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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Ah, a Literatura

Tiago Moreira Ramalho, 12.10.10

Então não é que agora há um novo pugrama na televisão paga, num canal que não possuo, dadas as malandrequices dos exclusivos e dada a minha preguiça de mudar de serviço de três em três semanas (o ritmo a que surgem novos canais na televisão paga), sobre, ah, a literatura que se chama, precisamente, «Ah, a Literatura!»? Pois. Quem apresenta? O Pedro Vieira, que conhecemos por detrás das minúsculas e dos rabiscos engraçados – e aqui guardámos a ironia de má qualidade por um pequeno instante – e por uma senhora que, honestamente, desconhecemos, mas a quem reconhecemos as extraordinárias capacidades de se manter durante longos períodos de tempo estática do pescoço para baixo enquanto lê em ritmo irregular um papelinho longe demais, quem sabe, para que a coisa saia bem. Enfim, o leitor já compreendeu, até porque não é estúpido, ou pelo menos não é sempre, que aqui o meu eu que tenta cogitar não ficou particularmente impressionado. O conceito é muito catita, façam atenção. O Francisco José Viegas tem razão, no início do pugrama, quando diz que os programas sobre livros não têm de ser aborrecidos (como por exemplo aquela panhonhice da TVI24 chamada «Livraria Ideal», cujo propósito era dar asilo temporário aos «escritores» portugueses). No entanto, não ser aborrecido não é sinónimo de ser vazio. Ora, eu andava todo entusiasmadinho com a ideia de ler «Como Deus Manda» no Niccolo Ammaniti, até já tinha quem mo emprestasse e tudo, quando me meti a ouvir a parelha que apresenta a falar do bicho. E o que se dizia? Que começava com caralhadas e que a acção era num multibanco. Coiso e tal, redacção feita, Bom mais para o grupo, toca a ir para casa comer Oreos. Não quero ser mauzinho, longe de mim, que sou essencialmente um paz d’alma amigo de toda a gente, que sou, que sou, mas a verdade é que para dizer o que vem na contracapa, mais vale estar caladinho. Não se pedem teses de doutoramento sobre literatura italiana. Mas poderíamos pedir um bocadinho, um bocadinho só de sumo nestes dias desidratados?

A verdade é que vi aquele pedaço e acabei por nem ver o resto, tal foi o desânimo da expectativa frustrada. Não sei se é aquecimento se não, mas já faziam uma merda de jeito, digamos assim em tom amistoso, para ninguém se chatear.