Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
Bruno Vieira Amaral

Elza, a Garota: a história da jovem comunista que o Partido matou, Sérgio Rodrigues, Quetzal

 

“É algo difícil de explicar para uma pessoa do século XXI, essa gente que está sempre pronta a matar ou morrer por uma briguinha de trânsito, mas jamais por suas idéias.” P. 47

 

 

O brasileiro Sérgio Rodrigues cruza investigação jornalística e ficção partindo de um caso verídico: o assassínio, nos anos 30, da amante do secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro por decisão da cúpula partidária. O sensacionalismo fica todo no subtítulo, “a história da jovem comunista que o Partido matou”. A história de Elza e as circunstâncias macabras da sua morte são o chamariz que nos atrai para os territórios mais complexos da verdade histórica, da construção dos mitos e de como os homens se servem da memória para expiarem os seus pecados. Não é por acaso que a citação que abre o livro é retirada de Expiação, de Ian McEwan.

 

A narrativa desenvolve-se em dois planos: o ficcional e o da pesquisa histórica sobre a morte de Elza, levada a cabo pelo autor. Neste plano, Sérgio Rodrigues procura responder a uma questão simples: quem era aquela menina de dezasseis anos? Traidora para os comunistas, mártir para a propaganda anti-comunista, a verdadeira Elza perdeu-se no confronto entre as suas versões míticas e contraditórias. A conclusão de Sérgio Rodrigues é que Elza, ingénua e analfabeta, foi uma vítima acidental do turbilhão político que se seguiu à insurreição falhada dos comunistas, em 1935. No segmento ficcional, Molina, um jornalista em decadência, é contratado por um velho comunista para lhe escrever as memórias. Durante semanas, Molina grava os relatos de Xerxes. Enredado na teia fascinante urdida pelo velho, o jornalista deixa “de levar em conta os sinais de que nem tudo era o que parecia ser.” No final, Molina percebe que as memórias de Xerxes não estão ao serviço da História, mas da história pessoal daquele homem. Memória e representação são meros instrumentos de um processo íntimo de expiação.

 

O livro renega com igual intensidade o preto-e-branco ideológico do século XX e o relativismo “viscoso” que transforma tudo “em matéria pastosa de comédia.” A verdade está algures no meio dos mitos e de documentos falsificados, de doppelgängers e de nomes de código e encontrá-la é quase tão difícil como reparar os erros através de uma narrativa. Mas, como nos lembra a citação de McEwan, “a tentativa era tudo.”


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