Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Priscila Rêgo

A ideia de que a dívida pública não se paga pode parecer escandalosa nalgumas paragens (aqui, aqui e aqui), mas está, na sua essência, correcta. Apesar de defender o Sócrates em público ser uma tarefa reconhecidamente ingrata, a verdade é que a afirmação que o homem fez ontem não tem mesmo nada de extraordinário. Não pagar a dívida é uma trivialidade das história económica dos últimos séculos.

 

A dívida pública americana e inglesa, por exemplo, nunca foi paga neste sentido. Os défices são gerados, acumulam-se como liabilities do Estado, e o crescimento da economia encarrega-se de manter a dívida em níveis razoáveis. Isto não significa que os credores não sejam ressarcidos: são; mas são reembolsados com fundos captados junto de novos credores. Se o horizonte de vida de um Estado é potencialmente infinito, por que é que deveria haver um prazo para amortizar toda a dívida? 

 


13 comentários:
De RPR a 8 de Dezembro de 2011 às 02:07
O título devia ser "Apologia de Sócrates" ;)


De Anónimo a 8 de Dezembro de 2011 às 03:10
Um simples condição de no-ponzi-games refere que a dívida e juros não podem ser pagos sistematicamente através da contracção de mais dívida. Isto é, o montante de dívida no longo prazo tem um valor actual de zero ou, equivalentemente, não pode crescer a uma taxa superior à taxa de juro. Neste sentido a dívida paga-se no longo prazo.


De Exilado a 8 de Dezembro de 2011 às 06:53
Sim, sim...
Lembro perfeitamente desse mesmo Sócrates quando, no frente a frente televisivo da campanha eleitoral com Francisco Louçã, fez uma cara de muito indignado por Louçã ter sugerido que se renegociasse (renegociasse!) a dívida.
Aldrabice passou a ser sinónimo de política em Portugal!


De jj.amarante a 8 de Dezembro de 2011 às 14:15
Bem haja Priscila Rego, por acreditar e dizer que a verdade de uma frase ou discurso não depende de quem a profere. The worst are indeed full of passionate intensity (but not all the best lack all conviction)


De esmeralda antas a 8 de Dezembro de 2011 às 17:45
Fantástica teoria!!!! Sempre a aprender! Vou passar a gerir as minhas dívidas!


De PR a 8 de Dezembro de 2011 às 19:39
Se chegou ao fim e não percebeu que uma família com horizontes finitos é diferente de um Estado, então não aprendeu muito :)


De Pedro a 8 de Dezembro de 2011 às 22:39
Esmeralda, os Estados não vão exactamente ao merceeiro pagar as suas dívidas ao fim de cada mês...

Priscila, é muito arriscado por estes dias concordar com o que quer que seja que o inominável diga.


De pedro a 8 de Dezembro de 2011 às 18:03

Mais um frete ao inimputável. A sua fundamentação teria alguma razoabilidade se o nível da dívida fosse sustentável. Por acaso já viu o valor dos juros.


De Carlos G. Pinto a 9 de Dezembro de 2011 às 05:39
Só uma nota: a Elisabete no link dO Insurgente referido está a concordar com a afirmação de Sócrates.

Acho que ninguém realmente pensa que a dívida deve ser eliminada na totalidade. Acho que todos concordam que, chegando à maturidade, as dívidas devem ser pagas (maioritariamente recorrendo a nova emissão de dívida). Toda esta confusão resulta na ambiguidade de interpretação das palavras de Sócrates.


De Esmeralda Antas a 9 de Dezembro de 2011 às 14:29
Claro que não! Mas as dívidas ao merceeiro, ao banco ou a outros países, são igualmente sérias! Não são uma brincadeira de crianças! Sem qualquer douta sabedoria! Seja como fôr, eu acho que ele ansiava por palmas! Ou tomou algum comprimido trocado! Saudações cordiais!


De Anónimo a 11 de Dezembro de 2011 às 01:55
Se dúvidas houvesse que isto é mesmo um país de loucos (além de ordinários, estúpidos, racistas, homofóbicos, cobardes e porcos) estas defesas do inominável vieram dissipá-las por completo.
De facto este excerto de Vítor Bento (uma grande sumidade que foi substituir Dias Loureiro, depois do escândalo do envolvimento deste no caso BPN...) explica perfeitamente a razão porque chegámos ao estado que se demonstra a seguir:

“Onde Portugal é campeão
Sinal de uma situação, provavelmente ainda mal digerida, Portugal surgia na primeira posição (neste caso, pela negativa) em três indicadores-chave: dívida externa total (tanto pública como privada) líquida (88,6% do PIB, contra 82,5% no caso da Grécia, 80,6% no caso de Espanha e 75,1% no caso da Irlanda); posição negativa de investimento internacional líquida (-111,7% do PIB, contra -95,5% de Espanha, -82,2% da Grécia e -75,1% da Irlanda); e dívida externa líquida das instituições financeiras monetárias, que reflecte o endividamento externo líquido do sector bancário (50,1% do PIB, contra 42,5% de Espanha, 21,5% da Irlanda).”
Fonte: Ricardo Cabral, “The Pigs’ external debt position” (Maio 2010)

Só não percebo é como é que países como a Suécia, p. ex., que não foram abençoados com sumidades como Vítor Bento, Ricardo Cabral, Galamba e quejandos, e tratam de pagar o que devem, sem utilizar teorias rebuscada para fugir com o rabo à seringa, estão em muito melhor posição que Portugal.
Pensando bem, desde que ouvi uma grande sumidade, que é professor universitário de Direito, pessoa respeitadissíma, conceituadissima e coisa e tal, num “Prós e Contras” a opor-se ao casamento entre homossexuais com o curiosos argumento que isso levaria à permissão dos casamentos poligâmicos, por causa dos bissexuais, só parando o seu “brilhante raciocínio” quando alguém teve a caridade de lhe explicar que os bissexuais sentem atração por pessoas dos dois sexos mas não necessariamente em simultâneo daí não haver qualquer relação entre bissexualidade e poligamia, deixei de me espantar fosse com o que fosse. É que argumentos contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo há-os por aí aos pontapés (independentemente da sua validade), uma tolice destas nem uma criancinha de 5 anos se lembraria de proferir
Olhem, nem vale a pena publicar estes singelos desabafos. Desgraçado é de quem não saiu desta piolheira enquanto ainda era tempo...


De joaquim silva a 11 de Dezembro de 2011 às 16:27
há meia-duzia de anos portugal acabou de pagar uma divida á inglaterra(salvo-erro)que contraiu no inicio da republica.Se as dividas são eternas e geriveis os juros tambem o são,e é claro se não podemos pagar nem uma coisa nem outra ficaremos um dia na situação em que estamos.E se acontece uma catrastofe?ou se precisamos de divida para criar envestimento?só a poderemos ter se pudermos pagar a que temos não é?A premissa de que toda a gente parte de que um país não é uma empresa pois tem sempre a possibilidade de cobrar impostos,logo não abre falencia,tambem não deixa de ser enganosa para alem de certo horizonte.


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