Sexta-feira, 8 de Junho de 2012
Priscila Rêgo

Acerca da discussão entre as causas do desemprego (ver João Miranda e Miguel Madeira), o Carlos Novais diz o seguinte:

 

Quando a economia entra em recessão, a massa salarial tem necessariamente de baixar. E assim, quanto mais pessoas quiserem proteger (via legislativa ou voluntária não aceitando revisão dos contratos) a totalidade do seu salário mais pessoas irão perder a totalidade do seu salário (desemprego).

 

Isto parte do princípio de que as empresas tentam reagir a uma quebra de procura baixando salários. Mas não é óbvio que esta seja a melhor opção - mesmo do ponto de vista do próprio gestor-maximizador-de-lucro. Por exemplo:

 

a) Baixar salários pode ter um custo motivacional. Se isto for verdade, é melhor tentar poupar 1000€ com um despedimento do que uma redução salarial across-the-board que permita a mesma poupança. Assim, mantém-se o nível motivacional dos que trabalham e concentra-se o desconforto nos elementos que já não contam para o processo produtivo (os desempregados).  

 

b) O elemento anterior ganha ainda mais força se se assumir que os trabalhadores não são todos iguais e que há relações contratuais mais fáceis do que romper do que alíneas de outros contratos. Mesmo que a produtividade marginal seja semelhante, os custos motivacionais (e reputacionais) variam de trabalhador para trabalhador, o que justifica, do ponto de vista da análise custo-benefício, um tratamento divergente.

 

c) A negociação salarial não é feita em leilão. No curto prazo, os salários resultam de 'bluffs' ["tenho uma proposta da concorrência, quer cobrir?"], jogos de aparências e golpes de sorte. Devido a esta assimetria informacional, um gestor pode ter receio de que um apelo à redução de salários seja lido não como uma forma de manter postos de trabalho mas como um desejo de alterar a divisão de lucros entre o trabalho e o capital. 

 

d) Há custos de "menu" que, mais uma vez, não estão distribuídos de forma homogénea. É mais fácil prescindir do trabalho de umas dezenas de "recibos verdes", e voltar a contratá-los se a conjuntura melhorar, do que baixar milhares de salários e posteriormente voltar a subi-los (até por causa dos problemas da negociação identificados no ponto anterior).

 

Agora imaginem estas fricções a actuar todas ao mesmo tempo e percebem por que é que no mundo real as coisas não funcionam como o modelo simples de microeconomia I prevê.    

 


8 comentários:
De José Freitas a 10 de Junho de 2012 às 14:48
Dia de Portugal, quando está a ser governado por ordens de estrangeiros. Pouco difere da época de 1580 a 1640!
Tivemos o azar de não jogar nada até sofrermos o golo.
Na primeira parte estivemos a ver os alemães a jogar, que até jogaram bastante mal, passes errados para a área de Portugal, péssima finalização, caso contrário tínhamos sido goleados. Pepe rematou quase bem e Suíça 5 – Alemanha 3.
Só começamos a jogar quando sofremos o golo, mas já não havia tempo. A pergunta que se coloca é esta. Por quais razões não começamos a jogar logo no início do jogo, como a Suíça, que lhes ganhou por 5-3?
É interessante o blog.
O excelentíssimo António Borges quer que os salários de fome passem a ser salários de muita fome. Mas ele ganha um salário muito interessante e é mais um «moralista».
O LAZER É ÓPTIMO, O PIOR É QUANDO FALTA O SUBSÍDIO DE FÉRIAS.
Um programa recente da SIC Notícias disse mentiras sobre o caso «Equador», que tem frases inteiras copiadas de «Cette nuit la liberté».
MST é um «moralista» anti-Esquerda.
É sempre bom conhecer melhor um «moralista».
A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».



De Luís Lavoura a 11 de Junho de 2012 às 10:19
É salutar ler estas análises ao mundo real da Priscila em vez dos modelos abstratos, sempre monotonamente iguais, do Carlos Novais. Ele é um bocado como os comunistas, tem uma cassete dentro da cabeça que debita sempre a mesma música.


De NS a 11 de Junho de 2012 às 13:16
Há dois tipos de empresas em que uma baixa de salários pode ser benéfica. Em primeiro lugar, nos "vãos de escada" dos sectores tradicionais, que operam no limiar da sobrevivência. Apesar de não caberem nos discursos redondos da competitividade e da produtividade empregam pazadas de pessoas neste país, muitas delas dificilmente "reconvertíveis".
A redução de salários pode influenciar a rendibilidade de uma multinacional e influenciar a sua decisão de instalação ou desinstalação , principalmente empresas que vieram para Portugal devido aos baixos custos de mão de obra e que são intensivas nesse factor. empregam muita gente e muita dessa gente também não passa a operar máquinas robotizadas de um dia para o outro.


De Luís Lavoura a 11 de Junho de 2012 às 15:29
muita dessa gente também não passa a operar máquinas robotizadas de um dia para o outro

Parece julgar que operar máquinas robotizadas custa muito.

Tenho dois primos que trabalham na Revigrés, uma empresa produtora de mosaicos cerâmicos. Ambos eles têm o 9º ou 12º ano, não mais. Todo o trabalho nessa empresa é feito por máquinas, que eles se limitam a vigiar. Carregam em botões, desencravam a máquina, etc. Não precisaram de nenhuns conhecimentos académicos especiais para trabalharem lá. Apenas precisaram de formação, claro. A mesma formação que você ou eu, ou qualquer pessoa, precisaria.

Para trabalhar com máquinas robotizadas é preciso ter-se uma boa cabeça e uma boa formação, mas não necessariamente quaisquer atributos especiais.


De NS a 11 de Junho de 2012 às 18:14
Repare que a máquina robotizada era uma metáfora - não tenho a menor ideia se tal é difícil ou fácil. A questão é que a experiência demonstra que quanto menor é a formação e maior a idade, mais difícil é a reconversão. Pensar que isso é fácil, barato e rápido é o tipo de fantasia que pode ter custos sociais brutais. O que me parece é que a Priscila está a falar no mercado dos técnicos qualificados, que não é o mercado de trabalho todo. Numa situação como aquela que vivemos, a margem ganha uma importância excepcional.


De Miguel Madeira a 11 de Junho de 2012 às 18:55
"A questão é que a experiência demonstra que quanto menor é a formação e maior a idade, mais difícil é a reconversão. "

Tenho algumas duvidas na parte da "formação"; para falar a verdade, até suspeito que a reconversão profisional dos trabalhadores até é mais fácil nos sectores pouco qualificados do que nos qualificados (por outras palavras, é mais fácil um auxiliar de acção médica passar a empregado de mesa do que um enfermeiro a técnico de dietética e nutrição).

Claro que os trabalhadores com mais formação têm a vantagem de ter acesso ao empregos da sua área especializada e mais a todos os não especializados.


De تاريخ اليوم a 15 de Fevereiro de 2014 às 06:19
A título de exemplo, a maior parte das doenças podem ser diagnosticadas, e um tratamento para elas prescrito, por uma pessoa com um nível reduzido de especialização. Outro exemplo, a maior parte dos partos podem ser realizados por parteiras, bastando um médico obstetra para supervisionar um número elevado de partos.


De chat a 14 de Julho de 2014 às 15:42

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