Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Tiago Moreira Ramalho

Ainda não acabei de o ler, que as minhas viagens de transportes públicos, apesar de longas, não permitem milagres, mas o ensaio «What Is Living and What Is Dead in Social Democracy», de Tony Judt publicado na New York Review of Books, é, fundamentalmente, extraordinário. O leitor, tal como eu, pode não concordar sempre, mas fica sempre bem disposto por conseguir inferir da prosa que o autor é, essencialmente, uma pessoa com inteligência rara. Destaco, porque sou extremamente parcial e sectarista, esta bonita visão que Judt nos dá sobre os desastres que a Europa sofreu no século passado. E se tudo se tiver resumido a um estrondoso falhanço da esquerda?

 

«Three of these men [Popper, Hayek e Schumpeter] were born in Vienna, a fourth (von Mises) in Austrian Lemberg (now Lvov), the fifth (Schumpeter) in Moravia, a few dozen miles north of the imperial capital. All were profoundly shaken by the interwar catastrophe that struck their native Austria. Following the cataclysm of World War I and a brief socialist municipal experiment in Vienna, the country fell to a reactionary coup in 1934 and then, four years later, to the Nazi invasion and occupation.

All were forced into exile by these events and all—Hayek in particular—were to cast their writings and teachings in the shadow of the central question of their lifetime: Why had liberal society collapsed and given way—at least in the Austrian case—to fascism? Their answer: the unsuccessful attempts of the (Marxist) left to introduce into post-1918 Austria state-directed planning, municipally owned services, and collectivized economic activity had not only proven delusionary, but had led directly to a counterreaction.

The European tragedy had thus been brought about by the failure of the left: first to achieve its objectives and then to defend itself and its liberal heritage. Each, albeit in contrasting keys, drew the same conclusion: the best way to defend liberalism, the best defense of an open society and its attendant freedoms, was to keep government far away from economic life. If the state was held at a safe distance, if politicians—however well-intentioned—were barred from planning, manipulating, or directing the affairs of their fellow citizens, then extremists of right and left alike would be kept at bay.»


4 comentários:
De Miguel Madeira a 19 de Maio de 2010 às 23:49
"Why had liberal society collapsed and given way—at least in the Austrian case—to fascism? Their answer: the unsuccessful attempts of the (Marxist) left to introduce into post-1918 Austria state-directed planning, municipally owned services, and collectivized economic activity had not only proven delusionary, but had led directly to a counterreaction."

Acho que essa answer não responde a nada, já que apenas faz recuar a questão um bocadinho para trás - porque é que a sociedade liberal deu origem à social-democracia?

Ou seja, a tese é que os extremismos de esquerda e direita são o resultado da economia mista; mas se admitirmos que a economia mista nasceu em sociedades que antes disso eram liberais (e este ponto pode ser discutido), então os extremismos poderão ser uma espécie de "netos" do liberalismo.


De TMR a 20 de Maio de 2010 às 08:06
Miguel,

Em primeiro lugar, eu não considero que Judt tenha razão em todos os pontos do ensaio. Aliás, esta parte, lida assim, a seco, nem se compreende no contexto. O que eu quis foi apenas mostrar uma visão «diferente» sobre a questão dos totalitarismos.

Depois, quanto àquilo que diz. Judt não fala de social-democracia nesta altura. Ele fala de comunismo. Tentativas por parte de marxistas de colectivizar toda a economia and so on. O que provocou reacções extremas não foi o leite morno da social-democracia, foi o socialismo.


De Miguel Madeira a 19 de Maio de 2010 às 23:59
Ou pondo a questão de outra maneira (e já que estamos falando do Popper...), essa tese parece-me ter o problema de ser dificilmente falsificável: a sua refutação seria uma sociedade que passasse do liberalismo económico e social ao fascismo ou ao comunismo; mas quase de certeza que essa passagem teria de ter um período de transição logo poderia sempre argumentar-se que foi essa transição - economia mista - que abriu o caminho ao fascismo ou ao comunismo


De Miguel Madeira a 20 de Maio de 2010 às 00:05
Ainda por outro lado, quem quisesse argumentar que, em ultima instancia, foi tudo um falhanço da direita poderia dizer que tanto o fascismo como o marxismo deram-se melhor em sociedades com grandes sobrevivência do "Ancien Regime" - o caso extremo seria a Rússia, mas toda a Europa de Leste e até certo ponto a do Sul caiem um bocado aí (possível mecanismo - o socialismo radical surge mais como resposta às velhas desigualdades feudais do que às novas desigualdades capitalistas, e o fascismo surge como resposta ao socialismo radical).

Assim, a culpa em ultima instância é dos reacionários do século XIX.


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