Quinta-feira, 28 de Junho de 2012
Tiago Moreira Ramalho

São poucas as grandes crises que não precedem grandes mudanças. Porque, por um lado, uma grande crise põe a nu os excessos e defeitos das comunidades afectadas e porque, por outro lado, no meio da miséria geral, a percepção é a de que pouco há a perder em mudar. Se, por um lado, traz saúde tirar as roupinhas às falhas, há que haver sempre um equilíbrio na verve progressista de quem julga que o mundo é um gigante erro a cada manifestação menos boa.

A construção europeia foi feita num suceder de remendos a manifestações menos boas desse possível grande erro. Os primórdios responderam a uma guerra e a um regime nefasto mais a leste. Os avanços subsequentes foram reacções a mal-estares, europessimismos ou simples rebentar de costuras. Hoje, perante uma nova grande crise, falamos de novo em mudar tudo. Falamos em tratados orçamentais, falamos em governos europeus, falamos em federalização de dívidas, falamos em mudanças profundas da condução de política do BCE. Cada pequeno interveniente procura, no seu estiradorzinho de arquitecto institucional, atirar uns pozinhos de perfeição à bagunça reinante. Tudo ao mesmo tempo que se demonizam uns, infantilizam outros e se mantém a rebaldaria em lume brando.

Não há nada que impeça um tratado orçamental, como não há nada que impeça um BCE diferente, ou um governo europeu, ou qualquer outra mudança em cima da mesa. O problema não são necessariamente as possíveis mudanças, mas sim a tremenda falta de credibilidade das nossas regras. O funcionamento europeu é de uma instabilidade impressionante. As poucas regras que existem são sistematicamente violadas, roubando-se estabilidade aos que vêm por um leve respirar dos que estão. E não há interveniente político, por muito mentalmente diminuído que seja, que não se sinta no direito de impor mudanças profundas a bem de ridículos ganhos presentes. A atitude poderia resumir-se na magna voz do inaudito parlamentar António José Seguro, que foi capaz de, numa discussão sobre a posição de Portugal no Conselho Europeu, dizer que se o BCE emprestasse directamente aos Estados, Portugal já podia ter subsídios de férias e Natal para os funcionários públicos e pensionistas. Uma mudança fundamental no funcionamento europeu para que Portugal pagasse dois subsídios. Seriam óptimos, os subsídios, não tenhamos dúvidas. Mas melhor ainda seria manter um módico de dignidade nacional. Isso, ou passarmos pelos pequenos hippies da União.


2 comentários:
De chat a 14 de Julho de 2014 às 15:30

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De دقات قلبي a 11 de Dezembro de 2014 às 03:43
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