Sábado, 12 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

No Ípsilon da última sexta-feira, António Marujo escreve uma longa e fastidiosa recensão do último livro de José Rodrigues dos Santos. O objecto tratado já de si será pouco interessante para um crítico literário. Não é, julgo, o objectivo de José Rodrigues dos Santos escrever (até porque é duvidoso que conseguisse) livros que se leiam quando ele morrer e as orelhas regressarem ao pó. José Rodrigues dos Santos tem uma fórmula simples de criar suspense que, na verdade, atrai e agrada muitos leitores. Isto sem que haja dúvidas, até da parte de quem o lê, que José Rodrigues dos Santos é um ovo mexido para quem quer uma refeição simples, sem sabores fortes ou potenciais repercussões gástricas. E isso não tem nada de errado. Diferentes autores escrevem para diferentes públicos. Se o mundo fosse feito de Ulisses e Guerra e Paz apenas, eu, que nunca os li, seria um triste. E penso, isto assumindo a benevolência humana e assim, que o António Marujo não me quer feito lixo por um motivo desta natureza.

Além disso, António Marujo é uma espécie de José Rodrigues dos Santos a escrever sobre o José Rodrigues dos Santos. Não tenhamos dúvidas que, tal como no caso da própria literatura, a qualidade da crítica literária é eminentemente comparativa. E lamento imenso, mas escrever uma linha sobre José Rodrigues dos Santos depois do Rogério Casanova é uma pecadora perda de tempo. Leva a este bonito paradoxo: o António Marujo, que odiou o livro do José Rodrigues dos Santos, esforçou-se por chegar ao último ponto final. Já eu não passei do terceiro ponto final do artigo. Onde está o calvário, afinal?


14 comentários:
De Bruno Vieira Amaral a 13 de Novembro de 2011 às 11:57
Desculpa lá, Tiago, mas não tens razão nenhuma. O António Marujo não é crítico literário e não me parece que queira competir com o Rogério Casanova em matéria de demolições. O António Marujo escreve (e bem) sobre religião e essa é a abordagem que ele faz nesta crítica. Também refere (mas como não leste até ao fim, não sabes) uma diminuição da (pouca) qualidade do anterior livro para este. E uma vez mais, que este é um assunto chatinho: essa conversa de nem todos os escritores poderem ser o Tolstoi ou o Joyce já não comove ninguém. O António Marujo não o compara a esses nomes. Faz uma apreciação do livro dentro dos códigos do género em que se insere e não o confronta com Shakespeare e Dante. Depois, como é alguém que percebe de religião, desmonta algumas das reivindicações patéticas de JRS. Concluindo: não sendo o António Marujo um crítico literário, creio que a opinião dele sobre o livro é bem fundamentada. Não é um texto tão divertido como o do Casanova (e, repito, não me parece que queira fazer parte desse campeonato), mas escrever isto “escrever uma linha sobre José Rodrigues dos Santos depois do Rogério Casanova é uma pecadora perda de tempo” é que me parece de uma inquietante (e inesperada) estreiteza mental.


De Tiago Moreira Ramalho a 13 de Novembro de 2011 às 12:53
Desculpa lá, Bruno, mas eu acho que tenho alguma razão. Mesmo que seja pouquinha, admitamos o cenário. Seja o que for, crítico ou não, o António Marujo escreveu uma crítica literária. A recensão, pelo menos a porção que li, refere-se à qualidade literária da coisa. Fala de incoerências nas personagens, das suas vacuidades e até dos maneirismos do autor. Mesmo que também se refira às questões teológicas, o fundo da coisa está no âmbito literário. Por isso, tenho todo o direito de avaliar a qualidade de António Marujo enquanto crítico. Quanto aos Joyces e Tolstois, o meu ponto simplesmente era, e admito que possa não ter ficado muito explícito: para quê bater no raio do ceguinho? Cada vez que o JRS escreve um livro há uma espécie de campeonato nacional para o melhor demolidor. Há mil coisas a sair todos os dias que são infinitamente melhores e infinitamente piores que JRS, mas os suplementos culturais e os seus críticos ocupam o seu e o nosso tempo a repetir aquilo que até quem já lê JRS sabe. Se algum dia o JRS escrever algo diametralmente diferente, então sim, escrevam recensões de página e meia. Mas até lá, qual é a vantagem? Concluindo: não sei se é estreiteza mental achar que há textos 'definitivos'. Se for, então terei de me conformar com a condição. Pode dizer-se que a frase que citas é forte (era a intenção, de qualquer modo), mas tinha o simples propósito de dar a entender que (i) o Casanova escreveu um sublime texto sobre o JRS, coisa difícil de superar, e (ii) há mais vida além de JRS.


De Bruno Vieira Amaral a 13 de Novembro de 2011 às 13:03
Tiago,

a questão é que eu acho que o artigo do António Marujo não quer entrar nesse campeonato de demolição. é verdade que é uma recensão e que ele também se aventura nos aspectos "literários", mas está mais centrado na questão bíblica (aposto que não seria o António Marujo a escrever sobre o livro se o assunto fosse jardinagem). E é precisamente por isso que eu acho que esta crítica não é uma perda de tempo. Tu é que fizeste a comparação com o Casanova. Na verdade, se alguém quisesse competir com ele na crítica ao JRS, provavelmente sairia a perder. Mas, e voltamos ao início, não me parece que seja este o caso.


De Tiago Moreira Ramalho a 13 de Novembro de 2011 às 13:07
Teremos, então de chegar à beira do António Marujo, injectar-lhe a vacina da verdade e perguntar delicadamente: «Ó António, estaria por acaso a competir com o Rogério Casanova, ou a competir no mercado de críticos literários em geral, quando escreveu aquilo lá no Ípsilon». Até lá, ficaremos na acostumada ignorância (douta, douta).


De Bruno Vieira Amaral a 13 de Novembro de 2011 às 13:17
Não temos nada. O texto demonstra que ele está noutro campeonato.


De PR a 14 de Novembro de 2011 às 01:45
É, eu concordo com o Bruno, Tiago. Agora tens de te redimir seviciando-te a ti mesmo ininterruptamente com um taco de basebol enrolado em arame farpado. E não te esqueças de meter as fotos no facebook =)


De ui a 14 de Novembro de 2011 às 22:37
"Cada vez que o JRS escreve um livro há uma espécie de campeonato nacional para o melhor demolidor"

Ora se bem me lembro o livro anterior do JRS teve direito a 4 estrelas no mesmo ipsilon, cortesia de Eduardo Pitta...


De Luís Lavoura a 13 de Novembro de 2011 às 16:52
Eu gostaria de ler essa recensão. Não é possível postá-la aqui?


De manuel.m a 13 de Novembro de 2011 às 22:33
Nem todos têm a capacidade de intuir o verdadeiro significado cósmico do livro de JRS .É risível querer ficar por uma mera critica literária de uma obra que abala os alicerces de 2.000 anos de Civilização ! Nem os estudiosos da Cabala chegaram tão perto de compreender os verdadeiros desígnios do Grande Arquitecto como JRS !
Aos cépticos recomendo o livro de Joseph Niezgoda "The Lennon Prophecy "(New Chapter Press -September 2010) .Nele o Autor conta como John Lennon ,"Following a fascinating and unique trail of sorcery,mysticism,numerology,backwards masking,anagrams and literary and theological writtings ,sold his soul in order to achieve international fame and fortune." Tal como JRS.
Não brinquemos com coisas sérias.

manuel.m


De efe a 15 de Novembro de 2011 às 18:22
«escrever uma linha sobre José Rodrigues dos Santos depois do Rogério Casanova é uma pecadora perda de tempo.» Não li a crítica do Marujo, nem é necessário para dizer que apoio tudo o que se publique denunciando a mediocridade do José Rodrigues dos Santos e o pedestal em que as editoras o colocam, vendendo-o como boa literatura.


De Luís Lavoura a 17 de Novembro de 2011 às 09:13
José Rodrigues dos Santos não é medíocre. Naturalmente que não é um grande escritor, um Aquilino Ribeiro nem um Eça de Queiroz. Mas também não pretende (finge) sê-lo. É um indivíduo que escreve livros para o povo, fáceis e agradáveis de ler, e nesse seu objetivo ele é bom. Pretende também, com os seus livros, pesquisar e divulgar à população em geral alguns temas, sobretudo históricos, pouco conhecidos, e, mais uma vez, nesse seu objetivo ele faz um bom trabalho.


De Anónimo a 16 de Novembro de 2011 às 14:30
Eu também me lembro das 4 estrelas ao livro anterior...


De efe a 17 de Novembro de 2011 às 18:07
«José Rodrigues dos Santos não é medíocre. Naturalmente que não é um grande escritor, um Aquilino Ribeiro nem um Eça de Queiroz. Mas também não pretende (finge) sê-lo. É um indivíduo que escreve livros para o povo, fáceis e agradáveis de ler, e nesse seu objetivo ele é bom.»
E Aquilino e Eça não escreveram para o povo? A leitura deles não é fácil e agradável? Claro que sim, e, assim sendo, Rodrigues dos Santos não é bom. É medíocre. Mas escrever para iletrados é bom negócio, há mercado abundante em Portugal.

«Pretende também, com os seus livros, pesquisar e divulgar à população em geral alguns temas, sobretudo históricos, pouco conhecidos, e, mais uma vez, nesse seu objetivo ele faz um bom trabalho.» Não vamos confundir historiografia com o lixo que JRS produz e que só um leitor mal informado confundirá com metaficção historiográfica, género decorrente do Pós-Modernismo que tem cativado muitos escritores e leitores, bem como "estampadores" de papel, como é o caso do JRS.

Já o escritor António Lobo Antunes tinha qualificado, de forma clara, uma das anteriores produções de papel estampado de Rodrigues dos Santos: “é uma grande merda”, referindo-se a “A Vida Num Sopro”. Lobo Antunes confessou, então, ficar “assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses”.

«Próprio de um país que tem por besta-seller um mentecapto que profere alarvidades destas no Telejornal: "Pinto Monteiro quer apurar que crimes podem ter sido cometidos e, se sim, quais."»

“O pobre Rodrigues dos Santos não é escritor, embora se intitule já como tal; é um fabricante de livros, com histórias mal amanhadas e contexto cultural colado a cuspo. Vende mais do que Rosa Lobato Faria, Luísa Costa Gomes ou Mário de Carvalho? Talvez. O Quim Barreiros vende provavelmente mais do que o Rui Veloso... ”

O José Rodrigues dos Santos não finge ser um grande escritor? Com livros expostos nos melhores escaparates, com publicidade destacada no mundo editorial, e correndo seca e meca para realizar sessões de autógrafos, não finge sê-lo?

O facto de um livro alcançar o estatuto de best-seller não faz dele uma obra de qualidade. Bem sabemos como uma boa estratégia de propaganda consegue vender gato por lebre. Portanto, o facto de um escritor vender muitos livros não é suficiente para lhe garantir um lugar de destaque na história da literatura, a confirmação da sua qualidade, da sua grandeza. Guerra Junqueiro vendeu muitos mais livros do que Antero de Quental mas a história encarregou-se de estabelecer o lugar de cada um deles. E hoje sabemos que o Quental é um dos maiores poetas portugueses de sempre, ao passo que o Junqueiro…

«José Rodrigues dos Santos, esse grande escritor que todas as noites, na RTP, nos brinda com os seus “têm a haver”, “tratam-se de casos” e outros mimos literários de primeira água.»

«Errar na conjugação de um verbo defectivo e impessoal pode ser falta perdoável a mim e a outros leitores, mas não a um pivot da Tv, jornalista e escritor.»

Peço desculpa pelo tamanho deste comentário, que inclui comentários deixados no meu blogue, em dois posts dedicados a este assunto. Compreendo o seu ponto de vista, mas este é o meu.
Saúde.


De chat a 14 de Julho de 2014 às 20:19

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