Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
Rui Passos Rocha

Pelo que percebi há dois tipos de indignados:

 

- Os que rejeitam a austeridade da troika mas aceitam que vivemos uma crise. Estes tendem a pretender um aumento substancial dos salários e das pensões mais baixas, uma distribuição mais equitativa de rendimentos, com mais impostos sobre os mais ricos e a banca, a renegociação do plano de austeridade com a extensão do prazo de pagamento e cortes mais paulatinos, bem como punições legais para a corrupção e má gestão políticas.

 

- E os que rejeitam a austeridade da troika e a ideia de que estamos em crise. Estes defendem, para além das referidas medidas de justiça social, o não pagamento da dívida ou o o cancelamento de uma parte dela. Como se isso não tivesse consequências, aparentemente. Tanto quanto me pareceu, este é um grupo muito reduzido e, claro, o mais radical dos dois.

 

Quanto aos primeiros, com mais ou menos disto e daquilo podem ajudar a melhorar o caldo e seriam, penso, contentáveis se os cortes fossem tendentes a nivelar mais os salários e prejudicassem menos as classes baixa e média-baixa. Já os segundos deixam-me curioso: que planos teriam para a economia do país, caso governassem? Que resultados teriam as suas ideias postas em prática, sobretudo do ponto de vista externo? Alguém me pode ajudar?


2 comentários:
De Luís Bernardo a 20 de Outubro de 2011 às 16:27
Sem entrar na discussão das tipologias (percebo a utilidade da divisão, esperando que os limites da mesma sejam reconhecidos por quem a faz), há aí uma alusão à inconsciência do radicalismo que me parece redutora. Falo da ideia de que só se pode defender uma solução radical se não se partilharem as mesmas expectativas causais que os defensores de um realismo hardcore. O problema é que defender o cancelamento da dívida tem pressupostos que não podem ser partilhados por esses ditos realistas hardcore; portanto, a discussão nunca poderá ser feita nesses termos. Reificar a dívida, a sua produção e a sua centralidade no capitalismo pós-industrial não é uma boa estratégia, se se quiser desconstruir a posição do repúdio - sabemos que tem consequências, e depois? Serão piores que a manutenção do serviço da dívida e o afogo a que submetem as cidadãs e cidadãos da República? Estas questões abrem o problema. Dizer que alguém só defende uma posição porque não percebe o mecanismo que questiona é que não serve de grande coisa.

Uma última nota: a respeito dos primeiros, há que diferenciar as percepções da crise. Pessoalmente, considero que está é uma crise sistémica do regime de acumulação e não é linear ou automático que a) se resolva, b) a democracia sobreviva. Tenho renovado as minhas leituras de Prigogine e outros estudiosos de sistemas complexos - um ângulo/nível analítico que falta a quem mantém uma leitura rasa e banal dos tempos que vivemos. Enquanto não olharmos para as dinâmicas seculares e votarmos o nosso tempo à análise microeconómica da política (mais uma das vitórias do paradigma dominante), ficamo-nos pela conversa de café.


De RPR a 21 de Outubro de 2011 às 11:18
Dizer que alguém só defende uma posição porque não percebe o mecanismo que questiona é que não serve de grande coisa.

Não é isso. Quando falo de consequências não é a esses defensores que me dirijo: penso que eles defendem um novo paradigma, em que o Estado recorra menos ao financiamento do mercado, e até estarão dispostos a abandonar as instituições supranacionais a que Portugal aderiu se assim tiver de ser. Dirijo-me a quem, sabendo da existência desses grupos, não sabe que estas consequências adviriam da posição de punho cerrado anti-sistémica.


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