Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
Priscila Rêgo

E é em parte por culpa própria. A Helena Matos, por exemplo, acha estranho que os técnicos da OCDE recomendem a contextualização de resultados das escolas tendo em conta o ambiente sócio-económico dos alunos.

 

Claro que o texto original do Sol é ambíguo. Não se percebe muito bem o que é que deve ser contextualizado nem para que efeitos, mas a formulação da própria Helena Matos dá a entender que a ideia é simplesmente ponderar os resultados obtidos por cada aluno pelo seu background sócio-económico, para assim inferir melhor a verdadeira qualidade das escolas em causa. 

 

Dito assim, parece uma recomendação razoavelmente banal. Certamente que a Helena Matos não defende que a qualidade dos médicos do falecido João Paulo II devia ser avaliada através do estado de saúde do anterior Papa. O que conta é o valor acrescentado do serviço, que implica deduzir ao output (a saúde) os inputs relevantes (a saúde do Papa antes de ser tratado pelos médicos). Contornar esta "contextualização" é como avaliar a qualidade do cabeleireiro da Helena Matos através daquilo que vemos nas suas intervenções televisivas. Não se faz. 

 

Por muito que em termos práticos este ajustamento seja difícil de fazer, mesmo um método imperfeito é melhor do que método nenhum. E não é preciso entrar em econometria (embora isso fosse provavelmente o ideal). Uma forma possível, gizada às duas da manhã e que apresento sem aqui sem compromisso, é utilizar testes standard para avaliar o grau de conhecimento dos alunos quando entram numa escola e o nível de capacidades que têm à saída. Esta informação não deveria ser usada para ajustar resultados dos alunos, mas ser parte integrante da avaliação das escolas - e, por conseguinte, dos professores. 

 

Leitura recomendada: Socialismo involuntário à direita, pelo Alexandre Homem Cristo.

 

   


19 comentários:
De Luís Lavoura a 12 de Abril de 2012 às 11:39
mesmo um método imperfeito é melhor do que método nenhum

Convem recordar que essa não foi a opinião da direita portuguesa quando se opôs à avaliação dos professores (e, de facto, votou a favor da sua extinção).


De iupi a 12 de Abril de 2012 às 13:09
'testes standard para avaliar o grau de conhecimento dos alunos quando entram numa escola e o nível de capacidades que têm à saída'
e que poderemos concluir ao avaliar conhecimentos à entrada e capacidades à saída?



De Miguel Madeira a 12 de Abril de 2012 às 13:33
O valor acrescentado do professor?


De iupi a 12 de Abril de 2012 às 15:39
à entrada avaliamos alhos e à saída bugalhos...

e o mesmo professor tem o mesmo desempenho em qualquer escola?

e a educação de aqui se fala serve para formar talhantes, prontos a usar, ou para formar homens prontos, também, para serem talhantes?



De caramelo a 12 de Abril de 2012 às 17:09
'testes standard para avaliar o grau de conhecimento dos alunos quando entram numa escola e o nível de capacidades que têm à saída'"

Está muito certo. Eu só acho que para eliminar distorções do tal factor socio-económico, no dia da entrada dos miúdos no primeiro ano encerram-se os portões da escola a cadeado e só voltam a abrir-se no dia da formatura, no último dia de aulas do 12º ano. Tudo lá dentro, alunos e professores, internato rigoroso, isolados do contexto, pasteurizados, e vamos ver como é que eles saem.

Não sendo possível, não interessa, adoramos rankings, perfeitos ou imperfeitos. Listas, números, percentagens, quadros de honra, hall of fame. Eu adoro os almanaques americanos por isso mesmo. Têm rankings para tudo. Eu queria fazer um ranking de clubes de futebol, mas com este sistema das divisões nacionais e distritais, não dá. Junta-se tudo e faz-se um ranking nacional. Que tal? É um incentivo para o Desportivo da Senhora do Monte, se trabalhar muito, chegar ao nível do Benfica.


De Luís Lavoura a 12 de Abril de 2012 às 17:37
Um método, embora imperfeito, é fazer exames nacionais aos alunos, à entrada e à saída.
Os exames devem ser feitos à americana, com problemas aos quais os alunos não tenham que responder, mas apenas que assinalar a resposta certa de entre meia dúzia de respostas dadas (testes de cruzinha). Esses exames podem ser corrigidos por computador e são imunes a problemas subjetivos de interpretação da resposta do aluno.
Os exames devem também ser classificados à americana. Em vez de se ver a pontuação total, vê-se antes a pontuação relativa - quantos alunos que fizeram um determinado teste tiveram nota pior do que um determinado aluno. Dessa forma elimina-se o problema do diferente nível de dificuldade entre testes diferentes.
Depois basta comparar entre o nível dos alunos à entrada e à saída da escola (ou do ano, ou do ciclo, etc). Se, por exemplo, um alno à entrada da escola tivesse 53% no teste nacional e à saída da escola tivesse 71%, isso quereria dizer que esse aluno tinha, durante a frequência dessa escola, progredido em relação à média de todos os alunos do mesmo ano a nível nacional.
Se um tal método simples não é implementado cá em Portugal, é porque os portugueses (1) têm horror a testes de cruzinhas, que não permitem avaliações subjetivas e compreensivas, e (2) não gostam de classificações relativas.


De Pedro a 12 de Abril de 2012 às 21:53
Luis Lavoura, acredite que os portugueses adoram testes de cruzinhas. Tem uma componente subjectiva que os portugueses adoram, a maior de todos: a sorte. Eu acho que os miúdos, particularmente, iriam adorar.


De Miguel Madeira a 12 de Abril de 2012 às 22:37
Eu iria adorar (já que os professores costumavam descontar-me por não desenvolvia as respostas).


De Pedro a 12 de Abril de 2012 às 22:48
Descontavam, mas descontavam mal. Um homem de acção não engonha com essas mariquices das respostas desenvolvidas, nem há lá hermenêuticas. Um Homem age rapidamente e arrisca. Ninguém percebe os miúdos.


De ninguém percebe os miúdos nem eleS... a 13 de Abril de 2012 às 00:19
e isso é reflexo de um systema de ensino que permite aos ditos cujos debitar respostas duais (certas ou erradas, correctas ou incorrectas, resposta má resposta divinal,
incompleta completa)

e o resultado dá em abortos que debitam mas não refletem sobre o que escarram

que gostam de se mostrar insultando os demais ao estylo dos gangs angolanos da reboleira (nã Sacas da naifa és paneleiro) mas nã gostam de se sentir diminuidos

respect...
e pur isse temos um ensino simplex
para gentes simplex
de resto igual ao de muitos outros

uma visita de estudo serve para fugir da monotonia escolar
visita de estudo a 100 metros da escola?
isse nã é visita de estudo
nós vivemos aqui...pecebido? naaahhhh ó filhos da educação mação que só serve às editoras

o livro único é fascista
a diversidade progressista
ter 10 livros diferentes que dizem todos o mesmo
de facto é progresso
mudá-los de 6 em 6 anos é um retrocesso civilizacional


De Luís Lavoura a 13 de Abril de 2012 às 18:13
Não acho que os portugueses adorem a sorte mais do que qualquer outro povo.
A cultura portuguesa é essencialmente católica e rege-se pelo princípio de que toda a norma pode ser violada, desde que haja uma justificação adequada para isso. (É a lógica das "circunstâncias atenuantes" numa condenação.) Nessa lógica, a explicação para uma determinada resposta conta imenso. Ou seja, o professor, independentemente de a resposta do aluno estar certa ou errada, deseja analisar e ponderar as circunstâncias, raciocínios e feelings que o aluno utilizou para chegar a essa resposta, e depois dá uma classificação consoante gosta ou desgosta desses raciocínios. Como é evidente, uma tal classificação tende a ser altamente subjetiva (a começar pelo facto de que, muitas vezes, o professor não consegue compreender o raciocínio do aluno). Por isso, embora os portugueses detestem testes de cruzinhas, a mim parece-me que eles são essenciais se se pretende obter uma qualquer avaliação minimamente rigorosa do progresso dos alunos.


De Pedro a 15 de Abril de 2012 às 23:07
Luis Lavoura tem um teste de cruzinhas assim: Qual é o simbolo quimíco do cádmio:
a) Ca
b) Cd
c) Pb

Até uma criança de um ano com um lápis na mão tem grandes hipóteses de acertar.


De Luís Lavoura a 16 de Abril de 2012 às 09:15
É verdade. Em todos os testes, sejam eles de cruzinhas ou não, pode-se fazer perguntas fáceis ou perguntas difíceis.


De Pedro a 16 de Abril de 2012 às 10:27
Não percebeu. Em qualquer teste de cruzinhas, sem excepção, uma criança pode acertar. No caso, uma criança de um ano pode revelar-se um sobredotado da quimica. Obviamente, se a pergunta fosse, simplesmente, "qual o simbolo quimico do cádmio", outro galo cantaria. Ai é preciso mesmo... saber. O teste das cruzinhas é um apelo à preguiça e ao confiar na sorte, o mais subjectivo dos factores.


De Luís Lavoura a 16 de Abril de 2012 às 10:42
(1) É fácil, com sorte, acertar numa pergunta. É difícil acertar em três ou quatro. Dificilmente um mau aluno obtem um bom resultado num teste de cruzinhas apoiando-se apenas na sorte.

(2) Não estou a propor que se utilize estes testes para avaliar os alunos individualmente. Proponho que eles sejam utilizados para avaliar turmas ou escolas. Numa tal grande estatística, os efeitos da sorte tornam-se ainda mais diluídos. Será difícil dizer que todos os 20 alunos de uma turma tiveram bom resultado no teste porque todos eles tiveram sorte na escolha das cruzinhas - será mais racional dizer que tiveram todos boa nota porque a professora os ensinou bem.

(3) Mesmo em testes individuais, os efeitos da sorte são parcialmente contrabalançados pelos efeitos da subjetividade dos professores na avaliação de testes tradicionais. A título de exemplo, eu uma vez fiz um exame da universidade em que a professora me deu 14; quando fui à revisão do teste com ela, ela concordou que tinha corrigido mal praticamente todas as perguntas e subiu-me a nota para 18.


De Miguel Madeira a 16 de Abril de 2012 às 17:34
Comvem lembrar que nas versões mais radicais dos "testes de cruzinhas", uma resposta certa conta 1 valor e uma resposta errada conta -0,5 valores (numa questão com 3 perguntas, como no exemplo). Ou seja, é quase impossivel ter um bom resultado por pura sorte - uma pessoa que responda ao acaso terá, em média, zero valores.


De andre a 14 de Abril de 2012 às 23:54
O que é que o background sócio-económico tem a ver com os resultados dos alunos?
Não há paciência para estes analistas da treta!


De Miguel Madeira a 15 de Abril de 2012 às 22:56
Em 2007, uma diferença de 100 unidades de poder de compra concelhio (medidos pelo INE) levavam a uma diferença média de 1,5 valor no exame de Matemática do 12º ano:

http://ventosueste.blogspot.pt/2007/11/anlise-s-notas-dos-exames-do-secundrio_7709.html


De chat a 14 de Julho de 2014 às 16:03

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