Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Priscila Rêgo

O Ricardo Lima , do Insurgente (juro que não tenho nada pessoal contra o blogue) não vê nenhum problema com a praxe porque ela é voluntária*. Este é daqueles temas que me tiram do sério e acerca do qual muito haveria a dizer**. Mas, porque não me quero dispersar quando falo de tão "bela tradição" - e, para que não restem dúvidas acerca do significado do termo para o Ricardo, ele tem a amabilidade de acompanhar o post com um vídeo muito instrutivo -, foco-me no essencial: a questão da voluntariedade.

 

A distinção entre acto voluntário e não voluntário pode parecer óbvia, mas não é. Se eu apontar uma arma à cabeça do Ricardo, não é razoável argumentar que ele mantém a liberdade de me negar a sua carteira, limitando-se aceitar as consequências do seu livre arbítrio. A única liberdade real de que ele gozou no momento do assalto foi a de decidir se me dava a carteira ou arriscava a vida. Como liberdade efectiva, não é grande coisa.

 

Neste contexto, para perceber se um acto é ou não voluntário - no sentido que habitualmente damos ao termo - é mais importante perceber o tipo de trade-offs que estão envolvidos na decisão do que determinar a autoria da acção em si. Um assalto por esticão não envolve nenhuma decisão consciente da minha parte, ao contrário de um assalto à mão armada em que tenho de ceder gentilmente a minha carteira. Mas os graus de liberdade são muito semelhantes em ambos os casos; ou seja, nulos. 

 

O problema da praxe é que é apresentada, inculcada e exercida num ambiente repleto de intimidações e represálias deste género (nota: estou a fazer uma analogia; não uma comparação de situações). O caloiro é abordado numa situação de fragilidade, normalmente quando está em processo de matrícula e ainda não conhece nenhum colega. E o rebanho só é (muito convenientemente) reunido depois da doutrinação***, para minimizar a possibilidade de revolta. O processo pode ser acompanhado de ameaças mais ou menos veladas (desde o "não vais ter amigos" ao "não podes usar a cantina") a represálias insidiosas.

 

As piores são as "pequeninas". Uma agressão é coisa a que reitorias e associações de alunos não podem fechar os olhos. No limite, há sempre a polícia. Mas uma foto espalhada pela Universidade, com o apropriado título de "anti-praxe", é coisa suficientemente inócua para que seja lida como mera brincadeira por quem tem a responsabilidade de tratar destes assuntos. Embora não seja difícil imaginar o efeitos psicológica que uma ostracização deste género tem na cabeça de um miúdo de 18 anos, pela primeira a viver sozinho e provavelmente sem amigos. Um "bincadeira" que serve de aviso a quem ameaçar criar buracos nesta "bela tradição".

 

E metam uma coisa na cabeça: este nojo tem pouco que ver com Liberalismo. Algumas destas práticas seriam matéria de crime económico mesmo em sociedades minarquistas e descentralizadas. Entre publicidade enganosa ("ou alinhas ou não podes usar a biblioteca"), abuso de posição dominante ("quem falar com ele está lixado") e cartelização ("ninguém lhe empresta os apontamentos antes dos exames"), haveria muito por onde actuar. 

 

Nem era preciso proibir. Em linguagem microeconómica, bastava actuar, de forma muito ortodoxa, nas falhas de mercado: desde a assimetria informacional aos monopólios naturais. Começar por dizer aos alunos que ninguém é obrigado a entrar na praxe e que não há penalizações aceitáveis para quem não participar; impedir a triste esperinha de doutores e engenheiros à saída das primeiras aulas, e especialmente antes das aulas começarem; garantir efectivamente a ausência de represálias a quem não acha piada a andar de cara pintada (sobretudo nos primeiros tempos, enquanto os miúdos ainda apalpam terreno).

 

Se depois de tudo isto os miúdos ainda quisessem chamar senhor doutor a quem tem mais dois anos de faculdade do que eles, responder por um nome de praxe ou rebolar no chão às ordens de terceiros, tudo bem. Aí sim, seria voluntário. Mas suspeito de que o rol de potenciais aderentes a esta "bela tradição" seria cada vez mais reduzido. E suspeito que os praxistas que se opõem vigorosamente a medidas deste género têm uma opinião semelhante.

 

Uma coisa destas teria ainda outra vantagem: permitia tirar a prova dos nove a quem diz, como o Ricardo, que a praxe é voluntária à excepção de alguns abusos de circunstância e sem relevância estatística. Se é voluntária, não há problema em proibir que os alunos mais velhos vão buscar os catraios à porta da sala de aula. É deixá-los descer. Afinal de contas, como diz o Ricardo, eles são adultos. Não queremos menorizá-los. 

 

Finalmente, a proibição (que não defendo) nem precisa de ser vista como uma imposição do Estado enquanto entidade que detém o monopólio da força. Pode ser uma imposição de cada Universidade, enquanto entidade administrativa. Qualquer organização precisa de um conjunto mínimo de regras para atingir os objectivos a que se propõe. Não permitir aos alunos irem nus para as aulas, por exemplo, parece uma limitação aceitável. Regras de higiene deste género poderiam, com muito mais propriedade, ser aplicadas à praxe. Os alunos poderiam, claro está, continuar a exercer voluntariamente esta bela tradição, desde que em sítios apropriados. À primeira vista, uma poçilga ou um hospício parecem opções promissoras.

 

* uma limitação que felizmente não afecta todos os insurgentes. Vejam aqui uma excelente resposta do André Azevedo Alves.

 

** embora grande parte já tenha sido dita aqui.

 

*** que parece ter resultado muito bem com o Ricardo Lima, para quem a Praxe é dura... mas é a Praxe. O "é porque é" (ou porque sempre foi...) é o principal argumento de quem não tem mais nenhum.

 


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18 comentários:
De Luís Lavoura a 14 de Março de 2012 às 10:14
A analogia que a Priscila fez com o assalto à mão armada, com o fim de desmascarar o argumento da voluntariedade, também pode apropriadamente ser aplicada ao caso de um trabalhador que aceita trabalhar por um salário muito baixo sob pena de morrer de fome.
Assim se desmascara o argumento que alguns liberais usam contra as regras laborais. Segundo esses liberais, quaisquer regras (de higiene, de segurança, de salário mínimo, etc) que o Estado imponha ao trabalho são ilegítimas, dado que o trabalhador aceita o trabalho voluntariamente. Ora, essa voluntariedade é por vezes análoga à da pessoa que dá a carteira quando tem uma arma apontada à cabeça.


De Pedro a 14 de Março de 2012 às 16:07
Chama-se "Estado de Necessidade" e é coisa antiga. É o mesmo mecanismo de que se aproveitam os agiotas e as empresas que compram bens às pessoas, muitas vezes valiosos, por tuta e meia, permitindo-lhes sobreviver nesse dia, mas acelarando o seu empobrecimento, a todos os níveis, incluindo o da sua auto estima.
Os nossos liberais vivem num mundo só deles, até que lhe caia o mundo real na cabeça.


De Luís Lavoura a 14 de Março de 2012 às 16:50
até que lhe caia o mundo real na cabeça

Está a cair, hoje mesmo.

Hoje mesmo lêem-se nalguns blogues liberais portugueses posts a pedir que o Estado quebre contratos que assinou com empresas privadas, ou até que os viole de forma seletiva.

Ou seja, on liberais portugueses, que passam a vida a dizer que uma das funções essenciais do Estado e garantir a aplicação dos contratos, vêem hoje pedir que seja ele a violá-los.


De PR a 15 de Março de 2012 às 01:21
"Assim se desmascara o argumento que alguns liberais usam contra as regras laborais"

Acho que o argumento não é bem "não devemos impor um salário mínimo porque os contratos são livres", mas sim "impor um salário mínimo teria efeitos contraproducentes, na medida em que faria subir o desemprego". A natureza do argumento é fundamentalmente diferente.

Mas a comparação também não é a melhor. As situações só seriam comparáveis se as empresas se reunissem em conjunto, combinassem preços para propor aos trabalhadores e ameaçassem com violência ou outra forma de represália os que não quisessem trabalhar àquele salário. E isto já é ilegal.


De manuel.m a 14 de Março de 2012 às 17:49
Os jovens portugueses que se queriam idealistas e corajosos ,defensores de causas nobres e protectores dos mais fracos ,quando porém e pela primeira vez , detêm a minima parcela de autoridade ,usam-na para agredir ,subjugar e humilhar os que estão por baixo . É a "praxe" ?Não ,é a radiografia de uma geração rasca.
manuel.m


De Luís Lavoura a 15 de Março de 2012 às 09:25
é a radiografia de uma geração rasca

Diz bem, "uma geração rasca".

É que, na geração anterior, aquela à qual pertenci, não havia praxe nenhuma.

Eu fiz o meu curso universitário sem nunca ter observado qualquer espécie de praxe na minha faculdade.

Foi a geração que veio a seguir à minha que introduziu esse costume rasca.


De Guilherme a 14 de Março de 2012 às 18:12
Parabéns pelo post.
Curioso gente que tanto gosta de espetar no blog videos a defender correntes libertárias vir com estes tipo de argumentos a favor da praxe.
Depois admiram-se que os alunos não questionem o que os professores ensinam, que haja uma reverencia em relaçao às hierarquias nas empresas ou que as pessoas gostem tanto de "pequenos poderes".
A praxe devia ser, mas nem sempre o é, um processo de integraçao, no final integram-se os que há partida já seriam mais "integráveis".


De Pedro a 14 de Março de 2012 às 18:27
Para os nossos libertários, as relações entre as pessoas são sempre "entre iguais", seja nas relações laborais, ou em qualquer outra coisa. Aqui, o poder presume-se sempre negociado e consentido. O único poder "mau", por definição, é o do Estado,


De Guilherme a 14 de Março de 2012 às 19:44
De acordo, mas mesmo para um libertário a partir do momento em que um individuo/organização impoe coercivamente a sua vontade passa a haver legitimidade para o Estado intervir.
Isto partindo do pressuposto que a praxe não é feita por livre vontade entre as duas partes o que é muitas vezes o caso.


De Miguel Madeira a 14 de Março de 2012 às 19:27
«Algumas destas práticas seriam matéria de crime económico mesmo em sociedades minarquistas e descentralizadas. Entre publicidade enganosa ("ou alinhas ou não podes usar a biblioteca"), abuso de posição dominante ("quem falar com ele está lixado") e cartelização ("ninguém lhe empresta os apontamentos antes dos exames"), haveria muito por onde actuar. »

Imagino que apenas o primeiro fosse um crime numa sociedade minarquista, e mesmo aí não tenho a certeza.

Pela minha impressão da praxe nos anos 90, a minha ideia até é a oposta há que muita gente - contra ou a favor - diz (contra - "pode não haver coação formal, mas a ameaça de exclusão social funciona quase como isso"; a favor - "só é praxado quem quer; claro, quem se põe fora das regras da comunidade académica não pode depois querer participar nas suas actividades").

No meu tempo e lugar, não havia nenhuma ameaça de "exclusão" de quem não participasse na praxe (só comentários do género "se eu não andasse metido nas praxes, não conhecia mais ninguém além do pessoal da minha turma", mas aí a integração social era apresentado como um "cenoura", não como um "pau"). Mas, por outro lado, a praxe era conduzida de uma maneira que a tornava praticamente coerciva; ou pelo menos o "default" era ser praxado, e não era muito claro que procedimentos poderia haver para alguém pedir para não ser praxado.

Imagine-se umas centenas de caloiros fechados num campo de basquete, rodeados por veteranos a assistir; será que um caloiro poderia pedir para se ir embora? Se calhar até podia, mas como? Dando uns gritos (mais altos do que os gritos da praxe) estilo "Quero me ir embora! Quem é que de vocês, veteranos, tem autoridade para me deixarem ir embora?"???

é um pouco como o Estado lançar um imposto "voluntário" e dizer que quem não quer pagar o imposto é só pedir, mas sem existir nenhum procedimento definido (ou existir um procedimento bastante trabalhoso) para requerer a isenção.


De PR a 15 de Março de 2012 às 01:23
"Imagino que apenas o primeiro fosse um crime numa sociedade minarquista, e mesmo aí não tenho a certeza"

Pois, talvez.

"No meu tempo e lugar, não havia nenhuma ameaça de "exclusão" de quem não participasse na praxe (...) por outro lado, a praxe era conduzida de uma maneira que a tornava praticamente coerciva; ou pelo menos o "default" era ser praxado, e não era muito claro que procedimentos poderia haver para alguém pedir para não ser praxado."

A minha experiência é um pouco diferente. Mas admito que tenha havido alguma evolução (para pior, pelos vistos).


De J. Saro a 19 de Março de 2012 às 03:37
Sinceramente, sempre passei um bocado ao lado da praxe, talvez fruto ser já de Coimbra e de uma faculdade (de Economia) que relativamente a pratica de forma mais ligeira, mas tenho ideia que no geral a praxe não é tão abusiva quanto alguns fazem parecer. Embora a mesma seja mais em politécnicos e escolas... penso eu de que.

Sobre a praxe, nunca me atraiu muito (lá está... fui a variados cortejos trajado, mas sempre ia num grupo de amigos de cursos variados e nunca segui o trajecto oficial), mas acho que há pontos positivos para além do simplesmente conhecer-se os colegas. Compreendo a questão da submissão, embora a critique apenas pelo excesso do uso do autoritarismo... apenas não estou estão certo de que a praxe deva ser proibida ou que não deva existir (duas coisas que são diferentes) e se existe o melhor dos dois mundos.

Sobre a questão de gerações, a praxe é há muito aplicada (ex: o corte de cabelo a quem sai há noite... diga-se das praxes mais disparatadas).


De Mestre Hirão a 5 de Abril de 2012 às 09:05
Ah as saudades que eu tenho em que se davam aulas de matemática a demonstrar que 1 era igual a 2.
As praxes residuais que havia eram momentos a que se tinha prazer em assistir e era um exercício de imaginação e representação. Dava prazer assistir. Brincadeiras de rastejar e pintar a cara, nunca me lembro de existiram.
Mas de fact o muno mudou. Á medida que evoluímos, como disse um comentador a primeira coisa que fazemos quando pensamos ter alguma autoridade, é rebaixar aqueles ao nosso lado que estão mais frágeis. Como já disse ainda alguém, é a geração rasca. Eu diria ainda que é a geração que se queixa á rasca mas que na realidade ficou foi ainda mas rasca.
Quanto aos ditos doutores das praxes que se dizem defensores de costumes estudantis, reparemos que são todos aquilo a que chamo estudantes profissionais ou seja "fazem disso vida" e estudar não é com eles.
Mas a geração rasca continua a pagar.


De maria a 5 de Abril de 2012 às 09:44
Eu fiz o meu cursinho à noite, como trabalhador/estudante, e por isso passei completamente ao lado de praxes e afins. E já sabia a diferença entre ‘há’ e ‘à’ antes de ir para a faculdade.


De S.P. a 5 de Abril de 2012 às 10:43
Lamento muito que seja essa a ideia que muitas instituições transportam para o exterior. Antes de conseguir entrar no curso que pretendia, estive um ano em outra faculdade onde, de mente aberta, participei na praxe. Não foi cometido nenhum abuso e absolutamente ninguém foi rejeitado por não participar nessa tradição académica, muito pelo contrário, era extremamente incentivado pelos praxistas o convivio entre todos os alunos, fossem ou não à praxe e, acima de tudo, a colaboração académica com tais, emprestando-lhes os apontamentos. A praxe aí sim, foi voluntária. Ia quando queria, não ia quando não queria. Diverti-me e integrei-me. Quando mudei de universidade e entrei no curso que desejava, decidi não fazer a praxe. Mais uma vez, não fui ostracizada e esse cenário que descreve não se concretizou em nenhuma das suas vertentes. Tenho amigos e integrei-me de igual forma.
As duas instituições que frequentei são totalmente diferentes em termos de tradição académica e nenhuma delas se encaixa nesse cenário. Não posso afirmar com certeza que aquilo que descreve não acontece, acredito que sim. Mas, por experiência posso apenas aconselhá-lo, se me é permitido, a não generalizar. Assim como eu não o faço. Não estou a defender a praxe em todos os locais ou a dizer que não existe quem sofra por causa dessa tradição. Acredito que sim, infelizmente. Mas, posso dizer-lhe que ainda há praxe voluntária, sim. Não digo, porém, que toda praxe é voluntária porque existem locais onde, efectivamente, não o é.
Cumprimentos.


De areia_do_deserto a 7 de Abril de 2012 às 02:28
Manuel M., isto não tem a ver com "gerações à rasca", a minha geração (mais de 40...) e anteriores confrontaram-se com gente criminosa desta estirpe que aproveita pequenos poderes para cometer verdadeiras barbaridades, que marcam para a vida ( por acaso, na universidade pública que, depois, frequentei, não me submeteram a grandes praxes, até porque me recusei, só o nome me dava arrepios!).
O episódio da Lusíada de Famalicão que resultou numa morte é um exemplo. E deveria ser a própria instituição a saber gerir a sua imagem, se não de forma Ética, pelo menos, de forma inteligente, mesmo que hipócrita!
A maior parte das praxes são, de facto, actos de bullying (que tb são ignorados nas escolas em todos os níveis de Ensino, só sendo alvo de inquérito se houver visibilidade mediática dos mesmos...), quando não mesmo actos enquadrados em regimes penais graves- violação e morte...
Como tal, face ao que é escondido (mas quais estatísticas? Alguém com medo de represálias e/ou de ostracismo geral vai participar na denúncia? Só os mais Corajosos! ), nem se sabe a verdadeira dimensão do fenómeno.


De Pedro a 28 de Setembro de 2013 às 20:33
Quem quiser saber sobre Praxe tem de ler o Notas&Melodias


De chat a 14 de Julho de 2014 às 16:43

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