Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
Rui Passos Rocha

Talvez seja simplista chamar anti-capitalistas aos manifestantes gregos, espanhóis e, mais recentemente, norte-americanos. Parte importante deles pode apenas querer reformar o sistema, torná-lo mais igualitário ou simplesmente receber mais dele, em vez de querer uma revolução.

 

Isto aplica-se também a quem for para a rua no dia 15: a página oficial diz apenas "é tempo de nos unirmos; É tempo de eles nos ouvirem". Até o blogue português do 15Out, afirmando-se contra "a lógica neoliberal que atribui aos mercados mais direitos do que às pessoas", escreve que é composto de "gente que votou em muita gente, e gente que nunca votou".

 

Mas para simplificar vou chamá-los anti-capitalistas. Uma das pessoas que encaixam no perfil, e que - imagino - se manifestará no dia 15, acusou-me ontem de tratar as pessoas como números depois de lhe ter dito que as manifestações serão mais significativas nos países cuja percentagem de manifestantes for maior face à população total e cuja percentagem de anti-capitalistas (a avaliar pelos indicadores incluídos em sondagens) for menor.

 

Ou seja, se saírem à rua 5% de gregos e 5% de americanos será mais significativa a manifestação norte-americana, uma vez que tradicionalmente nos Estados Unidos há maior apoio ao sistema capitalista. Mas concluir algo como isto, de acordo com o meu crítico, é olhar para as pessoas - que merecem, todas elas, igual respeito - como se elas fossem números.

 

O problema é que há situações em que devem ser isso mesmo: nas ciências sociológicas faz todo o sentido estudar grupos de pessoas; e na política decide-se formas de maximizar o bem-estar ou minimizar o mal-estar de grupos sociais, laborais ou económicos.

 

A própria moral também funciona com números: o filósofo Michael Sandel apresentou aos seus alunos de Harvard a seguinte hipótese: o indivíduo A está numa ponte junto ao indivÌduo B, que desconhece. Ao fundo, perto de ambos, aproxima-se uma carruagem que, com toda a certeza, matará por atropelamento cinco indivíduos que caminham nos carris.

 

Há apenas três soluções possíveis, diz ele: não fazer nada e assistir à morte dos cinco desconhecidos; atirar o indivíduo B para a morte por atropelamento nos carris, tendo a certeza de que o seu corpo parará a carruagem e assim poupará a vida dos outros cinco; ou o indivíduo A atirar-se heroicamente em vez de voluntariamente promover a morte do indivíduo B.

 

Depois Sandel perguntou aos alunos o que fariam. A resposta da larga maioria? Não foi, garanto-vos, ficarem parados a assistir...


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