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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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A arena mediática

Bruno Vieira Amaral, 08.09.10

O post tem de começar assim: eu não sei se Carlos Cruz é culpado ou inocente. Não sei. Ele diz que é inocente, o Tribunal entendeu que ele é culpado. Só não percebo o choque de algumas pessoas que o vêem a desmultiplicar-se em entrevistas e conferências de imprensa. Esquecem-se que os media que agora lhe dão tempo de antena, foram os mesmos que o condenaram antes da sentença; esquecem-se que o processo Casa Pia não é um mero processo judicial, é também, e muito pela presença de Carlos Cruz, um processo mediático, com regras próprias. As hienas (todos nós) que acompanharam o processo por envolver figuras da praça pública queriam agora, hipocritamente, que Carlos Cruz aceitasse com tranquilidade a sentença e não recorresse a todos os meios (a todos os media) para provar a inocência que sempre reclamou? Agora já estão fartos de ver o Carlos Cruz? Então façamos todos um grande favor ao nosso sistema judicial e que nenhum de nós comente os nomes que Cruz ameaça tornar públicos. Querem uma aposta que está tudo mortinho por ver a lista? Pois é, depois não se queixem que eles não saem da televisão. Carlos Cruz pagou o preço (no tribunal da comunicação social) de ser uma figura pública, agora vai apresentar a factura. Golpeado durante oito anos à vista de todos, não vai agora lamber as feridas para os curros. É óbvio que prefere morrer na arena, que o espectáculo não vai ser bonito e que ninguém vai desviar o olhar.

4 comentários

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    Bruno Vieira Amaral 10.09.2010

    Lourenço,

    não vou discutir pormenores, como o tratamento amigável da Fátima Campos Ferreira e essas peculiaridades que podemos resumir na palavra corporativismo ou noutra do género. O valor mediático do processo Casa Pia foi inflacionado pelo envolvimento do Carlos Cruz. Sem ele, teríamos o Ritto, o Marçal, o Ferreira Diniz, o Bibi e uma Dona Gertrudes e a cobertura dos media teria sido metade ou nem isso. Terminado o processo, o interesse mediático não diminui, sobretudo quando o condenado mais mediático está a espernear. O que me parece absurdo é exigir à comunicação social que dê a mesma importância a todos os condenados ou a todos os portugueses com problemas na justiça. Dou uns exemplos: Vale e Azevedo, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Pedro Caldeira não abriram telejornais? Alguém reclamou que o mesmo tempo fosse dispensado a todos os condenados deste país?
    é verdade que a comunicação social não se deve substituir aos tribunais, mas também ninguém lhe pode exigir que seja imparcial (falo no tempo dispensado a cada figura). Só para finalizar, vê o que está a acontecer ao Duarte Lima. Um advogado de província envolvido no mesmo caso teria ido à Grande Entrevista?

    Abraço
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    Anónimo 10.09.2010

    Repara, não tem a ver com a importância que a comunicação social dá aos famosos condenados, tem a ver com o tom com que o diálogo é feito. Para pegar num exemplo que dás, lembro-me da agressividade com que Vale e Azevedo foi tratado durante uma entrevista ao Rodrigo Guedes de Carvalho (julgo), uma agressividade totalmente ausente do caso Carlos Cruz. Se, porventura, Carlos Cruz é mesmo culpado (e dado que o tribunal assim o decidiu não é descabido partir desse princípio) é indecente o que a RTP tem andado a fazer, onde todos os colegas parecem partir do princípio oposto.
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    Bruno Vieira Amaral 10.09.2010

    Como não vi nem o Prós e Contras, nem a entrevista conduzida por Judite de Sousa, não sei qual foi o tom utilizado, embora acredite que tenha sido cheio de vénias. Mas penso que ninguém deve estranhar que as televisões e a imprensa dediquem mais tempo a Carlos Cruz do que aos outros condenados, ou esperar que, agora que foi proferida a sentença, os ignorem a todos com o argumento de que não se podem substituir aos tribunais. E se é verdade que esta exposição serve os interesses do Carlos Cruz, não é menos verdade que o interesse do público (não confundir com interesse público) é real, ou não estivesse o site que o próprio criou entupido de visitas.

    Abraço

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