Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
Priscila Rêgo

Parece que o Tiago Barbosa Ribeiro, num facebook a que infelizmente não tenho acesso, falou de um certo consenso liberal segundo o qual "o Estado deve retirar-se de toda a actividade económica". Mas a única coisa que me parece consensual aqui é que o Tiago Barbosa Ribeiro ou está em delírio ou em estado de negação. Vergastar o homem de palha do Estado minarquista só pode ser uma piada de mau gosto num país em que a despesa pública vale 48% do PIB. E nestes 48% já nem se incluem as golden-shares ou a mão invisível do Armando Vara no BCP.

 

Mas a tirada do Tiago mostra bem a mentalidade que moldou as privatizações em Portugal. O propósito nunca foi permitir à sociedade gerir aquilo que é seu da forma que achar mais correcto; foi encontrar uma forma menos pornográfica de manter o mesmo controlo de sempre, ocultando a intenção por debaixo do manto opaco da golden-share. E, pelo caminho, arranjar emprego aos amigalhaços do poder. Neste concepção, a liberdade não é um direito, mas um favor. Como todos as prebendas, é provisória e revogável.

 

Vamos voltar à teoria dos livros: a privatização de uma empresa assenta na ideia de que quem gasta o seu próprio dinheiro é mais cuidadoso e prudente do que quem gasta o dinheiro alheio. E uma golden-share só estorva. Se serve para influenciar, então choca com o objectivo da privatização. Se não serve, então não está lá a fazer nada e deve desaparecer. Felizmente, o Tiago admite às claras o que é que o move: a ideia de "recuperar o controlo". É como o algodão: não engana. E como o alcatrão: tem um cheiro que tresanda.

 

O Tiago fala ainda do "interesse geral", essa entidade abstracta com que apenas o Governo, mediante meditação compenetrada, consegue contactar. Fico sem palavras. Depois do que aconteceu no último ano, pensei que o pudor fosse um sentimento mais desenvolvido. É preciso muita lata.

  

 

 

 

 

 

 


2 comentários:
De Luís a 2 de Julho de 2010 às 13:17
O Estado manterá sempre uma influência elevada enquanto a CGD for pública.


De Luís de Aguiar Fernandes a 2 de Julho de 2010 às 14:34
"Felizmente, o Tiago admite às claras o que é que o move: a ideia de "recuperar o controlo". É como o algodão: não engana. E como o alcatrão: tem um cheiro que tresanda."

Hilariante, simples e eficaz. Tudo o que um bom post deve ser. Parabéns!


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Vasco M. Barreto

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