Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

A pátria assemelha-se a um pequeno barquinho de madeira que flutua precariamente sobre um leito de idiotice. Tentamos coordenar-nos o melhor que podemos, remando à esquerda e à direita em repetições infinitas até que, mais cedo ou mais tarde, quem sabe num daqueles muitos momentos em que estamos a descansar o braço e a cantar um fadinho, damos com um buraco no fundo que nos enche de estupidez em estado líquido. E aí começamos a falar de reformas de políticos.

A argumentação dói no estômago. Defendemos que aos políticos deveriam ser retiradas pensões às quais eles têm direito, desprezando pelo caminho o facto de alguns deles abdicarem delas livremente. Consideramos um direito adquirido isso de violar os direitos (ponto) de um certo grupo de pessoas que só pertencem (aqui reside a ironia) a esse grupo porque nós assim o quisemos.

Entendamo-nos: se for necessário, pois que se retirem temporariamente as reformas aos políticos – isso não é pior que retirar temporariamente os subsídios aos trabalhadores do Estado. Mas as ‘elites’ que façam o favor de evitar esse anarquismo cool de ataque indiscriminado ao poder, de ridicularização absoluta de quem apenas murmura, com medo das eventuais pedras arremessadas, que aquilo que recebem não é roubado, mas que está na lei. Os «nossos» direitos não são mais «direitos» que os deles, meus caros. Isto não é a quinta dos animais de pernas para o ar.


9 comentários:
De Nelson Goncalves a 25 de Outubro de 2011 às 08:48
As remunerações dos políticos foram decididas pelos próprios. Que eu saiba nunca foram sujeitas a escrutínio eleitoral.

Concorde-se ou não com a forma de remuneração dos políticos (e eu não concordo), não se podem equiparar com as remunerações da função pública. Essas pelo menos foram negociadas entre os sindicatos e os representantes do Estado.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Outubro de 2011 às 08:53
Lamento, Nelson, mas isto não é uma democracia directa ou uma tribo africana. O escrutínio eleitoral no caso das subvenções dos políticos é igual a todos os outros: indirecto. As pessoas que decidiram tinham legitimidade (dada pelo povo) para decidir. E se essas pessoas não eram boas para gerir o nosso dinheiro, se iam usá-lo em seu próprio proveito, então deveríamos ter escolhido outras ou deveríamos tê-las expulsado no seu devido tempo.


De Anónimo a 25 de Outubro de 2011 às 13:25
A democracia indirecta não é uma carta em branco para os políticos decidirem o que bem lhes apetecer.

Mais do que o voto contam a ética, a moral, a tradição e o bom senso.


De Nelson Goncalves a 25 de Outubro de 2011 às 13:26
O último comentário é meu.


De Nelson Gonçalves a 25 de Outubro de 2011 às 08:52
Eu sou da opinião de que ninguém na política deveria ser pago. Ponto. E penso que não existiria mais trafulhice da que já existe.

Também penso que não são melhores salários que atraem melhores políticos. Vivemos em democracia, e portanto os políticos são eleitos. Não são escolhidos através de CV's e séries de entrevistas de emprego.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Outubro de 2011 às 08:54
O senhor iria trabalhar quatro anos como deputado se durante esses quatro anos tivesse de viver das suas poupanças?

Imagine isto assim: «Eu sou da opinião que toda a função pública presta um serviço ao povo. E dado que rara é a entrevista para funcionários públicos e que o melhor salário não atrai os melhores, então deveríamos acabar com os salários para os funcionários públicos». Soa bem?


De Nelson Gonçalves a 25 de Outubro de 2011 às 13:31
Tal como já afirmei, os políticos eleitos não são funcionários públicos comuns.

Não existindo salário para políticos (entenda-se, estou a falar de deputados, não de funções de gestão como presidentes de câmara), teriam que viver das suas poupanças. Teriam que alterar a forma de trabalho da assembleia. Focar-se no que importa e não produzir legislação a metro ou brincar às comissões e aos assessores.

Se os deputados tiverem "skin in the game" a forma de fazer política muda. Sem isso vamos anhando até os militares decidirem fazer outra revolução.


De Hugo Monteiro a 25 de Outubro de 2011 às 14:55
Ou seja, só os ricos é que tinham oportunidade de se meter na política. Está aí uma medida muito justa.


De Tiago Pereira a 26 de Outubro de 2011 às 10:31
Creio que o problema está no valor das pensões, completamente desproporcionadas. Não no facto de receberem ou não uma pensão, além do ordenado.
Uma coisa é receber 400€ por mês, outra é receber 8000€ por mês e lhe ser retirado uma pensão ou subsidio de 1400€...


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