Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
Rui Passos Rocha

O mito judaico-cristão de Adão e Eva pode ser interpretado, seguindo a Bíblia, como ilustração do que acontece aos homens que não obedeçam fiel e completamente a Deus - pecam e, por isso, terão uma eternidade pouco aprazível; ou pode ser visto como significando a atractividade da desobediência e da liberdade. Todas as religiões têm um cardápio de sanções para os impuros, mas é significativo um livro sagrado que não marginaliza a desobediência a ponto de a tornar assustadoramente implícita; a Bíblia inscreve-a precisamente na raiz da humanidade, como pecado original. Dizem que assim a dissuasão é maior, lendo sobre as consequências da desobediência; mas não será ilegítimo imaginar que o efeito também possa ser o oposto: o justo fazer-se pecador e justificar-se na culpa do casal primevo, que desgraçou irremediavelmente a espécie. E agora perdoem-me, que vou ali beber um suminho de maçã.


5 comentários:
De PR a 30 de Julho de 2010 às 20:41
"é significativo um livro sagrado que não marginaliza a desobediência a ponto de a tornar assustadoramente implícita; a Bíblia inscreve-a precisamente na raiz da humanidade, como pecado original."

Penso que a forma como o pecado é inscrito é menos importante do que aquilo em que ele consiste: basicamente, o pensamento próprio, a procura pelo conhecimento (a árvora "da ciência...") e a decisão de levar ao escrutínio da razão aquilo que Deus pretensamente já pensou por nós ("distinguir o bem do mal").

A forma como esta atitude foi inscrita como pecado explica em grande medida o sucesso do Cristianismo. Sempre que alguém tentava submeter Deus à razão, era levado à fogueira. Os fiéis tiveram sempre mais sucesso reprodutivo.


De Miguel Madeira a 30 de Julho de 2010 às 21:22
Nesse aspecto, a mitologia grega não muda muito (embora aí a desobediência não seja directamente dos humanos mas do semideus Prometeu)


De PR a 31 de Julho de 2010 às 04:45
Tal como a mitologia nórdica e, salvo erro, também a mitologia egípcia. Até diria que qualquer religião tem de ter algum tipo de elemento capaz de suprimir o pensamento racional, mas penso que apenas no Cristianismo é que a narrativa que consubstancia essa crítica é de facto central (julgo, sem ter a certeza, que a parte do fogo de Prometeu está longe de ser fulcral na mitologia grega).


De TMR a 30 de Julho de 2010 às 22:45
Honestamente, não percebi o título. É que o contrário de livre-arbítrio não é, de todo, obediência. Fazes uma mistura que, enfim, me confunde. Deve ser da lack of suminho.


De RPR a 31 de Julho de 2010 às 11:47
À obediência contrapus a desobediência. Livre-arbítrio é título porque pressupõe uma escolha entre ambas.


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