Domingo, 11.03.12
Priscila Rêgo

Os comentadores têm razão: Álvaro não tem tacto político (nem cabelo, já agora). Mas esta caracterização é injusta, porque apresenta o seu handicap comunicacional como a cromice idiossincrática que habitualmente associamos aos génios.

 

De génio, infelizmente, Álvaro tem muito pouco. A sua última obra, que o tornou um fenómeno mediático, é um tributo à trivialidade académica (que também existe no Canadá, pelos vistos): um conjunto pesado e amorfo de factos, números e estatísticas empilhadas de forma avulsa; uns pozinhos de recomendações para o mercado de trabalho retiradas à pressa dos documentos da OCDE; e uma incapacidade gritante de ir para além do "estamos acima ou estamos abaixo da média da Zona Euro", polvilhada com uma arrogância desmesurada de quem manifestamente não sabe como é que as coisas funcionam no mundo real ("uma desvalorização fiscal muito grande, feita de repente"). Álvaro foi um epifenómeno do nosso comentarismo: aquilo que esperaríamos encontrar se os nossos bloggers se tornassem políticos. 

 

Só é curioso que o livro seja tão citado pelos nossos comentadores (como aquele cromo do Martim Avillez - que sorte a dele que o Expresso não implemente a meritocracia que tanto defende). Ou não leram o livro, ou leram e acharam tudo aquilo normal. Indigentes ou limitados. Há alturas em que este país dá dó.


Segunda-feira, 16.01.12
Tiago Moreira Ramalho

Todos os governos têm pelo menos um joker. No actual poderíamos escolher entre Miguel Relvas e Miguel Relvas, mas direccionamos o nosso aguçadinho sarcasmo generalizado a Álvaro Santos Pereira. O ministro é calado, e por isso incompetente. Ao ministro falta carisma, e por isso força. Isto destrói-lhe até as mais óbvias intervenções.

Qualquer estrangeiro que venha a Portugal acaba enfiado na pastelariazinha de Belém. Adoram. Surpreendentemente, procurar o mesmo bolinho no sítio de onde vêm implicará uma pecaminosa perda de tempo. Marcelo Rebelo de Sousa avançou com uma explicação muito plausível. É que, segundo ele, o pastel de nata é bom é quentinho, então exportá-lo tira-lhe qualidade. Chega lá frio e, arriscamos, rijo. Claro que tamanha clarividência só poderia vir de alguém que sabe imenso de Direito. Eu encontro problemas semelhantes quando quero comer um croissant, ou quando quero uma fatia de pizza. Nada tem sabor, nada tem encanto. Tudo duro e sem jeito.

O que o ministro disse não implica subsídios, políticas, leis e agências. Apenas demonstra uma tentativa de compreender um problema real e até hoje sem solução. O facto é que alguns países conseguem e outros não. Os outros países conseguem e o nosso não. Não há objectivo maior para o economista que entender isto. E não há função maior para um ministro que resolver o problema.



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Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

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