Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Entenda-se o seguinte, por favor: discutir isto é perda de tempo; discutir isto é de vital importância. 


10 comentários:
De Luís Lavoura a 27 de Outubro de 2011 às 11:15
A mim parece-me normal e expetável que uma pessoa, depois de ter sido governante, vá para a privada ganhar muito mais.

As pessoas auferem um salário em função da utilidade que têm para a empresa. É normal que um ex-governante, pelos contactos que tem, pelo conhecimento que tem da máquina reguladora (ou mais que isso - contratadora) do Estado, etc, tenha uma utilidade acrescida para uma empresa.

Numa economia de mercado e numa democracia parece-me normal que assim aconteça.

Se o Tiago quer evitar isto tem diversas hipóteses:

(1) Eliminar a economia de mercado e instaurar uma economia na qual as empresas não precisam de competir entre si pelas pessoas mais úteis, como na defunta URSS.

(2) Instaurar uma ditadura, na qual os governantes são sempre os mesmos e não precisam nunca de sair do governo e ir para a privada, como no tempo de Salazar.

(3) Introduzir um sistema em que os ex-políticos ficam a viver à custa do Estado, graças a subsídios, pelo resto das suas vidas, e proibidos de trabalhar na privada (seria um desperdício de talento e de dinheiro dos contribuintes).


De Tiago Moreira Ramalho a 27 de Outubro de 2011 às 11:23
Luís,

Sabe perfeitamente onde eu queria chegar com o comentário. Eu não quero proibir que eles vão. Gostava era que se limitasse esse 'valor acrescentado' que tantas vezes é de natureza dúbia.


De Luís Lavoura a 27 de Outubro de 2011 às 11:33
Tiago,

eu estou apenas a fazer aquilo que Você sugere que se faça - a discutir o facto. E, fazendo o papel de advogado do diabo, estou a dizer a verdade - que é normal e expetável que os ex-políticos aufiram bons salários na privada.

Numa economia moderna o Estado ocupa um enorme papel, quer como regulador e legislador, quer também como contratador (comprador de diversos serviços). Isto é assm em toda e qualquer economia moderna, sem exceção. É pois normal que uma pessoa que tenha boas relações dentro do aparelho do Estado, que o conheça, que conheça os administradores e reguladores e legisladores, seja muito útil para muitas empresas privadas.

O Tiago considera que esta utilidade acrescida é muitas vezes "de naureza dúbia". Pois é. Mas o que é que se há-de fazer? A mim parece-me que dificilmente se pode fazer algo para limitar estas consequências perversas da democracia e da economia de mercado.

Ou o Tiago tem alguma sugestão concreta?

Repare também que os políticos auferem frequentemente salários relativamente reduzidos. O salário mais alto que mais tarde auferirão na privada pode, de alguma forma, ser visto como uma compensação para o salário menos bom que auferiram enquanto políticos. Se o Tiago quiser limitar essas altos salários na privada, corre o risco de cada vez ter menos gente a querer fazer carreira política. E a falta de quantidade gera falta de qualidade...


De Tiago Moreira Ramalho a 27 de Outubro de 2011 às 12:05
Não é assim tão difícil. Basta que esses «conhecimentos» percam valor. E para isso basta que as adjudicações se tornem ainda mais transparentes, que todas as relações entre Estado e Privado sejam facilmente escrutináveis e, por fim, que todas as tropelias sejam devidamente punidas.

Afinal, numa situação em que a corrupção fosse impossível, que valor teria conhecer quem manda?


De Luís Lavoura a 27 de Outubro de 2011 às 12:26
Eu acho que sim, Você tem razão, mas...

(1) É por vezes difícil distinguir entre corrupção e lobbying. Por exemplo, quanto Pinto Balsemão diz em público que não quer mais televisões privadas em Portugal, está a fazer lobbying. Mas será que o diz apenas em público? E, quando o diz em privado a algum governante, não prometerá a esse governante também uma recompensa, imediata ou talvez apenas futura? Distinguir as fronteiras da corrupção é difícil.

(2) Faz-se muito barulho sobre a corrupção, mas ela não é necessariamente uma coisa muito má. Há muitíssimos países que se dão maravilhosamente bem, do ponto de vista económico, apesar da corrupção neles reinante. (Os EUA no século 19 eram um país notoriamente corrupto, e a China hoje é-o, e ambos tiveram/têm maravilhosas taxas de crescimento e sucesso económico.) Tudo consiste em saber se o dinheiro da corrupção vai parar a um banco suíço ou, pelo contrário, é investido no país.


De PR a 27 de Outubro de 2011 às 12:30
Não há nenhum conhecimento ou experiência adquirida que justifique que uma passagem pelo Governo aumente 30x a produtividade de um tipo. Ou melhor: nenhum conhecimento ou experiência adquirida que possa ser considerada legítima ou aceitável.

Estes números não são maus em si: são assustadores pelo que revelam. Como o TMR diz, não é preciso proibir salários altos ou nomear pessoas à unha: basta tornar as coisas mais transparentes e limitar a discricionariedade dos políticos. Actuar na causa, e não no sintoma.

E no fim logo se veria se o "extra pay" é um bónus que premeia a produtividade ou outra coisa qualquer menos clara.


De Luís Lavoura a 27 de Outubro de 2011 às 12:46
A Priscila certamente sabe que nas grandes empresas privadas se praticam salários que dificilmente têm algo a ver com a produtividade de quem os recebe. A desigualdade salarial é uma praga do mundo atual, que nada tem a ver, em geral, com a política ou a corrupção. É vulgar um gestor de uma empresa privada auferir atualmente somas astronómicas.

Quanto ao resto, estou de acordo com ambos: é preciso limitar a discricionariedade dos políticos, aumentar a transparência das decisões, etc.

Mas isto é mais por um motivo de amor à democracia do que, propriamente, por essas coisas serem necessariamente más para a economia. Tal como eu referi noutro comentário, muitos dos países com economias mais pujantes têm também níveis de corrupção, e de interferência do Estado nos negócios, extremamente altos.


De Tiago Moreira Ramalho a 27 de Outubro de 2011 às 13:19
Mas ó Luís, acho que até agora ninguém disse que mudar a situação tinha alguma coisa a ver com o crescimento económico. Tem apenas a ver com higiene.


De Hugo Monteiro a 27 de Outubro de 2011 às 15:17
O problema é ver um zé-ninguém chegar à política e sair grande gestor, apesar do país estar num caco. O caso do Armando Vara e do Jorge Coelho são os mais explícitos que andam aí.


De Luís Lavoura a 28 de Outubro de 2011 às 11:41
Sim, mas a carreira política pode, nestes casos, ser entendida precisamente como uma forma de educação prática (assim como que uma espécie de programa Novas Oportunidades). Um tipo pode não ter tirado um MBA em gestão mas, graças à sua educação prática em política, adquiriu conhecimentos úteis para uma empresa.
E eu, francamente, não vejo nada de criticável nisto. Há diversas formas de um indivíduo alcançar conhecimentos úteis para a gestão de uma empresa. A educação formal é uma delas, mas há outras. E não necessariamente ilegais.


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