Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
Priscila Rêgo

Meu caro,

 

Antes de mais, a dívida pública nacional não é de 278 mil milhões de euros. Isso será, quanto muito, a dívida externa bruta. A dívida das entidades públicas ronda os 160 mil milhões de euros. E a da Madeira não é de mil milhões. É seis, sete ou, eventualmente, oito vezes maior. É, é mais pequena. Mas de 0,3% para 5% da "culpa" (como se ela se medisse em rácios), ainda vai uma distância...

 

Por outro lado, essa é a mesmíssima situação das autarquias. Estão endividadas, mas o que são 6 mil milhões num bolo de 160 mil milhões? A educação é um sorvedouro, mas o que é uma despesa de 6,2 mil milhões num Estado que gasta mais 80 mil milhões por ano? E na saúde? Alguém pode dizer que 8,5 mil milhões (uns "10% da culpa...") não se justificam para salvar vidas (acerca disto, vejam este post genial)? Lamento, mas a "culpa" do nosso Estado gordo é feita de "culpazinhas" que têm nome.  

 

Durante décadas, Jardim gastou o que tinha e o que o Continente lhe deu. O resto pediu emprestado, escondeu e não contou a ninguém. Personifica todos os problemas do nosso Estado, elevados a um cubo que só foi tolerado precisamente devido ao facto de controlar uma região pequena. Não, não é o culpado de todos os nossos males. Mas se queremos mudar as coisas, não conheço melhor sítio para começar.

 

 


7 comentários:
De Luís Lavoura a 23 de Setembro de 2011 às 09:34
o nosso Estado gordo

Não gosto desta expressão, a "gordura do Estado", que foi popularizada pelo PSD.

É que o mais que o Estado tem é carne, não é gordura. O Serviço Nacional de Saúde não é gordura. As escolas não são gordura. A polícia não é gordura. Tudo isso é carne, da boa. Essa carne terá no seu meio alguma gordura, claro, como toda a carne tem. Mas não se pense que se pode deitar fora tudo isso e ficar com o mesmo Estado, só que em melhor forma, como no Peso Pesado. Não: se o Estado perder isso, o povo português perderá muito.

Essa da "gordura do Estado" foi uma peça de demagogia eleitoralista do PSD. Agora que são governo, descobrem que não é nada fácil eliminar gordura sem eliminar carne também.


De PR a 24 de Setembro de 2011 às 02:30
Luís, posso, sem problemas de consciência, apontar-lhe alguns funcionários (entre contínuos e professores) da universidade que frequentei que não só não acrescentam nada ao "povo português" como provavelmente até retiram (porque há muito que, desconfio, se atingiu o ponto de retornos marginais negativos). É isto que se entende por "gordura".

Será que é um retrato fiel do resto do país? O meu caso pessoal não pode servir bússula para guiar a política económica do país. Mas os níveis de despesa que temos, cruzados com os resultados obtidos em testes de comparação internacionais, sugerem que há de facto uma enorme margem para cortar sem piorar a qualidade dos serviços.



De Luís Lavoura a 26 de Setembro de 2011 às 11:55
Há sem dúvida, em todas as universidades portuguesas, e nas escolas, e nos hospitais, etc etc etc, maus funcionários, inclusivé alguns a ocupar posições de poder.

Porém:

(1) É muito difícil - tanto em termos legais como práticos - identificar, um a um, esses maus funcionários, e despedi-los, sem no processo despedir também muitos bons funcionários.

(2) Mesmo os maus funcionários desempenham, frequentemente, tarefas importantes (mesmo que as desempenhem mal). Se eles se fossem embora, a máquina pararia. Por exemplo, na universidade, haveria cadeiras que deixariam de ter docente e estudantes que deixariam de se poder licenciar (mesmo que aprendendo pouco, eles desejam licenciar-se).

(3) Na minha universidade também há professores menos bons. Mas há, cada vez mais, falta de professores. E há cada vez mais cadeiras a ser lecionadas em regime gratuito. Se os professores menos bons fossem despedidos, a situação, que já está má, pioraria bastante.

Repito: toda a carne tem alguma gordura. Mas é muito difícil, quiçá impossível, eliminar a gordura sem eliminar no processo também muita carne. E sem que o comedor fique com défice de proteínas..


De PR a 26 de Setembro de 2011 às 21:00
Mas é possível criar um sistema em que os maus funcionários sejam penalizados e os bons funcionários sejam gratificados. E é possível fazer com que os organismos tenham incentivos para exigir mais dos funcionários inúteis ou, caso não o consigam, encaminhá-los para quem o faça [sector privado].

É uma alternativa mais sensata, eficiente e eficaz do que cruzar os braços e dizer "olha, é o que temos". E quanto mais rápido for implementada, mais rapidamente trará resultados.


De Luís Lavoura a 23 de Setembro de 2011 às 09:38
Há ainda que ver que a Madeira, além da própria dívida do Governo Regional, tem também a sua quota-parte na dívida geral do Estado português, uma vez que há montes de serviços que este presta e que aproveitam aos madeirenses.

E há ainda que ver que na Madeira, como no Continente, há montes de empresas e parcerias público-privadas cujas dívidas, em última análise, recaem sobre os poderes públicos. Ainda ontem falaram na televisão de "Sociedades de Desenvolvimento Regional" (salvo erro é esse o nome) que o Governo Regional criou, num regime de parceria público-privada, para fazerem uma série de projetos de "desenvolvimento", muitos dos quais projetos se estão a revelar totalmente improdutivos e a criar dívida que, inevitavelmente, irá um dia cair sobre o Governo Regional (mais ou menos como as SCUTs do Continente).


De silva a 24 de Setembro de 2011 às 10:05
Invetiguem o caso do despedimento colectivo dos 112 trabalhadores do Casino Estoril Sol, pois ficam admirados com o que vão descobrir e mais num digo.
Bentley; Maserati;Porshe bi turbo: Não, não é publicidade.São os carrinhos do presidente de uma empresa que pretende despedir humildes funcionários. E as regras nacionais para «não fumadores» as quais o sr: presidente faz questão de despudoradamente violar como qualquer pessoa pode constatar no Hall por onde ele passa alegre e cheio de graça. É um aroma de charuto ou cachimbo e ainda tem o desplante de dizer a toda a gente a frase “ Quem é que manda em mim “.E os insultos aos representantes dos trabalhadores dessa casa?«Kremlin do Estoril»,in revista Visão. Já adivinharam de que empresa falo? Casino Estoril - A tal que COM LUCROS DE MILHÔES avançou com despedimentos' A tal que goza com os acionistas e subverte a lei do jogo para utilizar a seu favor? Tem sede não no BurkinaFasso mas no Estoril. Para todos os funcionários alvo da tentativa de escamoteamento do seu ganha pão uma palavra de esperança. Acreditem que a justiça é a constante e perpétua vontade de dar a cada um o que lhe é devido.
Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos, as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia. Exercendo de facto a soberania nacional, simultaneamente conspiram e criam entre si estranhas alianças de que apenas os beneficiários são os seus militantes mais activos.


De Miguel Madeira a 24 de Setembro de 2011 às 20:26
O problema da gordura do Estado (e se calhar de toda a gordura em todas as organizações) é que é estilo a gordura do porco preto alentejano que "Tem uma característica genética de poder armazenar gordura no seu tecido muscular, que é a chave da inconfundível textura da sua suculenta carne." (são raras as organizações "foca" ou "baleia", com uma elevada camada de gordura a envolver o organismo e que é fácil de tirar para fazer óleo).


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