Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
Priscila Rêgo

Ludwig, dois comentários à tua resposta aos meus posts

 

Sobre a questão da sinalização. Julgo que é importante saber exactamente o que estamos a sinalizar e a quem. O corte de feriados talvez sinalize apenas ao resto da Europa (leia-se: Alemanha, Holanda, Áustria, Finlândia e, muito remotamente, França) que estamos dispostos a mudar de vida - independentemente de, em si mesma, a medida não ter um impacto económico substancial.

 

Mesmo que não seja óbvio que esta mudança seja no bom sentido (pessoalmente, parece-me discutível), é óbvio que alguma coisa tinha de mudar; e é igualmente óbvio, como se pôde constatar durante o penoso episódio dos cinco ou seis PEC's, que não havia vontade política para dizer isto frontalmente aos portugueses. O corte de feriados, e medidas semelhantes, mostram a quem está lá fora que há um compromisso em voltar a ancorar as expectativas dos eleitores. Isto era o mais difícil. 

 

Admito que o facto de "políticos obrigarem muita gente a fazer sacrifícios não quer dizer que a maioria da população esteja empenhada nesse rumo". Mas é por isso que o Memorando foi subscrito pelos três maiores partidos: para garantir que há um consenso em torno das medidas e que os 78 mil milhões de euros que nos emprestaram não se tornam dinheiro atirado à água. Em todo o caso, esta discussão é, neste momento, um pouco estéril: se era esta a estratégia, é um facto que está a resultar.

 

Acerca dos problemas fundamentais, há muita coisa a dizer. Por exemplo, que uma união económica não impede problemas orçamentais ao nível regional nem a correspondente austeridade (veja-se o caso da Madeira e das autarquias portugueses, apenas para nos ficarmos pelas fronteiras nacionais). E que, ao nível da banca, já estão a ser dados passos muito importantes ao nível das exigências de capital, divulgação de interesses e regras contabilísticas (seja através de Basileia III, seja no âmbito da EBA). E o BCE, ainda que por portas travessas, lá vai emprestando aos Estados. 

 

Está tudo bem? Não, ainda há muita coisa a fazer. Isto é relevante? Para a situação actual, provavelmente não. Portugal tem de voltar aos mercados daqui a um ano ou encontrar quem faça isso por si nos próximos 12 meses. Até lá, não vamos mudar o BCE, o funcionamento da Europa ou a regulação do sistema financeiro internacional. E, mesmo que o fizessemos, o impacto seria quase nulo: a maior parte das mudanças serviria para prevenir crises futuras e não para resolver a actual. 

 

Falar nisto é um erro estratégico por desviar as atenções daquilo que são os nossos problemas fundamentais, que têm raízes portuguesas e que são os únicos cuja resolução depende de nós. Em suma: vamos pôr a casa em ordem, serenar a populaça e conter os estragos. E depois, quando o pó assentar, preocupamo-nos em acabar com a fome no mundo. Mudar a Europa e deixar Portugal como está é, mais do que uma curiosa hierarquia de prioridades, pura e simplesmente falta de realismo. 

 

P.S.- Austeridade, por si, não chega. Toda a gente ouviu isto. E está correcto. Diminuir o subsídio de desemprego não vai fazer com que a escandaleira das PPP e das contas ocultas das empresas públicas não se tornem a repetir. É preciso ir mais fundo do que a superfícia que estamos a arranhar. Este livro é uma boa forma de pensar esse assunto. A parte boa é que as reformas propostas exigem mais consenso do que propriamente sacrifícios. A parte má é que é daquelas coisas que não podem ser impostas pela "troika". Vamos mesmo ter de o fazer por nós mesmos... 


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7 comentários:
De Ludwig a 21 de Fevereiro de 2012 às 19:53
Priscila,

Concordo que não é realista esperar que mudem o funcionamento do BCE ou que a UE se torne numa federação de Estados, etc, num futuro breve. Mas não é esse o ponto que eu queria fazer.

Tu propuseste que há uma relação entre dois agentes, Alemanha e Portugal, na qual há um moral hazard porque Portugal pode fazer com o dinheiro da Alemanha algo que dê jeito a Portugal mas não à Alemanha e que cortar feriados e trabalhar mais meia hora é uma forma de Portugal sinalizar à Alemanha que é um tipo honesto e porreiro.

Eu discordo porque Portugal e Alemanha não são agentes, porque esses sinais são irrelevantes (se os homens portugueses passassem todos a usar mini-saia e as mulheres barba postiça, isso também sinalizaria uma mudança profunda na nossa forma de viver, com a mesma pertinência disto dos feriados e afins) e porque não é aí que está o problema.

O que me parece é que o moral hazard surge naquelas pessoas – essas sim agentes – que têm poder para decidir coisas como parcerias publico-privadas, investimentos bancários, políticas financeiras, etc. O moral hazard surge porque estão em posição de beneficiar muito do dinheiro dos outros, em prejuízo destes, abusando do poder que lhes foi confiado. E a austeridade, que, como o medo ao Hélio, é coisa que não lhes assiste, serve apenas para disfarçar enquanto tiram mais um pouco.

Se a tua hipótese fosse verdadeira, e assumindo que o pessoal da troika não é tótó, só se deixariam convencer com sinais relevantes de que Portugal estava a mudar. Por exemplo, leis anti-corrupção, medidas para evitar tretas como BPN e submarinos, renegociação das parcerias público-privadas, privatizações transparentes, justificadas e honestas, em vez da mama que está a ser, etc. Mas isso não interessa porque, individualmente, a maioria das pessoas que está a guiar este processo não tem nada a perder com a austeridade, nem com estas dívidas, defaults e afins, e muito a ganhar com contribuintes dóceis dispostos a fazer tudo o que lhes mandem.

Que o problema é complicado de resolver, concordo. Mas a ideia de que Portugal se tem de “portar bem” para a Alemanha confiar parece-me um antropomorfismo sem fundamento.


De PR a 22 de Fevereiro de 2012 às 00:52
Ludwig,

Vamos por pontos.

Concordo que há problemas de moral hazard em sectores como a banca, decisão de PPP e por aí fora, que não se resolvem com medidas de austeridade.

Estão estes problemas a ser resolvidos? Em parte. Há muita coisa que está a ser feita, e o acordo com a "troika" prevê muito neste âmbito: desde reavaliação das PPP a reforma da regulação [esta está relativamente avançada, segundo julgo saber], reforço da supervisão bancária por parte do Banco de Portugal, um novo modelo de gestão orçamental e de controlo de compromissos futuros, etc. Esta é a parte "invisível" do Memorando - não nos efeitos de longo prazo que poderá ter, mas no destaque que lhe é concedido nos "media".

Independentemente de tudo isto, há um problema menos "estruturante" e menos "paradigmático" [para usar linguagem de Prós e Contras] mas mais premente e que tem de ser resolvido nos próximos meses: um défice demasiado alto para ser coberto pelo dinheiro que nos deram e falta de financiamento para o período de 2013 em diante.

E aqui não vejo grandes soluções que não passem por austeridade de "dona de casa". Chegar a um Conselho Europeu e dizer que só aceitamos cortar nos gastos públicos quando resolvermos os problemas "fundamentais" das PPP, do BPN e por aí fora [como se nos tivessem caído no colo] também não me parece viável.

Tomando isto como um dado, só há duas possibilidades: fazê-lo de forma convicta e decidida, aumentando a probabilidade de que a confiança gerada leve os credores a suavizarem as condições do empréstimo e a abrirem de novo os cordões à bolsa em 2013; ou fazê-lo a contragosto, deixando nas entrelinhas a ideia de que é tudo para inglês ver, e acabar como a Grécia.

É discutível a melhor forma de sinalizar isto. À partida, prometer Reformas com "R" grande enquanto não se é capaz de mudar uma lei laboral que está para ser alterada desde o final da década de 90 parece-me uma forma particularmente ineficaz de o fazer. Mas a tua analogia das mulheres com bigode também me parece desajustada. O fim dos feriados parece-se muito mais, a meu ver, com a situação do novo trabalhador que chega todos os dias mais cedo ao trabalho do que os colegas para impressionar o patrão; mesmo que não melhore objectivamente a produtividade, é difícil argumentar que não traz ganhos reputacionais.



De PR a 22 de Fevereiro de 2012 às 00:58
A propósito do que é e não é feito pela "troika", sugiro este documento do Banco de Portugal:

http://www.bportugal.pt/pt-PT/OBancoeoEurosistema/ProgramaApoioEconomicoFinanceiro/Documents/Brochura_pt.pdf

No ponto 4 estão elencadas as medidas e reformas acordadas. Um pouquinho mais abrangentes do que a caricatura da "ultra-austeridade" traçada por alguns analistas de sarjeta.


De Lud sem whig é um torie? a 25 de Fevereiro de 2012 às 21:22
o gajo Ludita ass ume que os indivíduos é que têm poder para decidir coisas como parcerias publico-privadas, investimentos bancários, políticas financeiras...o que é impossível em qualquer sociedade

são os colectivos por intercessão de burocráticas comunidades que definem essas coisa


e as comunidades de populações distintas regulam as suas

interacções essencialmente através da observação do
comportamento dos outros grupos

agressivo

receptivo

oferecendo o traseiro..

assim a inglesa que foi hoje assaltada por romenoi no All garve ou por bandos nativos com tácticas de romenoi's

provavelmente considerará este ser um sinal de que não deve meter mais dinheiro cá...e vender o que tem em papelame nacional (dinheiro birtual bit con's krippahlistas

com prejudicio...como outros fizeram na grécia

logo a tal Priscilla...nome de um E.T. -médico
numa série de James White
tem carradas de razão...

e o balbuciante signor dottore alemão....adevia voltar prá terra dele com a famelga


krAUTS FORA DE PORTUGAL JÁ...

MORTE AOS BOCHES LUDITAS...QUE nos deram cabo da maquinaria toda


De Nuno Gaspar a 23 de Fevereiro de 2012 às 19:35
É preciso agradar a quem nos empresta dinheiro e é preciso que os actores políticos estejam em condições de criar confiança aos seus representados. Tomemos dois exemplos: A situação económica actual foi prevista com rigor, minúcia e correcção pelo Professor João Ferreira do Amaral. As suas reservas à moeda unica foram ignoradas por muitos dos decisores no activo. Por outro lado, um dos principais responsáveis pela cavalgada à rédea solta dos bancos, envenenados pelo juro barato, foi Victor Constâncio. Nada fez, nada disse, que trouxesse prudência aos mercados financeiros. Não pode ser. Quem fez mal as contas à primeira tem mais probabilidade de falhar à segunda do que quem acertou. Se falam em simbologias, é um mau sinal premiar quem errou e não prestigiar quem estava certo. Professor Ferreira do Amaral ao BCE. Já!


De ó filha têm tanta gente melhor... a 25 de Fevereiro de 2012 às 21:41
O bitor con's tâncio foi um peão Soarista-Socratista

se não fiscalizou a banca alguém o fez por ele


mas sim senhô seu gaspahrzinho....deu filme né?

um homem não faz uma instituição

3 burocratas não tornam sã uma economia estagnada


a austeridade não impede que os supermercados importem toneladas de morangos que estão destinados a apodrecer e a agravar o nosso déficit comercial e fiscal

é da interacção e das expectativas e falta delas de centos de milhões de pessoas que depende o nosso futuro económico

Amaral derrubado por chineses

ou Constâncio alevantado por irmãos em evolução

tanto faz...

a economia é uma ciência mais emocional que matemática

senão percebeu vá a um leilão...
agora há muitos

há tantos que até a opportunity se mudou da casa do krippahl pra cascaes...

é quisto de boches em odivelas...dá má fama


De chat a 14 de Julho de 2014 às 17:03

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