Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
Tiago Moreira Ramalho

«Bom dia, eu sou insuficiente renal e exijo que a doutora Manuela Ferreira Leite me venha pedir desculpas. O óbvio a mim não me assiste.»


16 comentários:
De Sérgio Pinto a 12 de Janeiro de 2012 às 18:25
É óbvio que quem tem mais de 70 anos e não tenha capacidade para pagar a hemodiálise receba uma pena de morte?


De Tiago Moreira Ramalho a 12 de Janeiro de 2012 às 18:28
Foi isso que a Manuela Ferreira Leite disse? É que o que eu ouvi foram duas coisas: 'o direito existe sempre para quem paga', uma trivialidade, e 'não pode ser grátis para toda a gente', outra trivialidade. A conclusão óbvia é que quem pode pagar paga, quem não pode não paga.


De Sérgio Pinto a 12 de Janeiro de 2012 às 18:36
Sim, o que ela disse foi "o direito existe sempre para quem paga", de onde se extrai que o direito [a realizar hemodiálise, se dela necessitar] não existe no caso de não [poder] pagar.

Entre a sua conclusão e o que ela efectivamente disse há uma galáxia de distância.


De PR a 12 de Janeiro de 2012 às 18:53
Sérgio, se eu disser que todos os heterossexuais têm direito a fazer sexo, isto não implica que os homossexuais não tenham direito a fazê-lo.

Ou:

A -> B não implica que Não A -> Não B


De Sérgio Pinto a 12 de Janeiro de 2012 às 19:27
Priscila, acho que seria mais algo como isto:
A -> B, se se verificar a condição C (pagar).
Ora, daqui depreende-se que sem C, A não chega a B (sendo A = pessoas com mais de 70 anos e B = hemodiálise).

Adaptando o seu exemplo, seria algo como dizer "as pessoas têm sempre direito a fazer sexo, desde que sejam heterossexuais".


De Tiago Moreira Ramalho a 12 de Janeiro de 2012 às 22:55
O Sérgio está a meter aí um 'se e só se' que em lógica está a galáxias de distância de um 'se'.

Eu tenho direito a ter nacionalidade portuguesa se nascer em Portugal continental, o que não implica que caso o meu pai seja português eu não possa ter nacionalidade portuguesa nascendo noutro país. Uma condição só é exclusiva se houver um 'se e só se'.

Aplicado, toda a gente tem direito se pagar. Alguns podem ter direito não pagando (também o teriam se pagassem), desde que se qualifiquem para tanto.


De Sérgio Pinto a 13 de Janeiro de 2012 às 01:02
Tiago, eu não vi o programa em causa. Mas quando leio a transcrição da resposta (http://www.tvi24.iol.pt/politica/hemodialise-ferreira-leite-tvi24/1316109-4072.html), parece-me que a minha interpretação está mais próxima da realidade que a sua.

[Resposta de Ferreira Leite] Tem sempre direito se pagar. O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente. Para se manter isso, o Sistema Nacional de Saúde vai-se degradar em termos de qualidade de uma forma estrondosa. Então, nem para ricos, nem para pobres. E será inevitável que tratamentos desse estilo, evidentemente que existem, e que as pessoas têm direito a eles, desde que paguem. Fora disso não é possível gratuitamente. O país não produz riqueza para isso e se não produz riqueza para isso degrada-se a qualidade».

Além de que não acho que a ideia de acabar com a tendencial gratuidade do SNS seja propriamente uma trivialidade (menos ainda em serviços que só se procuram em casos de efectiva necessidade).


De Sérgio Pinto a 13 de Janeiro de 2012 às 01:10
E mais uma coisa de que me esqueci: se estes números forem verdadeiros (http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=f48ba50a-0ed3-4315-aefa-86ee9b1bedff&contentid=4CFDB1D5-820A-4B0D-9D21-3B819B073E9F), 290 milhões/ano com 10.300 doentes, chega-se a um valor anual de mais de €28.000/doente. Ora, num país em que o ordenado mediano que anda pelos €800/mês... Eeerrrrrrrr, pois...


De Tiago Moreira Ramalho a 13 de Janeiro de 2012 às 02:09
Honestamente, não me tinha apercebido dessa parte do discurso. Poderia dizer que o embrulho se deveu à inabilidade típica de expressão de MFL, mas não o faço para que se não diga que estou a ser complacente. Parece-me estranho que ela defenda realmente que só alguém que possa pagar possa ter um serviço de saúde.

Quanto ao pagamento. Ó Sérgio, disse muito bem: uma pessoa em Portugal tem um salário médio de 800€. Melhor ainda: o rendimento médio anual é de 23000€. Perceba que para o tratamento, é preciso uma pessoa trabalhar mais de um ano inteiro sem que nenhum dos proveitos do seu trabalho venha para si, indo tudo para o pagamento do serviço. Há que perceber que o dinheiro vem de algum lado. E que não é infinito. A riqueza não é infinita. Por isso, sim, o fim da gratuitidade tendencial é uma trivialidade. Já o seria há muito tempo, se houvesse seriedade no debate. Propor um serviço de saúde universal e gratuito ultrapassa a demagogia. É simplesmente impossível.


De Sérgio Pinto a 13 de Janeiro de 2012 às 02:52
Tiago,

Até posso admitir que sim, que ela não defenda exactamente o que as palavras dela parecem indicar, até porque, do que li, ela depois reformulou o que queria dizer. Simplesmente, parece-me que, independentemente disso, ela merece mais críticas do que uma qualquer associação de doentes renais...

Quanto à gratuitidade (ou próximo) do sistema, bem, poderá ser muitas coisas, mas impossível, dessa forma taxativa, dificilmente será. Afinal, os suecos pagam (ou pagavam, em 2005 - não sei se mudou) um máximo de menos de €100/ano (http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/4460098.stm). No caso deles, como no de todos os outros países, presumo que o dinheiro venha dos impostos (e do Estado 'monstruoso' que eles tanto fazem questão de manter).
Estou longe de ser um especialista ou sequer de ter muita informação sobre o tema, e admito que possa haver um problema de longo prazo em relação ao aumento dos custos - mas mesmo que isso seja verdade, não decorre automaticamente que a solução passe por acabar com a gratuidade/baixo custo para o utente.
E quando dei o exemplo do salário mediano, foi precisamente para ilustrar que o número de pessoas que poderia pagar aquilo seria irrisório - mas como se trata de um número pequeno de doentes (face à população), é relativamente simples distribuir esse custo por todos (e nem acho que pudesse haver outra solução aceitável).


De iupi a 13 de Janeiro de 2012 às 09:35
concordando por inteiro com o sérgio, só acrescentava que a frase "o direito existe sempre para quem paga" é um verdadeiro programa. a enviar para o lixo.


De Tiago Moreira Ramalho a 13 de Janeiro de 2012 às 11:33
Mas o pagamento do serviço de saúde só é possível de duas formas: cobrar impostos para depois transferir esse dinheiro para o sistema (e a cobrança tem o limite natural que é a totalidade do rendimento produzido), ou através do pagamento pelo próprio utente.

Aquilo que é mais racional aqui é fazer discriminação de preço. Qualquer empresa faz trinta por uma linha para fazer discriminação de preço, para tentar perceber qual a disponibilidade a pagar do cliente, etc. O Estado não precisa disso: tem os papéis do IRS. Definir quanto paga cada pessoa (por escalões, ou o que seja) é muito simples. Mas toda a gente tem de pagar em certa medida, porque caso contrário há congestionamento, há falta de eficiência, há deterioração da qualidade.

Resolver a coisa nem é muito difícil. Só é preciso perder uma série de preconceitos.


De iupi a 13 de Janeiro de 2012 às 13:18
racionalizar o acesso e funcionamento do sns é coisa que deve ser feita ('por escalões ou o que seja'). porém essa necessária racionalização nada tem a ver com aquilo que a sra disse, ou mais do que isso, insinuou.


De Luís Lavoura a 13 de Janeiro de 2012 às 11:08
Está-se para aqui a discutir o que Manuela Ferreira Leite exatamente disse, ou queria dizer, ou talvez quisesse dizer, quando se sabe que a referida senhora não é muito dotada para a expressão exata das suas ideias.
Muito mais útil que tal discussão seria a discussão da ideia concreta, ou seja, deve o Serviço Nacional de Saúde pagar todos os tratamentos de saúde a todos os cidadãos, independentemente da valia desses tratamentos e independentemente da valia social, nomeadamente a idade, desses cidadãos?


De iupi a 13 de Janeiro de 2012 às 13:10
valerá a pena tratar alguem, atendendo a que mais dia menos dia estará morto? não será deitar dinheiro para o lixo?
e a valia da pessoa como se avalia? pela conta bancária?
e a cor dos cabelos, o porte ou a linhagem também poderão ser elementos a ter em conta?
e o que é que a idade tem a ver com isto? ou devemos impor um limite para estar vivo? e quem já o passou, mata-se? ou deixa-se morrer, 'com dignidade'?


De chat a 14 de Julho de 2014 às 17:36

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