Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Tiago Moreira Ramalho

O que aconteceu no Monte da Caparica, em Almada, nos últimos dias, tal como o que aconteceu noutros bairros suburbanos, é simples consequência de políticas que qualquer análise séria daria como criminosas. Ao longo das últimas décadas, a Câmara de Almada edificou dezenas de prédios de habitação social, verdadeiros guetos com bonitos nomes, desde «Pica-pau Amarelo» a «Bairro Cor-de-rosa», sem ter qualquer tipo de cuidado com a segurança do concelho. Vivem hoje largos milhares de pessoas nessas habitações, milhares que garantem bons resultados eleitorais, bem como uma boa redistribuição natural da riqueza por essas ruas fora. Não se trata aqui de qualquer preconceito, longe disso. O facto é que violência gera violência e se crianças são colocadas desde o berço em ambientes onde armas, drogas e crimes da maior variedade são o pão de cada dia, não conseguindo fugir de tais ambientes nem sequer na escola, então estão condenadas a uma vida igual à dos seus pares.

A política de habitação social na maioria dos concelhos urbanos e suburbanos em Portugal constitui um problema seríssimo de segurança pública. Concorde-se ou não com o modelo de Solidariedade Social, a verdade é que a criação de guetos não funciona em parte nenhuma do mundo. Infelizmente, a pulhice de meia dúzia de autarcas ávidos do seu pequeno poder impede qualquer tipo de discernimento. A pulhice dos autarcas e a correcção de quem os acomoda nas felpudinhas cadeiras.


9 comentários:
De Miguel Vaz a 29 de Junho de 2010 às 21:45
O problema não são os bairros. Também vivo num bairro periférico, desses com um nome curioso. E não sou um criminoso, apesar de ter crescido num ambiente que me proporcionou todas as condições para isso. Droga, violência e crimes.

O problema são as leis. Leis de imigração que permitem a chegada maciça de forasteiros sem qualquer enquadramento social. E um sistema judicial burocratizado e sem credibilidade, que deixa «a escumalha» constantemente impune. Essa é uma combinação explosiva.


De Tiago Moreira Ramalho a 29 de Junho de 2010 às 21:48
Os dois (ou, neste caso, três) motivos não se excluem. Um desenho urbano que junte, num mesmo espaço, milhares de pessoas problemáticas é um mau desenho urbano.

Quanto aos imigrantes, não me oponho à entrada. Acho que é uma hipocrisia, por princípio, e uma tonteria, economicamente falando.


De Miguel Vaz a 29 de Junho de 2010 às 21:58
O urbanismo pode ajudar à festa, mas não é a origem do problema. Em muitos casos, os bairros já lá estavam antes dos problemas. No meu caso, é isso que acontece. Acho até que, nesse aspecto, as autarquias de Almada e Seixal têm feito algum trabalho positivo. Construíram parques infantis, ringues de futebol e centros da juventude.

Quanto à imigração, não me oponho ao fenómeno. O que me oponho é à entrada descontrolada de imigrantes. Aí é que está o problema. Se moras em Almada, sabes tão bem como eu quem é que são os responsáveis mais frequentes dos distúrbios, os tais «jovens» que a imprensa fala.


De Tiago Moreira Ramalho a 29 de Junho de 2010 às 22:14
Se me disseres que na Costa da Caparica há muitos imigrantes, sou o primeiro a dizer que sim. Já no Monte da Caparica a coisa não é assim tão linear. Há imigrantes, sim, mas a maior parte dos que ali vivem já nasceram em Portugal (como os ciganos, por exemplo) ou vieram de ex-colónias portuguesas há bastante tempo atrás. Não tenho números, falo de mera percepção.


De Miguel Vaz a 29 de Junho de 2010 às 22:20
Se dizes isso, é porque não conheces bem a zona. Já alguma vez passaste *dentro* do Pica-Pau amarelo?


De Tiago Moreira Ramalho a 29 de Junho de 2010 às 22:24
Nunca andei lá a passear ao domingo, não.


De Miguel Vaz a 29 de Junho de 2010 às 22:30
Pois. Eu já lá passei várias vezes, tanto ao domingo como nos dias de semana.

Não sou xenófobo nem racista. Respeito as outras culturas e não acho que a imigração deve ser proibida. Mas tem que haver restrições. A imigração pode ter implicações muito positivas para a economia, mas quando é descontrolada e desenquadrada gera problemas sociais graves a médio e longo prazo. É exactamente o que se passa nesses bairros periféricos, autênticas bombas relógio na cintura de Lisboa.


De Luís a 29 de Junho de 2010 às 22:12
Por vezes pergunto-me se muitos desses bairros sociais seriam necessários. A minha família teve habitações com arrendatários que pagavam rendas miseráveis, devido àquela lei imbecil de congelamento das rendas. Para provocar a sua saída, os meus avós não faziam obras, até que essas famílias acabaram por sair e ir parar a bairros sociais. Agora pensemos que havia mercado de arrendamento, sem intervenção do Estado. Essas famílias, ao longo dos últimos 30 anos, poderiam ter mudado para casas com rendas mais baratas, ou orientado os seus rendimentos para pagarem a sua habitação, apostando na sua formação, mudando de actividade profissional, criando o seu negócio, etc. Depois, há quem viva nesses bairros sociais e tenha rendimentos que lhes permitiria alugar ou comprar casa. Conheço casos. A existirem bairros sociais, deveriam ser com apartamentos para arrendamento temporário, e não para posse a título definitivo a baixo custo.


De Miguel Madeira a 30 de Junho de 2010 às 02:12
Mas em termos de concentrar populações pobres no mesmo sítio, teria exactamente o mesmo efeito, se não maior.


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