estão a tramar alguma. O caso é que, muito provavelmente, estão simplesmente a ter conversas privadas que não têm de ser tornadas públicas pelo simples facto de tomarem lugar onde tomam. Quando penso isto, o instinto acalma e até as respeito um pouquinho.

No caso da conversa de Gaspar com Schauble, dificilmente se pode nutrir simpatia pela parelha ou condenar a TVI. Ambos os ministros sabiam perfeitamente que no lugar onde estavam até as partículas de pó têm ouvidos. Ter aquela conversa ali, no plenário, em vez de a terem por telefone ou em privado um par de horas mais tarde foi francamente inconsequente. O Poder deve ser reservado em matérias específicas. No caso, o Poder confiou parvamente no seu mais forte opositor. O que aconteceu depois foi, por isso, muito bem feito.


Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Ludwig, dois comentários à tua resposta aos meus posts

 

Sobre a questão da sinalização. Julgo que é importante saber exactamente o que estamos a sinalizar e a quem. O corte de feriados talvez sinalize apenas ao resto da Europa (leia-se: Alemanha, Holanda, Áustria, Finlândia e, muito remotamente, França) que estamos dispostos a mudar de vida - independentemente de, em si mesma, a medida não ter um impacto económico substancial.

 

Mesmo que não seja óbvio que esta mudança seja no bom sentido (pessoalmente, parece-me discutível), é óbvio que alguma coisa tinha de mudar; e é igualmente óbvio, como se pôde constatar durante o penoso episódio dos cinco ou seis PEC's, que não havia vontade política para dizer isto frontalmente aos portugueses. O corte de feriados, e medidas semelhantes, mostram a quem está lá fora que há um compromisso em voltar a ancorar as expectativas dos eleitores. Isto era o mais difícil. 

 

Admito que o facto de "políticos obrigarem muita gente a fazer sacrifícios não quer dizer que a maioria da população esteja empenhada nesse rumo". Mas é por isso que o Memorando foi subscrito pelos três maiores partidos: para garantir que há um consenso em torno das medidas e que os 78 mil milhões de euros que nos emprestaram não se tornam dinheiro atirado à água. Em todo o caso, esta discussão é, neste momento, um pouco estéril: se era esta a estratégia, é um facto que está a resultar.

 

Acerca dos problemas fundamentais, há muita coisa a dizer. Por exemplo, que uma união económica não impede problemas orçamentais ao nível regional nem a correspondente austeridade (veja-se o caso da Madeira e das autarquias portugueses, apenas para nos ficarmos pelas fronteiras nacionais). E que, ao nível da banca, já estão a ser dados passos muito importantes ao nível das exigências de capital, divulgação de interesses e regras contabilísticas (seja através de Basileia III, seja no âmbito da EBA). E o BCE, ainda que por portas travessas, lá vai emprestando aos Estados. 

 

Está tudo bem? Não, ainda há muita coisa a fazer. Isto é relevante? Para a situação actual, provavelmente não. Portugal tem de voltar aos mercados daqui a um ano ou encontrar quem faça isso por si nos próximos 12 meses. Até lá, não vamos mudar o BCE, o funcionamento da Europa ou a regulação do sistema financeiro internacional. E, mesmo que o fizessemos, o impacto seria quase nulo: a maior parte das mudanças serviria para prevenir crises futuras e não para resolver a actual. 

 

Falar nisto é um erro estratégico por desviar as atenções daquilo que são os nossos problemas fundamentais, que têm raízes portuguesas e que são os únicos cuja resolução depende de nós. Em suma: vamos pôr a casa em ordem, serenar a populaça e conter os estragos. E depois, quando o pó assentar, preocupamo-nos em acabar com a fome no mundo. Mudar a Europa e deixar Portugal como está é, mais do que uma curiosa hierarquia de prioridades, pura e simplesmente falta de realismo. 

 

P.S.- Austeridade, por si, não chega. Toda a gente ouviu isto. E está correcto. Diminuir o subsídio de desemprego não vai fazer com que a escandaleira das PPP e das contas ocultas das empresas públicas não se tornem a repetir. É preciso ir mais fundo do que a superfícia que estamos a arranhar. Este livro é uma boa forma de pensar esse assunto. A parte boa é que as reformas propostas exigem mais consenso do que propriamente sacrifícios. A parte má é que é daquelas coisas que não podem ser impostas pela "troika". Vamos mesmo ter de o fazer por nós mesmos... 


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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Vasco M. Barreto
Creio que existe já uma tese de mestrado sobre a prosa e contribuições pictóricas nas portas dos lavabos públicos e a vida é demasiado curta para andarmos a replicar o trabalho dos colegas. Sei também que argumentos que incluam a palavra "retrete" estão para a retórica como a fart joke para o humor. Mas acreditem que a ideia não era mostrar pirilaus por dá cá aquela palha. Ainda que frequente este local esporadicamente, vou lá as vezes suficientes para registar um antes e um depois; o antes, como terão já deduzido, era a porta sem o aviso colado. O resultado final parece-me um retrato bem conseguido de um país, mesmo havendo quem insista na tese de que não devemos atribuir traços de personalidade aos povos - é mais uma daquelas  teses que fica bem enunciar, para depois poder não cumprir.  E então é isso mesmo: o país da bola e do sexo, boçal e animalesco no seu acto de baixar as calças e escrever sentado e desatento ao respingo versus o Portugal cívico, cosmopolita e de mãos lavadas, que sabe usar negritos e impressora para lutar pelo que realmente interessa (a higiene), sem acumular o impulso censório de ocultar nus. Em síntese, o que temos aqui é a civilização a emergir da barbárie. Portugueses, pode não haver dinheiro, mas ainda há esperança.

Rui Passos Rocha

A Priscila Rêgo escreveu sobre o quão importante é para os governantes de países ultra-endividados sinalizarem aos seus credores que que farão "o que for preciso" (nas palavras de Passos Coelho) para atingir índices macroeconómicos decentes. O reverso da moeda é que, ao dizer coisas como essa e tomar sucessivas medidas contraccionistas sem que haja sinais de recuperação económica, arriscam-se a sofrer consequências que não previram: desde uma queda maior do que a esperada do investimento privado até uma corrida aos bancos, para recolher os depósitos enquanto há tempo. Daí ao colapso é um passo.


Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Para quem quiser tudo organizadinho:

 

Compreender a Alemanha I

Compreender a Alemanha II

Compreender a Alemanha III

Compreender a Alemanha IV

Compreender a Alemanha V

 

 

E apenas duas notas de rodapé. Em primeiro lugar, a série não aborda questões morais, algumas das quais têm estado no centro deste debate. Sinceramente, parece-me pouco relevante discutir de quem é a culpa da dívida, se de quem pediu o dinheiro emprestado, se de quem o concedeu sem fazer perguntas. 

 

Em todo o caso, não vale a pena inventar muito. Somos pequenos e não temos poder negocial. É suicida começar por explicar, a quem nos emprestou dinheiro - e vai continuar a emprestar durante pelo menos mais alguns anos -, todas as subtilezas e nuances da ética do empréstimo que tornam o "não pagamos" uma moral aceitável.  

 

Em segundo lugar, não quero com isto dizer que não tenha havido erros durante este processo. Os posts limitam-se a explicar os interesses divergentes que estão em jogo, e por que é que as circunstâncias que envolvem este processo criam limitações fortíssimas ao tipo de soluções que podem ser ensaiadas. Não estou a tentar legitimar seja o que for. Mas perceber o que está em causa é uma forma muito mais sã de explorar saídas do que partir do princípio de que estamos encalhados porque um bando de economistas cretinos não consegue ver o que é óbvio para toda a gente. Um pouco mais de humildade, se faz favor. 


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Priscila Rêgo

Ok, erro cometido, assumido e registado. E agora?

 

Uma possibilidade é assumir que vamos a tempo de corrigir o erro, voltar atrás e fazer agora o que devíamos ter feito antes: reestruturar a dívida grega, aliviar a austeridade e assumir as perdas daí decorrentes - seja directamente, através de um "haircut" dos empréstimos feitos pelos países da Zona Euro, seja indirectamente, através do balanço do Banco Central Europeu (o que implica monetizar défices ou aumentar o capital do BCE).

 

A solução parece óbvia. A Grécia é pequena. Perder alguns milhares de milhões de euros com um país minúsculo é lamentável, mas compreensível, se a alternativa for o colapso da Zona Euro. Mas esta ideia é tão ingénua como a do post anterior, porque parte do pressuposto de que nada mudou entretanto.

 

Na verdade, muita coisa mudou. A mais relevante é o alastrar do receio dos mercados financeiros à dívida pública "periférica", que já obrigou Portugal e Irlanda a recorrerem à ajuda externa e deixou Espanha e Itália na "corda bamba". Uma grande reestruturação da dívida pública grega seria imediatamente lida pelos mercados como um sinal de que uma decisão semelhante seria tomado em Portugal, Irlanda e Itália. Conhecendo o historial de alguns destes países, é até provável que eles se empenhassem activamente nisso. Itália e Espanha perderiam imediatamente acesso aos mercados e teriam de ser socorridos pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira. 

 

O Fundo não chega para estes dois gigantes. Mas vamos assumir que há dinheiro que chegue. Neste cenário, a Europa faz o empréstimo e recebe o capital e respectivos juros quando as obrigações chegarem à maturidade. Em teoria. Na prática, o afrouxar da pressão sobre o orçamento da Grécia teria como consequência provável um afrouxar idêntico sobre países como Portugal, Irlanda e Itália, cuja dívida pública está no limite da sustentabilidade. Haveria aqui o risco sério de que a dívida entrasse numa espiral interminável que acabaria com uma reestruturação em grande escala. Nesta altura, as perdas teriam de ser assumidas pelo BCE e pelos países europeus - com a Alemanha à cabeça.

 

É neste ponto que foi colocada a fasquia nos últimos meses. Os alemães estão, compreensivelmente, receosos com o moral hazard que possa advir da decisão tomada em relação à Grécia. Manter a Zona Euro viva continua a ser um objectivo. Mas uma Zona Euro mantida viva através de um fluxo interminável de dinheiro para a periferia é uma Zona Euro em que os alemães, provavelmente, não quererão viver. Agora, não há soluções fáceis.   


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Priscila Rêgo

Uma falácia comum na análise da situação actual é argumentar que o "tempo provou" que a Alemanha estava errada quando, em 2010, recusou abrir os cordões à bolsa para salvar a Grécia e obrigou o país a atolar-se numa recessão interminável. A posteriori, isto parece óbvio. Mas isto não é grande argumento: praticamente tudo é óbvio para quem vê os fenómenos em retrospectiva...

 

Uma análise mais robusta dos problemas implica levar em conta as informações que estava disponíveis na altura em que a Grécia pediu ajuda. E as informações, que diferem substancialmente das de que dispomos hoje em dia, eram as seguintes: não havia sinais de contágio ao resto da Zona Euro, a dívida pública grega era consideravelmente menos problemática (grande parte das responsabilidades só foi identificada posteriormente) e um cenário de desagregação da Zona Euro era considerado ridículo. 

 

Portanto, a questão que se colocava em Maio de 2010 à Alemanha era: como gerir o caso de um país que aldrabou as contas durante 15 anos e agora perdeu acesso aos mercados? A solução ensaiada na altura, que representou um compromisso entre a solidariedade europeia, a manutenção da estabilidade do sistema e a necessidade de não ostracizar o eleitorado alemão, pode não ter sido perfeita, mas não parece tão deslocada quanto isso, tendo em conta os riscos conhecidos: amanhar um mecanismo de financiamento tão grande quanto necessário - mas não mais do que isso - para garantir que a Grécia não ia ao fundo. 

 

Contra-argumento possível: foi brincar com o fogo. Mas mesmo esta perspectiva me parece demasiado dura. Há uns meses, o corte de "rating" da S&P aos Estados Unidos foi anunciado durante o fim-de-semana como o auge de um mundo novo e de um remake da Grande Depressão. Pouco tempo depois, o Governo norte-americano emitia dívida a taxas de juro reais negativas. As crises financeiras e os humores dos mercados são como os melões: só se provam depois de abertos. A falência do Lehman Brothers, e os eventos que se seguiram, são um exemplo simétrico desta situação. 

 

 

 

 

 


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Priscila Rêgo

Quem estiver interessado em perceber os problemas que se colocam ao estabelecimento de contratos quando uma das partes tem mais informação do que a outra acerca dos produtos transaccionados pode consultar a excelente página do The Market for Lemons, acerca do artigo seminal do ecnomista George Akerlof. 

 

O artigo termina com uma frase que exprime bem o drama que a Grécia vive neste momento: mesmo que Atenas esteja genuinamente disposta a mudar de vida, o acesso privilegiado a informação - nomeadamente, aquilo que tenciona fazer assim que o dinheiro chegar - acaba, paradoxalmente, por deteriorar a sua posição. Uma verdadeira tragédia grega.  

 

The cost of dishonesty, therefore, lies not only in the amount by which the purchaser is cheated; the cost also must include the loss incurred from driving legitimate business out of existence.

 


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Priscila Rêgo

O Luís Naves citou um dos meus posts acerca da posição da Alemanha e sugeriu, como complemento, um post do Mr. Brown. O post em causa enquadra a situação da seguinte forma: "Agora que esse problema está evidente para todos, não vejo como possa ser corrigido que não por um ajustamento para baixo do nível de vida desses povos. Não é lá grande opção? Não, não é. Mas é por isso que se diz que não há alternativa à austeridade". Como isto não tem muito a ver com a minha posição, aproveito para fazer uma clarificação.

 

Começo pelo mais simples: é óbvio que o nível de vida dos gregos estava artificialmente empolado pela participação na Zona Euro. Mas este excesso de consumo (despesa) relativamente à produção (PIB) deve ser "lido" nos défices externos, e não nos défices orçamentais (embora, no caso grego, este seja provavelmente a principal causa daquele). Viver "acima das possibilidades" é simplesmente manter um nível de despesa superior ao nível do PIB. Ponto. 

 

O problema, central a esta discussão, é que uma economia não é uma dona de casa. Uma família pode ajustar a sua despesa ao seu rendimento mensal e passar a viver alegremente dentro das suas possibilidades. Numa economia, por outro lado, a despesa de um indivíduo é o rendimento de outro. Ou seja, se a Grécia quiser ajustar as suas despesas (consumo) às suas possibilidades (PIB), haverá feedback entre as duas variáveis: o próprio ajustamento diminuirá as suas possibilidades de pagar a dívida, porque a fonte de rendimentos tende a secar ou, pelo menos, a reduzir.se. 

 

A partir de certo ponto, esta estratégia pode tornar-se auto-destrutiva. Uma economia a cair aos bocados pura e simplesmente não consegue gerar rendimentos para pagar os juros da dívida em falta nem para amortizar o capital quando a maturidade for atingida. Portanto, e paradoxalmente (mas apenas para quem não estiver habituado a pensar em termos macroeconómicos), pode ser do interesse mútuo de credores e devedores que o período de ajustamento se prolongue um pouco mais no tempo. Deste ponto de vista, há de facto alternativa à austeridade e a Alemanha pode ser um dos principais interessados em manter essa porta aberta.

 

O ponto do post anterior não era negar este ponto, mas enfatizar a circunstância específica em que tal acordo poderia ter lugar: caso houvesse garantia de que a Grécia aceita mesmo fazer o reajustamento e que o dinheiro entregue hoje terá contrapartidas amanhã. O drama grego é que essa garantia não só não existe como dificilmente pode ser revelada a uma terceira parte (no caso, a Alemanha). A imposição de uma austeridade severa e imediata, com efeitos na própria capacidade de pagar a dívida, acaba por ser a second best policy germânica: pior do que uma austeridade mitigada, mas melhor do que a sua completa ausência.

 

 

 

 


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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Rui Passos Rocha

... mais nerdice menos nerdice:

 

 


Priscila Rêgo

O post anterior é demasiado fatalista. Na verdade, há várias formas de ultrapassar os problemas que a assimetria no acesso à informação coloca ao estabelecimento de contratos. O banco que pede o dinheiro ao seu cliente não pode garantir por palavras que não irá fugir com os seus depósitos - mas pode mostrar-lhe por acções que não tem intenções de o fazer. Uma sede faustosa no centro da cidade é um forte indício de que tenciona estar ali durante muitos e bons anos.

 

Também é difícil provar o amor. Uma boa maneira de dar alguma credibilidade a meras declarações é condimentá-las com prendas caras e inúteis, que mostrem à potencial companheira o grau de investimento que se está disposto a fazer na relação. Neste caso, como no anterior, o princípio da sinalização é simples: provar, através de actos, que se tem determinadas qualidades ou que se está disposto a honrar certos compromissos. O propósito das acções é revelar estados interiores não directamente observáveis.

 

Povavelmente, é esta a estratégia do Governo português para lidar com a "troika". Não é difícil perceber porquê. Há propostas que conjugam um impacto social tão grande com um proveito económico tão ridículo - e que foram enformadas por um discurso tão violento e intransigente - que só podem ser entendidas à luz deste prisma. O propósito não é pôr a casa em ordem mas mostrar a quem está lá fora que se está disposto a ir tão longe quanto necessário para se cumprir os objectivos.  

 

Exemplos: a ideia de aumentar o horário de trabalho em meia hora, cortar quatro feriados, eliminar o ponto do Carnaval e fazê-lo. Qualquer pessoa que se tenha dado ao trabalho de fazer as contas chega à conclusão de que todas estas medidas podem, no melhor dos cenários, ter um impacto negligente em qualquer variável macroeconómica (e, no pior, serem contraproducentes). Mas se o objectivo não era melhorar a situação, mas sim sinalizar uma posição de compromisso, a estratégia faz sentido. Na verdade, a estratégia só faz sentido se as medidas foram marcadamente violentas. Se se enquadram nas expectativa da população, não dizem muito ao exterior acerca da coragem do Governo.    

 

Se a estratégia correr bem - e há alguns indícios de que está a surtir efeito -, talvez seja possível esperar que a Europa abra um pouco os cordões à bolsa e que nos dê mais dinheiro para cumprirmos as metas em mais tempo. Esta é a melhor solução para os credores preocupados com os seus activos e para os portugueses atolados em passivos, pois permite alicerçar o pagamento da dívida (ou melhor, a sua estabilização) numa economia menos débil. Mas só é possível se houver certeza de que a parte com mais informação não vai enganar a outra quando as concessões forem feitas - e isto exige actos, não promessas. Ao contrário do que pensa António José Seguro, não era possível chegar ao Céu sem antes passar pela expiação.

 

 


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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Imagine o leitor que um familiar endividado, preguiçoso e pouco trabalhador lhe pede um empréstimo para pagar dívidas de jogo. A sua relação com o familiar em causa orbita naquela zona cinzenta dos laços familiares: não está suficientemente afastado para o abandonar à sua sorte sem ficar com remorsos; mas também não está tão próximo que se sinta confortável em dar-lhe o dinheiro sem ter garantias de que será ressarcido.  

 

Do seu ponto de vista, o ideal é conceder um empréstimo tão volumoso quanto o necessário para que o seu famíliar possa pagar as suas dívidas de jogo e, arrumado esse problema, dedicar-se a trabalhar e gerar rendimentos para lhe devolver o dinheiro num futuro próximo. Mas o seu familiar pode ter uma visão ligeiramente diferente das coisas. É possível que esteja a olhar para o empréstimo como um simples balão de oxigénio para alimentar vícios e continuar a viver como até aqui.  

 

O leitor pode fazer um acordo com o seu familiar, em que aceita emprestar-lhe dinheiro desde que ele se comprometa a mudar de vida. Mas este acordo é um risco: pura e simplesmente não há forma de garantir que, uma vez emprestado o dinheiro, o seu familiar cumpra a sua parte. Há uma assimetria fundamental entre as duas partes que restringe o tipo de acordos que podem ser estabelecidos. 

 

A solução mais provável para este impasse é um empréstimo condicional: pequenos montantes, libertados em tranches, acompanhados de um controlo rigoroso de aplicação do financiamento. O leitor acabará por exigir ao seu familiar que cumpra um plano de apresentação no centro de emprego, que lhe comunique as diligências que tomou para encontrar posto de trabalho e que lhe entregue os recibos das suas despesas mensais. Uma espécie de plano de austeridade. 

 

Do ponto de vista de um observador externo, tudo isto parece anacrónico: obriga-se um pobre diabo a utilizar uma boa parte do seu tempo a tratar de burocracias em vez de procurar activamente emprego. Mas do seu ponto de vista, esta é a única solução para contornar a falta de confiança que tem no seu familiar. A situação é trágica especialmente para o seu familiar. Mesmo que esteja de boa vontade, ele não tem forma de revelar ao leitor que tenciona cumprir a sua parte. O "plano de austeridade" é o corolário desta assimetria entre as partes.  

 

É algo deste género que se passa entre a Grécia e a Alemanha. A dose de austeridade que está a ser aplicada em Atenas é de tal forma aguda que acaba efectivamente por diminuir a probabilidade de gerar rendimentos para pagar a dívida que já foi contraída. Para um credor como a Alemanha, faz todo o sentido afrouxar a pressão sobre a Grécia e permitir-lhe recuperar a sua economia antes de começar a pagar a dívida. Mas apenas se houver garantias efectivas de que a contraparte está de boa vontade no processo. Como essas garantias não podem ser dadas, um controlo apertado das contas e reformas impostas "de fora" tornam-se inevitáveis.

 


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Rui Passos Rocha

 

Já dizia o poeta: "Aguenta, não chora"


Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Tiago Moreira Ramalho

Há em mim sincera afecção pelo movimento monárquico português. E se é certo que lhes aprecio cada pequena particularidade, refiro-me aqui principalmente à soberba criatividade revelada em cada actividade. Eles trepam edifícios altos para hastear bandeirinhas mortas. Eles passeiam de barco pelo simples prazer de desembarcarem cantando numa praia qualquer. Agora fizeram um manifesto. 

Não há mal aqui. Os manifestos são coisa preciosa e este tem as suas virtudes. Avisa-nos que “vivemos dias difíceis” e adverte-nos da dificuldade de “dar uma esperança real”. Felizmente, informa-nos que “Portugal precisa de um rei”, ideia muito reforçada pela necessária “justiça histórica”, que deve ser severamente aplicada a um regime que foi “imposto ao nosso povo pela lei das armas e precedido de um grave homicídio”.

Tudo isto é evidente. Preocupa os monárquicos que a República tenha sido implementada à custa de sangue. Estranha-se o silêncio sobre a nação que nasceu com um barbudo a bater na mãe. Para quando uma dose de “justiça histórica” aqui? Para quando quiserem, mas sempre com a expectativa esclarecida: mal nos reunamos a Castela, de Marrocos virão cartinhas de desagrado pela desfeita.

São raríssimas as mudanças de regime feitas sem sangue e desconhecidos regimes perfeitos. No entanto, é seguro dizer que invasõezinhas semanais de grupelhos revolucionários não dão saúde. A beleza e a força de um regime não estão na sua forma, mas na sua estabilidade e dignificação. Com ou sem coroas.

 

Publicado no Jornal i.


Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
Bruno Vieira Amaral

Nós, os portugueses, queixamo-nos. A minha avó queixava-se do reumático e dos vizinhos, do frio e do calor, do preço do pão de mistura e, aos domingos de manhã, inapelavelmente, do meu avô. Queixamo-nos da vida, dos políticos, do país quando vivemos cá, do estrangeiro quando para lá emigramos, dos ladrões quando roubam, da polícia quando policia, das multas por excesso de velocidade a que os outros milagrosamente sempre escapam. A queixa faz parte de nós. Somos de um servilismo complicado, resmungão, mal-encarado, cheio de úlceras e de violências murmuradas. Gostamos de manifestações suaves e de protestos débeis porque temos sempre as queixas, as lamentações, as pieguices. O que temos mais é pena. Temos tanta pena! Não sabemos o que é a verdadeira compaixão. Temos muita pena. Quando alguém se queixa da saúde e lhe dizemos que tem de ir ao médico, percebemos tudo: o estado não é suficientemente grave para ir ao médico, é apenas suficientemente real para gerar a queixa. O português compraz-se na queixa. A queixa não agrava, alivia. É auto-medicação espiritual. Uma mezinha caseira para alívio das dores da alma. O primeiro-ministro pode tirar-nos o carnaval e os feriados, as férias e os subsídios, mas não pode querer que deixemos de nos queixar. Em primeiro lugar, porque temos motivos para isso. Em segundo, porque não precisamos de motivos, embora sempre os tenhamos tido. Nunca precisámos e sempre os tivemos. A queixa é uma oração secular. A queixa está para a revolta como a pieguice está para a verdadeira compaixão, como o desabafo está para o verdadeiro pensamento filosófico. É o substituto à medida do nosso saldo existencial. Acredito que possa ser desesperante ouvir todos os dias queixas de empresários, de trabalhadores, de professores, de artistas, de alunos e de sindicalistas. Olhe, sr. primeiro-ministro, faça como nós, queixe-se!


Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
Rui Passos Rocha

O primeiro-ministro resolveu queixar-se dos seus empregadores dizendo que somos demasiado queixinhas (piegas, se preferirem) e que devíamos "ser mais exigentes" connosco e com os outros. Até porque a alternativa será "fazer de conta" de que tudo está bem, quando a dívida e o défice público do país atingem a obesidade mórbida. Aos empresários, a quem permite despedir funcionários que não cumpram o exigido, Passos Coelho pede "melhor gestão". Ao povo, que o contratou como funcionário, pede que não se queixe da sua prestação de serviços. A exigência que nos pede é, percebe-se, para aplicar horizontalmente. Há contratados cujo trabalho não deve ser escrutinado e criticado: os que contratámos para o Terreiro do Paço.


Rui Passos Rocha

Depois de Rajoy ter mexido na lei do aborto espanhola "para preservar o direito à vida", eis que Passos Coelho e companhia se dizem dispostos a preparar um "balanço" da lei portuguesa para, quiçá, fazer-lhe "pequenos ajustamentos".

 

Dado o forte peso do sim ao aborto legal, esses ajustamentos provavelmente não serão a desvirtuação da lei, mas a imposição do pagamento pela interrupção da gravidez: talvez em abortos seguintes ao primeiro, talvez mesmo em todos. O que pode ser problemático, já que boa parte de quem aborta ou não tem dinheiro para contraceptivos ou condições para acrescentar mais um à família.

 

Mas pode ser que os ajustamentos pensados venham a ser de outro tipo, inspirados pela humanista doutrina cristã. Nesse caso deixo aqui algumas notas, retiradas daqui e daqui:

 

- A percentagem de abortos por país é sensivelmente a mesma quer eles sejam legais ou ilegais;

 

- Os dados sugerem que a melhor forma de reduzir essa percentagem não é tornando o aborto ilegal mas fazendo com que haja mais contraceptivos à disposição;

 

- Entre 1996 (quando legalizou o aborto) e 2007 a África do Sul viu baixar em 90% a taxa de mortalidade de mulheres que abortaram;

 

- A percentagem de abortos é especialmente grande em Cuba, devido aos poucos métodos contraceptivos. Em 1990 foram 33% as adolescentes que abortaram;

 

- No Uganda, onde o aborto é ilegal e se incentiva à abstinência, a taxa de abortos foi de 54/1000 em 2003, mais do dobro dos Estados Unidos e quase o quíntuplo da Europa Ocidental.


Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

 

 

Para compreender como chegámos aqui e como podemos sair. É tipo Medina Carreira, mas na versão boa.


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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Rui Passos Rocha

O João Miranda dá aqui e aqui a entender que seria legítimo que a Alemanha, porque credora, tivesse assento no parlamento grego. "Taxation" sem "representation" não lhe faz sentido (mesmo que a UE não seja federal, o que é um pormenor, imagino). Suponho que essa representação fosse proporcional: Merkel e companhia nomeariam 33,8% dos deputados, os sociais-democratas 23%, os liberais 14,6% e por aí fora, de acordo com os resultados das eleições federais de 2009 na Alemanha.

 

Aliados, como em casa, os conservadores e os liberais teriam também apenas o peso relativo que lhes cabe: a França, a quem os gregos devem mais de 40 mil milhões, teria quase o triplo da representação alemã (15,9 mil milhões). Até Portugal lá mandaria uns galambas, metade dos alemães: os -opoulos devem-nos 7,5 mil milhões. Dificilmente a bandeira grega no parlamento passaria à meia-haste.

 

Tendo a Alemanha 176% de dívida externa em percentagem do PIB, contra os 252% gregos, também o parlamento alemão mudaria ligeiramente: França, Itália, Estados Unidos e Japão lá estariam para ferir o orgulho nacionalista, estimulando o europeísmo e ajudando à sensação de pequenez relativa que não parece fazer nada mal aos alemães.


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