Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Priscila Rêgo

N'O Insurgente, Ricardo Campelo de Magalhães defende a liberdade económica como motor para o progresso. Concordo com a posição de princípio, mas recomendo alguma cautela antes de trazer os Estados Unidos para cima da mesa. É que esta é uma causa que me interessa. Não a quero ver estragada com maus exemplos.

 

O Ricardo apresenta este gráfico, de onde extrai a seguinte conclusão: "A partir do momento em que a Administração Americana começou a nacionalizar a Economa, entrou-se numa estagnação duradoura". A afirmação tem alguns problemas, e o maior nem é o facto de Ricardo comparar crescimentos nominais, sem eliminar o efeito da variação dos preços.

 

Antes de mais, não faz sentido atribuir o comportamento do PIB americano apenas à alteração de políticas. Claro que isto é a blogosfera e não uma revista científica - ninguém está à espera que o Ricardo atire com econometria para cima dos leitores. Mas olhar para uma série de 10 ou 11 anos e esquecer que em 2008 houve uma crise económica de dimensões descomunais é um erro que nem a um blogger de fim-de-semana deve ser admitido. E se o Ricardo seguir por esse caminho sinuoso arrisca-se a que do outro lado da barricada apontem para a Grécia dos últimos três anos como o exemplo do tipo de resultados que uma política de privatizações pode ter.

 

 Mas o mais curioso é que o "exemplo" que o Ricardo dá para ilustrar a importância da liberdade económica para o crescimento é o caso acabado de uma economia a funcionar em regime keynesiano. No final da década de 90, os EUA tinham um excedente orçamental; mas o excedente foi praticamente aniquilado em 2001 e a partir daí o défice ficou quase sempre acima dos 3%. Mesmo em termos estruturais [em percentagem do PIB potencial] o saldo foi sempre negativo. E a despesa pública aumentou de 34,5 para 36,5% do PIB entre 2001 e 2007. Uma parte dos gastos foi para financiar o esforço de guerra - ironicamente, aquilo que, segundo keynesianos como Krugman, permitiu tirar os EUA da Grande Depressão.

 

 

 


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3 comentários:
De Luís Lavoura a 13 de Dezembro de 2011 às 09:54
Não se deve levar muito a sério os posts d'O Insurgente em geral, e do RCM em particular.


De Sérgio Pinto a 14 de Dezembro de 2011 às 04:16
Bom post!

Só acho que a Priscila é demasiado simpática para com o RCM (confesso que prefiro o estilo mais abrutalhado do Krugman, particularmente quando alguém debita um post tão inane como o do referido insurgente, que evidencia uma desonestidade (ou ignorância) atroz, ainda mais tratado-se de uma personagem que se auto-caracteriza, na secção dos comentários, como economista).

Para além do que a Priscila referiu, ainda se poderia acrescentar que a recessão de 1920-21 nada tem a ver com a actual (não se estava numa armadilha de liquidez e havia espaço para aplicar política monetária - aliás, a recessão terá sido induzida pelo Fed como forma de voltar a ter a inflação sob controlo e um nível de preços mais baixo; nível de dívida privada num valor baixo, bem ao contrário da recessão actual - Krugman e Delong têm uns quantos posts sobre isto).

E, claro, não faz grande sentido apontar a China como exemplo de economia de mercado desde o final dos anos 70 (não se vêem muitas semelhanças entre as políticas adoptadas por eles nessa altura e os programas de 'ajustamento estrutural' impostos pelo FMI um pouco por todo o lado). Claro, há economistas sérios (em vez de RCM's) a dizer precisamente isto (http://rodrik.typepad.com/dani_rodriks_weblog/2008/02/shleifer-the-co.html, http://bostonreview.net/BR33.1/bardhan.php, e http://cde.usal.es/master_bibliografia/practicas/lectura3_Milanovic_development_ue_economiainternacional.pdf).

Um comentário lateral sobre o Krugman e a II GM: ele refere que foi o que arrancou definitivamente os EUA da Grande Depressão, mas também faz alusão ao contexto específico dessa época, bem diferente do de 2003, quando o Governo Bush decidiu ocupar o Iraque, não muito tempo depois de ter passado cortes de impostos que beneficiavam desproporcionadamente os mais ricos e que, naturalmente, contribuíram para os défices orçamentais após 2001 (que refere no seu post).


De chat a 14 de Julho de 2014 às 17:48

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