Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
Tiago Moreira Ramalho

Não me comovo particularmente, e tive oportunidade de o dizer a quem o quisesse ouvir, que quem escolhe estudos superiores apenas com base no interesse presente (o prazer de estudar) e sem olhar para o interesse futuro (a rentabilidade do curso) acabe a trabalhar naquilo a que se chama o mercado pouco qualificado e a competir com imigrantes com um centésimo do investimento em educação. A história de perseguir «sonhos» é uma falácia, um engano em que a geração dos meus pais incorreu na hora de educar a minha geração. Partiu-se do pressuposto que trabalho e lazer são uma e a mesma coisa. A partir daí, cursos que seriam estudos de tempos-livres tornaram-se majors. E a geração dos sonhos tornou-se a geração barata, auto-apelidade de «à rasca». Lamento, mas as escolhas têm consequências. Uma má decisão individual não pode constituir um dever para ninguém.


11 comentários:
De RPR a 15 de Novembro de 2011 às 12:27
globalmente penso que tens razão, mas (talvez por má escolha de palavras) nada dizes sobre o próprio estado social nos ter vendido a ilusão de que poderíamos fazer precisamente escolhas desse tipo. e, mais importante, nada dizes sobre a má gestão dos dinheiros públicos por parte dos estadistas. parece que a culpa é toda de quem fez más escolhas.


De Tiago Moreira Ramalho a 15 de Novembro de 2011 às 14:37
no limite, inclui as escolhas eleitorais no grupo de escolhas de que falo. isto anda tudo ligado.


De RPR a 15 de Novembro de 2011 às 14:42
isso é verdade, mas não "no limite". ou seja, a tua opinião - que não contempla o erro dos políticos - deixa de parte que os políticos não cumprem a 100% (bem longe disso, frequentemente) o que prometem aos seus votantes.


De Tiago Moreira Ramalho a 15 de Novembro de 2011 às 15:00
bem, os votantes sabem disso quando escolhem certos políticos. podem optar por novos partidos. não querem assumir o risco. têm aquilo que pedem. mas percebo o teu ponto e concedo que pode haver aí margem para falha política que não pode facilmente ser imputada ao eleitorado.


De João Campos a 15 de Novembro de 2011 às 14:12
Tens razão em parte, Tiago. Digo em parte por também concordar que é importante ponderar o interesse futuro o mercado de trabalho. No entanto, não me parece particularmente lógico que um tipo que queira ser psicólogo - ou jornalista, vá, para não precisar de sair da cadeira - tenha de ir para Engenharia Civil só porque a psicologia e o jornalismo estão muito difíceis, enquanto a EC dá emprego garantido. E não é por uma questão de sonho - é mesmo de aptidão.

Até porque muitas vezes há mudanças mais ou menos bruscas no mercado de trabalho. Dou-te um exemplo: Enfermagem. Quando ingressei na universidade há oito anos, Enfermagem era uma área com emprego praticamente garantido. Dois ou três anos depois, estoirou - e agora é banalíssimo ver licenciados em Enfermagem no tal "mercado pouco qualificado" (lá na aldeia precisamos de mais um, mas isso é outra história). Não acho que esta situação fosse previsível naquela altura, e estou em crer que muitos estudantes optaram por aquele curso por gostarem da área e por lhes dar boas perspectivas.

No resto, não acho que trabalho e lazer sejam a mesma coisa - no limite, preferes ter um trabalho que te dê prazer se isso for possível, ou qualquer coisa serve desde que seja bem remunerada?

Abraço


De Tiago Moreira Ramalho a 15 de Novembro de 2011 às 14:36
João,

Partamos da simples afirmação de que tudo tem um custo. Se eu fizer um trabalho que gosto de fazer, esse prazer será aproveitado pelo meu empregador (ainda que eu tenha mais habilidade - os ganhos são partilhados, no fim). No entanto, comparemos duas situações:

Numa área em que tenha pouca habilidade, o meu salário poderá ser 3000€ e a minha probabilidade de ser empregado nessa área é de 90%. Pensemos, aqui, na engenharia, por exemplo.

Numa área em que tenha muita habilidade, o meu salário poderá ser de 5000€, mas a minha probabilidade de ser empregado nessa área é de 25% (pensemos em História da Arte).

Qual é que acha que seria a opção racional (excluamos opções por risco)?

Quanto ao que diz da enfermagem, isso poderia ter sido facilmente previsto. Isso até é um fenómeno bem conhecido de Economia do Trabalho. Se uma certa capacidade paga bem, segue-se que muita gente a procura, o que conduz a um excesso de oferta de empregados. O problema com muitas áreas é que elas, ao contrário da Enfermagem há uns anos, já não pagam bem e, mesmo assim, há camiões de recém-licenciados nestas «artes». O que aconteceria normalmente seria que o baixo salário esperado destas áreas levaria a uma diminuição dos estudantes e, por efeito contrário do tal modelo de Economia do Trabalho (Cobweb Model), a um excesso de procura, que aumentaria o salário e por aí em diante. No entanto, há uma série de incentivos baralhados aqui. Nomeadamente o preço de estudar. O preço de estudar é baixo o suficiente para que estudos possam ser consumo pago pelo Estado. Afinal, perder 5000€ para estudar uma certa matéria quando se tem o Estado e a família a financiar não parece ser muito mau. E quando o mesmo Estado assegura uma série de almofadas que fazem reduzir em larguíssima escala a aversão ao risco (já para não falar dos movimentos cívicos e políticos que criam uma ilusão errada dos riscos, ao defenderem que todos têm direito a trabalhar na área para que estudaram e coisas assim).

Eu diria que aqui o Estado tem duas funções. Prestar informação clara e tentar distorcer ao mínimo os incentivos normais de uma economia de mercado.


De Hugo Monteiro a 15 de Novembro de 2011 às 15:38
Julgo que um sistema universitário com Majors e Minors iria ajudar a corrigir estas falhas. Um enfermeiro tiraria uma especialização em fisioterapia, que ainda é uma área com muita procura, e veria a sua vida facilitada. Às vezes basta uma pequena formação extra para resolver os problemas. Mas as pessoas não estão para se chatear.


De Miguel Madeira a 16 de Novembro de 2011 às 01:27
A impressão que eu tenho é que é mesmo nas escolas privadas que dominam os tais cursos sem saída.

Se isto for verdade (não sei se é, nem sequer se é possivel averiguar isso), põe em causa parte da teoria (afinal, mesmo sem subsídios do Estado os alunos vão para "Ciências do Desenvolvimento e da Cooperação")


De Hugo Monteiro a 16 de Novembro de 2011 às 12:07
Miguel

Muitos desses cursos com bastantes saídas profissionais têm um custo de ensino muito alto (Engenharias, Medicina, etc.). É complicado as privadas competirem nesse nicho. Mas também é verdade que em Portugal o mercado do "canudo" ainda tem uma presença forte. Há muita gente a ir para a universidade "porque sim". É normal que essas pessoas não encontrem emprego no final.


De José Luís a 16 de Novembro de 2011 às 17:58
Concordo plenamente.
De facto uma percentagem anormal de estudantes neste país dedicou-se "às letras" (porque não tinham a matemática a chatear) e agora é o que se vê...
Fenómeno mais bizarro é no entanto constatar que muitos dos que apostaram em cursos técnicos; vencendo por si próprios as dificuldades que anos de ensino público deficitário criararam, (fruto de experiências pedagógicas obscuras alimentadas pelo paradigma de nivelar por baixo para que os mais fracos se integrem...).
Esses muitos, hoje veem frustradas as suas expectavivas profissionais graças ao comportamento anormal de um mercado que em Portugal só funciona à base de concorrência desleal; fomentada pelo caracter tentacular dos partidos políticos ou pela lógica de imobilismo e favoritismo corporativo. Todos esses que se veem impossibilitados de exercer plenamente actividades que às vezes até são deficitárias mas viciadas impedindo o crescimento económico que afinal todos queremos.
Assim, não haja dúvida que muitos dos que "escolheram mal" estão mal mas também há os que "escolhendo mal" têm empregos ficticícios e estão bem; parasitando os que "escolheram bem" e afinal de todos acabam por estar pior.

Cumprimentos e saudações.


De chat a 14 de Julho de 2014 às 20:19

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