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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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A idade dos extremos

Rui Passos Rocha, 12.08.10

Mas pare-se lá o baile, que ainda não me escudo de eventualmente ser mentecapto: não extraio dali tudo o que há a extrair para afirmar se sim ou não “uma ditadura não é melhor do que outra”. As entranhas revolvem-se-me um pouco com frases incluíndo “ditadura” e “melhor”, mas avance-se; e passe-se ao lado da especulação sobre quão “melhor” ela será para que a frase mereça sequer ser escrita – presumivelmente foi-o porque bem “melhor” se a conceberá. Avance-se, então, deixando também de parte que, do lado daquele tipo de argumentação normalmente está um sovietismo anti-estalinista que, porém, agrupa nazismo e fascismo, transformando a comparação numa luta corpo-a-corpo entre Krushchev e Hitler, David e Golias. Porque não comparar Estaline a Hitler e Krushchev a Mussolini? Em qualquer dos casos o primeiro contou mais cabeças. E porquê ficarmo-nos por estes países? Estima-se em 150 milhões os mortos pelo comunismo no século passado. E porquê, se nos dizem que o problema do comunismo esteve, não estará, na prática, não lembrar o ideólogo Lenine, hoje sentado à direita de Marx num qualquer paraíso igualitário, quando também ele na prática foi de uma humanidade venerável? Ordenou ele: “1. Enforcai (e assegurai-vos de que o enforcamento tem lugar à plena vista do povo) um mínimo de cem notórios kulaks, homens ricos e sanguessugas. 2. Publicai os seus nomes. 3. Confiscai todos os seus cereais. 4. Nomeai reféns em concordância com o telegrama de ontem. Façam-no de uma forma que, por centenas de quilómetros em redor, as pessoas possam ver, tremer, saber, gritar: eles estão a estrangular e estrangularão até à morte as sanguessugas kulaks”. E porque não, por fim, lembrar que antes da II Guerra os Gestapo eram apenas 8 mil se comparados com os 350 mil da GPU? Na idade dos extremos, um foi horripilante, mas o outro abriu mais valas.

2 comentários

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    RPR 12.08.2010

    Bem, não foi isso que percebi. Em relação a isso, não creio ter lido alguém comparar o salazarismo com o que seria o comunismo; apenas li críticas à defesa do comunismo como forma de democracia - mas esse é um debate terminológico, e quem usa preceitos liberais para discutir se o comunismo é ou não democrático (ou seja, liberal) conclui sempre que não. quanto ao resto, apenas sublinhei que há fascismos; e claro, também há comunismos, não o neguei. até na URSS os houve, como escrevi.

    de qualquer modo, para essa discussão "mais ou menos decente", com tipologias e tal, tenho de ler mais umas quantas coisas. daqui a uns tempos, tendo algo a dizer sobre isso, talvez volte à carga.

    (o post, tendo partido de ti, melhor, do mau entendimento sobre o que escreveste, não deixa de ter validade para uns quantos menos avisados)
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