Como não costumo ler bloggers liberais de ano bissexto, não acompanhei como reagiram os insurgentes e demais americaneiros à proibição das pensões antecipadas. Mas imagino os bocejos: apesar de poucos trabalharem fora da zona de conforto da administração pública, raros terão sido contratados pelo Estado há menos de sete anos, o prazo limite da proibição. Afagados pelo cobertor do Estado ou, porque se trata de empreendedores de alto nível, contratados para esporádicos ajustes directos, não foi para eles que se trilhou o caminho desta servidão. Estes burgueses à portuguesa vão continuar a poder reformar-se quando acharem melhor. Farão os seus cálculos, verão os prós e contras dos incentivos do sumo patrão, e tomarão a sua livre e pessoal decisão, que em nada afectará os outros como deve ser numa sociedade aberta. Assim como assim, que outros tenham de amochar perante a proibição (ó palavra mil vezes maldita em tempos esquerdalhos) do governo não lhes diz respeito. Na sociedade livre cada um olha e pensa por si; excepto, claro, quando não é um suposto liberal quem esgana o leme.
Como é que o Rui sabe (ou julga saber, ou finge que sabe?) que a maioria dos insurgentes trabalha na administração pública?
Eu o único caso que conheço é o do André Azevedo Alves que, como é público e notório, trabalha na Universidade de Aveiro. Dos múltiplos outros insurgentes nada sei, por isso nada afirmo.
De
RPR a 10 de Abril de 2012 às 16:04
Não me dirigi especificamente aos bloggers do Insurgente. Dirigi-me aos "liberais" de entre eles e aos outros "liberais" que por aí escrevem. Parte significativa deles trabalhará directa ou indirectamente para o Estado. Mas não fiz cálculos.
Nasci em 69, ...não vim porque quis. Vim a seguir ao baby boom, já havia Estado Social nas Alemanhas e Franças.
Segui um curso, e uma profissão que só pode ser pública. Não poderei ser liberal? Essa agora. E um professor do público...E um médico do público...Essa agora...Aliás defendo que só a Segurança e a Justiça deverão ser públicos...e?!! Mas isto não é, como o afirmei, argumento...
De
RPR a 10 de Abril de 2012 às 18:22
Caro monge, claro que pode, eu deixo. Aliás, também eu trabalho para o Estado de momento. O post não é para liberais, é para liberais de conveniência.
De
LA-C a 11 de Abril de 2012 às 19:26
"Parte significativa deles trabalhará directa ou indirectamente para o Estado."
Naturalmente. Quando a despesa pública representa 50% do PIB, não vejo como é possível que alguém deixe de trabalhar para o Estado. Mas, realmente, custa-me perceber como é que isso retira autoridade moral a quem quer que seja.
De
RPR a 12 de Abril de 2012 às 00:03
Tem razão nisso. Aliás, há tempos o Miguel Madeira apontou-me algo semelhante: http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/55670.html
Mas o texto concentra-se em quem se diz liberal quando não há supostos liberais no governo mas depois cala-se quando os há e estes são tão ou mais iliberais em certos aspectos do que os que os antecederam.
De Anónimo a 12 de Abril de 2012 às 00:57
Ok, imagino que o problema seja o de eu não saber a quem se quer referir. De qualquer forma, se ainda não nomeou o seu alvo é porque não o quer fazer, pelo que também não vale muito a pena tentar perceber este post. De qualquer forma, agradeço a resposta.
De
La-c a 12 de Abril de 2012 às 01:34
O comentário anterior foi meu.
LA-C
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