Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Priscila Rêgo

Pelo menos, é o que dizia hoje o Diário Económico. Mas e depois?

 

Quer dizer, é óbvio que esta decisão é péssima para os produtores, que arcam, nas suas contas, com o ónus da promoção de 50% do último primeiro de Maio. Mas não é nada óbvio que este seja um problema de política económica, como a ministra da Agricultura o enquadrou.

 

Imaginemos que noutro sector qualquer - a venda de casas ou de electrodomésticos, por exemplo - há uma descida de preços abrupta. É mesmo relevante, para o consumidor final, como é que se divide o valor acrescentado ao longo da cadeia de valor? Eu não quero saber se o meu computador ficou mais barato por causa da montagem, da distribuição, do processador ou da RAM. Só quero que a coisa fique barata mantendo a mesma qualidade. O resto é, para o consumidor, informação inerte. 

 

As dificuldades dos pequenos produtores, a existirem, devem ser tratadas no âmbito da política social do Estado, que já cai um pouco fora do domínio de competências da ministra da Agricultura, e que exigiriam uma resposta substancialmente diferente da que foi ventilada para a comunicação social (regulação de promoções, descontos e por aí fora). E esta resposta deve ser transversal a todos os sectores: não há nenhuma razão para que os pequenos produtores tenham mais ajuda ou apoio do que empresários ou trabalhadores da restauração ou construção. 

 

Se há problemas de concorrência ao nível da distribuição - e o artigo do Económico é demasiado vago para que se perceba se é isto que está na origem deste aparente fenómeno de pass-trough -, pois então que sejam combatidos na fonte, através da eliminação das barreiras à entrada no mercado (e há muito por onde ir, como mostra o Pedro Pita Barros neste post fenomenal). Criar legislação para camuflar os sintomas de um problema latente é que não é boa ideia. Não vamos criar uma distorção para combater outra distorção.

 

P.S.- Uma possível leitura da notícia do Económico é que o Pingo Doce está simplesmente a forçar os produtores a assumirem os descontos à revelia dos contratos assinados. Se é este o caso, é óbvio que é um problema a exigir acção do Estado. Mas ao nível dos tribunais, e não da ministra Assunção Cristas. 


13 comentários:
De Nuno Gaspar a 9 de Maio de 2012 às 13:38
"não é nada óbvio que este seja um problema de política económica,"

Permitir que o lucro de toda cadeia de valor se concentre num dos elos esgotando todos os outros e abrindo espaço para que o seu lugar venha a ser ocupado por produção estrangeira, de países onde estes equilíbrios são tratados a sério, sem o país dispôr de fontes alternativas de rendimentos para a pagar não é um problema de política económica? Então é um problema de quê?

http://www.magrama.gob.es/es/estadistica/temas/estadisticas-alimentacion/observatorio-precios/

http://www.franceagrimer.fr/

http://data.gov.uk/dataset/agricultural_price_index

Se é só para assistir da bancada, poupemos o dinheiro que gastamos com esta políticos e estes académicos e importemos os que se esforçam, nos seus países, por acrescentar viabilidade aos agentes económicos que os sustentam.


De Nuno Gaspar a 9 de Maio de 2012 às 14:04
"Eu não quero saber se o meu computador ficou mais barato por causa da montagem, da distribuição, do processador ou da RAM. Só quero que a coisa fique barata mantendo a mesma qualidade"

Nós também queremos receber a taxa de juros pelos depósitos que os bancos estão dispostos a pagar e o Banco de Portugal não deixa porque diz que se forem praticadas aumentamos o risco de implosão do sistema financeiro. É muito duvidosa a ideia de que o mercado a funcionar sozinho assegura a formação de preços que melhor serve a maior criação de riqueza.


De Nuno Gaspar a 9 de Maio de 2012 às 14:31
Afinal parece que os próprios estão a ganhar muito com a iniciativa.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=555723


De Chiquita a 9 de Maio de 2012 às 17:12
Vamos imaginar que uma grande distribuidora compra toda a produção de bananas a um pequeno país da América Central. Um dia distribui bananas como brinde aos seus consumidores e depois imputa os custos aos bananeiros. É por essas e por outras que às vezes surgem as revoluções nas repúblicas das bananas. A gente aqui, para evitar revoluções dos campónios, dá-lhes RSI. Politica económica? Que é isso?


De Luís Lavoura a 11 de Maio de 2012 às 16:05
Priscila, desculpe que lhe diaga, ams que post tão estúpido!

É óbvio que é um problema de política económica. De facto, a política económica não se pode concentrar somente nos consumidores, tem que se concentrar sobremaneira nos produtores.

Eu não conheço bem a situação neste setor, mas presumo que seja assim: ausência de contratos escritos firmes. O Pingo Doce provavelmente não tem contratos firmemente escritos com os seus fornecedores, ou então tem-nos mas não os respeita. Os produtores não se queixam - inclusivé não se queixam aos tribunais - porque sabem que, ou escoam a sua produção por ali, ou não a conseguem escoar. Pura e simplesmente, a distribuição faz o que quer da produção.

Para mim é claro que este é um problema de política económica. É do interesse desta que os produtores não sejam todos varridos do mapa.

Ou será que a Priscila encara um país só de consumidores, todos felizes com o dinheiro que cai das árvores, a consumir produtos todos importados?


De rosa a 11 de Maio de 2012 às 17:40
...não quer saber?E se for usado trabalho escravo?Ou trabalho infantil? Ou a fábrica deitar o lixo para o ribeiro mais próximo? Nada disso importa? Só o preço e a qualidade? O consumidor não tem responsabilidades?


De zzzzzz a 14 de Maio de 2012 às 22:32
Este deve ser o blog mais preguiçoso do mundo


De Bruno A. a 23 de Maio de 2012 às 13:06
Não me oponho à campanha da JM, mas este grupo não deve abusar do seu poder negocial para forçar os produtores a dar um desconto. Os produtores são sempre parte fraca para estes grupos. Outro exemplo, é o poder negocial do IKEA que devido ao seu enorme poder negocial apertou até a exaustão as margens de muitos produtores quando chegou a Portugal. Não sei se isto pode ser resolvido em tribunal. As empresas não devem perder o seu tempo em litígios mas em produzir. O governo deve intervir.


De O Pingo doce pelo menos a 29 de Maio de 2012 às 00:40
não denuncia os contratos com o morango a apodrecer nas prateleiras e vai comprar tudo a espanha como o grupo Auchan e assim diminui as perdas por apodrecimento dos morangos no campo.
É que em espanha o morango está mais fresquinho, logo denuncia o contrato por má aparência devido aos 30ºC do mês de Maio.


De é um problema a exigir ao Rego dos cons a 29 de Maio de 2012 às 00:45
Consumam Cons Consumam há 15 toneladas de ameixa já prontas a seguir e 60 tones de pêssego têm 2 semanas para ir comprar ao Pingo Doce que ódespois desligamos a água
ó bestas se boçês nã consomem comé que podemos pagar a iágua da rega nos regos?


De NG a 1 de Junho de 2012 às 15:23


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