Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Priscila Rêgo

O sindicato dos trabalhadores dos transportes está contra a subida do preço dos transportes. A subida que causa mais indignação é a dos passes da CP, embora a razão não seja completamente clara: os sindicatos existem para proteger os interesses dos seus filiados, e não os interesses dos clientes dos patrões. Não é normal vermos greves na indústria devido à subida dos preços praticados junto do consumidor final, por exemplo.

 

Provavelmente, a razão pela qual a subida de preços gera contestação está relacionada com a percepção, inevitável a este ponto, de que a subida das receitas com venda de bilhetes virá acompanhada de uma redução das receitas via subsídios e indemnizações compensatórias. Apesar de a transferência de receita ser neutra ao nível da contabilidade, ela não é neutra ao nível dos incentivos. Quanto mais receitas dependerem da actividade da empresa e menos vierem do Orçamento do Estado, maior será o incentivo para racionalizar serviços, melhorar a qualidade e diminuir custos operacionais.

 

Para os trabalhadores do sector público dos transportes, isso significa um escrutínio maior do seu trabalho e, com toda a probabilidade, maior rigor na fixação de salários. Mesmo que a subida de preço dos transportes seja boa para a economia, ela pode ser terrível para os grupos de interesse que cristalizaram em torno de empresas públicas ineficientes, sustentadas pelo Orçamento do Estado e alheadas dos princípios da concorrência.

 

Quanto à razão pela qual são os tipos da CP que mais protestam, pode haver muitas explicações. Esta talvez seja uma delas.

 

 

 

 


11 comentários:
De Luís Lavoura a 27 de Julho de 2011 às 09:46
Parecem-me fúteis e enganadoras as explicações racionais que a Priscila elabora neste post. É muito mais simples dizer que os sindicatos, especialmente os da CP, são dominados pelo Partido Comunista, que os utilizam como correias de transmissão. O Partido Comunista sabe que os utentes dos transportes coletivos não podem protestar contra a subida dos preços, por isso utiliza os trabalhadores desses transportes para o fazer. É que para o Partido Comunista é claro que os transportes coletivos devem ter utentes e não clientes, e devem ser tendencialmente (pelo menos marginalmente) gratuitos, tal e qual a saúde e a educação.


De Nicolau Wurmood a 27 de Julho de 2011 às 20:24
Ou seja… os membros da CP não estão preocupados com a viabilidade do meio de transporte a longo prazo (se for demasiado caro será substituído - por um privado sem dúvida), nem com a possibilidade de isto ser uma jogada de abertura numa tentativa de privatização (aumentar o valor da empresa ao empolar os custos ao consumidor) e muito menos com o efeito social na sociedade da qual fazem parte e que afecta pessoas que de certeza que conhecem pessoalmente. É mesmo pela diminuição de transferências e pelo aumento de escrutínio (como se sabe o funcionário público é o espécie sub-humano que teme a luz da investigação e é a causa da decadência da nossa cultura).

Até quem não gosta particularmente da CP (e empresas do estilo) começa a ter simpatia pela sua posição ao ver os extremos este tipo de propaganda repetido ad nauseam.

Peço desculpa se o comentário parece um pouco "combativo", não é o caso (nem poderia ser porque não conheço o autor). Simplesmente parece ser uma cadeia lógica falaciosa e retorcida.


De PR a 27 de Julho de 2011 às 20:39
Uma falácia é um erro no raciocínio lógico, mas o Nicolau não detectou nenhuma no meu post: limitou-se a avançar explicações concorrentes.

Eu sou sensível a isso, e acho que as explicações devem ser sopesadas e comparadas. A forma mais fácil de o fazer é explorar as implicações de cada hipótese e compará-las com os dados.

Assim, se os tipos da CP estão preocupados com i>"a viabilidade do meio de transporte a longo prazo"</i> ou o "efeito social na sociedade da qual fazem parte e que afecta pessoas que de certeza que conhecem pessoalmente", seria de esperar que:

a) tivessem alertado para a trajectória financeira da empresa desde há muitos anos;

b) tivessem colocado um travão à subida explosiva dos custos com pessoal;

c) protestassem contra os "efeitos sociais" tão ou mais nocivos do que o preço, como os atrasos, o mau atendimento ou os tempos de espera;

Nunca vi preocupações deste género, o que indicia que as motivações dos tipos da CP são de uma natureza menos benevolente do que aquela em que o Nicolau faz fé.



De Nicolau Wurmood a 27 de Julho de 2011 às 21:12
PR,

Na minha opinião fez uma falácia ao deduzir apenas um caminho quando existem uma série deles (e o seu não parece ser o mais provável). Percebo a motivação ideológica (também as tenho) mas o querer não chega para provar algo - não estou a fazer questão de entrar em jogos de definições, só servem para académicos.

Já pensou nem todas as funções do Estado é suposto estarem acima da linha de prejuízo (daí o próprio estado dever ter um portfólio variado…) e que o facto de isso acontecer pode não ser derivado de nenhuma das suas razões mas o resultado da persecução de uma política de bem social comum (como por exemplo transporte a um preço pelo menos acessível).

Quanto às falhas de funcionamento… são as mesmas que afectam todas as empresas portuguesas públicas e privadas, simplesmente no momento este sector tornou-se apetitoso e vem tudo ao de cima. Não é preciso "vender" a CP como modelo de virtudes para poder racionalmente entender o paradigma em que funcionavam até agora, os seus receios e as agendas de quem circula à volta da área dos transportes.


De PR a 27 de Julho de 2011 às 23:47
"Na minha opinião fez uma falácia ao deduzir apenas um caminho quando existem uma série deles"

Não conheço outro. Se conhecer, pode apontar. Mas, com tantas alternativas, estranho que o máximo que tenha conseguido articular seja o discurso do coitadinho. Para aumentar a produtividade, vale pouco.

"o facto de isso acontecer pode não ser derivado de nenhuma das suas razões mas o resultado da persecução de uma política de bem social comum"

É má política usar política de preços para fazer caridade social. Seja porque distorce o mecanismo de informação dos preços, seja porque não identifica correctamente os elementos que queremos atingir (nem todos os pobres andam de transportes, nem todos os que andam são pobres).

"Quanto às falhas de funcionamento… são as mesmas que afectam todas as empresas portuguesas públicas e privadas"

Logo, o melhor é não faz nada. Tá bem, abelha.


De Nicolau Wurmood a 28 de Julho de 2011 às 00:04
1) Apontei uma série de raciocínios alternativos rejeitados linearmente porque não se enquadram na visão ideológica que quer vender (só faltou pintar os quadros da CP como criaturas de cornos que só saem na lua cheia para procurar vítimas para sacrificar).

2) A política de preços com mão do estado é precisamente para ter que evitar a caridadezinha patética com cheiro a antigo regime. E já agora para quem use transportes diariamente dentro e fora de Lisboa fica logo claro que a maioria não está ali porque se esqueceu de tirar o carro da garagem. Não têm alternativa.

3) Logo o melhor é encarar as coisas pelo são. Uma corrida gananciosa à custa de quem tiver que pagar a conta final. Abelha será que ficar com o mel.


De PR a 28 de Julho de 2011 às 00:46
"Apontei uma série de raciocínios alternativos rejeitados linearmente porque não se enquadram na visão ideológica que quer vender "

Não, foram rejeitados pelos dados que possuímos. Quer que faça copy paste do comentário, ou acha que consegue fazer o scroll por si mesmo?

A política de preços com mão do estado é precisamente para ter que evitar a caridadezinha patética com cheiro a antigo regime

Por esta altura do campeonato já devia ter percebido que a caridade é a mesma. Tão patética como a outra, mas muito menos eficiente porque nem sequer acerta no alvo: subsidia quem não precisa e não subsidia muitos que de facto precisam.





De Nicolau Wurmood a 28 de Julho de 2011 às 01:26
1) Não, não foram. A incapacidade de lidar com situações que não são modelos de sala de aula, ou seja, com várias dimensões é que impediu a sua compreensão.

2) Sinceramente se é a mesma vá ver os índices de pobreza e mobilidade da época. Percebo que alguns vejam isto como pior porque existe algum poder de reivindicação por parte de vários sectores...


De PR a 28 de Julho de 2011 às 01:49
Os "dados" eram estes:

"Assim, se os tipos da CP estão preocupados com "a viabilidade do meio de transporte a longo prazo" ou o "efeito social na sociedade da qual fazem parte e que afecta pessoas que de certeza que conhecem pessoalmente", seria de esperar que: a) tivessem alertado para a trajectória financeira da empresa desde há muitos anos; b) tivessem colocado um travão à subida explosiva dos custos com pessoal; c) protestassem contra os "efeitos sociais" tão ou mais nocivos do que o preço, como os atrasos, o mau atendimento ou os tempos de espera;"

Quanto ao período salazarista, não percebo o que tem que ver com os custos da CP. Nem de que forma responde ao meu argumento anterior. Mas deixe lá :)


De Nicolau Wurmood a 28 de Julho de 2011 às 01:52
E as repostas alternativas lá estão para quem quiser ver.

Quanto ao resto deixe lá... é normal que "não entenda" :)


De Center Download a 16 de Março de 2013 às 02:26
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