Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Rui Passos Rocha

O João Miranda dá aqui e aqui a entender que seria legítimo que a Alemanha, porque credora, tivesse assento no parlamento grego. "Taxation" sem "representation" não lhe faz sentido (mesmo que a UE não seja federal, o que é um pormenor, imagino). Suponho que essa representação fosse proporcional: Merkel e companhia nomeariam 33,8% dos deputados, os sociais-democratas 23%, os liberais 14,6% e por aí fora, de acordo com os resultados das eleições federais de 2009 na Alemanha.

 

Aliados, como em casa, os conservadores e os liberais teriam também apenas o peso relativo que lhes cabe: a França, a quem os gregos devem mais de 40 mil milhões, teria quase o triplo da representação alemã (15,9 mil milhões). Até Portugal lá mandaria uns galambas, metade dos alemães: os -opoulos devem-nos 7,5 mil milhões. Dificilmente a bandeira grega no parlamento passaria à meia-haste.

 

Tendo a Alemanha 176% de dívida externa em percentagem do PIB, contra os 252% gregos, também o parlamento alemão mudaria ligeiramente: França, Itália, Estados Unidos e Japão lá estariam para ferir o orgulho nacionalista, estimulando o europeísmo e ajudando à sensação de pequenez relativa que não parece fazer nada mal aos alemães.


12 comentários:
De mais tarde a 2 de Fevereiro de 2012 às 01:38
Já não bastava o João Miranda ser um tosco que gosta de escrever comentários obtusos, mas agora também o Tiaguinho sente falta do mesmo protagonismo e brinda o leitor com lixo - porventura muito engraçadinho.

O que se dá a entender não é que os devedores devam ceder a sua soberania nacional aos credores pelo simples facto de serem credores. O que se dá a entender é que se os devedores quiserem renovar os empréstimos - por outras palavras serem resgatados do incumprimento das suas promessas -, então terá de haver alguma cedência de soberania para os credores. Para casos mais corriqueiros pode pensar no exemplo de uma garantia colateral exigida por bancos e que existe para contornar problemas de agência.

Aliás, isto foi o que aconteceu durante uma parte do séc. XIX quando diversos estados locais não se coibiram de ceder soberania ao governo federal dos EUA a troco de resgates das suas dívidas públicas. Claro que esta tendência só se manteve até ao dia em que o governo federal decidiu não aceitar mais "soberania", deixando falir os seus indigentes membros. A partir dessa altura, a grande maioria dos governos locais decidiu adoptar regras legais de orçamento equilibrado. Parece familiar?

Um pouco mais de história e economia e um pouco menos de piadinhas faria muito bem ao intelecto do Sr. Tiago. A não ser que tenha o João Miranda como um modelo a seguir.


De Tiago Moreira Ramalho a 2 de Fevereiro de 2012 às 09:14
Mais tarde,

Aprecio muito que me tenha residente no seu pensar, mas o textinho é do Sr. Ruizinho.

Além disso, Sr. mais tarde, o texto do João Miranda é tão absurdo que só com uma piadinha a gente se liberta. É que aquilo não tem pontinha por onde se lhe pegue. Da mesma forma que a sua comparaçãozinha 'familiar' também não tem. Há uma diferençazinha entre um Estadozinho e um grupozinho de Estados que se permitem ajudazinhas.

Enfim, se quer um conselhozinho, para evitar o ridiculozinho, deixe o pedantismozinho de quem julga saber mais. É porque é triste. Mais tarde e agora mesmo.


De mais tarde a 3 de Fevereiro de 2012 às 04:26
Tiago,

Apoiado Sr. Tiago! É sempre muito elegante contra-argumentar com um não argumento. Abonatório da sua inteligência também. Para suportar a ideia de que a cedência de soberania não é absurda quando um país está em colapso orçamental apresentei-lhe um argumento teórico: existe um problema de agência que pode ser mitigado com cedência de poderes do estado para os credores (como aliás está a acontecer com os programas de auxílio financeiro que, supostamente, são contingentes à execução de certas medidas impostas por terceiros). Complementando o argumento teórico, expliquei que existe um paralelo histórico nos EUA, quando diversos estados sobreendividados cederam soberania a troco de um resgate federal (mais tarde o governo federal deixou claro que resgates desse tipo tinham terminado). Mas não não! Para o Sr. Tiago esta comparação não faz sentido: o número de estados americanos resgatados no final do séc. XVIII (~10) é superior ao número de estados que hoje estão a ser resgatados na UE (3). E porque é que a comparação não faz sentido? Porque sim! This time is different; é sempre diferente e especial. Uma teoria do tudo que tudo pode explicar evocando simplesmente a diferença Esta foi a resposta que o Sr. Tiago me deu. Eu argumentei. O Sr. Tiago balbuciou.

Perante a minha contribuição, o Sr. Tiago, em vez de agradecer a gentileza de eu ter perdido alguns minutos para retirar certas palas ao seu co-autor, ainda me classifica de pedante. Um conselho Sr. Tiago: vá aprender qualquer coisa que bem precisa. Recomendo-lhe este título (http://4.bp.blogspot.com/_8o6hqKc4mxw/TJZ2VtF1J2I/AAAAAAAAA3I/o4k6QgMJLjc/s400/estado_novo.jpg).


De Tiago Moreira Ramalho a 3 de Fevereiro de 2012 às 09:44
Já viu como as coisas são? Uma maçada, uma maçadazinha!...


De RPR a 2 de Fevereiro de 2012 às 10:25
O caro "mais tarde" chegou a ler o texto antes de comentar?


De Luís Lavoura a 2 de Fevereiro de 2012 às 10:14
O João Miranda, no seu afã de ser provocador, está, como de costume, a fazer misturadas e confusões.
Um empréstimo não é um imposto. O facto de um banco emprestar dinheiro a uma pessoa não lhe dá direito a instalar-se em casa dessa pessoa a vigiar-lhe os gastos. Um empréstimo é um negócio voluntário entre duas entidades.
De resto, o princípio no taxation without representation é quotidianamente violado nas nossas sociedades no caso dos imigrantes. Reveladoramente, desse caso não fala o Miranda.


De Nuno Gaspar a 2 de Fevereiro de 2012 às 16:59
Muito bem observado, Luis Lavoura.



De PR a 3 de Fevereiro de 2012 às 00:15
Acho que o JM está apenas a evidenciar um facto: que "a soberania não se perde no dia em que o credor exige controlo sobre o orçamento. Perde-se ao longo do tempo, de cada vez que o Parlamento autoriza despesa sem assegurar a cobrança dos respectivos impostos".

A Alemanha não precisa de ter assento no Parlamento grego porque directa ou indirectamente já tem poder sobre ele - poder que é garantido pelo facto de lhe emprestar dinheiro que mais ninguém está disposto a emprestar.

Muita gente fica escandalizada com isto. O JM limita-se a notar que isto é apenas o institucionalizar de um poder que concedido, pouco a pouco, pelo próprio Estado grego.


De RPR a 3 de Fevereiro de 2012 às 00:40
Parece-me uma boa explicação. Mas ele escreve também: «É altura de corrigir este erro. A Grécia deve partilhar representação e soberania com os contribuintes que são taxados para a sustentar.» A parte de partilhar soberania já explicaste, e não discordo de nada disso. Mas fala da necessidade de partilhar representação.


De Filipe a 6 de Fevereiro de 2012 às 11:17
Estão lembrados do milagre alemão? E que tal começar o pagamento das dividas por ai? Como dizia o outro memória curta é o que não falta na politica.


De artesaoocioso a 12 de Fevereiro de 2012 às 20:06
Como estúpidez não paga imposto... a china pode ter maioria relativa no parlamento dos EUA.
Cumprimentos


De chat a 14 de Julho de 2014 às 17:11

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