Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
Tiago Moreira Ramalho

Escrevi, em tempos, e por ignorância, algumas barbaridades sobre o caso de Inês de Medeiros. Por sorte ou por azar, suponho que ela nunca tenha lido nada. De qualquer modo, o easy-triggerismo, misturado com alguma pomposidade e algum exagero estilístico, levou a que condenasse sem mais nem menos aquilo que não era, de todo, condenável.

A verdade é que, a indignarmo-nos com alguém, temos de nos indignar com os autores – provavelmente alguma sociedade de advogados – da lei que regula as ajudas de custo dos deputados nas suas deslocações a casa. É inadmissível que, ao mesmo tempo que é permitido o absurdo de um indivíduo se candidatar por um círculo que não é o da sua residência, não se salvaguardem situações destas. Todo este forrobodó derivou de uma omissão na lei, o que é, parece-me, lamentável.

Agora, depois de Jaime Gama ter decidido – não decidiu propriamente, pois nada havia a decidir – que o Estado iria subsidiar as viagens de Inês de Medeiros tal como subsidia a de outros deputados, apeteceu a Paulo Portas chover no molhado e criar (ou recriar) uma lei com o propósito de afectar uma pessoa em concreto – parece-me que há por aí uns tipos já mortos que explicam que este não é um bom principio para as leis. Inês de Medeiros, presumivelmente farta, decidiu abdicar das ajudas de custo e terminar o festim.

Podemos considerar Inês de Medeiros uma mediocridade intelectual – não esqueço isto – e podemos achar injusto que se paguem as viagens, mas a verdade é que no meio de tudo isto, a pessoa em causa não teve culpa absolutamente nenhuma.

Esperemos, no entanto, que, com o assunto resolvido, Paulo Portas mantenha a proposta de revisão da lei, para que tudo fique clarificado. Bem sabemos que assim já não há festa, mas ao menos não se perdia tudo.


2 comentários:
De Luís Serpa a 4 de Maio de 2010 às 00:18
a) Não teve culpa? Teve. Podia ter feito isto mais cedo; ou ter dito que enquanto não se esclarecesse o assunto pagava ela as viagens; ou ter renunciado. Agora dizer que nada fez para manter a dignidade da AR? Vá gozar outros;

b) É uma mediocridade - não sei se intelectual, se política. Mas, verdade seja dita, não deve ser a única, lá no sítio do qual quer proteger a dignidade;

c) Talvez seja tempo de as pessoas que querem fazer política (opção que à partida até é, ou devia ser, nobre) se aperceberem que as insuficiências legislativas não devem justificar o regabofe em que isto se está a tornar.

É de mais.



De anónimo a 4 de Maio de 2010 às 10:45
É um caso tão insignificante que ao receber tratamento e empolamento jornalístico se transforma num não-caso, porque vêm pôr a nu o que há de mais mesquinho, miserável e aviltante em homens eleitos numa democracia. O caso do pagamento de viagens a Inês de Medeiros é o exemplo mais acabado e perfeito do nosso trogloditismo.

Quando Inês de Medeiros foi eleita deputada para o Parlamento português tinha residência fixa em Paris. Se se paga a todos os deputados as deslocações domícilio-Parlamento e Parlamento-domícilio, então Inês de Medeiros tem pleno direito a esta remuneração. Branco é galinha o põe. Viva a deputada em Paris, Tóquio ou nos confins da Amazónia. O resto é conversa para empata-f*das. Devia ser.

E não é. Com tais piolhices gastam os deputados portugueses o seu tempo e o nosso dinheiro no Parlamento, ficando-nos mais caros que as viagens legítimas da deputada Inês de Medeiros. Com tais punhet*ces se entretêm o nosso jornalismo, a revolver, despertar e acirrar os nossos “nobres” instintos. Como se não fôssemos já campeões do mundo em invejas, malquerenças e pacovice.

Quando os nossos rurais parlamentares se pavoneiam por metrópoles como Paris, Londres ou Berlim querem dar-nos a entender que se sentem em casa. Vive uma deputada, de facto, numa dessas metrópoles procuram os saloios do nosso cosmopolitismo o melhor argumento que existe nos seus fundilhos, ai Jesus, Nossa Senhora, ela vive no estrangeiro!

Depois esta falta de generosidade, grandeza e dignidade! Enfim, de meter nojo aos cães!


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