Segunda-feira, 17.09.12
Rui Passos Rocha

1) Portugal vinha sendo apresentado como um caso de sucesso: os políticos apresentavam medidas de austeridade para combater a recessão e elas tinham o apoio tácito de grande parte da população, ou pelo menos a sua aceitação apática. Grande parte dessas medidas, inscrita no memorando de entendimento (assinado por Sócrates e com a aprovação de Passos Coelho), seria tida como inevitável e o seu cumprimento desejável para que continuássemos a receber os empréstimos da troika e evitássemos qualquer das alternativas que, por imprevisíveis ou indesejáveis, eram vistas como piores do que a deterioração do modo de vida.

Também a deteriorar-se vinha a opinião pública sobre a classe política. A perda parcial e temporária de soberania na formulação de políticas públicas não significa que os eleitores transfiram para a troika a responsabilidade por má governação. Todas as medidas, mas em particular as que vão além da troika, assentam num consenso frágil que implica progressividade na contribuição - quem mais tem mais deve dar. Passos Coelho desbaratou parte da pouca confiança pública possível com nomeações dúbias para cargos públicos e com o apoio aos desmandos de Miguel Relvas. E, pior, anunciou uma reformulação da TSU que não só inverte a tendência progressiva da contribuição como também não tem efeitos óbvios e significativos para a melhoria económica do país.

Grande parte dos que se manifestaram no sábado não está necessariamente contra as medidas exigidas pela troika, mas rejeita perder dinheiro em nome de políticas que considera injustas e que, pior, duvida virem a contribuir para o fim deste estado de coisas. António José Seguro vai votar contra o Orçamento de Estado, apesar de quase tudo o que lá consta ser praticamente inegociável; aquilo pelo qual deveria votar contra o OE, e que motivará uma sua moção de censura, é a proposta de alteração da TSU. Também Seguro está disposto a quebrar o consenso mínimo para se distanciar de um memorando de entendimento do qual pouco poderá negociar se chegar a líder do governo.

2) Hoje demorei 45 minutos a atravessar parte da Avenida da República (do Saldanha à rotunda do Marquês de Pombal) de autocarro. Tive tempo de sobra para observar que os polícias de trânsito deram prioridade aos carros sobre os autocarros, o que faz todo o sentido se o que se pretende é reduzir o tráfego automóvel e incentivar o recurso aos transportes públicos.

Uma das consequências da austeridade é a deterioração dos serviços públicos, com cortes em gastos e em pessoal. Mas esses cortes - ou racionalização, se preferirem ver a coisa só com o olho esquerdo - devem ser o mais consensuais possível: percursos com menos utentes devem ser reorganizados, trajectos optimizados, etc. O que não faz sentido é limitar o acesso automóvel ao centro da cidade e ao mesmo tempo fazer com que alguém demore o triplo do tempo a chegar do Saldanha a Alcântara pagando quase o dobro do que pagava há dois anos.

Fernando Henrique Cardoso dizia há dias que tempos de austeridade exigem líderes capazes. Para que estes possam encontrar uma saída para a crise, dizia ele. E, acrescento, para que estes minorem o mais possível os efeitos nefastos dos cortes, que só serão aceites se forem justos e inteligentes. Coisa que faltou nos últimos dias.


Sexta-feira, 14.09.12
Rui Passos Rocha

Estava a pensar escrever algo esta noite para justificar a minha adesão à manifestação de amanhã, mas teria pouco a acrescentar e nada a retirar ao que Luís M. Jorge escreveu. É essencialmente por isto que lá estarei.


Quarta-feira, 05.09.12
Rui Passos Rocha

Um país em que um historiador explicita, na sua obra, que o regime 'x' foi menos repressivo do que o regime 'y' por motivos que ele elenca deveria ser um país em que outro historiador, para quem o regime 'x' foi na globalidade mais repressivo do que o regime 'y', especificasse em que aspectos o foi e por que motivos a comparação faz pender a balança em seu favor. Esse também deveria ser um país em que outro historiador, que pensa de forma semelhante ao anterior e tem um percurso académico mais robusto que ele, aproveitasse a discussão para recentrar o debate, criticando um pelos indicadores com que ilustra o seu discurso menos crítico do regime 'x'  e o outro por basear a sua crítica do primeiro (para não falar da insinuação sobre as suas preferências ideológicas) numa ínfima e descontextualizada parte da sua obra. Mas não: o texto de Fernando Rosas no Público de hoje é uma tentativa de colocar o ónus da prova em Rui Ramos, quando deveria ser Manuel Loff (porque despoletou a discussão), com ou sem a ajuda de Rosas, a tornar a sua crítica mais sólida e obrigar Rui Ramos a responder de forma igualmente inteligente. É triste que a discussão de um tema importante por duas das pessoas que melhor o conhecem acabe em acusações e vitimizações.


Terça-feira, 07.08.12
Rui Passos Rocha

Todos queremos parecer muito inteligentes. Ou, no mínimo, todos queremos dar a entender que não somos idiotas. Custa perceber que em rigor devemos incluir "não sei" ou "acho que" em 90% das nossas frases; custa bem menos não usar essas expressões, talvez até convencendo-nos de que não é por orgulho que o fazemos mas porque seria, aos olhos dos outros, redundante fazê-lo. Mas isto provavelmente custa mais a quem menos faz por ser realmente inteligente, sendo a inteligência um critério mais qualitativo do que quantitativo - e fazer por ser inteligente implica saber como se deve fazê-lo, o que implica sentir atracção pela busca inacabada, para usar termos que farão João Carlos Espada rejubilar.

O texto de Elísio Estanque no Público de ontem é, para não variar, um exemplo de como é mais fácil encaixar a realidade, que é maçadoramente complexa, nas preferências pessoais. O texto tem o título sugestivo "Às portas do trabalho escravo" e reza assim:

 

«[...] Pode dizer-se que a luta é agora entre os "descomplexados competitivos" e os "preguiçosos coletivistas". As novas leis do trabalho são, portanto, o resultado de uma luta persistente dos primeiros contra o conservadorismo coletivista dos segundos (e contra o vírus sindical, que está moribundo mas não morto), visando a generalização do trabalho forçado, isto é, criando um amplo exército de famintos, uma nova força de trabalho disponível para o trabalho gratuito, que começa a emergir dos destroços da atual classe trabalhadora. Em vez da busca de compromissos que, desde o século XIX, o capitalismo industrial tentou estabelecer entre capital e trabalho, a linha dura que esta nova "internacional liberal" fortemente apoiada no capitalismo financeiro fez aprovar (e que, naturalmente, o Governo português foi dos primeiros a subscrever) retoma a velha ideia do "trabalho-mercadoria" como primeira prioridade a caminho do "Sol nascente" do hiperliberalismo competitivo. [...]»

Quase arrisco dizer que é também um exemplo de como o dito de Kahneman no post abaixo também se aplica a quem faz da investigação profissão, mas não posso estar seguro disso. E é também um exemplo de como o uso de palavras difíceis no discurso, para lhe dar uma roupagem inteligente, acaba por ter o efeito contrário: o de o interlocutor ficar com a impressão de que aquela pessoa não se saberia explicar em termos simples, no mínimo, ou está mesmo a tentar enganar os outros. Sobre isto, e para umas risadas, recomendo o livro Imposturas Intelectuais de Sokal e Bricmont e, como atalho, este paper de Daniel Oppenheimer.

Mas atenção que a realidade não é a preto-e-branco: o argumento da falta de honestidade intelectual aplica-se a quase toda a raça, talvez até a toda ela a espaços (sim, estou a incluir-me no lote). É a necessidade de não parecerem estúpidos que faz com que mesmo os que compreendem o método científico (no sentido de método para adquirir conhecimento o mais fiável possível) escorreguem: aconteceu com Orlando Figes, um dos especialistas da história soviética, e com Jared Diamond, um entendedor de como a geografia condiciona o desenvolvimento económico. Ambos quiseram embelezar as suas narrativas inventando uns estropiados cujas histórias de vida ilustrariam o declínio desta ou daquela civilização.

Curiosamente ou não, ambos se especializaram em realidades remotas: uma sociedade que já lá vai, no caso de Figes, e sociedades que ainda estão no sítio mas sobre as quais com sorte ouvimos falar meia dúzia de vezes por ano e devido a catástrofes naturais ou massacres (como a Papua Nova Guiné). Figes chegou mesmo a escrever na Amazon comentários negativos a obras de um seu concorrente, Robert Service; Diamond ficou-se por embelezar, ou até mesmo inventar (há um processo judicial em curso), citações - coisa que certamente chocaria o Sindicato dos Jornalistas, que tem a barriga cheia por a imprensa nacional não ter o hábito nem meios para fazer double-checking com as fontes. Diamond e Jonah Lehrer, que escreveram para a New Yorker, não tiveram essa sorte.

Elísio Estanque escreveu (como de costume) sobre aquilo em que se especializou (no sentido de "tema sobre o qual mais lê e escreve", mas acho que se percebe o que quero dizer com isto): o mercado laboral português. Fê-lo de forma henrique-raposiana, criando conceitos populistas para algo que é demasiado abstracto para poder ser falsificável, mas que obnubila e acicata quem se abespinha com facilidade (estou a ficar contagiado). O reverso da medalha é que - no caso de um como no do outro - escrever assim deixa um rasto indisfarçável de mau cheiro. Contra a tentação do pensamento estanque valha-nos o peer review.


Segunda-feira, 30.07.12
Rui Passos Rocha
"It is the consistency of the information that matters for a good story, not its completeness. Indeed, you will often find that knowing little makes it easier to fit everything you know into a coherent pattern"
- Daniel Kahneman, Thinking Fast and Slow

Rui Passos Rocha

A decisão do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucional o corte do 13º e do 14º meses no sector público vai enformar as decisões do governo até ao final da legislatura. Por isso vale a pena ler o longo texto de Pedro Lomba no Público de hoje, em que contextualiza a decisão e termina lançando uma série de dúvidas:

«Devem os juízes constitucionais pretender "interpretar" a opinião pública para conduzir a sociedade em escolhas políticas fundamentais? Devem formular julgamentos subjectivos de igualdade proporcional sobre uma realidade económica que desconhecem? Não creio. Mas: se o Governo tivesse mostrado mais modéstia executiva na invocação da excepção financeira, teria recebido igual modéstia judicial do TC? Se o TC não tivesse dado sinais em 2011 de que não se intrometeria no debate político-económico, teria o Governo avançado com o corte dos subsídios como avançou? Se PS e PSD não tivessem atrasado a eleição dos novos juízes, teria a nova composição feito algo diferente? Se Passos Coelho não tivesse deixado cair o aumento de meia hora, iria o TC dizer que o sector público estava a ser sobrecarregado? Se os titulares de funções de soberania, como os magistrados, tivessem sido excluídos dos cortes, teriam os juízes que votaram em 2011 pela constitucionalidade mudado de posição? Se o pedido de fiscalização não tivesse partido sobretudo de deputados desalinhados do PS, faria alguma diferença? Nunca saberemos. Este texto destina-se só a pensar que estas dúvidas contrafactuais não são e não foram, neste contexto, irrelevantes.»


Sexta-feira, 20.07.12
Rui Passos Rocha

Morreu um historiador fascista que teve o mérito de conseguir gerar em muita gente o interesse pela história do país e o demérito de o fazer efabulando. Que é melhor não saber do que saber falsidades, como alguém disse, concordo; mas que seja melhor não saber do que saber meias verdades discordo. Hermano Saraiva contou historinhas e pode ter ajudado a fazer muitos nacionalistas de livro fechado, mas também cozinhou em muitos o interesse por procurar saber mais. Isto não é serviço público, mas é qualquer coisa. O que não é nada é lembrá-lo só pelo que foi depois ou antes dos cravos. Fora isto, eu e as minhas amêndoas de caju estamos à espera dos textos de Rui Ramos e Fernando Rosas sobre o senhor. Só para ver se este continua a ser o melhor dos mundos.


Sábado, 14.07.12
Rui Passos Rocha

Quem cava trincheiras voluntariamente abdica acima de tudo da sensatez. O que ganha em populismo, por incentivar o amor e ódio de free riders informativos, perde em distanciamento e humildade.

No seio de quem defende liberdades individuais face ao Estado há o dito recorrente de que os abastados que votam no PCP ou no BE são ignorantes. Não sabem - diz-se - que estão a defender gente que lhes retiraria parte importante dos bens e os redistribuiria. Não é uma "escolha racional". Racional é todos votarem de acordo com o que mais os pode beneficia, independentemente dos outros, como no princípio de incerteza rawlsiano em que todos envergam o véu da ignorância. O problema do modelo é, antes de mais, que não vivemos o momento do contrato social fundador, mas também que - consequentemente, talvez - há quem valorize a comunidade o suficiente para abdicar de parte do que poderia ganhar optando pelo individualismo. Isto só não é um tipo de escolha racional para quem não o é sempre.

Do mesmo modo, a teoria marxista que diz categoricamente que em sistemas capitalistas as elites se perpetuam no poder (é parcialmente verdade, sobretudo em países como Portugal) diz que a cultura de massas e a comunicação social servem o propósito de doutrinar o povo e impedi-lo de fazer escolhas racionais. Não que o povo não seja racional, mas toma decisões racionais condicionado pela informação falsa que lhe dão de beber. Como se essa ideia não fosse igualmente ofensiva para o povo, que se vê tido como incapaz de filtrar o que lhe chega, sobretudo porque é assim considerado por outros membros do povo que se dizem possuidores de clarividência só porque leram uns livros escritos por dois tipos alemães.

Enquanto não forem tapadas as trincheiras que amarram o raciocínio a uma formatação prévia não haverá espaço para o que deve ser prioritário: construir as pontes possíveis entre ideologias. Esse tipo de discurso equilibrado é possível, como se percebe pelo último texto do JPM. Ou pela distância entre a inteligência de Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira e as birras de João Miguel Tavares no Governo Sombra da TSF.


Quinta-feira, 12.07.12
Rui Passos Rocha


Sábado, 07.07.12
Rui Passos Rocha

A relação entre a política e a justiça é terreno pantanoso para mim, daí preferir suspender o juízo. Mas tenho algumas dúvidas e notas que gostaria de ver na mesa:

- No comunicado que resume o acórdão, o TC diz que o problema do corte dos subsídios à função pública é não ter "equivalente para a generalidade dos outros cidadãos" e que a "diferença de tratamento" de público e privado é "acentuada e significativa". Isto significa que o TC aprovaria apenas cortes idênticos para trabalhadores do Estado e privados, ou poderá aceitar medidas que tornem o diferencial menos acentuado? Não li o acórdão, apenas o comunicado.

- O primeiro-ministro, que em Outubro de 2011 "justificou a decisão de eliminar os subsídios de férias e de Natal apenas na função pública dizendo que um corte generalizado não seria visto de forma credível na Europa e que deixaria Portugal sem ajuda externa já em Novembro" vai agora dizer que há uma terceira via, com nova mas mais leve austeridade para os privados, de modo a reduzir o hiato em relação à função pública? Ou vai cortar o 13º e o 14º meses também aos privados (a hipótese de restituir os dois meses à função pública parece fora do baralho).

- É verdade, como escreveu ontem Pedro Santos Guerreiro, que o governo impôs o corte nos subsídios só à função pública por ela não ser a sua base eleitoral? Sendo o argumento oficial o de que a medida foi acordada com a troika, qual é afinal a causa mais forte? Alguém que conheça o memorando sabe responder se a troika exigiu este corte selectivo?

 

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Sexta-feira, 29.06.12
Rui Passos Rocha

Enquanto não faço dele refeição, quero acreditar que em parte do Letters to a Young Contrarian Christopher Hitchens deixou umas notas sobre o quão temperada deve ser a exposição de cada um a opiniões contrárias. Cheira a óbvio (será?) que o espírito crítico seja tanto mais afinado quanto mais desenferrujado se estiver no debate lógico, mas talvez seja esticar a corda que isso signifique procurar constantemente a presença de advogados do diabo. Não faltam momentos em que, a bem de paliar o desassossego, se quer como companhia quem sinta e pense algo semelhante.

 

Momentos significativos. Pode ser um jogo de futebol, uma ida à mesquita ou a um concerto. No meu caso, hoje, um filme ao ar livre. Assim como me teria custado ouvir que Portugal - que afinal perdeu por uns centímetros de ferro - jogou mal contra a Espanha, fez-me comichão quando um grupo vizinho se perguntou, sobre Uma Separação, se «esta merda foi nomeada para um Óscar». Nesses segundos, como do início ao fim do filme, estava eu preso à intensidade do retrato: dois personagens em choque tentam resolver-se em tribunal mas ambos relatam a sua versão dos factos sabendo que, se incriminados, terão pela frente as grades da prisão. Esta tensão é interessante sobretudo por ser moldada por preceitos religiosos (o filme é iraniano). Para não deixar isto no abstracto deixo o trailer:

 

 

Ao contrário do futebol ou da religião, em que a escolha de trincheiras é praticamente aleatória (ou porque se nasceu naquele país, ou porque se assistiu àquele jogo com os sentidos particularmente apurados), no caso da cultura as preferências evoluem de forma menos emotiva e mais gradativa. Não estivesse toldado pelo desprezo eu teria tido interesse em perceber o porquê daqueles comentários tão vincadamente depreciativos. Longe de «uma merda», Uma Separação é no mínimo interessante pelo enredo tão improvável que expõe falhas gritantes de sociedade patriarcais e cegas de leis taxativas sem alíneas nem excepções. Como o são os mandamentos.

 

Vale-me, para a sensação de pertença, ter ouvido de outros em volta comentários muito positivos sobre o filme. Mesmo que tenham sido poucos, se alguns se embasbacaram com o argumento então já terá valido a pena. Aos outros, os Miguéis Relvas que perderam o seu tempo e privatizariam a Cinemateca e a RTP2 sem grande negociação, desejo que um dia digam de algo o que Herman José disse sobre a BBC: que vê-la mudou-lhe a vida - como este filme, e outros antes dele, contribuíram para que a minha desse umas voltas ainda muito incompletas. Não é a arte que deve rebaixar-se, é a gente que deve elevar-se (palavras de Oscar Wilde). Quantos mais melhor. Haja investimento para isso.


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Quarta-feira, 27.06.12
Rui Passos Rocha

Começa a ser difícil para o Sol ter o que dizer até sobre os feitos descomunais do regime angolano. Aconselho por isso a equipa de José António Saraiva a basear-se nisto para retratar a classe média portuguesa e os milhões de euros que ela gasta mensalmente, quando poderia poupar uns milhares aqui e ali.


Quarta-feira, 11.04.12
Rui Passos Rocha

Governo quer proibir fumo dentro de carros com crianças.


Segunda-feira, 09.04.12
Rui Passos Rocha

Como não costumo ler bloggers liberais de ano bissexto, não acompanhei como reagiram os insurgentes e demais americaneiros à proibição das pensões antecipadas. Mas imagino os bocejos: apesar de poucos trabalharem fora da zona de conforto da administração pública, raros terão sido contratados pelo Estado há menos de sete anos, o prazo limite da proibição. Afagados pelo cobertor do Estado ou, porque se trata de empreendedores de alto nível, contratados para esporádicos ajustes directos, não foi para eles que se trilhou o caminho desta servidão. Estes burgueses à portuguesa vão continuar a poder reformar-se quando acharem melhor. Farão os seus cálculos, verão os prós e contras dos incentivos do sumo patrão, e tomarão a sua livre e pessoal decisão, que em nada afectará os outros como deve ser numa sociedade aberta. Assim como assim, que outros tenham de amochar perante a proibição (ó palavra mil vezes maldita em tempos esquerdalhos) do governo não lhes diz respeito. Na sociedade livre cada um olha e pensa por si; excepto, claro, quando não é um suposto liberal quem esgana o leme.


Sábado, 31.03.12
Rui Passos Rocha

Resignation is confirmed desperation, escreveu algures Thoreau. Pensei nisto há dias quando duas cenas do Shawshank Redemption me aguçaram o traumatismo interno: uma é aquela em que o personagem principal arrisca pancada e solitária por ousar encher de ópera os tímpanos da prisão - porque, como dirá depois de cumprida a pena pelo ultraje, há coisas que nem à bastonada nos podem arrancar a não ser que o deixemos. À bastonada ou à agulhada na uretra, diria Alekos Panagulis. A outra é a cena da evasão em que ele rasteja por 500 metros de esgoto para desembocar no mar da liberdade. Tratado como merda, o homem livre perde o pejo de esfregar a cara na merda, sua e dos outros, mesmo a dos merdosos, se o troco é mandar a merda para aonde ela pertence. Um tipo assim não vai parar ao boletim de voto. Ainda bem.


Sexta-feira, 30.03.12
Rui Passos Rocha

Que os melhores blogs portugas do momento são o Malomil e o Vida Breve.


Quinta-feira, 29.03.12
Rui Passos Rocha

Soube hoje que o primatólogo Frans de Waal verificou num estudo que recompensas iguais para igual trabalho geram harmonia numa comunidade de macacos, mas recompensas desiguais criam tumultos. A tarefa, se não me falha já a memória, era transportar cubos e a recompensa inicial foi de um pepino a cada macaco. Nesta altura todos trabalhavam bem e desempenhavam a tarefa em semelhante período. Quando os investigadores começaram a oferecer uvas em vez de pepinos a alguns dos macacos deu-se a confusão.

 

Porque se trata de primatas, lembrei-me deste post de Chris Dillow sobre a desigualdade de rendimentos no futebol. No caso, o autor argumenta que o Arsenal faria melhor em não renovar contrato com o craque Van Persie porque, segundo um estudo, o rendimento global da equipa tenderá a decair. “The authors estimate that if a team changes from everyone being paid the same wage of €600k pa (the average in their sample) to a superstar earning €1.5m pa and everyone else in the team getting €510k, the chances of the team winning a game falls by 20 percentage points.” E pronto, agora era a parte da punchline mas.


Domingo, 25.03.12
Rui Passos Rocha

No Facebook: «Visto de longe, o congresso do PSD fica tão pequenino e Antonio Tabucchi tão grande».


Quinta-feira, 15.03.12
Rui Passos Rocha

"The really important kind of freedom involves attention, and awareness, and discipline, and effort, and being able truly to care about other people and to sacrifice for them, over and over, in myriad petty little unsexy ways, every day. That is real freedom."

- David Foster Wallace


Rui Passos Rocha

Votei no actual primeiro-ministro não por antroponímia mas porque, como muitos outros, acreditei que a recuperação económica passaria por mais realismo e menos prepotência. Até pensei que talvez houvesse uma diferença substancial entre Silva Pereira e Relvas; a haver diferença, será na teia ainda pouco tecida pelo primeiro.

Quis crer que a inexperiência de Passos Coelho, comparada com os já muitos anos de governante de Sócrates, tenderia a reduzir o clientelismo e o poder dos lóbis. Não me passou pela cabeça que o Jorge Coelho do PSD, e braço direito de Passos (ou será Passos o braço direito de Relvas?), se tornasse ministro das privatizações e da regulação. Depois de tantos casos de abafamento mediático com Sócrates, a era Passos não seria um déjà vu. Pelo menos não nove meses depois.


Quarta-feira, 14.03.12
Rui Passos Rocha

Rui Passos Rocha

Isto está muito bonito, sim senhor, mas gostava de saber onde foram os promotores da campanha Kony 2012 buscar dinheiro para os kits (sim, kits, do tipo sócio do Benfica) que contém os autocolantes, pulseiras e demais propaganda. O tal Joseph Kony, criminoso de uma guerrilha do Uganda, está a ser seguido por uma patrulha de uns 100 milhões, armados de likes no Facebook e no YouTube. A ideia de chamar a atenção mediática e do governo americano é boa; resta é saber de onde veio tanto dinheiro.

Para aqueles que amam o povo à distância, a ideia de o ver agremiar-se de forma tão massiva é preocupante. Não falta quem ache a Kony 2012 folclórica e sem nexo. O povo (leia-se: os eleitores) deve dedicar-se é àquilo que sabe. Mas talvez o juízo popular não seja afinal assim tão pouco platónico: os suíços acabam de rejeitar a proposta sindical de um aumento do período de férias para seis semanas. Para quem ainda achar que o povo tende a ser mais descontrolado do que quem o governa, talvez este estudo refreie um pouco esse pedroarrojismo: ainda na Suíça, consta que os referendos tendem a diminuir a despesa pública.


Segunda-feira, 12.03.12
Rui Passos Rocha

Tenho uma proposta a fazer ao nosso querido governo: que apoie os psiquiatras que neste estudo propuseram que o luto prolongado passe a ser considerado uma doença mental. Talvez assim passemos dos 20% de depressivos oficiais para uma percentagem mais adequada para pedirmos uns fundos europeus. Aposto que o ministro da Saúde - se o colega das Finanças não se intrometesse - não se importaria...


Sexta-feira, 09.03.12
Rui Passos Rocha

O José Sócrates descrito no prefácio de Cavaco Silva é o tipo prepotente, vingativo e com ideias fixas que tantos, inclusive socialistas de outras capelinhas, foram retratando nos últimos anos. Um tipo cuja noção de lealdade é pessoal, nunca institucional, e cujo umbigo é mais vasto do que o território do país.

 

O Cavaco Silva que sobressai do mesmo documento é professoral e infalível como o conhecemos, mas mais falso e político do que gostaria de transparecer. Critica a "inusitada contundência" do método socrático, mas não foi ele próprio suficientemente contundente quando era "latente há alguns meses" a "evidência tão objectiva e tão clara" de que Sócrates prejudicava o país. Diz que não se resigna e apoia o inconformismo dos jovens, os mesmos que desprezou quando se manifestaram na escola lisboeta.

 

Neste prefácio Cavaco goza com a pouca esperteza do ex-primeiro-ministro, que como ele poderia ter controlado o país por uns dez anos. Bastaria talvez para isso ter tido a felicidade de governar no período dourado da engorda europeia. Sem essa sorte, Sócrates foi demasiado sôfrego e deu-se mal, sobretudo porque chocou de frente com um Presidente mais esperto do que ele. Mais esperto e, sobretudo, mais bem acompanhado (ai BPN, BPN...) do que ele, que ganhou fama - ergo também proveito, imagina-se - de corruptível.

 

Não basta ao político querer para que a obra aconteça; convém-lhe que um longo e importante regimento sonhe. Cavaco ainda hoje tem as suas beatas, mesmo enfraquecida a religião; as de Sócrates temeram o céu e, salvo uns quantos apóstolos, estão a pregar a outros santos.


Quarta-feira, 07.03.12
Rui Passos Rocha

O que é um europeísta que recusa cumprir acordos europeus? Isso mesmo, alguém com sentido de Estado. Mas o exemplo de Rajoy, que não vai cumprir o acordo de redução da dívida, não basta a Mário Soares. O trisavô da democracia portuguesa acha que Passos Coelho devia recusar os "juros altíssimos" (4% e 5%, dependendo do emprestador) da troika "usurária" e simplesmente não seguir o acordo que a troika impôs Portugal pediu para evitar essa coisa chata de não ter com o que pagar dívidas, salários e investimentos - como as 57 pontes intercruzadas que a Lusoponte gostava de fazer sobre o Tejo. Imagino que, como ameaça, possamos acenar à troika os cerca de 16% a que os juros da dívida a 5 anos já vão.


Terça-feira, 06.03.12
Rui Passos Rocha

Permitam-me que envie também eu as mais calorosas e apertadinhas felicitações a Putin. É muito raro encontrar-se alguém com as suas qualidades: enquanto governa o país tem cabeça para fazer mini-concertos de piano, ir à pesca em tronco nu ou até encontrar uma pérola arqueológica no seu primeiro mergulho subaquático. Ainda mais raro é um governante conseguir resolver de forma inteligente, pacífica e com recurso à educação um problema étnico da gravidade do checheno e oito anos depois conseguir 99,8% dos votos na região - na qual votaram 99,6% e houve até uma localidade onde Putin venceu com uns estrondosos 107% dos votos. Ah democrata!


Quinta-feira, 23.02.12
Rui Passos Rocha

A tragédia grega não é feita só de amor, azar e morte. O que a distingue do drama social é concentrar-se na psique do herói. A boa tragédia descreve pormenorizadamente a assimilação psicológica dos infortúnios de quem, até há pouco, nadava num mar de rosas.

 

Este artigo tem a vantagem de conter duas tragédias numa só. Um casal grego que ganhava 43 mil euros anuais governa-se agora com cerca de metade, e isto temporariamente porque o marido está prestes a perder o subsídio de desemprego. Depois de terem comprado casa e pago a educação superior dos dois filhos, o pouco que sobrou começa a desaparecer.

 

Como os filhos, para já empregados, receberam uma simpática herança de uma familiar, os pais dizem que está a chegar a hora de receberem dinheiro deles. Um dos filhos responde algo como isto: “se as coisas piorarem, cá estaremos para ajudar”.

 

A gratidão e a solidariedade são bonitas, mas talvez nem sempre sejam justas. Sendo a Grécia um caso peculiar de patronagem e sanguessuguismo político, uma quebra assim abrupta das esperanças dos cidadãos é revoltante. Mas devia ser particularmente revoltante que o discurso político tenha omitido, nas últimas décadas, a fragilidade estrutural em que a economia assentava. A culpa não foi só política, mas o exemplo vem de cima.

 

Os pais-43-mil-euros que estão hoje dispostos a tirar mais um quanto aos filhos são os mesmos cujos direitos adquiridos impõem agora uma readaptação brutal à nova geração: salários mínimo e médio inferiores, reforma mais magra e tardia, mercado laboral liberalizado e com menos direitos para os novos trabalhadores. Esta é a tragédia dos pais que, sem o saber, provocaram a avalanche, mas também  dos filhos que dela terão de se desenterrar.

 

[publicado também na minha outra casa]


Quinta-feira, 16.02.12
Rui Passos Rocha

A Priscila Rêgo escreveu sobre o quão importante é para os governantes de países ultra-endividados sinalizarem aos seus credores que que farão "o que for preciso" (nas palavras de Passos Coelho) para atingir índices macroeconómicos decentes. O reverso da moeda é que, ao dizer coisas como essa e tomar sucessivas medidas contraccionistas sem que haja sinais de recuperação económica, arriscam-se a sofrer consequências que não previram: desde uma queda maior do que a esperada do investimento privado até uma corrida aos bancos, para recolher os depósitos enquanto há tempo. Daí ao colapso é um passo.


Terça-feira, 14.02.12
Rui Passos Rocha

... mais nerdice menos nerdice:

 

 


Segunda-feira, 13.02.12
Rui Passos Rocha

 

Já dizia o poeta: "Aguenta, não chora"


Terça-feira, 07.02.12
Rui Passos Rocha

O primeiro-ministro resolveu queixar-se dos seus empregadores dizendo que somos demasiado queixinhas (piegas, se preferirem) e que devíamos "ser mais exigentes" connosco e com os outros. Até porque a alternativa será "fazer de conta" de que tudo está bem, quando a dívida e o défice público do país atingem a obesidade mórbida. Aos empresários, a quem permite despedir funcionários que não cumpram o exigido, Passos Coelho pede "melhor gestão". Ao povo, que o contratou como funcionário, pede que não se queixe da sua prestação de serviços. A exigência que nos pede é, percebe-se, para aplicar horizontalmente. Há contratados cujo trabalho não deve ser escrutinado e criticado: os que contratámos para o Terreiro do Paço.


Rui Passos Rocha

Depois de Rajoy ter mexido na lei do aborto espanhola "para preservar o direito à vida", eis que Passos Coelho e companhia se dizem dispostos a preparar um "balanço" da lei portuguesa para, quiçá, fazer-lhe "pequenos ajustamentos".

 

Dado o forte peso do sim ao aborto legal, esses ajustamentos provavelmente não serão a desvirtuação da lei, mas a imposição do pagamento pela interrupção da gravidez: talvez em abortos seguintes ao primeiro, talvez mesmo em todos. O que pode ser problemático, já que boa parte de quem aborta ou não tem dinheiro para contraceptivos ou condições para acrescentar mais um à família.

 

Mas pode ser que os ajustamentos pensados venham a ser de outro tipo, inspirados pela humanista doutrina cristã. Nesse caso deixo aqui algumas notas, retiradas daqui e daqui:

 

- A percentagem de abortos por país é sensivelmente a mesma quer eles sejam legais ou ilegais;

 

- Os dados sugerem que a melhor forma de reduzir essa percentagem não é tornando o aborto ilegal mas fazendo com que haja mais contraceptivos à disposição;

 

- Entre 1996 (quando legalizou o aborto) e 2007 a África do Sul viu baixar em 90% a taxa de mortalidade de mulheres que abortaram;

 

- A percentagem de abortos é especialmente grande em Cuba, devido aos poucos métodos contraceptivos. Em 1990 foram 33% as adolescentes que abortaram;

 

- No Uganda, onde o aborto é ilegal e se incentiva à abstinência, a taxa de abortos foi de 54/1000 em 2003, mais do dobro dos Estados Unidos e quase o quíntuplo da Europa Ocidental.


Quarta-feira, 01.02.12
Rui Passos Rocha

O João Miranda dá aqui e aqui a entender que seria legítimo que a Alemanha, porque credora, tivesse assento no parlamento grego. "Taxation" sem "representation" não lhe faz sentido (mesmo que a UE não seja federal, o que é um pormenor, imagino). Suponho que essa representação fosse proporcional: Merkel e companhia nomeariam 33,8% dos deputados, os sociais-democratas 23%, os liberais 14,6% e por aí fora, de acordo com os resultados das eleições federais de 2009 na Alemanha.

 

Aliados, como em casa, os conservadores e os liberais teriam também apenas o peso relativo que lhes cabe: a França, a quem os gregos devem mais de 40 mil milhões, teria quase o triplo da representação alemã (15,9 mil milhões). Até Portugal lá mandaria uns galambas, metade dos alemães: os -opoulos devem-nos 7,5 mil milhões. Dificilmente a bandeira grega no parlamento passaria à meia-haste.

 

Tendo a Alemanha 176% de dívida externa em percentagem do PIB, contra os 252% gregos, também o parlamento alemão mudaria ligeiramente: França, Itália, Estados Unidos e Japão lá estariam para ferir o orgulho nacionalista, estimulando o europeísmo e ajudando à sensação de pequenez relativa que não parece fazer nada mal aos alemães.


Terça-feira, 31.01.12
Rui Passos Rocha

Para quem ainda não reparou, também há neoliberais caceteiros. Alguns dos blogues políticos mais famosos da praça alojam alguns espécimes.O sistema político deles é praticamente perfeito: com menos freios a iniciativa privada é mais livre, a competitividade e a mobilidade aumentam. Os impostos convém que sejam baixos, bem baixos. Com liberdade e maior riqueza, só os tolos se importarão com a crescente desigualdade. A não ser que... A não ser que o povo se importe mesmo com a desigualdade e com uma democracia que deixa os cordéis nas mãos de uma minoria dentro de uma minoria. Nesse caso terão duas opções: ou vão paulatinamente cedendo no seu fundamentalismo, o que é pouco provável em caceteiros, ou estarão dispostos a muscular a democracia. Nenhuma sociedade ideal admite invejosos.

 

Tudo menos caceteira é a ideia de maior educação contra a inveja social: o instinto competitivo que nos faz olhar de lado quem é mais bem sucedido pode ser aplacado com instrução. Mas não me parece que isto seja inteiramente correcto: se o objectivo for reduzir a percepção de injustiça na distribuição de rendimentos convém não entregar as nozes todas aos dentes de quem aproveitará para aumentar a injustiça efectiva. A educação contra a inveja será importante, mas se precedida de maior justiça na redistribuição de rendimentos.

 

Convém não generalizar o caso de Portugal, país onde a enorme desigualdade (quando comparada com os restantes países da OCDE) parece estimular sobretudo apatia em relação à política. Noutros lados a apatia inicial já deu lugar a mobilização. Aliás, tendo em conta que os índices de satisfação com o governo são maiores nos países em que o desempenho económico é melhor (quer sejam democráticos quer autocráticos), imagino que, entre esses países, seja nos que têm liberdade de informação que é maior o perigo de explosão da mobilização descontente pós-apatia.

 

Por isso convém perguntar: querem ser o Chile da ditadura do regime militar, os Estados Unidos do sistema político minado e do descontentamento generalizado ou algo menos dado a contestações civis?


Segunda-feira, 23.01.12
Rui Passos Rocha

Agora que já temos redes de internet que cobrem inteiras áreas urbanas, já estivemos mais longe de acrescentar a internet à Declaração Universal dos Direitos do Homem. É inegável, por mais que se torça as estatísticas, que a internet tem servido para nos aproximar do ideal de Tólstoi Trótski de uma sociedade composta por inúmeros Aristóteles. Ainda não chegamos a esse aborrecido idílio, mas graças à internet somos cada vez mais inteligentes. Parece é que nem todos ganhamos com isso.

 

As indústrias discográfica e filmográfica dizem que a pirataria lhes rouba potenciais consumidores. Parece lógico: se bem que grande parte dos que descarregam conteúdos gratuitamente nunca os compraria, uma - mesmo que minúscula - parte provavelmente o faria. Mas há um exemplo curioso: o último álbum dos Radiohead, um dos mais vendidos de 2011, foi inicialmente disponibilizado na internet e com possibilidade de compra da versão mp3 por apenas 9 dólares.

 

As relações de causalidade aqui são nebulosas, mas uma coisa parece certa: que a pirataria tem ajudado a aumentar o número de potenciais consumidores - de música, de filmes, e também de livros. Com uma maior carteira de potenciais compradores, estas indústrias têm-se adaptado: já é possível comprar músicas em vez de álbuns inteiros; há cada vez mais livros em versão digital (como as edições para Kindle); e quanto ao cinema, bem, há colecções de filmes em DVD a preços inferiores ao custo de um bilhete de cinema.

 

Estas indústrias não estão a sofrer graves problemas económicos, mas sobretudo acreditam que perdem lucros potenciais. Nenhum lóbi convive bem com um mercado instável, sobretudo um que a internet torne tão volátil. Aumentado esponencialmente o número dos seus potenciais clientes, as grandes empresas parecem preferir o lucro fácil e certo. Mas com isso compram o descontentamento dos Aristóteles do torrent.

 

*Termo roubado a João Caetano Dias do Blasfémias.



autores

Bruno Vieira Amaral

Priscila Rêgo

Rui Passos Rocha

Tiago Moreira Ramalho

Vasco M. Barreto

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