Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Sejamos objectivos e frontais: seria facílimo para nós gritar, do alto de um banquinho estrategicamente montado no palco do muno, um agudo «não pagamos». Declarávamos falência e fazíamos tabula rasa nestas andanças. Afinal, tudo isto é um jogo de investimento, um jogo com risco e os credores, quando emprestam, sabem que há esse risco (os juros são precisamente a confissão banal de que há gente de pouca confiança). No entanto, entre pagar e não pagar reside a fundamental questão do que somos e do que queremos ser enquanto Estado. E, aqui, nada mais há a fazer que simplesmente contar os bracinhos que votam, porque não há consenso possível em juízos éticos desta natureza. Sim, porque há uma questão ética no cumprimento das obrigações que temos.  O compromisso assumido pelo Estado não é, apesar de por vezes o acharmos, diferente do assumido pelo indivíduo. E, pelo menos da última vez que confirmei, um indivíduo que, em cima de um banquinho, grita que não paga ainda é um indivíduo a quem se deve olhar de lado em futuros compromissos.

Há uma agência de rating que ainda não acredita que seremos capazes. Uma vez mais, em vez de apontarmos o dedo à agência por não acreditar em nós, vamos um pouco mais além. Neste momento fala-se numa série de medidas extraordinárias, mas nenhuma foi aplicada. O dinheiro do décimo terceiro mês não entrou, a RTP ainda é pública, a Galp ainda é um quarto nossa, a função pública ainda mantém os mesmos funcionários, os serviços públicos ainda são sorvedouros de rendimento que é cada vez mais escasso. Lamento, mas por muito valorosas que sejam os passos dados, meia dúzia de governadores civis e outra de ministros não dá para nada.


3 comentários:
De O SÁTIRO a 7 de Julho de 2011 às 19:19
Até o Banco Central Europeu tem em conta as avaliações das agências de rating:
http://mentesdespertas.blogspot.com/2011/07/o-rating.html

O problema é que a “máfia socialista com experiência na maçonaria deixou o país na bancarrota.
as agências limitam-se a constatar essa triste realidade.



De Anónimo a 7 de Julho de 2011 às 19:28
A tralha liberal a fazer os fretes aos cartéis da finança é uma coisa abjecta.

Desculpe lá o desabafo


De Fernando Lopes a 10 de Julho de 2011 às 00:36
Sejamos, pois objectivos e frontais. A esquerda nunca disse "não pagamos", disse antes devemos renegociar.
Até porque, um outra suposta esquerda, num fuga desesperada para a frente vendeu dívida a juros impagáveis. Não pagar e renegociar são coisas substancialmente diferentes. Só não vê essa enorme diferença quem está de má-fé ou é ideologicamente autista.


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