Domingo, 30 de Outubro de 2011
Vasco M. Barreto

Assunção Cristas estreou-se como ministra num estado de graça que combinava um consenso sobre a sua competência política, a simpatia paternalista que se tem por a uma jovem mulher na elite política e a ideia de que um ministro não precisa de ter competências específicas e experiência, bastando-lhe a capacidade para estudar os dossiers, escolher a equipa e decidir. Não se lhe conhecia especial apetência para os assuntos do mar, o ambiente e a agricultura, mas como também não iria haver dinheiro, talvez não fosse mesmo grave, por muito peregrina que seja a tal tese da virtude da inexperiência. Só que neste tempo de antena mascarado de entrevista, em que a ex-deputada do CDS Manuela Moura Guedes surge dócil e um antigo assessor de imprensa de Paulo Portas decora a sala, Assunção Cristas abusa da nossa paciência. A começar, admite que deu informações erradas no Parlamento sobre a construção da barragem da Foz do Tua e que erro chegou "via secretário de Estado" - enfim, como são 4 secretários de estado no ministério, ao menos não o denunciou em público. A terminar a entrevista, mostra-se espantada quando lhe dizem que o escritório de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, onde trabalhou antes de ir para o Governo, tem como cliente a concessionária da barragem do Tua, a EDP. E entre estes dois momentos de inequívoca incompetência, sem ter quem que lhe passe outro post it com "plantem sobreiros pelos meus netos", não se descobre em Cristas qualquer empatia pela causa do ambiente. Tudo é consolidação orçamental e necessidade de honrar os contratos, admitindo a ministra falta de independência sem um pingo de frustração, parecendo mais uma burocrata diligente do que um ministro com convicções. Não que Cristas precise de uivar como o Idéafix sempre que se abate um sobreiro, mas como estão em causa 1.104 sobreiros e 4.134 azinheiras de uma das paisagens mais belas do país, apetece parafrasear Moretti: Cristas, diz alguma coisa à ecologista. Diz alguma coisa, mesmo que não seja de ecologista, alguma coisa civilizada. Cristas, diz qualquer coisa. Reage! 


11 comentários:
De RPR a 30 de Outubro de 2011 às 10:14
Para quem não conhece, a paráfrase de Nanni Moretti vem daqui: http://www.youtube.com/watch?v=zOVg4qwrugU

Bem-vindo.


De jose a 30 de Outubro de 2011 às 16:43
Eu não sei se o Vasco reinventa a ortografia de reage para fazer passar um qualquer efeito estético ou uma referência que eu desconheço. Mas, caso se tenha apenas confundido, relembro-lhe que se escreve com gê Está a ver? De gato.



De Vasco M. Barreto a 30 de Outubro de 2011 às 18:43
Não, José, era mesmo um lapso que com alguma lata atribuo à mudança da hora. Obrigado pelo reparo.



De Carlos do Carmo Carapinha a 30 de Outubro de 2011 às 21:18
Por aqui, agora? Meu caro Vasco, em relação... espera, não vou comentar. Este blogue não tem um link nos favoritos para o meu.


De Tiago Moreira Ramalho a 31 de Outubro de 2011 às 00:11
Pergunto-me se isto será um pedido...


De Carlos do Carmo Carapinha a 31 de Outubro de 2011 às 10:02
Eh eh eh, joking...


De Vasco M. Barreto a 31 de Outubro de 2011 às 04:52
Porque me convidaram e ainda vão a tempo de ser reeducados.


De Carlos do Carmo Carapinha a 31 de Outubro de 2011 às 10:06
Ficam-te bem esses sentimentos. Em todo o caso, estou descansado: a Priscila irá pôr-te em sentido...


De Luís Lavoura a 31 de Outubro de 2011 às 09:30
O Paulo Pinto Mascarenhas é agora assessor de imprensa da ministra Cristas? Ou é jornalista do Correio da Manhã? (Ou é as duas coisas ao mesmo tempo?) Seja como fôr, que está ele a fazer ali na sala, calado? A diminuir a produtividade nacional?


De Morettini et Baggiolini a 3 de Novembro de 2011 às 23:35
sobreiros cheios de maleitas que graças ao carvão do entrecasco e a fungos vários e humidade regional terão quanto muito 20 anos de vida (de resto dezenas deles estão secos)

quanto às azinheiras cortam meia-dúzia por dia nessa dita zona de resto como em todo o país a lenha de azinho prás lareiras da alta classe média funcionalista custa mais a apanhar que o cobre

mas é muito mais fácil de vender e tem menos riscos de eletrocussão

resumindo em 2030 de qualquer modo há zero azenhêras


De شات كام a 4 de Julho de 2013 às 02:07


Thank you so much for this thank you for the info


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