Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Apesar de, na generalidade, concordar com a visão da Priscila sobre os subsídios à agricultura, há que lembrar que a leitura está feita com base em modelos estilizados da realidade, como todos os modelos económicos são. É óbvio para qualquer pessoa com um mínimo de estudos que perdemos eficiência com subsídios, principalmente em áreas nas quais não temos qualquer tipo de vantagem comparativa. No entanto, uma visão da agricultura mais política poderá sem grandes dificuldades levar à decisão de uma subsidiação. Há sempre um risco quando abrimos a nossa economia, queiramos ou não. É certo que os ganhos são bastante elevados, mas a volatilidade (não só do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista político) é grande e pode trazer problemas sérios, por vezes.

O exemplo mais paradigmático para esta escolha entre risk & return está no investimento na Defesa. Afinal, entre canhões e manteiga é sempre preferível consumir manteiga, porquanto a manteiga alimenta e os canhões, no limite, apenas destroem. E investir em armas e tropas em tempos de paz parece ainda mais descabido, se não tivermos em linha de conta que, nisto das preferências, a segurança e o risco contam (seja militar ou alimentar). No entanto, é residual o número de países que não investem em armamento. Serão todos loucos? Nem por isso. O investimento em armas tira eficiência à economia, pelo menos aquela que é quantificada nos modelos simples. No entanto, poucos são aqueles que alocariam todos os seus recursos na manteiga para ficarem sem um canhão que fosse. O mundo das preferências é muito mais complexo do que os modelos simples permitem compreender.


8 comentários:
De PR a 14 de Junho de 2011 às 01:28
Qualquer raciocínio económico tem sempre por base um modelo. A questão é se o modelo é explícito ("modelo ricardiano") ou implícito ("os capitalistas exploram, logo temos de refrear o mercado"). E mesmo nos modelos mais simples o investimento em armas é perfeitamente compreensível: a Defesa é um bem público por excelência (daqueles que não podem ser fornecidos pelo mercado).

Em versão de "contabilidade nacional", a Defesa até pode ser vista como um consumo intermédio em que o Estado tem o monopólio da oferta. :)


De Luís Lavoura a 14 de Junho de 2011 às 09:31
O facto de a Defesa ser um bem público não justifica, por si só, que o Estado invista nela.

A iluminação pública é o bem público por excelência. No entanto, o Estado pode investir nela ou não. Por exemplo, o Estado não investe, em geral, a iluminar à noite propriedades rústicas (campos de cultivo). E mesmo em cidades, há sítios que a iluminação pública não abrange.

Da mesma forma, o Estado pode não investir em Defesa, Pode por exemplo comprar caças Mirage ou então não os comprar. Há, de facto, alguns Estados no mundo que não têm forças armadas (v.g. Costa Rica), ou então que as têm relativamente reduzidas (v.g. Japão).


De PR a 14 de Junho de 2011 às 11:51
"O facto de a Defesa ser um bem público não justifica, por si só, que o Estado invista nela"

Justifica sim, do ponto de vista da eficiência económica (=maximização do PIB).

Não é preciso consumir todos os recursos em Defesa, mas a economia como um todo beneficiará se houver algum consumo. Tal como o Luís, sendo humano, tem necessariamente de comer, embora não tenha de gastar todo o seu tempo a enfardar.

O Japão é um caso especial: até há pouco tempo, ainda tinha tropas americanas lá estacionadas, o que justifica que gaste menos em Defesa. Não conheço o caso da Costa Rica, mas suspeito de que subsiste num regime semelhante.


De Luís Lavoura a 14 de Junho de 2011 às 12:25
Não.

Voltemos à iluminação pública. Suponha um país sem cidades, só há casas dispersas (tipo Alentejo). Num tal país é irracional o Estado gastar dinheiro em iluminação pública (estar a iluminar campos de cultivo para quê?).

Por contraste, num país muito urbanizado (toda a gente vive em cidades muito concentradas), o Estado gastará, em princípio, bastante dinheiro a iluminar as ruas dessas cidades.

Ou seja, o facto de a iluminação pública ser um bem público não nos diz quanto é que o Estado nela deverá gastar - apenas diz que terá que ser o Estado a gastar, mas não nos diz se deverá gastar muito ou pouco.

Da mesma forma, o facto de a Defesa ser um bem público nada nos diz sobre quanto é que o Estado deverá gastar nela: 0% do PIB, 1%, 5%, 10%? Não sabemos. Há, de facto, Estados que gastam gande parte do PIB em Defesa, outros não gastam nada ou praticamente nada.


De PR a 14 de Junho de 2011 às 17:11
"Ou seja, o facto de a iluminação pública ser um bem público não nos diz quanto é que o Estado nela deverá gastar - apenas diz que terá que ser o Estado a gastar, mas não nos diz se deverá gastar muito ou pouco."

Acho que não disse o contrário, mas o Luís gosta de reclamar a autoria do óbvio :)


De Miguel Madeira a 15 de Junho de 2011 às 15:57
"Voltemos à iluminação pública. Suponha um país sem cidades, só há casas dispersas (tipo Alentejo)."

[Imagino que a serra algarvia fosse um melhor exemplo, já que a maior parte dos alentejanos vive em aldeias gigantescas, mas percebo que o LL quer dizer]

O problema nesse exemplo é que, num pais só com casas dispersas, a iluminação não é bem um bem público, já que o principio da "não-exclusão" não se verifica (se eu ponho uma lampada por cima do meu terreiro na minha casa isolada, as outras pessoas - que vivem longe - estão excluidas por natureza; ou seja, não há free-riders).

Já agora, eu também tenho dúvidas sobre se a defesa é realmente um bem público ou é apenas um bem com grandes economias de rede (estilo telemóveis), mas penso que isso não muda muito os termos da dsicussão


De Miguel Madeira a 15 de Junho de 2011 às 15:46
Penso que o que se passou na Costa Rica foi que concluíram que, no contexto latino-americano, é maior o risco de um país ser invadido pelo seu próprio exército do que pelo do vizinho.

Aliás,um caso interessante é o da Bolivia que aboliu o exército exactamente nas mesmas condições que a Costa Rica (o filme foi o mesmo nos dois países: o centro-esquerda ganhou as eleições, um governo apoiado pela direita e pelos comunistas anulou as eleições, mas em poucos dias bandos de civis armados e de soldados amotinados destruíram o exército governamental). Ao contrário da Costa Rica, a Bolívia alguns anos mais tarde decidiu reconstruir o exército, e mal voltou a ter forças armadas, foi quase imediatamente "invadida" por elas.

Não que isto tenha seja o que for a ver com a discussão, mas achei uma divagação interessante.


De شات صوتي a 19 de Fevereiro de 2015 às 21:02
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