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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Metaforicamente metafórico

Tiago Moreira Ramalho, 14.10.10

O director de campanha de Manuel Alegre é um poeta. Palavra. Depois da justiça solidária incarnada em carbono lusitano ter cuspido a acusação de Cavaco andar a recrutar jovencitos para as suas putativas acções de campanha (digamos que estes recrutamento aconteceram, mas, segundo me lembro, foi com aquele senhor que defende com unhas e dentes a candidatura do solidariamente justo senhor), o tal director de campanha-poeta veio, metaforicamente, que doutro jeito acabaria gozado, esperamos que esteja consciente do facto, dizer que tudo era metáfora e verso, que tudo era declamação – improvisada, quem sabe, desgarrada em comício.

Não nos interessamos particularmente pelo senhor Manuel Justo. Nunca lhe lemos nem prosa nem verso, até porque possuímos, de um ponto de vista muito pouco metafórico, como se houvesse pontos de vista metafóricos, enfim, o leitor percebe que apenas pretendemos apoucar a figura; até porque possuímos, dizia eu, prioridades. Em termos políticos, não vemos grande grandeza, além da física, e aqui não há metáfora, há apenas barriga, no senhor Manuel Solidário. O interesse é, denotativamente, fraquinho, é o que se conclui. No entanto, não lhe invejamos a sorte. Se até o director de campanha se atreve a versar sobre a sua sanidade mental, o que esperar dos restantes milhões de poetas, terra de poetas, deparados com tamanhas enormidades. Vá, justa, solidária e alegremente descansar, meu senhor, que o país, mal ou bem, não é uma metáfora de um verso seu.