Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
Tiago Moreira Ramalho

Imagine o leitor que a decisão sobre os salários dos polícias era tomada numa assembleia que reunisse apenas e só as forças policiais, de uma forma directa ou representada. Imagine, apenas para tornarmos a coisa cumulativamente absurda, que o mesmo se passava com professores, médicos, carteiros e canalizadores. Imagine, sei que custa, que todos aqueles que recebem dinheiro do Estado tinham na sua mão o poder de decidir quanto deveriam receber. Faz doer a cabeça, c’est pas, leitor? Pois, mas isto, caro leitor, é o que fazem os partidos políticos portugueses. Numa lei de 2003, que entrou em vigor em 2005, os partidos políticos decidiram aumentar os financiamentos do Estado em 700%. Repitamos com um ar um pouco mais assustado: 700%. O argumento era a velha banalidade da transparência, que o financiamento público é mais sério que o privado e tal. Balelas, claro está, pois a verdade é que não faz sentido que uma democracia tenha os seus partidos a financiar-se sem ser junto da sociedade, da população que representam. E, mais, toda a argumentação era profundamente hipócrita, pois ainda há pouquíssimo tempo os mesmíssimos partidos decidiram que sim, que o financiamento privado já era de muita virtude, e lá conseguiram juntar o sol na eira e a chuva no nabal. Hoje, claro, o Estado gasta dezenas de milhões de euros anualmente e em época festiva, que é como quem diz em época de campanha, a factura multiplica-se. Os benefícios são nulos: apenas mais e mais investimento em agências de comunicação, apenas mais e mais desigualdade à partida entre partidos instalados e novos partidos, apenas mais e mais do mesmo. Um quadro político-partidário estruturalmente estático. Agora, num destes dias, os senhores deputados lembraram-se do esforço nacional e lá sugeriram uma redução de 10% do financiamento partidário. Uns miseráveis 10%, rapidamente consensuais, que esta gente não se faz de mais do que simples fogo-de-vista.


1 comentário:
De Luís de Aguiar Fernandes a 28 de Junho de 2010 às 02:10
Nem mais. E já li os outros posts com o mesmo título, e nunca concordei tanto contigo. Os partidos vivem à conta de todos nós. É óbvio que assim tem de acontecer, senão os partidos políticos tornavam-se gigantescos lobbys (desde que assumidos, não me opunha a isso, mas isso é outra história). Mas o problema é a maneira como vivem, com luxos e tudo mais, e ninguém se insurge (se insurgia, vá) contra isso. Só não concordo numa coisa: em período de transferências no futebol e com o Mundial, não casques nos jornais desportivos, nem em quem os lê... :)


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