Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Priscila Rêgo

É velha, é grande e é persistente. E o Henrique Raposo juntou-se hoje ao grupo dos que metem o pé na poça. No seu texto do Expresso, ele escreve:

 

Se não se importam, o assunto das reformas antecipadas é um pormenor. Se não se importam, o futuro imediato é menos importante do que o seguinte pormaior: a longo prazo, a segurança social está falida e representa perigo para os sub-50 (...) Este sistema de saco coletivo (pay as you go) faliu, e é uma ameaça para as gerações mais novas: estamos a dar dinheiro para um buraco sem fundo. É preciso um sistema de pensões baseado em contas pessoais (na segurança social, ou em PPR privados).

 

 

Vamos descascar este trecho. Primeiro, o pormenor das reformas antecipadas. Uma reforma antecipada não é uma reforma normal paga durante mais tempo. É uma reforma que, por ser solicitada antes do período convencionado, é concedida com uma determinada penalização. Em teoria, não há sequer razões para pensar que reformas antecipadas tenham um impacto negativo na sustentabilidade das contas. O importante é garantir que o recorte percentual da pensão é suficiente para compensar o facto de esta ter de ser paga durante mais tempo. Se a coisa for bem feita, o impacto líquido na Segurança Social até pode ser positivo.

 

Por que é que o Governo congelou as reformas antecipadas? Porque este congelamento permite dar resposta a problemas de liquidez. Mesmo que uma reforma antecipada não seja um fardo para a Segurança Social durante o tempo total de vida do seu beneficiário, ela obriga naturalmente o Estado a antecipar o seu próprio esforço financeiro. Agora, esta incerteza foi eliminada. Mas não se enganem: na prática, as contas poderão ter ficado rigorosamente na mesma. A diferença é que a despesa passa a concentrar-se mais no futuro. É uma espécie de receita extraordinária travestida. 

 

Agora, o ponto essencial do pay-as-you-go. O Henrique (e muito boa gente) pensa que a evolução demográfica torna este sistema insustentável e obriga-nos a a caminhar para um sistema de contas individuais, através de PPR ou de planos geridos pela Segurança Social. Para perceber por que é que este argumento não faz sentido, vamos imaginar o que acontece em cada um destes sistemas no ano fictício de 3500, quando Portugal está reduzido a 5 milhões de habitantes e 90% são idosos a receber reforma. O cenário é propositadamente extremado, para tornar mais visível a falácia escondida. 

 

No sistema actual, uma demografia destas é insustentável. É pouco razoável esperar que 500 mil portugueses ganhem o suficiente para se manter e ainda pagar salários a mais 4,5 milhões de ociosos. Só há uma forma curvar esta tendência: inverter a demografia, reduzir os benefícios a um valor ridiculamente pequeno ou aumentar imenso a idade de reforma - pelo menos o suficiente para que uma grande franja dos 4,5 milhões de reformados volte a contribuir para o sistema de Segurança Social. 

 

Num sistema de capitalização, por outro lado, os 4,5 milhões de reformados terão acumulado poupanças sob a forma de activos financeiros, como obrigações ou acções. Estes activos representam direitos sobre lucros de empresas, dívida de Estados e por aí fora. Ora, se a população activa é muito menor do que antes - está reduzida a 500 mil pessoas - a produção efectiva à qual estes direitos estão indexados (o PIB) também é muito mais pequena. Na prática, os 4,5 milhões adquiriram direitos sobre um bolo minúsculo.

 

Resta, portanto... Inverter a demografia, aceitar rendimentos ridiculamente pequenos ou aumentar imenso a idade de reforma - pelo menos o suficiente para que uma grande franja dos 4,5 milhões de reformados volte a contribuir para o sistema de Segurança Social. Soa familiar?

 

Ou seja: na prática, e pelo menos ao nível do problema demográfico, não há rigorosamente nenhuma diferença entre um sistema contributivo e um sistema de capitalização. No primeiro, os trabalhadores cedem uma parte do seu salário aos pensionistas, sob a promessa implícita de que irão, no futuro, aceder a uma parte do PIB proporcional às suas contribuições; no segundo, cedem as suas poupanças a empresas (acções) ou Estados (obrigações), na esperança de ter direito a uma parte da produção destas entidades no futuro.

 

O erro, que espero ter tornado óbvio, está em pensar que a acumulação de poupanças corresponde a acumular produção para consumir mais tarde, como se as acções fossem bolotas. Ou, nas palavras (quase sempre) luminosas de Vítor Bento,  "os sistemas de capitalização não acumulam produção actual, posta de parte para distribuir no futuro. Acumulam apenas direitos de saque sobre a produção futura. Direitos esses que irão concorrer com os direitos primários de distribuição que a produção futura há-de conferir aos respectivos produtores". Pensar em termos macroeconómicos não é para todos.

 

 





26 comentários:
De La-c a 12 de Abril de 2012 às 01:24
Mas o aumento da poupança que decorre de um fully funded system keva a um aumento do capital de equilíbrio de longo prazo, pelo menos se as poupanças forem aplicadas internamente. Isso aumenta a produtividade do trabalho pelo que o tamanho do bolo aumenta.
Por outro lado, se a aplicação das poupanças for no exterior, os direitos de saque são sobre a produção futura do estrageiro, pelo que não padece dos problemas descritos. Ou estou a ver mal?


De Miguel Madeira a 12 de Abril de 2012 às 01:45
"Mas o aumento da poupança que decorre de um fully funded system keva a um aumento do capital de equilíbrio de longo prazo, pelo menos se as poupanças forem aplicadas internamente. Isso aumenta a produtividade do trabalho pelo que o tamanho do bolo aumenta."

Mas, por outro lado, um aumento da poupança, em principio, reduzirá a produtividade marginal do capital; ora como um sistema de capitalização é "alimentado" pelos rendimentos do capital, penso que o efeito desse aumento da poupança até será o de reduzir a sustentabilidade do sistema, já que fará reduzir a rentabilidade do capital.


De LA-C a 12 de Abril de 2012 às 01:59
Miguel, muitas das teorias do crescimento endógeno ligam o progresso técnico ao rácio de capital trabalho. Mas, pondo de parte questões relativas ao progresso tecnológico, é evidente que a produtividade do capital diminui.
Mas isso não altera o que eu disse: a produtividade média do trabalhador aumenta, pelo que para o mesmo número de trabalhadores, o produto aumenta; se o bolo é maior, o consumo médio não tem de descer tanto pelo que é incorrecto dizer que "não há rigorosamente nenhuma diferença entre um sistema contributivo e um sistema de capitalização". A não ser que eu esteja a ver mal a coisa.


De PR a 12 de Abril de 2012 às 02:31
LA-C,

"Mas o aumento da poupança que decorre de um fully funded system keva a um aumento do capital de equilíbrio de longo prazo, pelo menos se as poupanças forem aplicadas internamente. Isso aumenta a produtividade do trabalho pelo que o tamanho do bolo aumenta."

Sim. Por isso é que eu fiz questão de explicitar que é apenas "ao nível do problema demográfico", que "não há rigorosamente nenhuma diferença"</i> entre os dois sistemas :)

O sistema de capitalização, que eu defendo, tem várias vantagens face ao regime actual, mas são sobretudo vantagens de eficiência que se materializariam independentemente das circunstâncias demográficas.

É um pouco como dizer que se deve comer sopa para combater a prisão de ventre. A sopa faz sempre bem e se está ausente da dieta faz sentido incluí-la; mas não tem nenhuma vantagem particular no combate à prisão de ventre. Para este problema específico, é melhor usar um laxante.




De NS a 12 de Abril de 2012 às 11:45
Eu posso estar a ver mal a coisa, mas parece-me que um sistema de capitalização, ao permtir-lhe aproveitar o bolo global ou, por outras palavras, aproveitar a demografia indiana, constituindo direitos de saque sobre essa economia, permite um melhor isolamento dos problemas demográficos locais. No fundo, trata-se de diversificar a exposição a demografias individuais. E é um sistema dinâmico, em que se podem aproveitar as demografias mais atraentes em cada momento da vida activa.


De LA-C a 12 de Abril de 2012 às 13:19
NS,
parece-me bastante óbvio o que está a dizer, mas pelos vistos a Priscila Rêgo só se está a referir à demografia. E, realmente, não vejo como é que a demografia se altera por causa do sistema de pensões (a não ser no muitíssimo longo prazo).


De LA-C a 12 de Abril de 2012 às 13:20
NS,
parece-me bastante óbvio o que está a dizer, mas pelos vistos a Priscila Rêgo só se está a referir à demografia. E, realmente, não vejo como é que a demografia se altera por causa do sistema de pensões (a não ser no muitíssimo longo prazo).


De jj.amarante a 12 de Abril de 2012 às 10:30
Mais outro post muito claro sobre um assunto em que o nível de discussão é assustadoramente baixo. Há contudo um ponto do comentário em que tenho outra preferência, relativa à capitalização versus distribuição.

Acho muito perigoso entregar a instituições financeiras privadas as quantidades astronómicas de capital que constituirão os direitos de saque sobre as reformas futuras.

Nem o sistema económico anglo-saxão está bem protegido contra as fraudes como as que ocorreram,por exemplo, na Enron deixando os pensionistas sem cheta e o Estado americano a ter que acorrer (não sei até que ponto), nem muito menos o português, onde os pequenos accionistas do BCP se viram espoliados das suas poupanças em acções no meio de grandes louvores da comunicação social à excelsa gestão desse maravilhoso banco privado em que os accionistas de controlo corrompiam a administração com ordenados chorudos para que lhes concedessem empréstimos em condições ruinosas para o banco. A probabilidade de um cidadão ser vítima de fraude ou de investimentos ruinosos das suas poupanças se é considerável na anglo-saxónia, deve ser assustadora em Portugal.

Parece-me assim muito mais prudente deixar que os agentes da economia real criem riqueza, taxando essa riqueza quer directamente nas empresas quer nos rendimentos que distribuem/pagam aos accionistas7trabalhadores. Ao ter um nível de impostos adequado para o pagamento das reformas criar-se-á uma pressão sobre a produtividade que criará um incentivo à capitalização das empresas, para que estas possam suportar os impostos referidos.

O Estado limitar-se-ia assim a cobrar impostos e pagar cheques, tarefa considerada simples e apropriada a um Estado reduzido, conforme li num artigo do Brad De Long há uns anos e o sector financeiro, embora importantíssimo, reduziria um pouco o papel excessivo que agora tem.


De Nightwish a 13 de Abril de 2012 às 19:40
O problema é mesmo esse, as empresas americanas têm esvaziado os 401k das pessoas todas e não vai haver na mesma grande reforma para ninguém porque foi tudo gasto para cobrir CDS e fraúdes do género.


De Luís Lavoura a 12 de Abril de 2012 às 11:44
Um post absolutamente brilhante, que desmascara a falácia dos sistemas de capitalização. Parabens Priscila!!!


De APC a 12 de Abril de 2012 às 16:50
"Ora, se a população activa é muito menor do que antes - está reduzida a 500 mil pessoas - a produção efectiva à qual estes direitos estão indexados (o PIB) também é muito mais pequena. Na prática, os 4,5 milhões adquiriram direitos sobre um bolo minúsculo."

Porque têm estes direitos de estar indexados ao PIB Português? E a bancos portugueses? E porque não, por exemplo, commodities? Essa parte ficou um bocadinho mal explicada e a modos que era importante...





De Luís Lavoura a 12 de Abril de 2012 às 17:43
É claro que o método da capitalização tem essa vantagem, de permitir que os ativos estejam indexados a outros índices que não o PIB do país. Por exemplo, eu posso decidir investir todas as minhas poupanças de reforma em ativos sobre, por exemplo, o preço de commodities. Essa é de facto uma vantagem do método da capitalização.
Mas essa vantagem existe de forma independente da demografia do país. Nada tem a ver com a população do país estar a envelhecer ou não. As vantagens do método da capitalização existem, de facto, mas nada têm a ver com a evolução demográfica do país.


De Miguel Madeira a 12 de Abril de 2012 às 19:56
Têm a ver - porque a possibilidade de poder investir no estrangeiro em vez de só no país é uma vantagem exactamente na medida em que a demografia do país é menos crescente/mais decrescente do que no resto do mundo.

De qualquer maneira, penso que grande parte do mundo "receptor provável de investimento" está em crise demográfica, pelo que isto talvez não mude os termos do problema (neste momento, penso que está mais ou menos claro que, a partir do instante em que o país começa a ficar minimamente civilizado, a natalidade cai a pique)


De Luís Lavoura a 13 de Abril de 2012 às 09:41
Você está a confundir as coisas. O aumento demográfico de um país faz aumentar o PIB (o tamanho da economia), mas não faz necessariamente valorizar os ativos das empresas desse país. De facto, o tamanho da economia pode aumentar sem que no entanto as grandes empresas do país registem lucros especialmente atraentes. Por outro lado, pode haver empresas de outros países que se valorizem, apesar de a demografia desses países estar estagnada.
A título de exemplo, as ações da Jerónimo Martins têm-se valorizado bastante, apesar de essa empresa apenas estar presente em dois mercados (Portugal e Polónia) que têm demografias estagnadas.


De Miguel Madeira a 13 de Abril de 2012 às 23:38
A longo prazo, evoluem da mesma maneira - o valor dos activos das empresas tendem a ser proporcionais aos lucros, e a taxa de crescimento do total dos lucros numa economia tende a ser semelhante à taxa de crescimento da economia


De APC a 12 de Abril de 2012 às 21:13
Oh Luís, não tem? Mesmo? Nem era necessário o Miguel Madeira desenhar o croquis... Em todo o caso, acho giro que o post que denuncia a falácia seja falacioso...


De Luís Lavoura a 13 de Abril de 2012 às 09:35
Não há falácia nenhuma no post. O post fala da demografia de um país. Essa demografia não tem necessariamente a ver com a valorização dos ativos das empresas desse país. Por exemplo, durante muitos anos a demografia de África foi galopante, e no entanto os ativos (obrigações, ações, etc) de empresas africanas não se destacavam pela valorização. No sentido contrário, a demografia alemã está estagnada, no entanto as ações de empresas alemãs são um bom investimento. Aliás, há empresas portuguesas que também se valorizam muito, apesar de a demografia portuguesa estar estagnada. Ou seja, se você quiser poupar para a reforma investindo, por exemplo, em ações da Jerónimo Martins, poderá estar a fazer uma excelente poupança.
A demografia tem pouco ou nada a ver com a valorização dos ativos.


De Miguel Madeira a 12 de Abril de 2012 às 22:35
O post não é assim tão falacioso - realmente, o argumento "temos que passar para a capitalização por causa da crise demográfica" pode não ser totalmente uma falácia a nível nacional, mas é-o a nível mundial.


De um país com 3 milhões de dependentes a 14 de Abril de 2012 às 03:24
e milhão e meio de larvas

e um milhão de man infestantes naturais

nã capitaliza muito né....


De Miguel Madeira a 14 de Abril de 2012 às 12:04
Já agora, um post que escrevi há 6 anos sobre o assunto

http://ventosueste.blogspot.pt/2006/07/sustentabilidade-da-segurana-social.html

E a resposta do Rodrigo Adão Fonseca:

http://blueloungecafe.blogspot.pt/2006/07/de-sueste-sopra-uma-boa-brisa.html


De e o que faz um revisor fotográfico a 15 de Abril de 2012 às 01:41
a escrever?

se uma imagem vale mil palavras....



De nã a falácia nã dá.... a 15 de Abril de 2012 às 01:49
1 resultado (0,21 segundos)


e o mês de julho tem muitos postes desde a extrema-esquerda

até ao hitler ser pró vida lá para Dezembro
apesar da eutanásia das bocas inúteis do martinho lutero

a SS nã entra

A falácia da Segurança Social - A Douta Ignorância
adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/294920.html?view=923144
3 dias atrás – Já agora, um post que escrevi há 6 anos sobre o assunto http://ventosueste.blogspot.pt/2006/07/sustentabilidade-da-segurana-social.html

nã digo que na tenha escrito...mas


De P a 16 de Abril de 2012 às 07:39
Estou-me marimbando para o que os senhores doutores digam. Na Dinamarca um casal, ele polícia e ela professora, 2 filhos, destinam SESSENTA por cento do seu rendimento para impostos. Pois sim o nível cívico na escandinavo é muito superior. A Suécia em MIL NOVECENTOS tinha UM por cento de analfabetos e Portugal em 2003 ainda estava no SETE. Não conheço aqui os senhores doutores mas, sendo em Portugal, é muito provável que sejam filhos família cujos cursos foram pagos à custa de rendas agrícolas de quintas cujos trabalhadores viveram as suas vidas em abjecta miséria. Falem da desigualdade de rendimentos em Portugal.
E fiquem-se com esta historieta:
Há uns anos (creio que em 2008/9) leio na PRIMEIRA pág. de um diário, como título principal - « Atraso português deve-se a baixas qualificações dos trabalhadores.» Poucos dias depois num semanário económico ( ou num destacável sobre economia - não lembro exactamente) leio nas pág. INTERIORES numa caixinha pequenina que estudo de organismo estrangeiro que não lembro, conclui que o atraso português se deve à pouca qualidade das elites económicas portuguesas. Para apoucar as classes populares as páginas principais e em destaque, quando a notícia denigre as elites a maior discrição possível.


De P a 16 de Abril de 2012 às 07:42
Lista de países com as mais altas taxas de desigualdade de rendimentos na OCDE
1. Chile
2. Mexico
3. Turkey
4. United States
5. Israel
6. Portugal
7. United Kingdom
8. Italy
9. Australia
10. New Zealand


Comentar post

autores

Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

comentários recentes
Great post, Your article shows tells me you must h...
You’ve made some really good points there.I looked...
دردشة سعودي ون (http://www.saudione.org/) سعودي و...
شات فلسطين (http://www.chat-palestine.com/) دردشة ...
http://www.chat-palestine.com/ title="شات فلس...
شات فلسطين (http://www.chat-palestine.com/) دردشة ...
كلمات اغنية مين اثر عليك (http://firstlyrics.blogs...
o que me apetecia ter escrito. mas nao o faria mel...
good luck my bro you have Agraet website
resto 5resto ya 5waga
posts mais comentados
125 comentários
114 comentários
53 comentários
arquivo

Fevereiro 2013

Novembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

links
subscrever feeds